Samba perde ZILAH MACHADO

Cantora e compositora gaúcha morre aos 82 anos deixando um grande legado musical

 

Após 70 dias internada no Hospital Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre, faleceu hoje, dia 07 de janeiro, às 12h45min, a intérprete, compositora e percussionista ZilahMachado, por falência múltipla dos órgãos, em decorrência de neoplasia abdominal. A artista estava internada desde o dia 27 de outubro passado para tratamento de saúde. O velório ocorrerá no Teatro Glênio Peres da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, a partir das 19 horas. O sepultamento  será amanhã, sábado, às 9 horas, no Cemitério Jardim da Paz (Estrada João de Oliveira Remião, 1347, bairro Lomba do Pinheiro).

No dia 28 de abril do ano passado, Zilah Machado foi homenageada pela Secretaria Municipal da Cultura durante a entrega do Prêmio Açorianos de Música, quando foi ovacionada pelo público, que lotou o Theatro São Pedro. Na ocasião, ela recebeu Menção Especial do Prêmio Açorianos de Música pelo lançamento do CD “Ziringuindim         “, seu último disco, lançado em outubro de 2009, com financiamento do Fumproarte. O disco também conquistou oPrêmio Açorianos na categoria Produtor Musical (Gelson Oliveira), além das indicações nas categorias Disco, Produtor Executivo, Compositor e Intérprete. Sua última apresentação foi no dia 22 de setembro passado, no Foyer Nobre do Theatro São Pedro, dentro do projeto Musical Petropar.

O último disco

“Ziringuindim” foi o segundo CD de sua carreira, de um total de cinco títulos gravados (dois LPs e um compacto). Produzido pela jornalista e produtora cultural Silvia Abreu, o disco contou com a participação do músico Gelson Oliveira, que assinou os arranjos e a direção musical e artística, esta última em co-produção com Rodrigo Panassolo.  Nas 16 faixas inéditas que compõem Ziringuindim, registram-se diferentes facetas da intérprete e do seu rico universo musical e poético, revelado em sambas-canções, sambas-de-roda e sambas-exaltação. O disco foi lançado no dia 28 de outubro de 2009, no Teatro Sesc-RS.

Um dos desafios apontadas pelo diretor musical, Gelson Oliveira, foi escolher, entre mais de 200 canções compostas por Zilah, as que iriam integrar o repertório de Ziringuindim. Uma curiosidade a respeito do processo criativo da cantora é que ela compunha marcando o ritmo com um tambor, fabricado por ela própria. Como parte da estratégia de divulgação do trabalho, pela primeira vez, Zilah teve seu trabalho divulgado na Internet. Os endereços – www.zilahmachado.org e www.ziringuindim.com.br –, além do www.myspace.com.br,  foram desenvolvidos por Elinka Matusiak, da Toccata Consultoria em Música, em parceria com a jornalista Silvia Abreu, e trazem diversas informações sobre a carreira e a vida da artista, além de fotos e amostras de seus registros fonográficos, incluindo seus trabalhos anteriores.

A respeito do novo trabalho, o jornalista e crítico Juarez Fonseca comentou: (…) Mesmo já a conhecendo, pois é uma cantora com história marcante na música da cidade, fiquei impressionado Ela me lembrou Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Elza Soares, e cito apenas estas, com a dimensão que têm, por acreditar que se tivesse desenvolvido sua carreira no Rio, Zilah estaria em posição semelhante. No Rio Grande existe um certo descaso pelos artistas das gerações mais velhas; parece que se tornam invisíveis. Mas ela passa por cima dessas mesquinharias. Aos 80 anos (repito: 80), fez um disco com a garra e a facilidade dos 40. Não é apenas uma grande cantora, é também uma grande compositora, como mostram as 16 faixas, melodias e letras muito bem construídas, alto nível no sambas e temas afro-brasileiros (…) E neste momento, ouso afirmar: Zilah Machado está entre os grandes autores de samba do país. Seu samba flui, cativa, faz dançar, fala em realidades e magias, canta a natureza e as pessoas, tem um poder quase folclórico”. (Jornal ABC Domingo, 29/10/09).

O jornalista e pesquisador Marcello Campostambém observou:“Ziringuindim pode ser ouvido como sequência do CD anterior, Passageira da Nave dos Sonhos (2000), só que mais afrobrasileiro, afirmativo e bem-resolvido em letra e música. São 45 minutos de samba, jongo, afoxé, marcha-rancho, ijexá e samba-de-roda que mostram a artista no auge de sua forma vocal e criativa, assinando sozinha todas as 16 faixas sem cair nas rimas de amor–dor e outras obviedades.” (Revista Aplausno, nov/2010).

Discografia:

 

Já se Dança Samba como Antigamente”, LP, CBS, 1980.

“Lupiciniana”, LP, CBS, 1988.

“Passageira da Nave dos Sonhos”, Fumproarte/SMC/Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 2000.

“Ziringuindim”, Fumproarte/SMC/Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 2009.

Zilah Machado – Compacto (sem informação sobre a gravadora e ano)

Para saber mais sobre Zilah Machado, sua vida e sua obra, acesse os sites:

www.zilahmachado.org

www.ziringuindim.com.br

www.myspace.com.br

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