Tag: Afro-brasileiros

    (Foto: Imagem retirada do site Época)

    ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’: A obra que foi nosso cometa

    Obra de Machado de Assis é o tema do terceiro texto da série que aborda os principais livros pedidos nos maiores vestibulares. Imagine uma noite em que você consiga ver um monte de estrelas. É um céu lindo. Agora imagine um cometa iluminando o céu lindo. É de perder o fôlego. O céu sem o cometa é a literatura brasileira até 1881: belas obras no firmamento. O cometa que tira o fôlego é o romance “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Nunca mais nossa cultura foi a mesma. Muitos países passaram pela experiência de ver a publicação de uma obra revolucionária. Pense na Espanha na época da publicação de “Dom Quixote”. Pense na Rússia na época da publicação de “Anna Kariênina”. Não é o caso de dizermos que esses romances revolucionários são melhores que os que vinham sendo publicados até então: gosto literário é subjetivo. Mas é ...

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    Machado em dois momentos: em foto de 1893 atribuída a Juan Gutierrez (esquerda) e em foto encontrada em uma edição da revista argentina "Caras y Caretas" de 1908 Foto: Reproduções / Agência O GLOBO

    Foto inédita de Machado de Assis reaquece polêmica sobre embranquecimento do autor

    Há tempos a cor da pele de Machado de Assis é tema controverso entre pesquisadores e biógrafos. Em seu atestado de óbito, o escrivão marcou que o autor, morto em 1908, seria de “cor branca” — uma prova, segundo muitos, de que o neto de escravos teria sofrido um processo de embranquecimento durante a vida, e mesmo após a morte. A querela ganhou um novo capítulo na semana passada, com o surgimento de uma foto até então desconhecida. Encontrada pelo pesquisador Felipe Rissato em um exemplar da revista argentina “Caras y Caretas” de janeiro de 1908, a imagem mostra Machado de pé em um jardim, com a mão na cintura, num raro momento de informalidade. ‘Não há texto ou registro algum de Machado em que ele diz ser branco. Ainda assim, por causa do nosso racismo institucional, a elite sempre fez de tudo para apresentá-lo como tal. Esse é um ...

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    Foto: Imagem enviada pelo autor ao Portal Geledés)

    O Negro na Política: A trajetória do vereador Leopoldo Silvério da Rocha

    O NEGRO NA POLÍTICA: A TRAJETÓRIA DO VEREADOR LEOPOLDO SILVÉRIO DA ROCHA – GOVERNADOR MANGABEIRA - BAHIA(1983-2000)* RESUMO: O presente artigo visa analisar a participação do negro na política brasileira, utilizando-se como estudo de caso a trajetória do Vereador Leopoldo Silvério da Rocha, que exerceu essa função no período de 1983-2000, no município de Governador Mangabeira, localizado na região do Recôncavo da Bahia, sendo um dos primeiros negros e o único adepto de religião de matriz africana a ocupar uma cadeira no Parlamento municipal no período analisado. Para tanto, utilizou-se como fontes os livros de atas da Câmara de Vereadores, decretos, leis e outros documentos, bem como, os depoimentos de pessoas que conviveram com o Vereador Leopoldo nesse momento de sua vida, foi possível analisar a sua atuação enquanto parlamentar, principalmente no que se referem as suas ações voltadas para as áreas de educação, saúde e infraestrutura para o bairro ...

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    André Rebouças (Foto: Wikimedia Commons)

    Quem foi André Rebouças, abolicionista que batiza a Avenida Rebouças

    Formado em engenharia civil, André Rebouças serviu na Guerra do Paraguai e projetou a estrada de ferro que liga Curitiba ao Porto de Paranaguá, no Paraná. Abolicionista, ajudou a fundar a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, com Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. Monarquista, teve de se exilar na Europa após a Proclamação da República, em 1889. Junto com o irmão Antônio, também engenheiro, batiza a Avenida Rebouças, que atravessa a Zona Oeste da capital. Morreu em 1898, aos 60 anos. André Pinto Rebouças nasceu em plena Sabinada, a insurreição baiana contra o governo regencial. Seu pai era Antônio Pereira Rebouças, um mulato autodidata que obteve o direito de advogar, representou a Bahia na Câmara dos Deputados em diversas legislaturas e foi conselheiro do Império. Sua mãe, Carolina Pinto Rebouças, era filha do comerciante André Pinto da Silveira. André tinha sete irmãos, sendo mais ligado a Antônio, que se tornou ...

