quinta-feira, setembro 23, 2021
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Em repúdio ao racismo, feministas farão ato neste sábado em SP

Feministas realizarão, neste sábado (23), um ato contra o sexismo e o racismo em razão do Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, celebrado na próxima segunda-feira (25).

 

O evento “Basta! Rompendo a violência sexista e racista contra as mulheres” é organizado pelas Promotoras Legais Populares de São Paulo, União de Mulheres e Coletivo Feminista Dandara.

 

A concentração ocorrerá na praça do Patriarca, no centro de São Paulo, a partir das 10 horas. Em nota, o grupo diz que “trata-se de uma mobilização educativa e de massa, que luta pela erradicação desse tipo de violência e pela garantia dos direitos humanos das mulheres”.

 

Leia, abaixo, o manifesto na íntegra:

 

Dizemos basta à violência contra as mulheres, porque queremos ser livres não só perante a lei, dizemos um basta para toda violência institucional, na qual as mulheres são vítimas e culpabilizadas. Dizemos um basta a todo esse sistema patriarcal que nos subjuga e marginaliza, nos obrigando a cumprir papéis que não são intrínsecos à mulher.

 

Mas nos manifestamos também por meio de muita luta, o nosso repúdio à apatia dos órgãos públicos, mais particularmente pelas DDMs (Delegacia de Defesa da Mulher), que prestam seus serviços de forma seletiva e má qualificada, não auxiliando as mulheres que procuram por seus serviços, já fragilizadas e precisando de informações, que são negadas a elas. Pelo contrário, em muitos casos são revitimizadas e persuadidas a voltarem a sua casa e se resolverem com os seus agressores. 

 

Denunciamos mais especificamente a 8ª DDM, que presta atendimento ao bairro de São Mateus e região, onde o caráter laico é constantemente ameaçado pela delegada de plantão que anexa salmos evangélicos aos Boletins de Ocorrência, dificultando a denúncia da mulher, que se vê numa situação de constrangimento e alienação.

 

Repudiamos também a justiça seletiva da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que consequentemente comete violência institucional contra a mulher, particularmente a mulher negra e periférica, tendo em vista que as políticas ditatoriais de segurança pública são instauradas de maneira que define quem está incluso como cidadão ou não, rotulando de forma discriminatória, quem é merecedor de proteção do Estado. E seguindo essa estrutura, nós mulheres, sobretudo as negras e pobres não nos encaixamos neste perfil heteronormativo, branco e classista.

 

Não ficaremos caladas diante do genocídio escancarado das mulheres, onde a mulher negra continua sendo o perfil que mais morre.

 

Perfil das vítimas

 

Segundo estudo do Ipea divulgada em outubro de 2013, mulheres jovens foram as principais vítimas – 31% na faixa etária de 20 a 29 anos e 23% de 30 a 39 anos. Mais da metade dos óbitos (54%) foi de mulheres de 20 a 39 anos, e a maioria (31%) ocorreu em via pública, contra 29% em domicílio e 25% em hospital ou outro estabelecimento de saúde. A maior parte das vítimas é negra (61%), principalmente nas regiões Nordeste (87% das mortes de mulheres), Norte (83%) e Centro-Oeste (68%). 

 

Também há dados do IBGE dando conta de que as mulheres são 97 milhões no Brasil e representam 51,1% da população, chefiando 40% dos lares brasileiros. Apesar do avanço que representou a criação das Delegacias da Mulher na construção da cidadania das mulheres no Brasil, questiona-se hoje a eficácia deste órgão como política de segurança pública no combate à violência de gênero. E é importante que ressaltemos o quão mulheres negras sofrem duplamente nesse quesito. 

 

Não só enquanto mulher, já que mesmo nas DDMs o machismo impera, mas também enquanto mulher negra, pois o racismo brasileiro não é apenas individual, é estrutural e institucional, possui maneiras de discriminação operados pelas instituições públicas e privadas que o reproduzem e o fortalecem.

 

E é por isso que enquanto feministas, gritamos um belo e sonoro BASTA! É pela vida das mulheres que lutamos por uma sociedade mais igualitária em direitos, onde a sororidade é a nossa base e principal ferramenta de luta.

 

Avante mulheres!

 

 

Fonte:  Jornal GGN

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