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Em meio a onda progressista nas eleições pela América Latina, movimento negro brasileiro viaja com lideranças políticas pelo continente para fazer conexões e conversas sobre experiências para o Brasil

Foto: Instituto Marielle Franco

Na próxima quarta-feira (2), organizações do movimento negro, como Casa Sueli Carneiro, Instituto Marielle Franco, Instituto de Referência Negra Peregum, Movimento Mulheres Negras Decidem e Uneafro Brasil, embarcam em comitiva para uma viagem de 10 dias pela Colômbia. No roteiro, passagens por cidades com a maior população afrocolombiana e movimentos negros, como Cali e Buenaventura, e na capital, Bogotá e, pelo Chile, em Santiago. Durante a viagem, o grupo se encontrará com movimentos e organizações da sociedade civil, lideranças na Convenção que irá decidir a nova Constituinte chilena, as ministras do novo Governo e o próprio presidente recém eleito .

Os dois países passam por processos de transformação e uma onda de esperança avança. Além da primeira candidata negra à presidência, a Colômbia obteve, nesta última semana, uma grande vitória das ativistas que lutaram pela despenalização do aborto. No Chile, destaque para a mobilização dos povos originários, como o mapuche, dos movimentos negros e indígenas, para incidir na nova constituinte chilena, bem como as lideranças negras e indígenas que estarão na posse de Boric.

Para Beatriz Lourenço, militante da Uneafro Brasil, o movimento negro brasileiro tem papel fundamental para o processo de construção da verdade e democracia no país. 

“Se a sociedade brasileira entender a importância do movimento negro, podemos continuar nossa resistência, mas trazendo um pouco de esperança a partir das eleições de 2022 aqui também. Seja com o fortalecimento de lideranças negras, candidatas ou não, e na luta de militantes, principalmente com a liderança de mulheres negras”, acredita ela.

Até 12 de março, o grupo realizará atividades com movimentos negros da América Latina. Na Colômbia, irá se reunir com coletivo e organizações como Activa Buenaventura, Coletivo Mariposas, Casa Cultural El Chontaduro, assim com a Prefeita de Buenaventura, a cidade com a maior população negra do país, entre outros. Encontros com autoridades e participação de eventos também fazem parte da programação. Entre os destaques está um encontro com Francia Márquez, primeira mulher negra a pleitear a presidência na Colômbia.

No Chile, o grupo se reunirá com organizações que estão trabalhando para a maior participação política de grupos historicamente subrepresentados, como o Ahora nos toca participar, Ciudadanía Inteligente y Plataforma Contexto. e a participação na posse do novo presidente Chileno, Gabriel Boric, em 11 de março. Em relação ao novo governo, está marcada uma reunião com a Ministra da Mulher, a Ministra das Relações Exteriores e a Ministra da Justiça.

Além disso, o grupo irá estar presente em uma reunião da Convenção da formação da nova Constituinte chilena.

Para Anielle Franco, diretora executiva do Instituto Marielle Franco e uma dos três brasileiros convidados para a posse de Boric, esse é um momento favorável na América Latina para os movimentos sociais, em especial o de mulheres negras. “São as mulheres negras que estão historicamente à frente dos processos de construção do país e de consolidação da democracia brasileira. Este é um momento de maior evidência do protagonismo das mulheres negras. A candidatura de Francia Marquéz corrobora como esse processo abrange toda a América Latina. E, no Chile, vemos que as vozes das ruas e dos movimentos conseguiram avançar com suas pautas e ocuparam a política institucional. Isso nos dá também esperança para este ano no Brasil.”, pontua Anielle.

No dia 8 de março, o grupo ainda participa do 8M, marcha pelo Dia Internacional da Mulher, no Chile. 

“É uma oportunidade de aprender com as mulheres negras colombianas estratégias de comunicação e mobilização para a construção de uma candidatura feminina e negra à Presidência, fato ainda inédito para nós no Brasil. Nós mulheres negras somos mais de 28% da população brasileira. Então, eleger uma presidenta negra é um projeto que está no horizonte,  como um passo necessário para o aprofundamento da nossa democracia”, afirma Tainah Pereira, coordenadora política do Movimento Mulheres Negras Decidem.

Nessas eleições, veremos uma grande disputa colocada sobre os representantes que irão propor diferentes modelos de país. A viagem comprova a vanguarda, força e influência do movimento negro brasileiro na América Latina que tem papel fundamental para o alcance da plena democracia no Brasil e está a frente dos processos históricos desta consolidação democrática. 

Integrantes da Coalizão Negra por Direitos, as cinco organizações da comitiva encontrarão outras representantes do grupo no Chile. Entre elas, Instituto Mahin, Articulação Negra de Pernambuco, entre outras. 

Sobre a Casa Sueli Carneiro

A Casa Sueli Carneiro tem como propósito constituir articulação do pensamento ativista-intelectual de Sueli Carneiro em expressões e linguagens negras de continuidade de memória e resistência. E propõe fazer isso incorporando e reforçando continuamente autonomia, independência, liberdade, inovação, memória, precisão, olhar crítico, auto-referência, interdependência, intergeracionalidade, ativismo, indignação e acolhida.

Sobre o Instituto Marielle Franco 

O Instituto Marielle Franco é uma organização sem fins lucrativos, criada pela família de Marielle, com a missão de inspirar, conectar e potencializar mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas a seguirem movendo as estruturas da sociedade por um mundo mais justo e igualitário.

Sobre o Instituto de Referência Negra Peregum
Criado por militantes da luta por educação, o instituto compõe o movimento negro brasileiro. É uma organização sem fins lucrativos, com natureza de direito privado e tem a missão de promover a difusão da educação, da comunicação e dos direitos humanos, bem como a oferta de cuidado e assistência e o incentivo do protagonismo da população negra no Brasil, suas organizações e novas lideranças da periferia, comprometidas com os desafios sociais da realidade brasileira. A organização atua apoiando iniciativas e projetos populares que promovam pessoas negras, moradoras e moradores de territórios periféricos e vulneráveis, além de organizações, movimentos e coletivos. 

Sobre o Mulheres Negras Decidem 

O movimento Mulheres Negras Decidem existe desde 2018, com o propósito de contribuir para o aumento da participação política de mulheres negras, que ainda ocupam poucos cargos de poder e decisão. Entre as principais atividades do MND estão a formação política e a qualificação do debate público com narrativas centradas em dados.

Sobre a Uneafro Brasil
A Uneafro Brasil (União de Núcleos de Educação Popular para negros e classe Trabalhadora) é um movimento de cursinhos comunitários, de luta antirracista, antimachista, anti lgbtfóbica e de lutas por direitos sociais coletivos. É um movimento social e popular que tem no povo o verdadeiro protagonismo. Organizada em mais de 39 núcleos, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a organização possui um trabalho educacional de base e de formação política direcionados às comunidades periféricas urbanas. Mais informações e formas de ajudar em https://uneafrobrasil.org/

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