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O Negro na Política: A trajetória do vereador Leopoldo Silvério da Rocha

O NEGRO NA POLÍTICA: A TRAJETÓRIA DO VEREADOR LEOPOLDO SILVÉRIO DA ROCHA – GOVERNADOR MANGABEIRA – BAHIA(1983-2000)*

LUÍS CARLOS BORGES DA SILVA** no ANPUH 2017 enviado para Portal Geledés

RESUMO: O presente artigo visa analisar a participação do negro na política brasileira, utilizando-se como estudo de caso a trajetória do Vereador Leopoldo Silvério da Rocha, que exerceu essa função no período de 1983-2000, no município de Governador Mangabeira, localizado na região do Recôncavo da Bahia, sendo um dos primeiros negros e o único adepto de religião de matriz africana a ocupar uma cadeira no Parlamento municipal no período analisado. Para tanto, utilizou-se como fontes os livros de atas da Câmara de Vereadores, decretos, leis e outros documentos, bem como, os depoimentos de pessoas que conviveram com o Vereador Leopoldo nesse momento de sua vida, foi possível analisar a sua atuação enquanto parlamentar, principalmente no que se referem as suas ações voltadas para as áreas de educação, saúde e infraestrutura para o bairro do Portão, do qual ele era morador e representante político, além das suas relações políticas com os outros vereadores e o Poder Executivo, ressaltando que na atual conjuntura política do país, ainda a presença de negros ocupando espaços no poder é pequena, basta lembra que, segundo os dados da revista Congresso em Foco (2014), dos 27 Governadores e Senadores eleitos em 2014, nenhum se autointitula negro, bem como, dos 513 Deputados Federais, apenas 22 se declaram negros, já dos 1059 Deputados Estaduais eleitos nesse mesmo ano, somente 29 se consideram negros. Esses números demonstram o quanto o negro é excluído dos cargos eletivos no Brasil, ao mesmo tempo traduz uma preocupação: que mesmo depois de 128 anos de abolição da escravidão no Brasil e com as recentes políticas de promoção da igualdade racial, o racismo continua forte nesses espaços de poder. O principal aporte teórico foi um conjunto de trabalhos do pesquisador Clovis Luís Pereira Oliveira, que desde a década de 1980 realiza pesquisas acerca da presença do negro no Poder Legislativo, com ênfase para a capital baiana. Do conjunto, destacamos: O Negro e o Poder (1991), A luta por um lugar (1993), O Negro e o poder no Brasil (2002). Além dos estudos de Oliveira, foram utilizadas como arcabouço teórico as pesquisas da assistente social Matilde Ribeiro acerca das políticas de Promoção da Igualdade Racial no Brasil.

Palavras-chave: Negro na política; Eleições; Representação política.

Foto do Blog de Alzira Costa

INTRODUÇÃO

Até os anos de 1980, prevaleceu na política brasileira, a hegemonia de brancos ocupando cargos eletivos, muito em função dos preconceitos e estereótipos produzidos historicamente acerca dos negros no Brasil. No entanto, nos últimos anos registrou-se uma maior presença de negros e negras ocupando cargos, tanto no Poder Legislativo como no Executivo, rompendo ainda que timidamente com as barreiras históricas, impostas por uma ideologia racista.

No tocante a presença do negro no parlamento, o pesquisador baiano Clovis Luiz Pereira Oliveira, em seus estudos acerca do negro no poder na capital da Bahia, revela que em 1988, 31,9% dos candidatos a vereador eram negros, número que aumentou na eleição de 1992 para 54%, sendo um dos eleitos Alcindo da Anunciação. Nessa mesma década registrou- se a eleição de negros em outras partes do Brasil, como foi o caso de Benedita da Silva (Senadora pelo Rio de Janeiro) e Celso Pitta (Prefeito por São Paulo).
Na atual conjuntura política do país, ainda a presença de negros ocupando espaços no poder é pequena, basta lembra que, segundo os dados da revista Congresso em Foco (2014), dos 27 Governadores e Senadores eleitos em 2014, nenhum se autointitulam negro, bem como dos 513 Deputados Federais, apenas 22 se declaram negros, já dos 1059 Deputados Estaduais eleitos nesse mesmo ano, somente 29 se consideram negros. Esses números demonstram o quanto o negro é excluído dos cargos eletivos no país, ao mesmo tempo traduz uma preocupação: que mesmo depois de 128 anos de abolição da escravidão no Brasil e com as recentes políticas de promoção da igualdade, o racismo continua forte nesses espaços de poder.

Nessa perspectiva, o objetivo do presente artigo, consiste em analisar a trajetória política do Vereador Leopoldo Silvério da Rocha, o qual exerceu essa função no município de Governador Mangabeira, situado na região do Recôncavo da Bahia, entre os anos 1983 a 2000, sendo um dos primeiros negros a ocupar uma cadeira no Poder Legislativo municipal, bem como o único Babalorixá a assumir um cargo eletivo no município até os dias atuais, buscando dessa forma, compreender a participação do negro na política para além dos grandes centros urbanos, sustentada em uma ótica plural e dinâmica, que elucida a luta do povo negro pela igualdade.

O principal aporte teórico foi um conjunto de trabalhos do pesquisador Clovis Luís Pereira Oliveira, que desde a década de 1980 realiza pesquisas acerca da presença do negro no Poder Legislativo, com ênfase para a capital baiana. Do conjunto, destacamos: O Negro e o Poder (1991), A luta por um lugar (1993), O Negro e o poder no Brasil (2002). Além dos estudos de Oliveira, foram utilizadas como arcabouço teórico as pesquisas da assistente social Matilde Ribeiro acerca das políticas de Promoção da Igualdade Racial no Brasil.

Já do ponto de vista metodológico, o trabalho se valeu de pesquisa documental e história oral. Desta forma, as fontes prioritárias foram, os livros de ata da Câmara de Vereadores de Governador Mangabeira dos anos de 1983 a 2000, bem como fontes orais, através de entrevistas realizadas com políticos e pessoas que conviveram com o Vereador Leopoldo da Rocha durante o período de sua vereança, além disso, existiu a consulta a outras fontes como: revistas, jornais, decretos, leis e outros.

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** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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