Força invisível supera falta de oportunidades nas favelas

Não sei se ouvi, ou se inventei, mas costumo dizer que favela tem um “quezinho” de cidade do interior. Calma que eu já explico o motivo. É que nossas favelas, assim como as pequenas cidades, têm uma população que geralmente se conhece (às vezes mais do que deveria), gerações crescendo juntas, as famosas fofoqueiras, enfim, é uma gama de similaridades e também grandes diferenças.

Por Mônica Francisco, do Jornal do Brasil 

Mas, o que me faz escrever hoje sobre isso e querer compartilhar com os nossos queridos e queridas leitores e leitoras, é sobre as figuras que compõem este cenário. E nada mais interessante, até para nos mantermos no contexto desse período em que o mundo vai tentando superar e encontrar caminhos para as turbulências econômicas, do que lembrar dos trabalhadores que povoam nossas favelas. Não, eu não estou falando da população toda, do conjunto dela, mas daqueles trabalhadores que vivem indiretamente dos comércios e daqueles que criam trabalhos.

São os que ficam nos sopés dos morros, ou nos “pés” início dos morros, alertas para carregar as bolsas, pacotes, caixas, pessoas debilitadas, materiais de construção. Lembro que nos anos 1970, 1980, havia os que carregavam água. Faziam as famosas “balanças”, para carregarem duas latas de 20 litros, aquelas onde vêm as tintas de parede, e assim, encherem mais rápido as caixas, barris ou qualquer outro tipo de reservatório para a água.

Há também os que varrem os becos, as escadas, carregam entulhos de obras,  fazem favores, enfim, um sobe-desce digno de uma Serra Pelada. E assim, ao longo dos anos, essa força invisível vai superando a maior dificuldade  de todas, a falta de oportunidade. E para além da invisibilidade social, vão construindo portas e viabilizando saídas.

Assim, constroem  e protagonizam a crônica da informalidade da informalidade, são a margem da margem, que silenciosamente povoam a fauna da favela, e fazem dela esse lugar de fato muito peculiar.

“A nossa luta é todo dia. Favela é Cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO, à REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL , ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL,ao VOTO OBRIGATÓRIO, à VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e à REMOÇÃO !”

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)

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