quinta-feira, setembro 24, 2020

    Tag: Ana Flávia Magalhães Pinto

    Ana Flávia Magalhães Pinto /Foto: Webert da Cruz

    Alô, Brasil, pode segurar porque o racismo é filho seu!

    Após mais de três séculos explorando a maior quantidade de gente africana submetida à escravidão via tráfico transatlântico nas Américas e tendo sido o último país da região a aboli-la, o Brasil assistiu à imposição de um pacto social: vamos virar essa página afirmando ao mundo que somos uma democracia racial! Diferentemente dos EUA, “a escravidão, para felicidade nossa, não azedou nunca a alma do escravo contra o senhor — falando coletivamente — nem criou entre as duas raças ódio recíproco que existe naturalmente entre opressores e oprimidos”, argumentava Joaquim Nabuco, ainda em 1883. Faltava verossimilhança à ficção, mas este era um encaminhamento inevitável para o sucesso de qualquer projeto de nação forjado pelas elites brasileiras, sem que fosse necessário assumir mais explicitamente o desejo de eliminação de 56% da população, os “pretos” e “mestiços”, do Censo de 1890. A população negra, no imediato pós-abolição, passou a ser tratada como ...

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    Foto: Webert da Cruz

    “A escravidão não oferece resposta para tudo”

    Neste 13 de maio, são 132 anos da assinatura da Lei Áurea, decretando a abolição. Para falar sobre o período pós-abolição e a correlação com os dias atuais, a coluna Geledés no debate entrevistou a professora e pesquisadora do Departamento de História da UnB, Ana Flávia Magalhães Pinto, autora dos livros “Escritos de Liberdade: literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista” e “Imprensa negra no Brasil oitocentista”. Ana Flávia também é coordenadora da regional Centro-Oeste do GT Emancipações e Pós-Abolição da Anpuh; e integrante da Rede de HistoriadorXs NegrXs. Geledés - Quando analisamos as estatísticas da pandemia de covid -19, é notável como a doença atinge os grupos raciais de forma diferenciada. Dados divulgados no dia 10 de abril destacaram que ela está ocorrendo de forma mais letal para pretos e pardos, que representam quase 1 em cada 4 brasileiros hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (23,9%), mas chegam ...

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    Reprodução/ Instagram

    Jornada em Defesa do Direito à História da Gente Negra

    A luta pela liberdade acompanhou toda a vigência da escravidão e se estendeu ao pós-abolição, período que alcança os dias atuais. As fugas, a formação dos quilombos e a rebeliões expressam algumas das múltiplas formas da resistência protagonizada pela gente negra escravizada. Ao mesmo tempo, muitos foram os caminhos que levaram à formação da maior população de homens e mulheres negras livres e libertas das Américas já no início do século XIX. No final dos anos 1860, o Brasil, junto com Cuba e Porto Rico, resistia em preservar o escravismo. A saída conservadora materializou-se na tentativa da abolição gradual por meio da Lei do Ventre Livre (1871) e da Lei dos Sexagenários (1885). . Com efeito, na década 1880, o movimento abolicionista ampliou sua força, recrutando diversos grupos sociais de tendências diversificadas. Afora a adesão de parcela do parlamento, as lutas abolicionistas ganharam corações e mentes por meio dos jornais, ...

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    foto- Ana Rayssa:CB:D.A Press

    Única docente negra do Departamento de História da UnB luta por igualdade

    Ana Flávia Magalhães Pinto busca inspirações no passado para lutar por um futuro mais igualitário por Deborah Fortuna no Correio Brasiliense foto- Ana Rayssa:CB:D.A Press “Toda a pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas.” É assim que Ana Flávia Magalhães Pinto começa a contar sua história: com a música Caminhos do coração, de Gonzaguinha. Aos 40 anos, a professora da Universidade Brasília (UnB) entrelaça a própria trajetória com a de outras pessoas negras, como se a luta e a resistência delas, no passado, fizessem com que ela chegasse onde chegou. “Estar aqui, a despeito de todos os desafios, é honrar um esforço coletivo, o que faz com que, apesar de ser a única professora negra deste departamento (de História), eu não sinta que estou aqui sozinha”, resume a doutora. Ana dedicou a carreira profissional a estudar as narrativas de pessoas negras no ...

