quarta-feira, julho 8, 2020

    Afro-brasileiros

    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    A alta modernidade de Machado de Assis

    Em 1895, Sigmund Freud publicou em Viena Estudos sobre a histeria, e em 1899, aquele que seria considerado o livro inaugural de sua topografia psíquica (baseada na ponta do “iceberg” do ego emerso do profundo oceano do inconsciente), A interpretação dos sonhos. Entre as duas datas, saía no Brasil, em 1896, Várias estórias, de Machado de Assis, contendo alguns dos melhores contos já escritos em língua portuguesa. E entre eles, aquele que provavelmente é a obra-prima insuperável do conto brasileiro, “O cônego ou a metafísica do estilo”. Mas o que tem a ver Freud com Machado, além da coincidência das datas? Nada. Porém, invertendo-se a frase – o que tem a ver Machado com Freud –, a resposta seria... nada, se não fosse quase tudo. Ao menos, no caso de “O cônego". Não haveria tempo hábil para Machado ler uma obra publicada em Viena em 1895 e escrever e publicar...

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    Sueli Carneiro (Foto: Caroline Lima)

    Intelectuais negros estão fora da bibliografia, criticam especialistas

    Abdias Nascimento, Clóvis Moura, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Jurema Werneck e Sueli Carneiro são apenas alguns nomes da extensa lista de intelectuais negros brasileiros. Não é incomum, entretanto, que um estudante deixe o ensino superior sem conhecer e sem ter lido nada desses pensadores. Para pesquisadores, falta à academia e à educação de forma geral um conhecimento maior sobre a intelectualidade negra, não apenas brasileira. É preciso também ter acesso a obras de pensadores negros traduzidas. A busca pelo protagonismo negro foi o que motivou a pesquisa do professor de história Carlos Machado. No livro Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente, ele compilou algumas histórias e legados de pesquisadores negros para a humanidade. Ele explica que essas pessoas são responsáveis por invenções que fazem parte do nosso cotidiano. "Mas o eurocentrismo escondeu ou apagou essa história como se ela não existisse e aí essas informações, uma parcela delas, ficou...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Ao vencedor, as batatas

    O Adamastor me chegou indignado, outro dia, com o que leu no Quincas Borba. Mas como, vociferava ele, um escritor, reputado como o maior entre os escritores brasileiros, teve o cinismo de escrever uma coisa dessas! Perguntei assustado a causa da gritaria e meu amigo confessou que estava lendo um livro de Machado de Assis. Quando meu amigo lê, já sei que vou ter problemas. A formação do Adamastor, o gigante, apesar de ter nascido de Os Lusíadas, não me parece muito forte em literatura. Ele tremia de puro furor. Quincas Borba é uma personagem irônica, expliquei, figura comum na literatura de Machado. Aproveitei para uma pequena introdução à leitura do texto literário. Não se deve ler literatura ao pé da letra. Os sentidos estão quase sempre escondidos nos escaninhos do discurso. Ambiguidades, ironias, eufemismos e tantos outros recursos de retórica fazem parte do que há de lúdico na literatura, ou seja,...

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    (Ilustração: Angelo Agostini)

    Luiz Gama, o abolicionista

    Ele está ali no Largo do Arouche, no canto que confronta o encontro das ruas Jaguaribe, Vitória e do Arouche. O semblante é sisudo, a barba farta, o peito aparece envolvido num pesado jaquetão. A expressão, calcada numa foto de Militão Augusto de Azevedo, o primeiro fotógrafo a registrar cenas e gentes de São Paulo, não corresponde ao que se sabe dele. Era alegre e sem cerimônia. Segundo Raul Pompéia, o autor de ‘O Ateneu’, que foi seu grande admirador, ele tinha “um modo franco e descuidoso, com pretensões à brutalidade, e desmaiando em doçura insinuante, paternal”. O busto naquele ângulo do Largo do Arouche é do poeta, jornalista, advogado, republicano e abolicionista Luís Gama (1830-1882), o primeiro grande — enorme — líder negro de São Paulo. Luís Gama nasceu em Salvador, filho de um português e da ex-escrava Luiza Mahin, nascida na Costa da Mina, e antes de chegar...

