quarta-feira, setembro 23, 2020

    Tag: epistemicídio

    Thallita Flor foi uma das fundadoras do MAV – Movimento Afro Vegano (Imagem retirada do site Folha de São Paulo)

    O que é racismo ambiental

    Mais um fim de semana se passou no Brasil. Mais gente preta morreu. Seja de Covid-19 ou por violência urbana, para citar duas mazelas que matam duas vezes mais pretos do que brancos. Também, nas comunidades pobres, lugar que o livre mercado designou para viverem descendentes de escravos, gente preta se reuniu para beber a sua cerveja, comer o seu churrasco, linguicinha esturricada na brasa. Gente preta reunida para comer e beber veneno. Algo que nos mata tanto quanto a Covid e a violência policial. Produtos hiper-industrializados e hiper-embutidos são baratos. São os únicos que estão ao alcance do bolso da maioria dos brasileiros. E, assim, vão todos morrendo. Simplesmente porque interessa. Dá dinheiro. Como as queimadas na amazônia. A diferença: Queima de gente preta pelo estômago. Racismo ambiental. Thallita Flor, uma das fundadoras do MAV – Movimento Afro Vegano, explica, em artigo para o Quadro-negro, o que é seu impacto em ...

    Leia mais
    Adobe

    Estudar não é para filho(a) de pobre, não!

    Inicio esse texto como uma das frases mais marcantes, na minha opinião, do escritor Paulo Freire: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.¹ Nesse momento de pandemia e desmontes de Políticas Públicas faz todo o sentido analisarmos como seria nosso País se a educação crítica e libertadora fosse de qualidade para todos e todas. Talvez eu esteja sendo muito otimista ao pensar que se todos nós tivéssemos acesso a boas leituras, escolas equipadas, professores capacitadas e valorizados o Brasil estaria quase próximo de uma nação igualitária. Trago nesse texto vivências na minha memória que carrego até hoje. Essa vivência diz respeito a construção social que muitos carregam como tatuagem ao dizer que ensino superior não é para pobre. Sabemos que o Brasil foi o último País da América do Sul a ...

    Leia mais
    (Foto: Imagem retirada do site Os Constitucionalistas)

    Necropolítica por Oscar Vilhena

    João Pedro, 14, foi morto por forças policiais no quintal de sua casa, enquanto brincava com seus primos. Seu corpo ficou desaparecido por cerca de 16 horas, aumentando o desespero de seus familiares. Já o corpo de Valnir da Silva, 62, possível vítima do coronavírus, ficou exposto por mais de 30 horas numa rua de outro bairro pobre do Rio de Janeiro, sem causar maior consternação em quem jogava bola no terreno ao lado. São retratos cotidianos da barbárie e da negligência a que estão submetidas largas parcelas da sociedade brasileira. O racismo e as profundas desigualdades que estruturam a sociedade brasileira dificultam que nos vejamos como parte de uma mesma comunidade, ligada por laços de respeito e obrigações recíprocas. A vida de um morador de rua parece não ter nenhum significado. São seres moralmente invisíveis. Suas necessidades e sofrimentos não geram nenhuma dor; menos ainda gestos de solidariedade. A ...

    Leia mais
    Capa da Revista Participação/ Divulgação

    Aportes teóricos e Metodológicos decoloniais: o caso da disciplina “Pensamento Negro Contemporâneo”

    Capa da Revista Participação/ Divulgação Resumo O artigo objetiva apresentar a experiência teórico-metodológica da disciplina Pensamento Negro Contemporâneo, ofertada no âmbito do Decanato de Extensão da Universidade de Brasília cujo objetivo é valorizar e revisitar os saberes de pensadores (as) negros (as) na academia e fora dela. Essa experiência apresenta-se como uma verdadeira artesania prática de valorização da pluralidade e da geopolítica de saberes produzidos no Sul. O artigo articula produções resultantes da disciplina como um estudo de caso, e coteja exemplos das mesmas para aprofundamento empírico da análise. Conclui que, ao trabalhar com epistemologias inclusivas e reveladoras da pluralidade de saberes da Maioria Minorizada, proporciona-se uma maior inserção e facilitação do acesso ao saber plural dos discentes envolvidos no projeto, eliminando a exclusão acadêmica por não se reconhecerem nas abordagens lineares e verticalizadas das pedagogias conservadoras. Por Hamilton Richard Alexandrino Ferreira dos Santos(UFSB) Maria do ...

