terça-feira, novembro 24, 2020

    Tag: esquecer jamais

    Antonio Vieira

    Antônio Vieira e o doce inferno dos negros

    Por Emiliano José Antônio Vieira nasceu em Lisboa em 1608. Morreu em Salvador, em 1697. Com seus sermões, tornou-se uma referência, tanto pela maestria e beleza com que esgrimia ao valer-se da língua portuguesa quanto pelas ideias que defendia, enfrentando preconceitos de então, justificando outros. Combateu a escravidão indígena no Brasil, enfrentou a feroz Inquisição portuguesa por quem foi implacavelmente perseguido, defendeu os judeus e o que considerava dinamismo do capital que eles podiam aportar em Portugal. Gostava da Corte, envolveu-se na política e na diplomacia, foi intransigente defensor da escravidão dos negros, contra qualquer negociação com o Quilombo dos Palmares, propôs que a Coroa portuguesa entregasse Pernambuco aos holandeses e chegou a enveredar pelos caminhos da profecia, um dos motivos pelos quais foi perseguido pela Inquisição. Essas impressões foram recolhidas do livro Antônio Vieira: Jesuíta do Rei (Companhia das Letras, 352 págs., R$ 44,00), de autoria do professor titular ...

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    escravos

    Murucutu mantinha 50 escravos em famílias

    Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que pretendia libertar todos os escravos, cuja força de trabalho tanto enriqueceu senhores de engenho e a elite cafeeira. Desde 1834 já era proibido o tráfico negreiro transatlântico entre o Grão-Pará e a África. Em 1850, esse tráfico passou a ser proibido entre o Brasil como um todo e a África. Uma exceção, conhecida e estudada em pesquisas desenvolvidas pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, é o Engenho Murucutu, localizado na cidade de Belém. Mais de 30 anos após a proibição do tráfico negreiro no Grão-Pará, ele ainda mantinha uma média de 50 escravos. É o que apontou estudo da bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Museu Goeldi, Juliana Brandão, estudante de História da Universidade Federal do Pará (UFPA). Orientada pelo arqueólogo pesquisador do MPEG, Fernando Marques, ela desenvolveu a pesquisa "Força negra a ...

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    Revolução burguesa e colonialismo

    Revolução burguesa e colonialismo: uma visão marxista para a questão negra

    Na transição do feudalismo ao capitalismo, a aristocracia começa a deteriorar seu poder em meio a fraqueza que representa o trabalho servil na terra, e estabelece uma forma de poder totalmente dependente da aliança com a burguesia, baseando-se no incentivo ao mercado colonial como elemento competidor fundamental para o poder da nação. Tal processo que se deu na França, Inglaterra, Portugal e Espanha, foi o princípio fundador do surgimento das colônias. A burguesia começa a enriquecer bastante e a estabelecer um círculo de domínio territorial e econômico que enfraquece a cada dia mais o poder local (nobreza) e o poder universal do papado, dividindo de forma concreta as nações com base na relação material da divisão de colônias e de centros de exploração. A aristocracia passa a se desenvolver totalmente dependente do mercado criado e sustentado pela burguesia, sendo apenas uma financiadora cada vez mais desnecessária frente a alta acumulação ...

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    Castro Alves

    A segunda Morte de Castro Alves

    por: Mário Maestri* Antônio de Castro Alves não vai bem de saúde. Sobre ele, em forma lenta, estendeu-se uma cortina de silêncio, uma espécie de véu do esquecimento. Atualmente, afirma-se que a poesia do nosso mais conhecido vate ressente a usura dos tempos, tornando-se, na forma e no conteúdo, um discurso estranho aos nossos dias. Avança-se que ela registra apenas sentimentos de uma época que, de tão distante de nós, torna-se uma desconhecida. Diz-se que a sua leitura da escravidão teria expressado o olhar temeroso dos escravizadores, e não dos escravizados. Em 1997, quando do sesquicentenário de seu nascimento, pouco se fez, pouco se falou, pouco se discutiu sobre o mais dileto filho da Bahia. O insosso transcurso da celebração não deixaria lugar a dúvidas. Castro Alves ¾ junto com o espartilho, o rapé e a polca ¾ faria parte das antigualhas de um passado longínquo que nos causam apenas difusos ...

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    Raízes - Kunta Kinte

    Raízes – Kunta Kintê

    Depois do livro de Alex Haley se tornou mundialmente famoso, o autor americano Harold Courlander nota que a seção que descreve a vida Kinte aparentemente foi retirado do livro Courlander O Africano. Haley primeiramente desmentiu a acusação, mas depois emitiu uma declaração pública afirmando que o livro Courlander tinha sido a fonte de inspiração para a descrição de Kunta Kintê. Existe uma minissérie chamada Roots baseada no romance.Kunta Kinte (também conhecido como Toby Waller) é o personagem central do romance Negras Raízes ("Roots: The Saga of an American Family") que narra a saga de uma família americana, escrita pelo autor americano Alex Haley. Kunta Kinte era da tribo Mandinka da Gâmbia e fora capturado e levado para a América como escravo no século XVIII. Haley descreveu seu livro como facção, mistura de realidade (fato) e ficção. Vídeo em Inglês, mas as imagens são impressionantes!

