segunda-feira, novembro 23, 2020

    Tag: escravidão no Brasil

    Entre 1831 e 1850, navios com a bandeira norte-americana corresponderam a 58,2% de todas as expedições negreiras com destino ao Brasil (Imagem: SLAVERYIMAGES )

    Como os EUA lucraram com tráfico de africanos escravizados para o Brasil

    Pesando 122 toneladas e com um valor estimado em US$ 15 mil dólares, a Mary E. Smith foi construída em Massachusetts especificamente para o tráfico negreiro. Antes mesmo de deixar Boston rumo à África, no dia 25 de agosto de 1855, a escuna chamou a atenção das autoridades britânicas e norte-americanas. Houve até uma tentativa de prisão na saída, mas o capitão, Vincent D. Cranotick, conseguiu expulsar os intrusos e partir. Poucas embarcações do tráfico foram tão monitoradas quanto a Mary E. Smith. A Marinha no Rio de Janeiro, ao receber a correspondência dos EUA, alertou oficiais britânicos, brasileiros e americanos sobre a chegada iminente da escuna. Ao se aproximar da costa, foi abordada pelo navio de guerra Olinda e levada para Salvador, na Bahia. A situação era preocupante. Majoritariamente jovens com entre 15 e 20 anos, os africanos padeciam de diversas doenças — nos 11 dias de viagem entre ...

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    Escravos entravam na Justiça e faziam poupança para lutar pela liberdade

    Em 1883, Rita entrou com uma ação na Justiça da Imperial Cidade de São Paulo contra o Tenente Julio Nunes Ramalho. Poderia ser mais um processo qualquer, não fosse um fato notável: Rita não era considerada cidadã pela lei brasileira. Era escrava. Já o Tenente Ramalho era seu proprietário. O objeto do caso era o interesse de Rita de comprar sua liberdade. por Amanda Rossi no BBC Acervo Espaço Olavo Setubal/Itaú Cultural De Rita, a Justiça sabia pouco. Não tinha sobrenome, nem idade certa - "38 anos aproximadamente". As informações eram apenas que possuía aptidão para o trabalho e era cozinheira, escravizada por Ramalho. Por não ser livre, Rita não tinha direito a procurar a Justiça diretamente e precisou de um intermediário para representá-la. Tendo obtido uma doação de 200 mil réis "em moeda corrente deste Império", queria comprar sua alforria. Pedia, então, que seu proprietário fosse ...

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    Colônia Africana: como teve início a remoção dos negros para a periferia de Porto Alegre

    “E lá tem negros, na capital do Rio Grande do Sul?”. A pergunta que norteia a análise do pesquisador Marcus Vinicius de Freitas Rosa sobre racismo em Porto Alegre tem razão de ser. Brasileiros aprendem na escola (e com a ajuda do senso comum) a estabelecer uma forte associação entre o Estado e a presença de imigrantes europeus. Essa imagem de região “embranquecida” e “europeizada” é reforçada, ainda hoje, em reportagens dedicadas a noticiar ao restante do País o “rigoroso inverno” e as ocasionais “nevascas” sulinas. Retratado dessa forma, o Rio Grande do Sul – europeu, frio e distante – se contrapõe à imagem de um Brasil tropical e mestiço. por Giovana Fleck no Sul 21 Dentro de Porto Alegre, o racismo está evidente em aspectos históricos da própria formação da cidade como conhecemos hoje. Um exemplo é a remoção da população negra para áreas mais afastadas do reduto central. O Bairro Colônia Africana surgiu no ...