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    Mário de Andrade (Foto: Domínio Público)

    Gravação rara reproduz voz de Mário de Andrade pela primeira vez

    Gravações encontradas por pesquisadores de universidades brasileiras e americanas mostram pela primeira vez a voz do poeta modernista Mário de Andrade. Disponíveis no site do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, os áudios reproduzem o autor de ‘Macunaíma’ cantando cantigas populares brasileiras. Os registros foram feitos em 1940 pelo linguista americano Lorenzo Turner. Além de Mário, a escritora Rachel de Queiroz e Mary Pedrosa – mulher de Mário Pedrosa – entoam músicas de roda e outras melodias tradicionais do país. As gravações foram divididas em ‘lado A’ e ‘lado B’ – no primeiro, a cantoria. No segundo, os três falam ao linguista sobre as músicas que haviam acabado de cantar. É possível, também, ouvir as vozes do escritor Pedro Nava e do crítico Mário Pedrosa. “Mário, o que você gravou?”, pergunta o entrevistador. “Eu gravei uma canção de mendigo colhida por mim mesmo na zona do Catolé do Rocha, no sertão da Paraíba. Os...

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    O príncipe e a velha Rua da República, recriada como era à época em que ele viveu na capital gaúcha (Foto: Gilmar Fraga / Arte GZH)

     Na capital gaúcha viveu um príncipe negro…

    A figura do príncipe Custódio Joaquim de Almeida (1831? -1935) sempre me despertou curiosidade. Envolto em mistérios e mitos, ele faz parte do imaginário citadino de Porto Alegre, principalmente na Cidade Baixa, prolongamento da antiga Colônia Africana. Neste local, tradicional espaço de resistência cultural dos afrodescendentes, fixou moradia, vivendo, com sua Corte, os hábitos e requintes próprios da nobreza. O início desta trajetória nos remete à “Mãe África”. Com o domínio dos ingleses, na região de Benin, antigo Reino de Daomé, ele foi obrigado a deixar a sua terra natal. A princípio, o príncipe negro teria embarcado no Porto de Ajudá, em Benin, no ano de 1862 ou 1864, e chegado à Bahia, no Brasil, em 1864, ou, segundo outros autores, em 1898. Logo depois, teria seguido para o Rio de Janeiro, onde permaneceu em torno de dois meses. É provável que a opção do príncipe, naquele momento, pelo Brasil,...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Machado de Assis chega às escolas francesas

    O maior escritor brasileiro da história enfim começa a ser trabalhado em colégios franceses. Neste ano, “Conto de Escola”, que Machado de Assis publicou em em 1886, foi aprovado pelo governo da França para ser um dos possíveis livros adotados por educadores. A obra é sobre uma criança que vai à escola apenas para não apanhar do pai. Um dia, recebe a proposta do filho de um professor para que faça as lições de casa do garoto em troca de uma moeda de prata. O protagonista aceita, porém, logo é deletado por um terceiro personagem. A partir disso, a ideia é que mestres utilizem o conto para abordarem temas como a corrupção e a delação para alunos na faixa dos 10 anos. Tal feito é resultado principalmente do trabalho do pesquisador e professor universitário brasileiro Saulo Neiva, que reside em Paris há 24 anos e dirige o projeto “Machado de...