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    Venus Negra

    ‘Vênus negra’ aborda colonialismo e racismo na Europa

    Filme conta história real de sul-africana explorada como atração de circo. Atuação da atriz cubana Yahima Torres é o destaque do longa-metragem. Sem nenhuma pretensão a ser didático, "Vênus negra", o contundente novo drama do tunisiano radicado na França Abdellatif Kechiche ("O segredo do grão") atravessa uma série de temas — o colonialismo, o racismo e o machismo, os mais evidentes. Que a história, apesar de ambientada no início do século 19, tenha tanta ressonância numa Europa que ergue barreiras crescentes aos imigrantes, não é mera coincidência. Ao centro do filme, roteirizado pelo próprio Kechiche e Ghalia Lacroix, há uma personagem real cuja biografia é repleta de pontos obscuros. Pelas próprias características de sua vida curta e oprimida, nunca se saberá tudo sobre a sul-africana Saartje Baartman (a impressionante estreante cubana Yahima Torres). Suas formas mais do que generosas, que lhe valeram o apelido de "Vênus hotentote", falaram mais alto ...

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    A História do Racismo

    A História do Racismo

     Como parte da comemoração do bicentenário da Lei de Abolição ao Tráfico de Escravos (1807), a BBC 4, dentro da chamada “Abolition Season”, exibiu uma série composta por três episódios, independentes entre si sobre a História do Racismo, abordando a história e os aspectos do racismo pelo mundo. Com a direção de Paul Tickell, Racismo: Uma História (“Racism: A History”) é formado dessas partes: A Cor do Dinheiro, Impactos Fatais e Um Legado Selvagem. A Cor do Dinheiro O programa examina as atitudes de alguns dos grandes filósofos em relação às diferenças humanas, incluindo a abordagem das implicações dos dogmas do Velho Testamento acerca dos atributos das diferentes raças, especificamente “A Maldição de Cam”. Analisa a fracassada experiência democrática da Serra Leoa, a Revolução do Haiti, a primeira revolução escrava bem sucedida da história, demonstrando como ele passou da colônia mais rica das Américas ao país mais pobre do hemisfério ...

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    Pretos Velhos

    A descoberta do Cemitério dos Pretos Novos

    Uma casa colonial na zona portuária da capital fluminense guarda um acervo arqueológico que traz muito da história do Brasil Colônia. São restos mortais de africanos escravizados no século 18, que não resistiram ao tráfico e foram ali enterrados, antes mesmo de serem vendidos no principal mercado de cativos do país, na mesma região. Descoberto por acaso, o cemitério foi transformado em centro cultural em 2006. Reconhecido por suas oficinas de história para professores, estudantes e guias turísticos, o centro cultural receberá um prêmio do Ministério da Cultura, na próxima semana, em Brasília, por preservar as relações de memória entre o Brasil e África. Só neste ano, o centro atendeu cerca de 400 alunos. A descoberta do Cemitério dos Pretos Novos, como é conhecido o lugar, foi feita por Merced Guimarães e seu marido, há 14 anos, quando eles reformavam a casa em que moravam e que hoje é o ...

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    fotoentrevistaCE

    Palmares, a longa resistência

    No fim dos anos 60, o futuro premiado escritor Joel Rufino ainda era um professor de História sem emprego, a caminho de uma entrevista na Volkswagen, quando, por acaso, encontrou uma ex-aluna que estava envolvida na criação de uma revista para crianças, a Recreio. Convidado a escrever alguma história infantil, o historiador, que tinha visto sua coleção didática História Nova do Brasil, escrita em parceria com Nelson Werneck Sodré, ser recolhida pela ditadura, viu ali uma oportunidade, mesmo sem nunca ter feito isso antes. E a editora da revista, a futura premiada Ruth Rocha, gostou do que leu e pediu mais. Assim, por acaso, começou a carreira de escritor Joel Rufino, que nunca mais seria só historiador. Nem apenas um escritor de boas histórias, pois nelas sempre há, por trás, os livros lidos por direito e dever de ofício. Nesta entrevista, concedida a Ricardo Prado, o historiador indica bons livros ...