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    Nome e sobrenome: a importância das intelectuais negras para a pesquisa acadêmica

    Na coluna de estreia, Midiã Noelle sugere que o leitor conheça melhor o trabalho de Ana Flávia Magalhães Pinto, Ana Luiza Flauzina e Carla Akotirene por Midiã Noelle no Correio 24h Olá carx leitxr. Me chamo Midiã Noelle Santana e estarei todas as quintas-feiras aqui contigo. De início, já explico: geralmente me apresento assim, com nome e sobrenome. Internalizei essa prática após orientação da socióloga Vilma Reis inspirada em citação da antropóloga Lélia Gonzales (in memorian), e compreendi que se a gente - população negra - não afirma nossa própria existência, o racismo chega sorrateiro e nos nomeia como lhe convir. Aproveito ainda para convidar pessoas não negras a lerem os conteúdos, tomarem um chá de empatia e se aliarem na luta antirracista. Não à toa iniciamos a coluna neste mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho, e que ...

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    A historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, autora do livro: “Na liberdade, o exercício da cidadania era interditado cotidianamente a pessoas negras por conta do racismo”

    Livro revela papel de intelectuais negros contra o racismo e pela cidadania no Brasil oitocentista

    Contemplada no Prêmio Capes de Tese, pesquisa origina livro que destaca redes criadas por literatos e jornalistas Por PATRÍCIA LAURETTI, do Unicamp O primeiro censo demográfico realizado no Brasil do século 19 apontava para um dado importante: seis em cada dez pessoas pretas e pardas já viviam nas condições de livres e libertas, 16 anos antes do fim da escravidão. Esta maioria de mulheres e homens negros construiu experiências de liberdade na sociedade escravocrata constituindo redes até mesmo transnacionais de escritores, jornalistas e artistas que lutavam pelo abolicionismo e por projetos de cidadania. A história de integrantes dessas redes só não foi completamente negligenciada por força da excepcionalidade. Trajetórias como a de Luiz Gama ou José do Patrocínio, de Machado de Assis ou Chiquinha Gonzaga, são reconhecidas em suspensão, como descreve a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, autora do livro Escritos da Liberdade: Literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista (Editora ...

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    “Precisamos analisar o racismo em perspectiva histórica”, afirma pesquisadora negra

    Ana Flávia Magalhães, professora de história da Universidade de Brasília e integrante do movimento negro, concedeu entrevista ao Alma Preta sobre a realização do II Seminário Internacional Histórias do Pós-Abolição no Mundo Atlântico, encontro que reuniu uma maioria de historiadores negros e negras na FGV Texto / Pedro Borges, do Alma Preta  O II Seminário Internacional Histórias do Pós-Abolição no Mundo Atlântico “superou as nossas melhores expectativas”, conta Ana Flávia Magalhães, professora-ativista negra da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do GT Emancipações e Pós-Abolição, da Associação Nacional de História (Anpuh). O encontro, com mais de 500 inscritos, levou centenas de estudiosos a ocupar a Fundação Getúlio Vargas (FGV) no bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, entre os dias 15 e 18 de maio. O principal tema a ser debatido no seminário foi a produção historiográfica brasileira sobre as lutas e as experiências de liberdade de homens e ...

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    Chester Higgins

    Still I Rise… Eu me levanto!