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    Autoestima contra o racismo

    A ideia de museu é bem-vinda, desde que contribua para que a evocação da escravidão seja, no futuro, apenas o pano de fundo para nossas importantes contribuições Por Nei Lopes, do O Globo Em nossa opinião, uma das melhores armas no combate ao racismo é possibilitar aos atingidos por ele a aquisição de uma autoestima positiva. Somente altivos e “resolvidos” é que povos historicamente vítimas desse tipo de ofensa tornaram-se aptos a desmoralizar as causas de seu infortúnio, evitando que elas permanecessem e se reproduzissem. No caso brasileiro, descendentes de africanos continuam sendo as vítimas preferenciais. Para esse segmento — no qual nos incluímos —, o mito da “democracia racial” e a focalização de nossa história apenas na condição escrava de nossos ancestrais, reais ou supostos, têm nos impedido de perceber nossa relevância e, a partir dela, moldarmos nossa autoestima. A escravidão de africanos no Brasil foi um fenômeno histórico importante, ...

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    Nova Comissão da OAB SP investigará período da escravidão

    O salão nobre do primeiro andar da Praça da Sé mostrou-se pequeno para receber tantas pessoas que vieram prestigiar a posse da Comissão da Verdade Sobre a Escravidão Negra da OAB SP. O grande número de interessados em acompanhar o evento fez com que fossem instalados telões no segundo andar e na sala vip, onde o público pôde acompanhar a cerimônia. A solenidade foi realizada na última terça-feira (18/08) e presidida pelo conselheiro secional Rui Augusto Martins, que representou o presidente da OAB SP, Marcos da Costa, e para quem “a criação desta Comissão tem como objetivo resgatar o passado do povo negro marcado por dor e sofrimento”. Da OAB  A criação e a nomeação dos membros da nova comissão se deram pelas Portarias 223, 247, 270 e 296 de 2015, ocasião em que foram nomeados o presidente, Sinvaldo José Firmino, a vice-presidente, Maria Sylvia Aparecida de Oliveira, a secretária, ...

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    Não entendemos errado, o que aconteceu com Angelo Assunção foi racismo

    A sofisticação do racismo brasileiro está no fato de embora serem muito visíveis as desigualdades entre negros e brancos, muita gente ainda afirma e acredita na inexistência do racismo.  Por Gabriel Rocha no Brasil de Fato Na semana do 13 maio deste ano, completando 127 de abolição “legal” da escravidão negra no Brasil, vemos o episódio em que três ginastas brancos, Arthur Nory, Fellipe Arakawa e Henrique Medina, através de vídeo publicado na rede social Snapchat veiculam o racismo através de “brincadeiras” (como é de costume no Brasil) ao ginasta negro Angelo Assunção, campeão mundial em ginástica artística. entenda o caso:  Angelo Assumpção, ginasta negro da seleção é alvo de piadas racistas de companheiros A Lei Áurea, longe de ser um solene ato de solidariedade ou benevolência da princesa Isabel para a população escravizada, resultou de um longo processo de lutas nas senzalas, nos quilombos, nas fazendas e nas cidades, envolvendo ...

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    Foto: Rafael Roncato

    HQ Cumbe, de Marcelo D’Salete , sobre a escravidão no Brasil, terá edição em Portugal

    A HQ Cumbe, de Marcelo D’Salete, ganhará uma edição em Portugal pela editora Polvo. A obra conta a história de escravos que resistiriam à opressão escravagista no Brasil dos século 17. no Revista O Grito  por Paulo Floro Foto: Rafael Roncato O quadrinista Marcelo D’Salete se impôs um dos maiores desafios tanto nas HQs como em qualquer arte feita hoje no Brasil: contextualizar e trazer um olhar longe dos estereótipos sobre a história dos negros escravos trazidos ao País. “Nesta HQ que também tem cara de ensaio, Marcelo trouxe um olhar que buscou fugir do lugar comum quando o assunto é a matriz africana. Para começar, Cumbe não se roga em explicitar a violência do período. Mas faz isso de um ponto de vista do escravo, explicitando tanto sua dor quanto a revolta. Ao branco dominador não lhe resta nenhum papel a não ser o da incongruência, daquele que ...