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    livro-escravidao-nunca

    Livro analisa o processo escravagista brasileiro

    Uma publicação que sintetiza, com riquezas de detalhes, a escravidão, o abolicionismo, a trajetória de Luiz Gama (1830-1882) e as atuais propostas de ações afirmativas, trazendo à tona um debate sobre as consequências da escravidão no Brasil. Estas são as discussões centrais do livro Escravidão Nunca Mais! (Ed. Lettera.doc), do advogado Nelson Câmara. O lançamento será nesta quarta-feira (18/11), na Saraiva Megastore Shopping Pátio Paulista, em São Paulo. Fonte: Conjur A obra tem o objetivo de analisar o processo escravagista brasileiro. Procura, ainda, extrair elementos históricos e sociais que apontem as razões, raízes e efeitos posteriores à escravidão no Brasil. Tem também o objetivo de, na atualidade, refletir e discutir políticas de ações afirmativas para a inclusão social dos afrodescendentes e índiodescendentes.   Tudo isso associado ao aparecimento do fenômeno libertário Luiz Gama, personagem do século XIX, ex-escravo que veio menino da Bahia e que viveu em um dos maiores ...

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    JOHN GABRIEL STEDMAN

    John Gabriel Stedman e um escravo, após a captura da aldeia de Gado Saby

    John Gabriel Stedman e um escravo, após a captura da aldeia de Gado Saby. JOHN GABRIEL STEDMAN (1744 - 7 de março 1797) foi um destacado soldado anglo-holandês e autor de renome. Nasceu na Holanda em 1744, filho de Robert Stedman, escocês e oficial da Brigada Escocesa, na Holanda, e de sua esposa Antoinetta Christina van Ceulen, de uma nobre linhagem holandesa. Passou a maior parte da infância na Holanda com seus pais e algum tempo com seu tio na Escócia. Os anos passados no Suriname foram caracterizados por encontros com escravos africanos e colonos europeus, bem com a exótica flora e fauna local. Registrou suas experiências em The Narrative of a Five Years Expedition against the Revolted Negros of Surinam (Narrativa de uma Expedição de Cinco Anos contra os Negros Revoltados do Suriname) (1796), que, mediante suas descrições da escravidão e de outros aspectos da colonização, tornou-se importante instrumento ...

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    conjuracao-baiana-13

    Revolta dos Búzios

    A Conjuração Baiana, também denominada comoRevolta dos Búzios ou Revolta dos Alfaiates(uma vez que seus líderes exerciam este ofício), foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no ocaso do século XVIII, na então Capitania da Bahia, no Estado do Brasil. Diferentemente da Inconfidência Mineira (1789), se reveste de caráter popular.  Antecedentes Sendo a então Capitania da Bahia governada por D. Fernando José de Portugal e Castro (1788-1801), a capital, Salvador, fervilhava com queixas contra o governo, cuja política elevava os preços das mercadorias mais essenciais, causando a falta de alimentos, chegando o povo a arrombar os açougues, antes da ausência de carne. O clima de insubordinação contaminou os quartéis, e as ideias nativistas que já haviam animado Minas Gerais, foram amplamente divulgadas, encontrando eco sobretudo nas classes mais humildes. A todos influenciava o exemplo da independência das Treze Colônias Inglesas, e idéias iluministas, republicanas e emancipacionistas eram difundidas também por uma ...

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    O POVO NEGRO NO BRASIL: 121 anos depois

    O povo negro no Brasil: 121 anos depois

    Fonte: Lista Racial - Por Mara Onijá - No mês em que se completam 121 anos da assinatura da Lei Áurea no Brasil, vêm à tona novamente debates sobre o significado histórico desta data e quais as transformações que de fato se efetivaram na vida dos milhões de negros brasileiros, mais da metade da população nacional. Do ponto de vista histórico, ainda persiste entre as massas a concepção de que a assinatura da Princesa Isabel constituiu-se como um ato de libertação dos negros, idéia proliferada pela elite do nosso país ao longo de todos esses anos. Nas escolas, ainda que em alguns momentos apareça o questionamento aos interesses econômicos que se apresentavam no sentido de abolir o trabalho escravo, ainda são escassas as demonstrações de que ao longo de mais de 300 anos os africanos e afro-descendentes organizaram- se de modo a confrontar a escravidão. Para além dos esforços do ...

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    Desmitificando a data da suposta libertação

    *Freitas Bahia Pintura feita pelo alemão Johann Moritz Rugendas, em 1830, mostra interior de navio negreiro, que chegava ao Brasil com escravos africanos (Foto: Johann Moritz Rugendas/Creative Commons)   Estamos no mês em que se completa 121 anos do momento histórico que acabou juridicamente com a idéia de que a servidão do negro pela coroa de Portugal. Princesa Isabel assina um documento, que em tese, libertava àqueles dos quais descendemos quase três séculos de servidão escrava. Será que aquela assinatura resolveu a situação da população advinda de África e que até seus descendentes vivem neste país? Qual foi a verdadeira razão que motivou a princesa subscrever a Lei? A assinatura da lei Áurea no dia 13 de maio de 1888 serviu para libertar cerca de 750 mil escravos que ainda existiam no Brasil e proibia a escravidão. Foi um dos fatos de maior alcance e visibilidade no país, no que ...

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