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    Ilustração de Luísa Mahin. (Ilustração: Thiago Krening/TVE/RS)

    Luíza Mahin: um mito libertário no Feminismo Negro

    Programa Luíza Mahin, mãe do poeta, advogado e abolicionista Luiz Gama - figura entre os grandes nomes celebrados pelo movimento negro brasileiro. Teria sido uma das líderes da maior revolta escrava ocorrida no Brasil - o Levante dos Malês - bem como participado de inúmeras revoltas de escravos ocorridas em Salvador nos anos de 1830. Entre as feministas negras, Mahin tem sido exaltada como referencial de luta e recebido diversas homenagens. Data 28/03/2015 a 28/03/2015 Dias e Horários Sábado, 16h às 18h. Local Rua Dr. Plínio Barreto, 285 4º andar do prédio da FecomércioSP Bela Vista - São Paulo/SP Valores Grátis. Inscreva-se ** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade. Saiba mais sobre Luiza Mahin

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    Foto: Raoos

    Onde estão os heróis negros na História do Brasil?

    A resistência de Palmares nos remete a inúmeras reflexões. Há uma intensa profundidade emocional quando lidamos com este tema ancestral. Algumas perguntas são feitas todos os anos: como os aquilombados se comunicavam? Como eles conseguiram resistir às investidas da Coroa Portuguesa por um século? Quem foi Zumbi, Aqualtune, Acotirene, Dandara? A historiografia brasileira deve muito ao povo negro. Por ter lhe negado ao longo da história os feitos que lhe é de direito, os colocou no ostracismo da civilização moderna. Lamentavelmente todos os heróis negros compõem um quadro de segunda categoria em livros didáticos, literatura e nos meios de comunicação. Não se dá aos mesmos o espaço necessário para a fruição de outro entendimento do período escravocrata que não seja o da história oficial. Quem foram os malês que consolidaram uma revolta histórica na cidade de Salvador, em janeiro de 1835? Quem foi Luisa Mahin e qual o seu papel...

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    Ricardo Stuckert/Agência Brasil

    Quando um herói nacional é negro: centenário de Abdias do Nascimento e a História que não aprendemos

    Você sabe o que aconteceu com os escravos a partir de 13 de maio de 1888? Ou o seu livro de História pulou esse capítulo do pós-abolição? A liberdade foi assinada. Mas era só um papel a lei da princesa Isabel. Centenas de milhares de negros foram direto da senzala no campo para as senzalas do esquecimento. Formaram a massa de pobres e miseráveis do Brasil no fim do século 19. Fosse áurea mesmo aquela canetada, teria vindo com políticas públicas de integração e emancipação. Fosse áurea mesmo, eu não estaria agora prestando minha homenagem aos 100 anos de um dos maiores heróis negros do século 20, Abdias do Nascimento. A lacuna no nosso livro de História Não, o negro não era mais propriedade do senhor de engenho após a abolição. Porém, o Império nada fez para garantir as mínimas condições da pretensa liberdade. Não houve incentivos à alfabetização e à formação profissional dos...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    A questão negra em Machado de Assis

    Em 2003 é aprovada na Constituição Brasileira a lei 10.639, que obriga o ensino de História e Cultura da África, dos afrobrasileiros e indígenas no Brasil. Tal lei, que discorre apenas sobre a prática do ensino de base, ignora que é preciso que haja formação superior para todos os professores e profissionais da educação que serão responsáveis pela implementação, na prática, dessa lei. O problema torna-se concreto quando se debruçam os olhos sobre os currículos em todos os cursos de humanas, onde ainda que hajam matérias obrigatórias sobre esses temas, estão muito longe de agregar o conjunto dos problemas (e soluções) necessários para que se eduquem jovens e crianças com consciência da trajetória dos negros e indígenas no Brasil. Autores fundamentais da literatura brasileira, como Lima Barreto e Crus e Souza, por vezes são ignorados nos currículos de literatura e ciências humanas, e quando tratados, como no caso de Machado...