    A queridíssima amiga Dra. Ana Flávia Magalhães Pinto, jornalista como eu, me comoveu demais ao postar no Facebook a notícia sobre a breve publicação de sua tese de doutorado: "Fortes laços em linhas rotas: literatos negros racismo e cidadania na segunda metade do século XIX", depois de concorrer e ser indicada a vários prêmios por essa pesquisa e vencer uma grande quantidade de empecilhos.   Por Oswaldo Faustino A comoção foi mais forte ao ler o segundo parágrafo da postagem: "Agradeço a todas as pessoas que fazem parte dessa história e contribuíram de maneira construtiva para que aquela menina que ouviu: 'A UnB (Universidade de Brasília) não é lugar de gente cor de kichute, como você' não perdesse a fé em si e na força que a mantém em pé até hoje."... Lendo esse trecho, entendi que RESILIÊNCIA não é apenas uma palavra da moda, mas a principal propriedade e capacidade do povo afro, no mundo todo. ...

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    Paula Brito: frequentadores dos círculos intelectuais do Império (Foto: acervo do real gabinete de leitura)

    A intelectualidade negra do Império

    Em novembro de 1831, o tipógrafo negro Francisco de Paula Brito (1809-1861) comprou a livraria de seu primo, o mulato Silvino José de Almeida, e a transformou em uma das maiores editoras do Segundo Reinado. Entre seus acionistas figurou o próprio d. Pedro II, que em 1851 lhe concedeu o título de impressor da Casa Imperial. A importância de Paula Brito não se limitou a seu êxito empresarial: ele imprimiu um dos primeiros periódicos em defesa dos direitos dos negros e, mais tarde, publicou as primeiras obras dos escritores Teixeira e Sousa e Machado de Assis. Como explica Rodrigo Camargo de Godoi em sua tese Um editor no Império: Francisco de Paula Brito (1809-1861), defendida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp) em 2014 e agora publicada em livro pela Edusp, a trajetória do editor não é um caso isolado: “Há toda uma intelectualidade ...

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    Equede: A mãe de todos − um livro sobre amor, ancestralidade e mulheres de partido alto

    “E 1964, vocês sabem, foi o ano do golpe militar. Ali no Centro de Salvador, depois da aula, juntava o pessoal do Teixeira, do Central, do Ipiranga e dos outros colégios. Muitas vezes fomos para as ruas e participamos das manifestações estudantis, principalmente em 1968. Imagine a cabeça de uma jovem dividindo-se entre as convicções políticas e obrigações religiosas” – relembra Equede Sinha, 70 anos, em seu livro autobiográfico Equede: A mãe de todos, publicado pela editora Barabô e lançado no dia 8 de março de 2016, em Salvador, e em 6 de maio, em São Paulo. Por Ana Flávia Magalhães Pinto, do Por falar em Liberdade  Naquele momento em que pessoas pelo país afora se reinventavam na luta pela defesa da democracia e da liberdade de expressão, a jovem Gersonice Azevedo também tomava decisões e assumia responsabilidades que teriam impacto não apenas em sua vida, mas ainda na de toda uma ...

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    Há um lugar para a liberdade?

    A escravidão foi reconhecida como crime contra a humanidade pela ONU, por meio do Estatuto de Roma, do Tribunal Penal Internacional, em 1998. A especial gravidade do tráfico transatlântico de africanos, por sua vez, foi destacada na Declaração e no Programa de Ação da Conferência Mundial contra Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, de 2001. Estamos no segundo ano da Década Internacional do Afrodescendente. E nesta segunda-feira, 21 de março, chegamos ao 50º ano do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído seis anos depois do Massacre de Sharpeville, quando a polícia do apartheid sul-africano se lançou contra cerca de 20 mil pessoas que manifestavam contra a Lei do Passe, que limitava o direito de ir e vir de gente de pele escura no país, atentado que deixou dezenas de mortos e centenas de feridos. O episódio é representado no filme Mandela: o caminho para a ...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    A história como hiper-ficção

