‘Sementes: Mulheres Pretas no Poder’ abre estreia do primeiro cine coletivona no Museu da Maré

Construído na Maré há dois anos, a ação Coletivona lança dia 31 de janeiro às 17h o Cine Coletivona, seu novo braço artístico e social.  Como abertura da primeira fase do novo projeto, que tem como tema “Origens e Novos Caminhos”, acontece a exibição do documentário “Sementes: Mulheres pretas no poder”, de Éthel Oliveira e Júlia Mariano. O filme acompanha o levante de Mônica Francisco, Rose Cipriano, Renata Souza, Jaqueline de Jesus, Tainá de Paula e Talíria Petrone, mulheres negras da política, após o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. O longa-metragem será exibido gratuitamente através do canal de  YouTube do Museu da Maré – e seguido de debate com a curadora do evento, a jornalista e diretora Andrea Cals.

“O evento propõe uma reflexão a partir de cineastas que já vem resgatando esse precioso olhar para nossa ancestralidade, a fim de construir novas trilhas. Por isso, estamos com o objetivo de realizar um festival que coloque o cinema feito por mulheres negras em pauta como linguagem estética e motor de partilha e integração entre pessoas. Elaboramos o Cine Coletivona a partir do eixo central da Coletivona, que se constitui em processo permanente de busca de modos de convivência com o desejo de gerar renda em rede a partir da convivência no chão mareense”, ressalta Natasha Corbelino, da Corbelino Cultural, idealizadora do projeto.

Na pandemia, a urgência de geração de renda só fez aumentar. “Desejamos que, mais do que um festival padrão, seja um festival sobre fazer circular ideias, cultura, formação de repertório e linguagem sobre o território, tendo a cena digital como pulsão de vida gerando breves salves financeiros para mais pessoas agora”, complementa Natasha sobre a segunda fase do projeto, também online, prevista para março.

Após esta abertura da programação de 2021 haverá uma convocatória para que moradoras do Complexo de 16 favelas da Maré produzam seus próprios filmes de celular e /ou Zoom, a partir do eixo curatorial: Origens e novos caminhos. “Estes microfilmes serão exibidos durante a programação online em março. Através desta convocatória pública, a Coletivona fará o chamamento para estas criações acontecerem e serem partilhadas na programação. Prevemos a exibição de 40 filmes de até 3 minutos, onde cada um deles receberá uma ajuda emergencial de R$ 400”, antecipa.

O projeto está sendo realizado com recursos do edital de chamada emergencial de premiação financeira a festivais nº 04/2020 do Governo do Estado do Rio de Janeiro / Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através do Governo Federal e da Lei Aldir Blanc. “A seleção de filmes e a proposta de produção de microfilmes quer estimular a importância de valorizar os antepassados e nossa procedência, o resgate de nós mesmos, no intuito de construir os próximos passos no meio do caos atual. O filósofo italiano  Emanuele Coccia enuncia que somos a reunião do DNA de todos os que vieram antes; somos, a cada nascimento, ao mesmo tempo a continuidade e a eterna renovação do mundo. Se assim é, diante dessa inesperada doença de alcance global, um mergulho para dentro de si é necessário: quem somos de fato, o que queremos, o que podemos fazer? Perguntas tão básicas quanto complexas”, encerra Andréa.

 

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