sexta-feira, maio 27, 2022
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Denúncias de feminicídio crescem 35% em março no estado de SP

Em março deste ano, foram 57 denúncias contra 42 no mesmo período de 2021.

As denúncias de casos de feminicídio recebidas pelo Disque Denúncia de São Paulo cresceram 35% em março deste ano, comparando com o mesmo período do ano passado. Em 2022, foram 57 denúncias contra 42 em março de 2021.

No primeiro trimestre de 2022, foram 140 relatos de feminicídio no estado – mais de um por dia.

O feminicídio é o homicídio baseado no gênero, como por exemplo o assassinato de mulheres em violência doméstica.

Segundo Mario Vendrell, do Instituto São Paulo Contra a Violência, responsável pelo Disque Denúncia em parceria com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), pelos canais do Disque Denúncia são recebidas, em geral, queixas sobre feminicídios consumados onde o denunciante informa sobre o paradeiro do suspeito de crime.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a polícia registrou nos primeiros dois meses deste ano 23 casos de feminicídio em São Paulo.

Como denunciar

Para denunciar esse tipo de crime anonimamente, existem dois canais oficiais no estado: o WebDenúncia e o telefone 181, chamado de Disque Denúncia. Eles são uma parceria entre a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo com o Instituto São Paulo Contra a Violência (ISPCV).

Não é necessário se identificar para fazer a denúncia e o sigilo das informações e da identidade do denunciante é preservado durante todo o processo, tanto na queixa pelo telefone como pela internet.

Os relatos então são encaminhados para a polícia, que abre uma investigação para apurar o crime.

Pelo site, é possível que o denunciante acompanhe o andamento dado ao seu relato.

As denúncias de feminicídio são registradas fevereiro de 2021, quando uma atualização da plataforma permitiu que o Disque Denúncia/Web Denúncia aumentasse a possibilidade de registrar mais tipos de crimes, de 8 para 30 — de pichação e furto de água a roubo de carga, tráfico e estupro, por exemplo.

Procurada, a SSP não respondeu sobre o aumento de denúncias de feminicídio por esses canais.

Vítimas

Na última sexta-feira (15) dois casos de violência contra a mulher chamaram a atenção, uma tentativa e um feminicídio.

Em um deles, um ex-marido jogou o carro contra o veículo em que uma mulher, de 35 anos, estava com as três filhas e o atual namorado dela, na zona Leste da capital.

Depois, ele desceu do carro e usou uma barra de ferro para agredi-la. Em seguida, fugiu do local. Uma das filhas da vítima, de 8 anos, também ficou ferida na colisão.

Uma testemunha disse que a empresária voltava de uma Delegacia de Defesa da Mulher, onde foi registrar boletim de ocorrência contra o ex-marido, quando sofreu o ataque.

De acordo com a SSP, o atual companheiro da vítima informou que o suspeito tem ameaçado a mulher após o término do relacionamento. Ela, inclusive, estava solicitando medida protetiva.

O caso foi registrado como violência doméstica, lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e tentativa de feminicídio.

No mesmo dia, outra mulher, de 29 anos, foi morta a facadas em Osasco, na Grande São Paulo, pelo namorado.

Segundo familiares, Nilmara Rodrigues Souza estava grávida dele, de dois meses, e foi assassinada na própria casa.

De acordo com relatos de amigos e vizinhos, o namorado, Thiago Barros, a agredia constantemente. Nilmara morava com dois filhos e um irmão.

Após o crime, Thiago fugiu para uma clínica de reabilitação, mas foi encontrado após uma denúncia anônima. Ele não reagiu à prisão e confessou o assassinato. Para a polícia, disse que cometeu o crime após uma discussão por ciúmes.

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