    Itaguahy é aqui e agora, diria talvez Machado de Assis, ao observar o ponto ao qual chegamos. Ao inventar Simão Bacamarte, o protagonista de "O alienista", Machado mobilizou sem dúvida referências diversas, tanto literárias quanto políticas. Parece certo que se inspirou também em personagens históricas concretas, ou em situações de sua época que produziam tais personagens. Na década de 1880, habitante da Corte imperial, ele assistia havia décadas à ciranda infindável de epidemias de febre amarela, varíola, cólera, etc. e a luta inglória dos governos contra tais flagelos. O pior da experiência era que o fracasso contínuo das políticas de saúde pública, ou da higiene pública, como se dizia com mais frequência, provocava, paradoxalmente, o aumento do poder de médicos higienistas e engenheiros. Esses profissionais se encastelavam no poder público munidos da "ciência" e da técnica que poderiam renovar o espaço urbano de modo radical e "sanear" a sociedade. Demoliam-se ...

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    Agora é que são elas, ou melhor, por que o antes é o tempo da ausência?!

    Onde estão as mulheres negras na História do Brasil? Onde as ideias e vivências das companheiras de Machado de Assis, Luiz Gama e José do Patrocínio? Por Ana Flávia Magalhães Pinto, no Á Bbeira da Palavra  Na série “Agora é que são elas”, a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto desafia versões oficiais e também as dissonantes, questionando a si mesma e as lacunas nas pesquisas sobre a imprensa abolicionista, as lutas negras e os escritores do século XIX. AGORA É QUE SÃO ELAS, OU MELHOR, POR QUE O ANTES É O TEMPO DA AUSÊNCIA?! Ana Flávia Magalhães Pinto* E se em outros tempos, Luiz Gama tivesse saído de casa decidido a se valer do prestígio duramente alcançado para ver publicadas na Gazeta do Povo algumas ideias de Claudina Fortunata Sampaio, sua esposa? Que percepção teríamos sobre a trajetória de José do Patrocínio, o filho do vigário João Carlos Monteiro e da ...

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    Foto: Jorge Bispo

    O Topo da Montanha e a afirmação da humanidade negra: Notas a partir do lugar de público negro

    Longe de ser uma crítica de arte, escrevo a partir tão somente do lugar de público. Mas não apenas público, substantivo carente de materialidade. Falo como integrante do público negro, um conjunto de espectadores/as comumente subestimado ou até muito sonhado, porém tido como distanciado das salas de teatro, cinema, galerias, etc., por razões que dialogam com as violentas e sofisticadas práticas de exclusão sociorracial. por Ana Flávia Magalhães Pinto no Por Falar em Liberdade enviado para o Guest Post  Faço isso porque acredito sinceramente que, afora autoras/es, obras e críticos/as especializados/as, o público é também fundamental para que a arte exista. E nós, público negro, não só existimos, mas também, tal como aconteceu na noite do último sábado (10), podemos nos fazer presentes em quantidade e qualidade! Estou me referindo à experiência de assistir à peça O Topo da Montanha, uma adaptação do texto de Katori Hall, dirigida por Lázaro Ramos, produzida e protagonizada por ele e Taís ...

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    Racismo Prejudica Produção Científica de Pesquisadores Negros No Brasil

    "As pessoas tendem a achar que discutir relações raciais, discutir sobre as questões da população negra, é falar sobre algo limitado. Não é", diz a doutora em história Ana Flávia Magalhães Pinto Por Valter Campanato Do Plantao Brasil As pessoas tendem a achar que discutir relações raciais, discutir sobre as questões da população negra, é falar sobre algo limitado. Não é, diz a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto (Valter Campanato/Agência Brasil) O dia 13 de maio marca a abolição formal da escravatura, mas o Brasil está longe de acabar com o racismo presente nas instituições. Nas universidades, locais de construção do saber, a questão ainda se perpetua na graduação, apesar do sistema de cotas, e mais ainda na pós-graduação e na pesquisa científica, onde são raras as ações afirmativas. Pesquisadores negros relatam à Agência Brasil as dificuldades que enfrentam na academia, desde o ingresso e a permanência ...

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