Último dia

Foto: Stock/Adobe

Nas encruzilhadas, em cada ponta eu me sinto doer, física, emocionalmente e psicologicamente. Cansa. O desafeto, o abandono, o esquecimento e o desespero por companhia e por uma fagulha de amor e calor. 

Como um corpo preto ama? Quem ama o corpo preto? Quando ele recebe de volta todo o amor que doa em busca de uma fagulha?

Tem realmente diferença? Se aquele outro corpo é preto também? Eu sei a resposta, sei que tem. Mas quando foi e como foi que nos desencontramos nas encruzilhadas?

Para onde o corpo preto vai? Onde ele se sente em casa?

Seguro? Eu me pergunto sempre, se alguma vez eu já me senti 100 por cento segura e despreocupada e… NUNCA.

A cabeça sempre trabalhando, em diversas formas de sobreviver caso algum dia seja o último dia. Caso algum dia, seja o último dia de poder sentir o cuidado, o afeto e o amor.

O corpo preto antes de morrer, ele se despede todos os dias, ele passa pelo luto todos os dias, como se o próximo dia não fosse acontecer.

Quando o amanhã acontece, estamos prontos para mais um luto. A parte calorosa e que dá esperança de ver beleza nas despedidas diárias, é criar o próprio manual de sobrevivência.

A minha maior alegria de viver o luto, é fazer da minha caminhada na encruzilhada, uma caminhada vivida não só por mim, mas também por quem eu encontrar. Mesmo quando eu não souber me encaixar, mesmo quando me disserem que o meu jeito de amar é errado. Eu vou estar e eu vou amar.

O meu corpo preto precisa viver, mesmo sabendo que vai morrer… 

TODO DIA.

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