Webcelebridade paquistanesa é ‘morta por irmão’

A webcelebridade paquistanesa Qandeel Baloch foi morta por um irmão no que a polícia da província do Punjab descreveu como um “crime de honra”.

Do BBC

Aos 26 anos, ela causava controvérsia por postar imagens ousadas nas mídias socias e por comentários abertos sobre sexualidade em uma sociedade amplamente conservadora e religiosa.

Segundo a polícia, ela foi estrangulada.

Casos de mulheres mortas por “desonrar” suas famílias são comuns na patriarcal sociedade paquistanesa.

Baloch ganhou fãs e inimigos justamente por desafiar convenções sociais: suas selfies rendiam tanto admiração quanto reprovação no país muçulmano. Foi justamente por receber ameaças de morte que Baloch tinha ido morar no Punjab.

Em entrevista ao jornal The Express Tribun, os pais de Baloch disseram que ela foi morta após uma discussão com o irmão, na noite de sexta-feira, mas que seu corpo só foi descoberto na manhã de sábado. O jornal disse que os pais foram detidos.

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A webcelebridade era criticada por conservadores

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A postagem dessa imagem ao lado de um clérigo rendeu uma suspensão para o líder religioso

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Baloch criticava o machismo na sociedade paquistanesa

Ainda segundo o jornal, citando fontes ligadas à família, os irmãos queriam que ela mudasse de comportamento e que Wasim, o irmão acusado de matá-la, teria feito ameaças depois de ver fotos sensuais dela nas redes sociais.

Wasim está foragido, disse a polícia.

Protestos

A morte de Baloch foi duramente criticada pela diretora de cinema Sharmeen Obaid-Chinoy, que este ano ganhou o Oscar de Melhor Documentário de Curta Duração com um filme sobre “crimes de honra” no Paquistão.

“Nenhuma mulher estará a salvo no país até que mandemos para a cadeia homens que matem mulheres; que mostremos aos agressores que eles passarão a vida atrás das grades”, disse Obaid-Chinoy à agência de notícias AFP.

Em suas entrevistas. Baloch criticara o machismo na sociedade paquistanesa e se descrevera como uma expoente do empoderamento feminino no país.

Centenas de mulheres são mortas todos os anos no Paquistão em “crimes de honra”.

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