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Um olhar feminista e não branco sobre as Relações Internacionais
Créditos da foto: Mariana felix

Um olhar feminista e não branco sobre as Relações Internacionais

As Relações Internacionais (RI), no Brasil, foram concebidas por e para uma elite intelectual afastada da realidade do povo. Esta característica impõe inúmeros obstáculos para os estudantes de baixa renda, mulheres e negros. Elencar as dificuldades existentes ainda hoje é necessária para possibilitar a busca de alternativas emancipatórias e sociais no caminho da democratização e popularização das RI em terras brasileiras e no mundo.

por Mariana Felix de Quadros para o Guest Post de Geledés

Cursos de Relações Internacionais (RI) foram implementados, nos últimos anos, em diversas universidades federais do Brasil. Consequência direta do interesse crescente da população pelo tema e da importância de uma maior compreensão da dinâmica/influência internacional nas esferas de poder. Porém, segue como uma verdade inconveniente as dificuldades enfrentadas por estudantes de baixa renda, mulheres e negros para ingressar e permanecer nas faculdades de RI.

Estudo realizado pelo CERI no curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul demonstrou que mais de 80% dos alunos se declararam brancos. Os 20% restantes já relataram terem sofrido preconceito de classe ou étnico por colegas ou professores.

Não é difícil imaginar que este quadro de opressão seja uma realidade em outros cursos de RI pelo Brasil, assim como em outros cursos no todo da universidade. Uma situação que afeta a autoestima dos estudantes negros, compromete o rendimento acadêmico e resulta na exclusão destes alunos de espaços de conhecimento e pesquisa. Como consequência, muitos discentes desistem de cursar Relações Internacionais nas universidades públicas brasileiras.

Outro obstáculo enfrentado por estudantes de baixa renda e negros nas faculdades de RI é o dilema do conhecimento de línguas estrangeiras. Pois, ao mesmo tempo que culturalmente é repassado sobre essa necessidade, não há nada que impeça um estudante de cursar RI. No entanto, se no mercado de trabalho falar inglês e demais línguas é fundamental, supostamente a universidade precisa nos preparar para tal. A grande maioria dos cotistas vêm de realidades onde aprender outro idioma é apenas um sonho. Compreender a dificuldade dos alunos e pensar ações efetivas para auxiliá-los é um dever dos responsáveis pelas instituições de ensino. Uma medida viável e de baixo custo é ofertar, gratuitamente, aulas de inglês para todos os estudantes que necessitarem.

Por fim, é fundamental realizar uma reflexão permanente sobre outras mudanças necessárias nos cursos de Relações Internacionais no Brasil. As faculdades de RI, por exemplo, carecem de mais mulheres e negros no corpo docente. Todas as questões abordadas neste artigo são medidas necessárias para que os cursos tenham um olhar mais humano, feminista e negro.

 

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