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    gravura da capa Johann Rugendas no Medium

    Lista com nomes de navios negreiros escancara cinismo dos comerciantes de seres humanos no Oceano Atlântico

    Além de tudo, dissimulados Não há páginas da história da escravidão que não nos envergonhe. Essa, talvez ainda pouco abordada, trata dos dissimulados nomes que os donos das embarcações davam as seus infernos flutuantes, os navios negreiros — ou navios "tumbeiros", que vem de tumba, sinônimo de caixão. As histórias desses barcos de nomes revoltantes estão expostas no mais amplo estudo do comércio transatlântico de seres humanos, iniciado ainda na década de 1960, e reunido pela Universidade de Emory (EUA), no site slavevoyages.org. É partir desta pesquisa que reunimos aqui uma lista com alguns dos mais nojentos nomes encontrados. Wilson Prudente é relator da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB do Rio de Janeiro e um dos brasileiros descendentes de escravos mais engajados em recuperar a história do povo de seus antepassados africanos. Ele garante que os abjetos nomes desses barcos não eram por acaso: Imagens retiradas do site: medium.com “Eram para intimidar!” O historiador Daniel Domingues ...

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    Escravos influentes sobre os quais os livros de História não falam

    Conheça alguns escravos que lutaram contra tudo e todos de sua época pelo seu direito à liberdade e igualdade por: Pietro Bottura Zumbi foi um escravo fugitivo que montou um dos maiores quilombos (“cidades” de escravos refugiados) conhecidos do Brasil, o dos Palmares. Deificado por sua força, resistência e perseverança, o líder brasileiro é um dos milhares de nomes de escravos que, contra os terríveis costumes da época e a mentalidade opressora, conseguiram lutar por seu direito de liberdade e levantar a bandeira da igualdade racial, até hoje pesada demais para tremular direito. Entretanto, se hoje em dia nossa sociedade é racista, classista, sexista e materialista como é, imagine há 4 séculos atrás, quando tomar crianças e matar vilarejos africanos inteiros era algo considerado “certo” diante da ética humana. Por isso, pode até parecer que o pessoal dessa lista fez pouca coisa, mas, sem eles, passos essenciais na caminhada contra ...

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    Escravidão ajudou a enriquecer a Suíça

    O banqueiro Jacob Zellweger foi um dos financiadores do tráfico de escravos. O banqueiro Isaac Thellusson apoiou expedições negreiras. Jacques-Louis Pourtalès ficou milionário trocando tecidos por escravos na África | Fotos: Reprodução Documentos revelam que banqueiros suíços ganharam dinheiro com o tráfico de escravos, diretamente ou financiando expedições para comprá-los. Até a República de Berna aplicou dinheiro em empresa escravista por Euler de França Belém no Jornal Opção Um banqueiro disse que tinha como justificar sua fortuna, mas não seu primeiro milhão. Parece ser o caso de alguns milhões da Suíça. Jamil Chade, do “Estadão”, publicou no domingo, 28, a reportagem “Escravidão ajudou a enriquecer a Suíça”, na qual conta que os banqueiros do país traficaram “pelo menos 175 mil escravos africanos”. A Suíça é vista como um país tranquilo e, nas guerras, neutro. O sociólogo suíço Jean Ziegler e outros estudiosos sustentam que o sistema bancário do país “lava” ...

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    pattycakedoll.com

    Pré-escola de SP usa bonecos para discutir racismo com alunos

    por Marcelle Souza pattycakedoll.com Racismo é o tema da aula e a sala parece pequena para a energia de 35 crianças de 4 e 5 anos na pré-escola Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Guia Lopes, no Limão, zona norte de São Paulo. "Apartheid é quando o negro fica separado do branco", explica uma das alunas no dia em que a reportagem do UOL visitou a escola. Em outros tempos e em outras escolas, o 13 de maio, data da Abolição da Escravatura no Brasil, era data comemorativa a ser lembrada com direito à lembrança da Princesa Isabel e da Lei Áurea. Mas nessa escola, não. Porque a questão do negro na sociedade é tema de todo dia. Na atividade, as duas professoras fazem perguntas sobre preconceito, racismo e a vida de Nelson Mandela. Os dedinhos para o alto mostram que a turma está afiada e todos querem falar o que aprenderam nas aulas anteriores. "Mandela ...