    Leia mais
    blank

    Finalmente um Antonio Risério para unir a esquerda e a direita

    Nenhuma pessoa, absolutamente nenhuma, das que participam de alguma organização, coletivo ou entidade do movimento negro organizado ousaria homogeneizar o movimento negro, de maneira a esquecer os acalorados debates que duram décadas entre nós. O mesmo não se deu com o antropólogo Antonio Risério. Por Gabriel Nascimento Do Justificando Em “Movimentos negros repetem lógica do racismo científico, diz antropólogo”, publicado na Ilustríssima da Folha de São Paulo, em 16 de dezembro, Antonio Risério o faz, sem medo de pesar a mão, como, aliás, e sem nenhuma novidade, vem fazendo em muitos de seus trabalhos. Se pulássemos o artigo inteiro para alguns comentários de assinantes da Folha, poderíamos concluir, tão logo, e sem necessitar de um trabalho longo de análise do discurso, que o artigo é a tradução (do trabalho do antropólogo) que afaga o coração daqueles que precisavam há muito justificar o seu incômodo com mudanças sociais e históricas pelas quais estamos passando. ...

    Leia mais
    blank

    USP adere cotas, mas racismo ainda é determinante na academia

    CONSELHO DA USP (Universidade de São Paulo) aceitou a instituição de cotas sociais e raciais para o seu concorridíssimo vestibular a partir de 2018 na última terça-feira(4). A repercussão da notícia, tanto nas redes sociais, quanto nos sites, dá a dimensão da importância de uma instituição como a USP se incluir entre as universidades públicas que reconhecem a necessidade de instrumentos que possibilitem o acesso e a reparação, via sistema de cotas raciais, das desigualdades que distanciam, sobretudo, jovens negros e negras, das mais importantes universidades do país. Por Ronilso Pacheco Do GGN Mas o dilema vai muito além disso. Em junho, o Coletivo Nuvem Negra, fundado em 2015 por alunos negros e negras da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, divulgaram uma pesquisa, fruto da campanha “Quantos professores negras/os tem na PUC-Rio?”. Dados de 2016 gerados pelo Sistema de Gerência Universitária (SGU) da universidade apontaram que apenas 4,3% do corpo ...

    Leia mais
    Reprodução/ Facebook/ortrun

    A mulatice intelectual e o racismo no Brasil

    Um dos maiores entraves para a erradicação do racismo contra os pretos no Brasil, não são os “mulatos”, ou miscigenados biológicos. Reprodução/ Facebook/ortrun Por Marcos Romão Do Mama Press Um dos grandes entraves para a eliminação, mesmo que pequena do racismo sorrateiro brasileiro, é  sim, a mulatice intelectual dominante no campo da ideias,  que pouco depois da Abolição da Escravidão, criou ideologias para controle das massas negras. A partir da criação do modernismo em 1922, passando pela bossa nova e tropicalismo, reinventou esse tal de cordial, misturado e malandro “brasileiro”, de Darcy Ribeiro, João Ubaldo e Gilberto Freire entre outros, em que se transformou um fictício ser brasileiro “moreno”, não racista na forma e cruel ariano racista nas ideias, do nosso imaginário e mentalizado “Povo Brasileiro”. Essas gentes, que somos todos nós, lavamos com jatos de ácido sulfúrico, a pele preta mental do Brasil. Subjugando e mantendo numa sociedade ...

    Leia mais
    blank

    Como a Academia se vale da pobreza, da opressão e da dor para sua masturbação intelectual

    Texto originalmente publicado em RaceBaitR como “How Academia Uses Poverty, Oppression, and Pain for Intellectual Masturbation”. Disponível em: http://racebaitr.com/2017/04/06/how-academia-uses-poverty-oppression/. Tradução coletiva de Bruna Paz, Helena Rosa, Marcos Queiroz, Mariana Barbosa, Roberta Borges e Uila Gabriela Cardoso. Foto: Reprodução/Direito e Diáspora Por Clelia O. Rodríguez Do Direito e Diáspora Clelia O. Rodriguez é uma educadora, nascida e criada em El Salvador, América Central. É graduada pela York University em Literatura Espanhola. É mestra e doutora pela University of Toronto. Também lecionou nos programas de graduação e pós-graduação em língua, literatura e cultura hispânica na University of Toronto, no Washington College, na University of Ghana e na University of Michigan. Foi também professora visitante em Direitos Humanos nos Estados Unidos, no Nepal, na Jordânia e no Chile como parte do International Honors Program (IHP) da School of International Training (SIT). Ela lecionou Questões Comparadas nos Direitos Humanos e ...

