terça-feira, abril 13, 2021

Tag: Muniz Sodré

Para o professor Muniz Sodré, a insensibilidade social alimenta a indiferença pelos negros (Foto: Léo Ramos Chaves/Revista Pesquisa Fapesp)

“O negro é um cidadão invisível. Quando ele aparece, a violência aparece também”

A morte brutal de João Alberto Freitas, espancado e sufocado até a morte por dois seguranças brancos em um Carrefour de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra (20/11), não só gerou revolta como provocou uma série de questionamentos sobre o racismo que ainda molda as relações sociais no Brasil. Para o escritor e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Muniz Sodré, a morte do homem negro é uma morte anunciada no cotidiano brasileiro, como se fosse pré-programada. A dificuldade que se tem para discutir e combater o racismo no país, segundo Sodré, passa pelo que ele chama de duplo vínculo, que consiste em dizer uma coisa e agir de outra forma e, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, o racismo brasileiro é ambíguo porque “ao mesmo tempo que se tem uma exclusão racista, do ponto de vista do afeto, da proximidade, você ...

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Sociedade incivil e barbárie

Degradação social incita classes à produção do ódio Por Muniz Sodré, Da Folha de S. Paulo (Foto: Margarida Neide Ag. A Tarde) A distopia televisiva “Years and Years” (HBO), onde o mundo parece posto de cabeça para baixo, é amostra curiosa de um fenômeno ainda em busca de interpretação, que escolhemos designar como sociedade incivil. Não se trata de mera oposição entre incivilidade e civilização, e sim de uma nova forma social, que emerge de norte a sul do planeta, com especial destaque no Brasil. Para maior clareza teórica, um bom ponto de partida é a suposição de um “comum” inerente a toda atividade humana. Transparece na expressão sociedade civil que, já em meados do século 18, se opunha à noção de indivíduo isolado. A palavra “civil” (civis, cidadão) conota a ideia do homem desvinculado de uma função estatal, mais especificamente de uma obrigação militar. Civil ...

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imagem- Hana Luzia

Muniz Sodré ginga palavras para alcançar algo da vida

Dona Cida! Licença! Hoje quando meti meus chinelos e fui comprar abóbora e quiabo (que a senhora me ensinou a escolher, pelo talinho), quando ouvi o megafone da Variant vermelha do Tomás Parrudo passando arriada de frutas e legumes, larguei o livro que tinha terminado justo naquela hora. Tava eu paquerando o céu, as pipas e sabiás daqui da beira do córrego, tocado na barriga pela leitura. Na rua, te encontrei e desci com a tua sacolona pesada, foi um prazer. Ontem perdemos a feira, aquela onde eu te vendia bananas quando era gurizinho, lembra? Carreguei a compra até à tua morada, sempre a mais arrumadinha da quebrada. Na função, já encontrei o seu Messias tratando os passarinhos, versando sobre a personalidade do pintangol, do canário-do-reino, do coleirinha. Consegui evitar comentar sobre o cárcere, a senhora percebeu na minha goela descendo seca, e fiquei bem. Observava o seu Messias limpando ...

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O espírito do tempo eletrônico

A menos que se pretenda insistir no desenvolvimento de uma ciência sem nome, cremos ser necessário fazer uma pausa reflexiva sobre a palavra comunicação enquanto síntese nominal de uma variedade de práticas contemporâneas que se estendem desde as trocas intersubjetivas de palavras até a transmissão tecnologicamente avançada de sinais e mensagens. Materializada em indústrias, esta síntese vem se desdobrando em termos técnicos com enormes conseqüências sociais e acadêmicas, sem que o seu nome próprio realmente configure uma unidade ou, para se atender ao espírito do tempo eletrônico, uma rede cognitiva voltada para a constituição de um saber positivo. Por Muniz Sodré no Observatório da Imprensa  Originariamente, comunicar – “agir em comum” ou “deixar agir o comum” – significa vincular, relacionar, concatenar, organizar ou deixar-se organizar pela dimensão constituinte, intensiva e pré-subjetiva do ordenamento simbólico do mundo. Assim como a biologia descreve vasos comunicantes ou a arquitetura prevê espaços comunicantes, os seres ...

