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“São coisas de preto e preto não presta” Alunos denunciam fala racista de professor em Uberaba

Irritado com alunos que batucavam dentro de sala, o educador afirmou que não gostava de pagode e nem de samba porque os gêneros musicais “são coisas de preto e preto não presta”. Ao ser questionado pela diretora, o docente negou as acusações

por João Henrique do Vale no EM

iStockphoto

A fala racista de um professor de história casou revolta em uma escola estadual de Uberaba, na Região do Triângulo Mineiro. Irritado com alunos que batucavam dentro de sala, o educador afirmou que não gostava de pagode e nem de samba porque os gêneros musicais “são coisas de preto e preto não presta”. Indignados, os estudantes fizeram um boletim de ocorrência e uma manifestação na porta da instituição. O docente negou as acusações e informou que teve as falas distorcidas. Mesmo assim, pediu dispensa e foi desligado nessa segunda-feira.

O professor trabalhava na Escola Estadual Corina de Oliveira como designado desde janeiro deste ano. Na última sexta-feira, ao chegar para dar aula, o educador chamou a atenção de alguns alunos que estavam batucando no fundo da sala. Foi nesta hora que começou a confusão. “Os estudantes afirmaram que perguntaram ao professor se ele não gostava de pagode. Ele respondeu, conforme os alunos, que não porque o samba é coisa de preto e preto não presta”, comentou a diretora da instituição, Marilângela de Oliveira Silva Melo.

A discussão não parou por ai. Os estudantes, segundo a diretora, continuaram a questionar o professor sobre o preconceito. “Alguns alunos disseram que afirmaram: ‘meu pai e minha mãe são pretos e não são assim’. Nisso, o professor perguntou se eles trabalham, pois tinha trabalhado na polícia e lá contatou que a maioria dos negros não trabalhavam”, disse a diretora.

Familiares dos jovens procuraram a diretora na segunda-feira demonstrando a revolta. Vestidos de preto, eles fizeram uma manifestação em frente a instituição. A diretora se reuniu com os alunos e todos os 40 estudantes foram unânimes em falar dos preconceitos relatados pelo professor. “Também ouvi o educador. Ele negou tudo e que os alunos distorceram uma fala na sala de aula. Falei para ele tentar resolver a situação junto comigo em uma conversa com os estudantes, mas ele preferiu se desligar do cargo”, explica Marilângela Melo.

A escola estadual tem 1,5 mil alunos e 120 funcionários. Nenhuma ocorrência deste tipo foi registrada. Na sala de aula onde aconteceu o suposto ato de racismo, 80 % dos alunos eram negros. “Eu acredito que tenha acontecido mesmo a situação de preconceito. Conheço turma e pelo menos uns 10 o defenderiam se fosse uma injustiça”, comentou a diretora.

 

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