terça-feira, agosto 9, 2022
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Consulesa francesa sugere coragem para procurar pessoas inspiradoras em busca de mentorias

Há quase quatro anos no Brasil, Alexandra Loras tornou-se um ícone no País quando se fala em empoderamento feminino, sobretudo para a representatividade da mulher negra

Por  Roberta Fofonka, do JCRS

“Escolha dez pessoas que você mais admira – pode ser mesmo a Madonna ou alguém próximo – e mande um e-mail para cada uma delas. Diga que você as admira e por que. Pergunte se esta pessoa quer ser sua mentora, se pode tomar um café uma vez por mês para contar a trajetória dela e te ajudar com a sua história”. Este é o conselho de Alexandra Baldeh Loras, consulesa da França em São Paulo.

Há quase quatro anos no Brasil, Alexandra tornou-se um ícone no País quando se fala em empoderamento feminino, sobretudo para a representatividade da mulher negra.

Mas Alexandra acha isso curioso, uma vez que enxerga que o buraco é mais embaixo. “Eu acho muito interessante como o Brasil me deu um palco para falar deste assunto, como se eu fosse mais válida a falar sobre isso porque sou estrangeira e mulher negra da elite. É interessante ver isso porque vejo muito mais mulheres brasileiras militantes, ativistas, que são muito mais experts na causa negra do que eu, mas elas não estão presentes na mídia. Estão basicamente ausentes”, ressalta. No entanto, “se querem me dar a palavra, eu pego”, diz.

Ela esteve em Porto Alegre na quinta-feira (17) para participar do evento Jogo de Damas, promovido na UniRitter, falando sobre empoderamento feminino, liderança, negócios e a Síndrome do Impostor, ideia que apresentou na participação no TEDxSão Paulo.

Numa conversa cheia de embasamento estatístico e vivencial, a consulesa, que é mestre em Gestão de Mídias pela mais importante escola de Ciências Políticas da França, o Institut d’études politiques de Paris (Sciences Po), falou que adora o Brasil e explicou que o País a ajuda a enxergar o racismo. Preconceito, aqui, não é só uma questão de classe, afirma. Quando ela faz eventos diplomáticos em casa, por exemplo, ao receber a elite na entrada – como manda o protocolo francês -, muitas vezes os convidados não dão-se conta de que ela é a anfitriã, por ser negra. Mas fez questão de salientar: “O branco de hoje não é responsável pela escravidão. Hoje somos todos responsáveis por equilibrar as coisas”, reforça.

Alexandra conversou ainda sobre a sua trajetória e os principais problemas que enxerga na realidade brasileira. A entrevista na íntegra vai ao ar no GeraçãoE em breve.

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