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A telenovela vai às urnas

Por Muniz Sodré Diz-me um tanto surpresa uma jovem repórter que a campanha eleitoral brasileira lhe faz lembrar uma soap opera. Mantenho o fulcro da opinião em inglês porque a jovem é umafree-lancer norte-americana que trabalhou na cobertura da Copa do Mundo e do processo eleitoral. Na verdade, não é nada novo esse ponto de vista nem contempla só o Brasil: Bruce Newman, famoso especialista em marketing político, consultor do ex-presidente Bill Clinton, já havia assinalado que “a televisão tornou-se tão importante na política que os políticos precisam ter as mesmas habilidades dos atores”. Chegou a mesmo a dizer que “para muitos americanos, a Casa Branca é apenas mais uma estação de tevê”. Tanto assim que o embate eleitoral-judiciário entre Al Gore e George Bush na disputa pela Presidência da República foi descrito pela imprensa de lá como uma soap opera, com heróis e vilões, surpresas cotidianas, clímax e doses ...

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Racismo na mídia: entre a negação e o reconhecimento

A visibilidade às discussões sobre o racismo dada pela TV Globo e o reconhecimento da violência decorrente dele são uma vitória para a luta por igualdade racial Por Cecília Bizerra Sousa* “Sempre que venho ao Brasil, assisto à TV para ver como o país se representa. Pela TV brasileira, nunca seria possível imaginar que sua população é majoritariamente negra”. Esta observação, entre tantas outras acerca dos desafios que ainda cabem à luta pela igualdade racial no Brasil e no mundo, foi feita pela ativista estadunidense Angela Davis, em conferência em Brasília na noite de 25 de julho, na 7ª edição do Latinidades – Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha. “Não posso falar com autoridade no Brasil, mas às vezes não é preciso ser especialista para perceber que alguma coisa está errada se a cara pública deste país, majoritariamente negro, é branca”, acrescentou. Referência mundial na luta contra o ...

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Seminário sobre igualdade racial na mídia defende militância e aproximação étnica

Seminário sobre igualdade racial na mídia defende militância e aproximação étnica

Fonte: Sindicato dos Jornalistas - Os veículos de comunicação desde 2003 vêm aumentando seu espaço editorial em artigos, reportagens e colunas assinadas para combater as ações afirmativas em busca da igualdade social. A solução para combater o problema está em manter a defesa das propostas de aproximação de todas as etnias e a continuidade da militância permanente contra a discriminação em todas as formas. No seminário “Comunicação e ação afirmativa: o papel da mídia no debate sobre igualdade social”, os debates se concentraram em três painéis: “Cobertura da ação afirmativa no Brasil”, “Responsabilidade social da mídia e o debate sobre raça” e “Da opinião publicada à opinião pública: a fabricação de um consenso anticotas no Brasil”. Escravidão sem racismo Muniz Sodré disse que em geral não havia racismo na escravidão que tornou-se anacrônica diante dos interesses industriais da sociedade capitalista. Lembrou personagens de época, como Alberto Torres, presidente do Estado ...

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Seminário Racismo, Igualdade e Políticas Públicas

Bom dia a todas e todos. Agradeço inicialmente ao Inesc e a UnB pela iniciativa desse importante seminário. Vou compartilhar angústias que atormentam todos que estamos envolvidos com esse tema, especialmente sobre as velhas artimanhas do racismo à brasileira e seu impacto sobre as políticas públicas. Vou arrolar idéias e posicionamentos que estão em circulação nesse momento e tentar compreender os sentidos, persistências e novidades que contêm sobre a questão racial, como afetam a luta antirracista e as políticas de promoção da igualdade racial. Para isso, vou me servir largamente de As Caçadas de Pedrinho, bola da vez no debate racial, como metáfora das contradições e desafios que enfrentamos nesse momento, sobretudo às políticas públicas com recorte racial. Comecemos por quem manda. O ministro da Educação Fernando Haddad em primeira reação ao debate provocado pelo parecer do Conselho Nacional de Educação sobre o livro Caçadas de Pedrinho, no qual uma mulher ...

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Monteiro Lobato vai para o trono? – Por: Muniz Sodré

Um incidente pré-carnavalesco trouxe de novo à cena a figura de Monteiro Lobato, que frequentara com alguma assiduidade as páginas da imprensa no ano passado, quando o Conselho Nacional de Educação (CNE) considerou racista o livro Caçadas de Pedrinho. Agora é a camiseta desenhada por Ziraldo para o bloco carioca "Que merda é essa?", em que Lobato aparece sambando com uma mulata. Houve manifestação popular e protestos, dos quais o mais veemente e consistente foi o da escritora Ana Maria Gonçalves, autora de Um Defeito de Cor, romance notável no panorama da literatura brasileira contemporânea. Nenhum jornal reproduziu o teor da carta ponderada e judiciosa da escritora ao cartunista, admitindo que poderia tê-la estendido a outros destinatários, nomes importantes no chama do corredor literário. Há, porém, a internet, e graças a ela se fica a par dos argumentos da romancista, todos inequívocos quanto ao racismo do consagrado autor de Caçadas de Pedrinho. Pela imprensa ...

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