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    Ricardo Stuckert/Agência Brasil

    Em São Paulo, atividades marcam centenário de Abdias Nascimento

    No Combate Racismo Ambiental A Biblioteca Mário de Andrade programou uma série de eventos, em São Paulo, para homenagear o centenário do poeta, ator, diretor, artista plástico e ativista Abdias Nascimento, conhecido como referência para as artes negras do Brasil. A partir deste sábado (8), sociólogos, pesquisadores, poetas, atores e cineastas participarão dos encontros que irão ocorrer até o dia 26 de novembro, na capital paulista. Além dos debates, estão também programadas intervenções teatrais, oficinas e exibição de filmes. A Biblioteca Mario de Andrade será o local da abertura do centenário. Irão participar da atividade o sociólogo e pesquisador da obra e contextos de Abdias do Nascimento, Marcio Macedo, e o poeta e biógrafo do homenageado, Éle Semóg. O encerramento dos encontros será no dia 26 de novembro na Ocupação São João – prédio ocupado por famílias sem-teto -, no centro da cidade. Nascido em Franca, interior de São Paulo,...

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    Abdias Nascimento em Nova York, 1997. (Foto: Cheste Higgins Jr/ ACERVO ABDIAS NASCIMENTO/ IPEAFRO)

    Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento inscrições

    O "Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento" tem como objetivo propiciar a formação e capacitação de estudantes autodeclarados negros (pretos e pardos), indígenas e estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, com elevada qualificação em universidades, instituições de educação profissional e tecnológica e centros de pesquisa no Brasil e no exterior. O referido programa está recebendo projetos conjuntos de pesquisa entre instituições brasileiras e estrangeiras com modalidades de Graduação Sanduíche e Doutorado Sanduíche, que tem como objetivos:  incrementar o intercâmbio acadêmico entre Instituições de pesquisa;  proporcionar a realização, por parte de discentes e docentes de Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras, de atividades de pesquisa, de desenvolvimento tecnológico e de inovação com parceiros de IES no exterior; · possibilitar que discentes e docentes das IES, com larga experiência em pesquisa e inovação na área de tecnologia assistiva (TA), participem de atividades de ensino, de pesquisa, de desenvolvimento...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Machado e a política

    A campanha eleitoral, como outras, tem sido pródiga em manifestações de destempero. O segundo turno da corrida presidencial promete um festival de bordoadas no ringue midiático, ambiente concebido para a desconsideração das questões que poderiam interessar ao distinto público votante. Não fosse por outras virtudes, a campanha será lembrada por ter escancarado as portas da baixaria aos bem-pensantes. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escorregou na maionese ao atribuir a votação de Dilma aos desinformados e habitantes das camadas sociais de baixa renda. Tenho saudades do sociólogo, meu professor, que escreveu Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional. Um porta-voz da Contradição em Termos – o pensamento mercadista – decretou que Dilma é a grande responsável pelas turbulências cambiais, jur(ássicas) e bursáteis. Disse o sabichão que as expectativas quanto ao futuro governam o presente, e os mercados da riqueza fictícia já decidiram quem pode e quem não pode governar. A riqueza morta se...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Hoje na História, há 106 anos, morria na cidade do Rio de Janeiro, Machado de Assis

    Ele foi escritor, jornalista, poeta e teatrólogo, mas a carreira no serviço público foi o principal meio de sobrevivência, durante o Império e a República. Machado colaborou em jornais e revistas. Escreveu crônicas, contos, poesia e romances, que costumavam ser lançados, primeiro em folhetins e, depois, publicados em livros. Ele também foi revisor, editor e censor teatral. Esse cargo não era remunerado, mas dava a ele o ingresso livre para as apresentações. Machado de Assis foi o primeiro presidente da ABL, a Academia Brasileira de Letras, que ele ajudou a fundar, exercendo o cargo por mais de dez anos, até a morte. Entre os romances que publicou estão: Dom Casmurro; Helena; Memórias Póstumas de Brás Cubas; A Mão e a Luva; Esaú e Jacó e Quincas Borba. Machado de Assis morreu aos 69 anos,na madrugada de 29 de setembro de 1908, em casa, na Rua Cosme Velho, no Rio de Janeiro. Leia...