    Leia mais
    David Schaffer/Caiaimage/Getty Images

    Adoecimento de estudantes negros e o papel da psicologia

    Tenho me deparado com inúmeros relatos, tanto de pessoas negras bem próximas a mim na universidade onde estudo como também de estudantes negros distantes ao qual nos conectamos através do mundo virtual, e todos eles trazem o mesmo discurso de fracasso diante do sofrimento e a incapacidade de conseguir encontrar algo que fuja ou transcenda essa realidade imersa em dor. E as poucas narrativas que fogem desta realidade sufocante, são vistas como pessoas negras'embranquecidas' por muitos militantes que julgam que ser negro é essencialmente militar e sofrer, tendo muitas vezes sua negritude questionada quando isto não está em evidência. Por Mayara Santiago para o Portal Geledés  Com toda certeza o racismo nos dilacera historicamente e molda um caminho pré-estabelecido socialmente através de raça e classe no Brasil, segundo Ângela Davis: 'O enorme espaço que o trabalho ocupa hoje na vida das mulheres negras reproduz um padrão estabelecido durante os primeiros ...

    Leia mais
    blank

    A academia e seus comportamentos patológicos

    A obsessão com o aumento da quantidade de publicações detona a qualidade delas Por Thomaz Wood Jr Do Carta Capital A onda teve início um século atrás nas empresas e chega agora às universidades. Tudo começou com Frederick Winslow Taylor, o mestre dos tempos e movimentos. O engenheiro norte-americano deixou para a posteridade o livro Princípios de Administração Científica, no qual mostrava como aplicar diretrizes de racionalização do trabalho às linhas de montagem. Suas técnicas atraíram fãs no Ocidente e muito além. Na base do método, a noção de que há sempre uma melhor forma de realizar o trabalho, e esta poderia ser identificada, reproduzida, medida e controlada em prol da produtividade. A obsessão produtivista e a sanha controladora invadem, nos dias atuais, a academia e seus complexos processos de geração de conhecimento. O que era bom para aferir a produção de caixas de câmbio e motores parece adequado também ao caso dos ...

    Leia mais
    blank

    Interseccionalidade Gênero-Raça e Etnia e a Lei Maria da Penha

    INTERSECCIONALIDADE GÊNERO/RAÇA E ETNIA E A LEI MARIA DA PENHA: DISCURSOS JURÍDICOS BRASILEIROS E ESPANHÓIS E A PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE A violência de gênero contra as mulheres é um fenômeno mundial que tem sido abordado exaustivamente. A maioria dos estudos aponta que se trata de um problema universal, sem distinção de qualquer marcador social. O objetivo geral desta pesquisa foi evidenciar a forma como a interseccionalidade gênero, raça e etnia emerge no discurso jurídico sobre as mulheres que acessam a justiça e como esta articulação caracteriza as relações de poder nas quais estão imersas. O referencial teórico-metodológico foi composto pela análise das práticas discursivas e não discursivas de Michel Foucault; pelo conceito de interseccionalidade; pelo conceito de gênero e pelos marcadores sociais de raça e etnia. Buscou-se realizar uma comparação entre a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) com a legislação espanhola de Proteção Integral à Violência de Gênero (LO ...

    Leia mais
    blank

    A cor da intelectualidade

    “A cor está para o Brasil como o gelo está para a população do Alasca.” – Hélio Santos. por Stephanie Ribeiro no Think Olga As narrativas de pessoas negras não são as mesmas, mas possuem diversas semelhanças. Não seria diferente no quesito acadêmico e intelectual: crescemos acreditando que não sabemos nada, ou popularmente dizendo, que somos burros. Com essa percepção que baseia nosso intelecto como limitado, somos sabotados muitas vezes por nós mesmos ao acreditarmos que não somos intelectuais, inteligentes ou capazes o suficiente para sermos reconhecidos. Esse sentimento de “autossabotagem” nos espreita, essa sensação foi introjetada por nós negros, seja no inconsciente fruto da inferiorização racista seja na autoestima que se reflete na rotineira insegurança para certas atividades nas quais não costumamos nos ver, essa introjeção nos limita e nos frustra. Na escola, alunos negros tendem a receber um tratamento diferente dos demais, um descaso velado. Isso já se dá ...

    Leia mais
    blank

    A branquitude é o alvo ou que aprendi com colegas da FAED/UDESC

    "Somente homens livres podem negociar."                                                                                            Nelson Mandela Não sei se um dia me recuperarei do último ataque racista sofrido no meu local de trabalho. Diferente de minhas alunas, que tem sobrevivido a diferentes manifestações de intolerância racial, as vezes francamente aberta, outras vezes expressas em formas mascaradas, mas não menos violentas.   Por  Paulino Cardoso, do Multiculturalismo, afrodescendentes e pensamentos dispersos   Contudo, o fato de ser dos professores decanos, o que apresenta maior experiência administrativa, que mais arrecada recursos financeiros externos, grande incidência nacional e internacional,  produziu vinte cinco livros nos últimos sete anos, porém não serve nem mesmo para ser consultado sobre a definição ...

