Itália: “Por que ninguém estupra essa mulher?” vereadora da extrema-direita diz de ministra negra Cecile Kyenge

“Por que ninguém estupra essa mulher?” O comentário no Facebook de Dolores Valandro, vereadora pelo partido de extrema-direita Liga Norte, contra a primeira ministra negra da Itália gerou uma forte polêmica nesta quinta-feira. Dolores escreveu sobre uma foto de Cecile Kyenge, responsável pela pasta de Integração, e se referia a uma reportagem publicada por um site italiano sobre a suposta tentativa de estupro de duas mulheres por um africano.

“Assim ela entenderia o que a vítima de uma atrocidade sente. Que vergonha”, escreveu Dolores em letras maiúsculas.

O comentário foi rapidamente divulgado e condenado por diversas pessoas nas redes sociais. A ministra foi elegante ao responder no Twitter:

“Este tipo de linguagem vai além de mim, porque incita a violência em geral”, escreveu Cecile, que nasceu na República Democrática do Congo e se mudou para a Itália aos 18 anos. “Isso é um insulto a todos os italianos.”

A repercussão do caso levou a vereadora de Pádua a se desculpar, durante uma entrevista de rádio. Segundo a vereadora e integrante do partido de direita Liga Norte, “o comentário foi feito em um momento de raiva”.

– Não sou má. Era só uma piada. Às vezes, deixo a raiva escapar assim. Não sou violenta.

cecilekyengeYT

Outras figuras públicas do país também se manifestaram a favor de Cecília. O primeiro-ministro, Enrico Letta, enviou um comunicado condenando o comentário de Dolores Valandro.

“Cecília Kyenge está certa. Cada um de nós deve se sentir ofendido. Ela tem minha solidariedade pessoal, bem como a do governo e do país”, afirmou Enrico.

Laura Boldrini, presidente da Câmara Baixa do Parlamento, disse aos jornais locais: “As palavras de Dolores Valandro são inaceitáveis ??e cheias de racismo e ódio. O pior é ela ser uma mulher com um papel político importante e sugerindo o estupro como forma de punição.”

Desde que assumiu o cargo em abril deste ano, Cecile já foi alvo de comentários sexistas e racistas. Embora sua nomeação tenha sido encarada como um avanço para o país, membros da Liga Norte e de partidos ligados a grupos neonazistas têm repetidamente insultado a ministra devido à sua origem.

A maior bandeira da ministra é tentar tornar mais fácil para os imigrantes a obtenção da cidadania. Por isso, a extrema-direita do país a acusa de querer impor “tradições tribais” do Congo na Itália.

 

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Fonte: Yahoo

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