O mundo em silêncio

Silêncio. A voz rasgada de Aretha Franklin e os fortes discursos de Kofi Annan, ex-secretário da Organizações das Nações Unidas (ONU), contra o racismo e contra as intolerâncias vão ecoar para sempre nas comunidades negras dentro e fora do continente africano. Ícones das resistências negras, seja Aretha no campo musical e Kofi nas políticas internacionais e transnacionais, suas ações serão eternizadas e serviram de reflexo e fortalecimento por gerações.

Por Ivanir dos Santos Babalaô, do O Dia 

Aretha Franklin durante show no Festival de Jazz de Antibes, na França, em julho de 1970 (Foto: Daniel Lefevre/INA via AFP/Arquivo)

Natural de Memphis, Tennessee, a negra menina Aretha Franklin começou a cantar na Igreja Batista. Filha do pastor afro-americano Clarence L. Franklin, Aretha nos deixou, no dia 16 de agosto, com 76 anos, a maior parte dedicada à música e à luta pelos direitos das mulheres e das populações negras nos Estados Unidos.

A ‘dama do soul’ fez das letras de suas músicas um marco da resistências nos EUA. A música ‘Respect’ se tornou uma das mais marcantes presenças nas marchas pelos direitos civis. Engajada na luta pelos direto das mulheres ao lado do amigo Martin Luther King, Aretha emprestou seu destaque como artista para fortalecer a campanha pela libertação da militante negra Angela Davis.

Dias depois da morte de Aretha, outro abolo, o mundo das diplomacias internacionais ficou órfã com a morte de Kofi Annan, primeiro negro africano a coordenar a Organização das Nações Unidas (ONU). Annan nos deixou em 18 de agosto após 80 anos de uma vida dedicada à valorização do diálogo multilateral nas relações entre os países e a promoção da paz mundial.

De origem ganesa, mesmo passando por severas críticas, Kofi construiu e fortificou diversas intermediações das Nações Unidas antes mesmo de ser nomeado para liderar a ONU. Seus maiores legados foram a defesa dos direitos internacionais e sua luta contra todas as formas de opressão, falta de humanidade e tolerância.

Nomeado em 13 de dezembro de 1996, Kofi Annam ajudou em construções como as do Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária para ajudar países em desenvolvimento em seus esforços para cuidar de seu povo.

Ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em um dos seus fortes discursos, Kofi Annan disse que “ninguém pode ser neutro na luta contra a intolerância; e também não podemos desistir do combate contra o racismo ou da esperança de o vencer”.

Seu discurso ajudou a fortalecer a luta pela erradicação do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e da intolerância interligada. Aretha e Kofi sempre serão símbolos de luta e resistências,com um legado que jamais será esquecido. Sempre que erguemos nossas vozes contra todas as formas de cerceamento às liberdades, Aretha Franklin e Kofi Annan estarão presentes.


Ivanir Dos Santos / Arquivo Pessoal

Doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor, entre várias obras, de Intolerância religiosa no Brasil: relatório e balanço,

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