    Leia mais
    blank

    OCUPAÇÃO: Acadêmicos debatem racismo e referencial negro da sociedade brasileira

    Com o objetivo de rever os conceitos estabelecidos pela sociedade em torno da população negra brasileira, estudantes da graduação e da pós-graduação em Direito da Universidade de Brasília (UnB) organizaram a I Ocupação Negra – Direito, Epistemologia e Raça da história das universidades federais do país. A proposta do encontro que acontece até 21 de maio, no Auditório Joaquim Nabuco, é questionar quem e como representa a população negra nos mais diversos meios. “Queremos construir nossa própria historia, o próprio referencial, valorizar nossa identidade”, disseram. Por Daiane Souza, do Palmares  A secretária de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Givânia Maria da Silva, elogiou a iniciativa enfatizando que o termo “ocupação”, está além do ato definido pelo verbo. “Somos 53% da população do país e ainda assim, somos invisíveis na sociedade. Aqui, ‘ocupar’ tem um papel de estabelecer pertencimento e de marcar a luta no enfrentamento ao racismo e ...

    Leia mais
    Sueli Carneiro (Foto: Caroline Lima)

    Intelectuais negros estão fora da bibliografia, criticam especialistas

    Abdias Nascimento, Clóvis Moura, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Jurema Werneck e Sueli Carneiro são apenas alguns nomes da extensa lista de intelectuais negros brasileiros. Não é incomum, entretanto, que um estudante deixe o ensino superior sem conhecer e sem ter lido nada desses pensadores. Para pesquisadores, falta à academia e à educação de forma geral um conhecimento maior sobre a intelectualidade negra, não apenas brasileira. É preciso também ter acesso a obras de pensadores negros traduzidas. A busca pelo protagonismo negro foi o que motivou a pesquisa do professor de história Carlos Machado. No livro Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente, ele compilou algumas histórias e legados de pesquisadores negros para a humanidade. Ele explica que essas pessoas são responsáveis por invenções que fazem parte do nosso cotidiano. "Mas o eurocentrismo escondeu ou apagou essa história como se ela não existisse e aí essas informações, uma parcela delas, ficou ...

    Leia mais
    blank

    Racismo Prejudica Produção Científica de Pesquisadores Negros No Brasil

    "As pessoas tendem a achar que discutir relações raciais, discutir sobre as questões da população negra, é falar sobre algo limitado. Não é", diz a doutora em história Ana Flávia Magalhães Pinto Por Valter Campanato Do Plantao Brasil As pessoas tendem a achar que discutir relações raciais, discutir sobre as questões da população negra, é falar sobre algo limitado. Não é, diz a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto (Valter Campanato/Agência Brasil) O dia 13 de maio marca a abolição formal da escravatura, mas o Brasil está longe de acabar com o racismo presente nas instituições. Nas universidades, locais de construção do saber, a questão ainda se perpetua na graduação, apesar do sistema de cotas, e mais ainda na pós-graduação e na pesquisa científica, onde são raras as ações afirmativas. Pesquisadores negros relatam à Agência Brasil as dificuldades que enfrentam na academia, desde o ingresso e a permanência ...

    Leia mais
    blank

    Epistemicídio

    por Sueli Carneiro - trecho de matéria de 2007 - Espelho com Lazaro Ramos Muitas são as razões que advêm de uma realidade inaceitável contra a qual a militância negra vem historicamente lutando e frente à qual as respostas do Estado permanecem insuficientes, exigindo permanente esforço de compreensão. Assim, contrato racial, biopoder e epistemicídio, por exemplo, são conceitos que se prestam como contribuição ao entendimento da perversidade do racismo.São marcos conceituais que balizaram a tese de doutorado que defendemos junto à USP em agosto passado sob o título "A construção do outro" como não-ser como fundamento do ser. Nela procuramos demonstrar a existência no Brasil de um contrato racial que sela um acordo de exclusão e/ou subalternização dos negros, no qual o epistemicídio cumpre função estratégica em conexão com a tecnologia do biopoder.É o filósofo afro-americano Charles Mills quem propõe no livro The Racial Contract (1997), que devemos tomar a ...

    Leia mais

    Últimas Postagens

    Artigos mais vistos (7dias)

    Twitter

    Welcome Back!

    Login to your account below

    Create New Account!

    Fill the forms bellow to register

    Retrieve your password

    Please enter your username or email address to reset your password.

    Add New Playlist