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    (Foto: Reprodução/ Editora Perspectiva)

    ROSA DE LIMA analisa livro de ABDIAS NASCIMENTO, Genocidio do Negro

    O racismo nunca saiu da pauta nacional e o conceito da "democracia racial" já foi desestabilizado há anos, desmoralizado. Ainda assim, há aqueles que ainda o defendem ou se não o defendem abertamente com receio de serem enxovalhados, o praticam nos seus atos e na surdina. Felizmente, o Brasil avançou bastante em conquistas para a comunidade negro-mestiça, ainda não a ponto do que merece, isso, graças as lutas e organizações dos negros e mestiços com seus grupos estabelecidos em diversos segmentos da sociedade, das artes aos meios juridicos; da politica a religião, e de um florescente sentimento de empoderamento. Até para continuar entendendo esse processo e atualizar-me das questões relacionadas ao racismo reli, recentemente, o clássico da literatura nacional "O Genocídio do Negro Brasileiro - Processo de um Racismo Mascarado", de Abdias Nascimento, com textos complementares de Florestan Fernandes, Wole Soyinka e Elisar Larkin Nascimento (Ed Perspectiva, 2017, apoio do ...

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    (Ilustração: Angelo Agostini)

    USP homenageia Luiz Gama 167 anos após impedi-lo de frequentar aulas de direito

    A partir do dia 1º de dezembro deste ano, o nome de Luiz Gama vai batizar uma das salas de aula da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo. A homenagem será marcada por uma celebração dentro da universidade à partir das 11 horas da manhã, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP. Silvio Almeida, advogado, filósofo e presidente do Instituto Luiz Gama considera que a homenagem é repleta de simbolismos, já que a USP historicamente representou o poder dos escravocratas por fornecer, do ponto de vista técnico e jurídico, todos os instrumentos para a manutenção da escravidão. "A celebração na USP ocorre contra o que ela representa, aquilo e a quem a USP representa. É um espécie de refundação do significado da Faculdade do Largo São Francisco", diz. Em 1850, Luiz Gama, que foi um dos maiores líderes abolicionistas do Brasil, tentou frequentar ...

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    Milton Santos em entrevista para o Jornal do Brasil, em 1977 (Foto: Imagem retirada do site Milton Santos)

    Milton Santos | O mundo visto do lado de cá

      O documentário “Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá” procura analisar as contradições e os paradoxos deste modelo econômico e cultural chamado globalização. A linha geral do documentário é a entrevista com geógrafo baiano Milton Santos que se debruça sobre questões como: globalização, sociedade de consumo, território, as desigualdades da globalização e crises que esta promove, as barreiras físicas e simbólicas impostas pelo capitalismo como efeito da globalização e o papel da grande mídia como intermediária desta relação. Ao longo do documentário são apresentados diversos episódios em que a os efeitos da globalização são evidenciados com maior clareza como, por exemplo, a tentativa de privatização da água potável em Cochabamba, Bolívia, em 2000, que gerou uma forte onda de protestos. Trata-se de um ótimo documentário para se refletir não só sobre questões relativas à globalização mas, também, para refletir sobre conceitos como capitalismo, território, sociedade de consumo, etc. Direção: ...

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    (Foto: Léo Azevedo)

    “Merê”, filme de Urânia Munzanzu, une religiosas da Bahia e Benin em torno da tradição Jeje Mahi!

    Tudo que se falava da nação eram as vozes masculinas que bradavam, falando sobre nosso jeito, nosso pensamento – digo nós as mulheres – nossa habilidade com a feitiçaria…e nós – as mulheres – caladas. Silenciadas numa máxima travestida de “tradição” (…). Depois a cisma: me estranhava muito TODAS as casas de Jeje Mahi da Bahia serem rompidas, brigadas há mais de meio século e, na verdade, ninguém sabe direito o motivo  Assim surgiu o projeto “A Ponte – diálogos entre dois mundos”, idealizado pela jornalista soteropreta, cineasta, poeta e militante do movimento negro desde os anos 80, Urânia Munzanzu. Mestranda em Antropologia na Universidade Federal da Bahia, Urânia é Dabosi no Terreiro do Bogum, de tradição Jeje, localizado no Engenho Velho da Federação, em Salvador. Sua ideia era a de pensar e realizar conexões entre sujeitos na diáspora e o continente africano – especificamente África do oeste. O projeto surgiu daí e chegou no filme “Merê”, que significa ...