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    13 de Maio

    13 de maio: Dia de reflexão para os afro-brasileiros em todo o País

    Celebrado nacionalmente, o 13 de maio é uma data controversa do calendário de lutas do movimento negro brasileiro. O dia marca a assinatura da Lei Áurea, que determinou a libertação de todos os escravizados no País. Mas é comemorado com reservas, por não contemplar o protagonismo dos negros e das negras durante o processo que culminou na abolição formal da escravatura. Eventos por todo o País estimulam a discussão sobre o que a abolição representou na vida dos afro-brasileiros e os motivos para celebrá-la. O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Eloi Ferreira de Araujo, participará de uma vasta programação durante a semana em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, contribuindo para as discussões. RESISTÊNCIA – A Lei Áurea é, incontestavelmente, um marco histórico, pois impulsionou a libertação dos cerca de 800 mil negros mantidos no cativeiro no Brasil em 1888. Mas é indiscutível também que a abolição formal ...

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    abolicao

    Abolição da escravidão: a igualdade que não veio

    Negros na colheita de café no fim do século XIX Há mais de um século, o dia 13 de maio marca a data da assinatura da lei que emancipou os escravos. A concessão da liberdade, porém, foi acompanhada de medidas que negaram a cidadania plena aos negros Flávio Gomes e Carlos Eduardo Moreira de Araújo No início de 1929, o periódico carioca O Jornal apresentava em suas páginas uma "preciosidade suburbana" de 114 anos: "Um preto velho, curvado sobre um cacete nodoso, typo impressionante, que raramente se vê em nossa capital". O homem havia procurado aquela redação no intuito de pedir ajuda para comprar uma passagem para a Barra do Piraí, onde iria visitar seu neto, mas, diante do olhar de espanto dos jornalistas, decidiu sentar para conversar e contar suas histórias do tempo em que era escravo: "Eu nasci em São João del Rey, quando ainda estava no Brasil ...

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    13 de maio é dia de reafirmação da luta identitária

    Liberdade é força-motriz que nos possibilita a autonomia de ser pessoa, ter uma identidade própria. A menina que tomou água sanitária para ficar branca e igual às outras, até hoje enfrenta dores gástricas. Porque a menina tomou água-cloro? por Arísia Barros no Cada Minuto Pergunte a turma que tem 11 anos, como ela. Não, ainda não somos livres Estaremos em uma silenciosa guerra civil que nos restringe a mobilidade de ser pessoa? A hierarquia de valores alimenta a ferocidade do racismo,categorizando, seccionando o corpo social. Tia porque dói tanto ser negro? A dor do menino da escola ainda transborda como uma violação a auto-estima da infância no Brasil. O racismo é cruel! A Lei Federal nº 10.639/03 ainda enfrenta o quadro neutro em uma contundente e cotidiana batalha por uma igualdade essencial. Não, ainda não somos livres! Liberdade é ter alternativas, um caminho de escolhas e possibilidades, sem as fronteiras ...

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    Nei Lopes – Retratos do Brasil Negro

    Nei Lopes – Retratos do Brasil Negro

    Poeta, compositor, sambista, pesquisador e escritor, Nei Lopes é uma referência da cultura e da arte no Brasil. Sua vasta obra intelectual e musical constitui um rico acervo de informações e ideias sobre a cultura afro-brasileira, além de refletir de maneira magistral a luta antirracista no país. No livro Nei Lopes, primeira biografia da Coleção Retratos do Brasil Negro, o jornalista Oswaldo Faustino conta em detalhe a trajetória desse grande intelectual brasileiro e aborda com maestria todas as facetas de sua vida. "Ele é uma usina do pensar", revela o autor. Como admirador, Faustino aceitou com entusiasmo o convite para escrever a biografia do intelectual. Foram quatro meses de trabalho, incluindo contatos por telefone, troca de e-mails e dois encontros, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, para reunir as histórias que mostram os diversos talentos do homem que é hoje a grande referência no estudo da cultura afro-brasileira ...

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