Pelé e a consciência negra ou estamos por nossa própria conta – Por: Cidinha da Silva

Por Cidinha da Silva

Pelé é um sujeito conhecido e reconhecido pelas declarações infelizes e obtusas que procuram minimizar as manifestações de racismo em todos os continentes. É frustrante e dolorido ouvi-lo, entretanto, sua triste figura no quesito compreensão do funcionamento do racismo é plenamente compreensível no contexto brasileiro.

A principal estratégia da casa grande para perpetuar o racismo no Brasil tem sido sua negação. Por isso é tão importante para este projeto hegemônico que ícones como Pelé prestem esse desserviço ou façam esse trabalho sujo, como queiram.

A persona Pelé vende a ilusão de que nunca foi alvo de racismo ou que o superou pelo sucesso e pela subserviência discursiva aos métodos de manutenção do poder branco, que permitem a existência inofensiva de alguns ícones negros. E pretende dizer aos mais novos, tais como Aranha, o insurgente, que, para chegar a algum lugar como negro, é preciso aquiescer ao poder branco, baixar a cabeça frente aos racistas, calar-se, resignar-se. Ele que é Pelé, inigualável e insuperável sofreu calado. Por que esses garotos novos, que tão distantes dele estão como jogadores, querem holofotes para um problema que deve continuar debaixo do tapete?

Porque esses meninos já aprenderam que as coisas podem e devem ser diferentes e que mudarão se nós também mudarmos, se não aceitarmos passivamente que nos chamem de macacos, que digam o que sentimos, o que queremos, por onde devemos caminhar e de que forma. Se apontarmos o dedo na cara do racismo institucional exigindo respeito a nossos direitos humanos. Porque já compreenderam que os tempos serão outros se escrevermos nossa própria história pelos marcos referenciais escolhidos por nós mesmos.

 

 

 

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