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    A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)

    Sessão Especial na Câmara celebra 25 anos do Instituto Steve Biko e traz Sueli Carneiro a Salvador

    Na próxima terça-feira (12), a partir das 18h30, o Plenário da Câmara dos Vereadores receberá a Sessão Especial “Instituto Steve Biko – 25 anos”, proposta pelo vereador e presidente de Honra do Instituto Steve Biko, Silvio Humberto (PSB). A Sessão - que também é uma homenagem aos 40 anos da morte de Steve Biko na África do Sul (12/9/1977) -  contará com a presença da filósofa, escritora e ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro, Sueli Carneiro. A Sessão será aberta ao público e contará com a abertura musical do cantor, Lazzo Matumbi. Na ocasião, o Instituto divulgará Campanha Biko + 25 Anos, destinada a angariar recursos para a finalização da primeira etapa da construção da nova sede da Biko, localizada no Campo Grande. Lá, um sonho está se tornando realidade a cada dia: a Faculdade Steve Biko. A construção – até então – conta com patrocínio da Coca Cola Foundation, que entregará ...

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    Maria Felipa comandou mulheres que conseguiram expulsar tropas portuguesas da Ilha de Itaparica (Imagem: Filomena Modesto Orge/Arquivo Público do Estado da Bahia)

    Quase um século depois, moradores incluem nome de Maria Felipa entre os heróis

    Não faz muito tempo que moradores de Itaparica recorreram a uma atitude, no mínimo, audaciosa: incluir o nome de Maria Felipa de Oliveira, considerada por muitos deles como a principal heroína da batalha local, numa lápide que já levava o nome de outros heróis. A homenagem foi instalada na parede da Capela da Piedade, em 1923. “Nós tivemos a ousadia, tomamos a liberdade e contratamos um calígrafo que fez uma letra rigorosamente igual à que está lá e acrescentou o nome de Maria Felipa entre os nossos heróis”, confessa, aos risos, o pesquisador Augusto Albuquerque, morador de Itaparica. É que a mulher negra, corpulenta e estabanada - descrição do historiador Ubaldo Osório - passou muito tempo esquecida, mas é especial para os itaparicanos. Não se sabe quando ela nasceu, mas seria natural do povoado de Ponta das Baleias e morrido em 1873. Lápide com nome dos ...

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    (Foto: Reprodução/ Google)

    Doogle do Google faz homenagem a Machado de Assis

    Nesta quarta-feira (21), o doodle do Google homenageia um dos maiores escritores brasileiro: Machado de Assis, em seu 178º aniversário. Machado de Assis é o grande homenageado do Google nesta quarta-feira, dia 21 de junho. A data comemora o 178º aniversário do artista, que é considerado, por muitos especialistas, o maior escritor brasileiro de todos os tempos. A página inicial tem alcance apenas no Brasil e o doodle pode ser conferida pelos internautas até as 23h59 deste dia. Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Era filho de Francisco José Machado de Assis e de Leopoldina Machado de Assis, neto de escravos alforriados. Apesar de não ter frequentado regularmente à escola, em 1854, aos 15 anos, foi trabalhar em uma tipografia, estabelecimento onde imprimiam-se livros e folhetos; e, assim, começou a fazer poemas e escrever histórias. Sua extensa obra é formada ...

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    Ilustração de Luísa Mahin. (Ilustração: Thiago Krening/TVE/RS)

    17 pessoas negras da História que você não viu na escola

    Na escola, provavelmente, você não ouviu falar sobre os guerreiros e guerreiras ou líderes quilombolas que desenharam a História do Brasil. Ao contrário da ênfase na trajetória dos imperadores Dom Pedro I e II, por exemplo, pouco se estuda dentro da sala de aula a influência negra de nosso país além da escravidão. Pensando nisso, a plataforma educacional gratuita Quizlet convidou Stephanie Ribeiro, estudante de Arquitetura da PUC de Campinas (SP) e ativista feminista negra, para elaborar uma lista com 17 pessoas importantes da cultura negra do Brasil. No site interativo é possível aprender sobre cada uma delas de forma dinâmica. “Quem é quem na história negra do Brasil” te leva a descobrir o quanto você conhece sobre as personalidades negras brasileiras. Clique aquipara acessar a plataforma e jogar. O conteúdo também traz os marcos da história negra (confira aqui). Abaixo, veja alguns dos nomes reunidos: Abdias Nascimento ...

