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Angela Davis e o chamado a “organizar a esperança” no movimento negro brasileiro

Professora emérita da Universidade da Califórnia, a ativista falou para milhares em sua passagem pelo Brasil, conectou-se com diferentes gerações do movimento negro e foi ouvir as mulheres

Por Thuane Nascimento e Jefferson Barbosa, Do El País

Ilustração de Angela Davis- mulher negra de cabelo black power, sorrindo
TAYNARA CABRAL (@TAYCABRAL)

“Em meio a tantas mortes e de tantas dificuldades, acho que é o momento de celebrar a vida”, disse Conceição Evaristo no palco do Cine Odeon, no Rio de Janeiro. “Fico muito feliz porque eu e Angela Davis estamos cheias de fé, cheias de potência”, seguiu a escritora mineira. A frase levantou, de novo, os aplausos da plateia na quinta-feira, 24 de outubro. Fez Davis, a poucas caderias de distância, abrir mais uma vez o sorriso amplo, em seu derradeiro compromisso na mais recente temporada no Brasil.

Vestidas ambas de azul e amarelo, Davis, 75, e Evaristo, 73 anos, atuavam como espelhos para o movimento negro nas últimas décadas, especialmente para as mulheres negras —nos Estados Unidos e no Brasil. A conexão entre elas se mostrou no palco e avançou em suas histórias décadas atrás para servir de farol para as meninas negras. A escritora mineira contou como uma foto de Davis, colada “na parede na favela”, havia inspirado ela e suas amigas a aderir ao cabelo black power nos anos 70. Contou também como mulheres negras, nos anos 30, muito antes da Davis pantera negra nos EUA, lutaram organizadas em mutirão para não ser excluídas do trabalho na lavoura na grande Belo Horizonte.

No palco, a professora emérita do departamento de estudos feministas Universidade da Califórnia e referência global, acentia. Momentos antes, havia discursado: “A era de surgimento de movimentos como Black lives matter e Me too é realmente uma época maravilhosa para ser jovem, porque os jovens estão assistindo ao desmoronamento de uma série de regras estabelecidas ao longo do tempo para governar, controlar o comportamento humano”, pregou. “Ao mesmo tempo, é uma época maravilhosa para ser velha, porque percebemos que o trabalho desenvolvido ao longo de tantas décadas faz diferença. A intergeracionalidade dá significado à longevidade.”

Leia a matéria completa em El País 

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