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    Por razões óbvias, nenhum retrato foi feito de Teresa. Esta ilustração do século 19 foi adotada por organizações do movimento negro para representá-la (Foto: Wikimedia Commons)

    Tereza de Benguela, uma heroína negra

    Dia 25 de julho é data para celebrar o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. O nome é, segundo a ex-senadora e autora do texto Serys Slhessarenko, uma forma de criar um ícone para as mulheres negras do país. “É preciso criar um símbolo para a mulher negra, tal como existe o mito Zumbi dos Palmares. As mulheres carecem de heroínas negras que reforcem o orgulho de sua raça e de sua história”, afirmou Serys ao site da Câmara dos Deputados. "Rainha Tereza", como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Ela liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados. Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século....

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    “O nascimento da crônica”, por Machado de Assis

    Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica. Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras;...

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    Solano Trindade (Foto: Arquivo Nacional)

    Personalidade Negras – Solano Trindade

    Filho de pai sapateiro e mãe operária e quituteira, Francisco Solano Trindade nasceu em Recife/PE, em 24 de julho de 1908, e desde criança, acompanhava as danças de pastoril e bumba-meu-boi da região. O contato com as manifestações culturais fez aflorar, no então menino Solano, a paixão pela poesia e arte. Durante sua vida, Solano teve as mais variadas profissões. Foi operário, comerciário, funcionário público, jornalista, ator, pintor e teatrólogo. Morou no Rio de Janeiro na década de 40, depois em São Paulo. Solano se tornou um dos mais influentes poetas negros. Além dos versos, Solano também se dedicou a defender a liberdade e o resgate da cultura negra no país. Um de seus poemas mais conhecidos, “Tem Gente com Fome”, foi musicado em 1975 pelo grupo Secos & Molhados. A canção foi proibida pela censura, sendo resgatada e gravada em 1980 por Ney Matogrosso, no álbum “Seu Tipo”. Mas,...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Não toquem em Machado de Assis

    Chego tarde à discussão sobre a legitimidade de adaptações de obras literárias do passado para facilitar a leitura das novas gerações. Mas não tenho como desviar de um assunto que só se torna relevante porque o Brasil continua a ser o país dos vira-latas (ou do neo-viralatismo) , dos espertalhões e do triunfo da ignorância. As adaptações de livros clássicos não passam de uma camada do aterro sanitário que entulha a cultura do país desde que os portugueses rezaram a Primeira Missa em Porto Seguro e constataram que a população local se mostrava dócil à evangelização. Dá asco pensar no tema, mas vou tapar o nariz e tentar manter a lucidez. As políticas do livro e da educação nacionais são infames e parece que não irão melhorar nunca. Dessa forma, o futuro de nossa cultura já está traçado: caímos na tentação da visão antropológica que rebaixa o indivíduo a sua...

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    Carlos Alberto de Oliveira (Foto: imagem retirada do site UOL)

    O homem por trás da Lei Caó

    Embora a lei histórica de sua autoria seja bastante conhecida no país (a Lei Caó), após meio século do golpe militar vale ressaltar a luta deste valoroso baiano pela implantação da democracia no país e ampliação dos direitos civis. Soteropolitano, filho de uma costureira e de um marceneiro, Carlos Alberto de Oliveira iniciou sua militância cidadã na Associação dos Moradores da Federação. E foi também vice-presidente da UNE. Com esse curriculum, foi preso e torturado pela ditadura militar. Migrou para o Rio, onde se tornou uma das lideranças mais influentes do brizolismo - corrente hegemônica na cena política do estado fluminense nas décadas de 80 e início dos anos 90. Tornou-se, então, secretário estadual do Trabalho e Habitação. Jornalista e advogado, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mandato de deputado federal, deixou a sua marca indelével na ampliação dos direitos civis, na condição de autor...

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