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    Carlos Marighella (Foto: Imagem retirada do site Diálogos do Sul)

    Filme de Wagner Moura sobre Marighella abre seleção de atores

    O filme “Marighella”, que será dirigido por Wagner Moura, abriu processo de seleção de atores. Em comunicado, a produtora O2 Filmes divulgou os perfis procurados e todas as exigências para quem quer conquistar um papel no longa que contará a história do guerrilheiro e escritor baiano. “Na produção de Casting estamos realizando a pesquisa para compor o elenco do filme, que tem personagens crianças, adolescentes e adultos; para atores e também não-atores”, diz o texto. E completa: “Para poder participar do filme, o artista precisa passar por um ou mais testes neste processo de seleção de elenco e para isso precisamos conhecê-los e visualizar o perfil de cada um. Gostaríamos de conhecer novos artistas, que tenham vontade de fazer cinema, assim como atores mais experientes ou conhecidos”. Para participar, clique aqui. Foto em destaque: Reprodução/ Diálogos do Sul 

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    Foto: Imagem retirada do site Revista Cult

    Lima Barreto e o racismo do nosso tempo

    Negro, morador do subúrbio, desleixado e contraditório: era assim que o próprio Lima Barreto se definia. Ignorado em seu tempo, o autor de Triste fim de Policarpo Quaresma (1915) e Clara dos Anjos (1948) entrou para o cânone da literatura brasileira depois de muito tempo esquecido: neste ano, além de ser homenageado na FLIP, ele ganha uma nova biografia, com previsão de lançamento para junho: Lima Barreto, triste visionário, da historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. No livro, Schwarcz investiga os motivos pelos quais Barreto ficou tanto tempo relegado ao esquecimento. “Deixá-lo no lugar de vítima é muito pouco”, disse à CULT na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), onde apresentou trechos de sua pesquisa de uma década sobre o autor, na última segunda (8). Nascido em 13 de maio de 1881, o autor era filho de ex-escravos, e vinha de uma família monarquista, protegida pelo visconde de Ouro Preto. Logo cedo, perdeu a mãe, Amália, para a pneumonia ...

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    Alberto Guerreiro Ramos (Foto: Imagem retirada do site Irradiando)

    Guerreiro Ramos: o personalismo negro

    A recuperação do pensamento e da trajetória do sociólogo Alberto Guerrei-ro Ramos tem sido alvo de uma série de trabalhos recentes, sobretudo de-pois da republicação de seus livros mais conhecidos: Introdução crítica à sociologia brasileira (* 1995a) e A redução sociológica ( 1995b). Neste artigo, tratar-se-á de retomar essa preocupação geral desde um enfoque específico: a compreensão da práxis negra humanista de Guerreiro Ramos. É uma interpretação que busca compreender a originalidade de seu pensamento, a partir de duas tradições filosóficas marcantes de sua trajetória: a) a negritude francófona, em especial sartriana, conforme caracterizada em Orpheu negro (1948), que Guerreiro conheceu por intermédio de Ironides Rodrigues – intelectual do Teatro Experimental do Negro (TEN), do qual Guerreiro foi integrante entre 1948-1950 (cf. Barbosa, 2004); e b) sua heran- ça filosófica personalista e existencialista. Uma formação intelectual marcante de sua juventude, na década de 1930, que se manteve enraizada em sua ...

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    Ricardo Stuckert/Agência Brasil

    O farol Abdias Nascimento

    Mestre da luta contra o racismo, Abdias Nascimento (1914-2011) foi um abre-alas da consciência negra. Depois de uma vida inteira, ele deixou atrás de si muitos caminhos desenhados com a cumplicidade dos orixás. O nome Abdias Nascimento está ligado a uma das maiores ousadias político-culturais do século 20 no Brasil: a criação, no ano de 1944, do Teatro Experimental do Negro, o TEN. A chama deflagradora surgiu, anos antes, em Lima, capital do Peru. Foi lá que o jovem Abdias assistiu à peça O Imperador Jones, do dramaturgo americano Eugene O’ Neill. Apesar de Jones ser negro, o ator que o interpretava era branco com mãos e rosto pintados de preto. Abdias se lembrou imediatamente da situação dos atores negros no Brasil. Os poucos que conseguiam a chance de sair dos bastidores encarnavam personagens secundários, quando não figurantes. Aqueles que entram em cena, mas não falam. Quanto às atrizes negras, ...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Manuscritos de Machado de Assis são disponibilizados pela ABL

    Ao observar o manuscrito original do romance Memorial de aires (1908), o último publicado em vida por Machado de Assis, percebe-se que o autor carioca trocou diversas vezes o nome das personagens Dona Carmo e Fidélia ao longo de sua composição. Tais trocas podem sugerir, como indica o crítico Silviano Santiago, que ambas as personagens eram a mesma pessoa na cabeça de Machado – possivelmente sua recém-falecida esposa, Carolina Augusta. Na interpretação de Santiago, o autor de Dom casmurro (1899) estaria, em seu momento de velhice derradeira, pintando a saudade da esposa em seu último romance. Enigmas como estes agora podem ser analisados por qualquer leitor que se interessar. Isso porque, desde a última segunda (9), três manuscritos originais de Machado foram disponibilizados pela Academia Brasileira de Letras (ABL) em seu site oficial: o poema heroico cômico O almada (1910), e seus dois últimos romances, Esaú e Jacó (1904) e Memorial de aires. Antes de serem disponibilizados online, os escritos só podiam ...

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    Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

    A propósito de uma velha carta de Luíza Bairros

    Acredito que a morte de Luíza Bairros nunca será lamentada o suficiente pelos agentes envolvidos com o que chamamos Movimento Negro. Sabemos todos a posição nele ocupada por sua liderança intelectual e moral, ao longo de décadas. Quanto mais dimensionamos a singularidade de sua contribuição inestimável, tanto mais nos desarvoramos diante de responsabilidades inadiáveis, para cujo enfrentamento não podemos contar mais com sua intervenção decisiva. Não importava a hora, o dia, a circunstância pessoal ou familiar – nunca levávamos em conta essas relações, porque nunca a víamos envolvida com uma situação que impedisse seu pronto engajamento, sua ativa solidariedade. Encontrei em meus arquivos uma velha correspondência de Luíza Bairros, datada de 2 de dezembro de 1993, enviada de East Lansing, Michigan. Nos quatro anos anteriores a sua ida aos Estados Unidos, estivemos muito próximos em duras disputas dentro e fora do MNU. Luíza estava vinculada então ao African Diaspora Reserch ...

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    Milton Santos em entrevista para o Jornal do Brasil, em 1977 (Foto: Imagem retirada do site Milton Santos)

    Entrevista explosiva com Milton Santos

    Em agosto de 1998, a revista Caros Amigos publicou uma grande entrevista com o geógrafo Milton Santos. Na época, tinha 72 anos, lecionava no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) e preparava o último livro de sua carreira: Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal. E mesmo há quase vinte anos, o pensamento e opiniões do Milton Santos são tão atuais. O geógrafo e filósofo, não oficial como ele ressalta, fala sobre formação em universidades, poderes políticos, consumismo, religião… E ao ser perguntado sobre o que mudaria com uma possível vitória do PT no ano de 1998 (quando FHC ganhou com 53% dos votos validos de Lula e Ciro Gomes), o geógrafo responde: “Não sei, porque quando a gente lê um economista do PT, é quase a mesma coisa (…) E o nosso trabalho (intelectuais) realmente vai começar depois das eleições, seja quem ...

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    Paula Brito: frequentadores dos círculos intelectuais do Império (Foto: acervo do real gabinete de leitura)

    A intelectualidade negra do Império

    Em novembro de 1831, o tipógrafo negro Francisco de Paula Brito (1809-1861) comprou a livraria de seu primo, o mulato Silvino José de Almeida, e a transformou em uma das maiores editoras do Segundo Reinado. Entre seus acionistas figurou o próprio d. Pedro II, que em 1851 lhe concedeu o título de impressor da Casa Imperial. A importância de Paula Brito não se limitou a seu êxito empresarial: ele imprimiu um dos primeiros periódicos em defesa dos direitos dos negros e, mais tarde, publicou as primeiras obras dos escritores Teixeira e Sousa e Machado de Assis. Como explica Rodrigo Camargo de Godoi em sua tese Um editor no Império: Francisco de Paula Brito (1809-1861), defendida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp) em 2014 e agora publicada em livro pela Edusp, a trajetória do editor não é um caso isolado: “Há toda uma intelectualidade ...

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