quarta-feira, setembro 22, 2021
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Coalizão Negra por Direitos faz vigília na Avenida Paulista em memória da população negra assassinada no Brasil

Participantes prestam homenagens a Kathlen Romeu e Gilberto Amancio, mortos em ações policiais nos últimos 30 dias; no país, 75,7% dos homicídios são contra pessoas pretas e pardas.

A Coalizão Negra por Direitos realizou, na tarde desta sexta-feira (11), em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), uma vigília em memória de Kathlen Romeu, jovem negra assassinada nesta terça-feira (8), e Gilberto Amancio de Lima, homem negro morto no último dia 14 de maio.

Kathlen tinha 24 anos, era designer de interiores e estava grávida de 14 semanas. Ela levou um tiro de fuzil no tórax durante uma ação da Polícia Militar (PM) na comunidade de Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio de Janeiro.

A PM negou que estivesse em uma operação e alegou que os agentes foram atacados. A família da vítima, porém, contestou a versão, disse que não houve troca de tiros e que os disparos partiram da polícia.

Gibinha, como era conhecido Gilberto, de 30 anos, era pedreiro e tatuador. O rapaz estava indo fazer uma tatuagem em um vizinho, na Favela da Felicidade, na Zona Sul da capital paulista, quando foi morto com seis tiros disparados por policiais.

Segundo a Polícia Civil, investigadores do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foram até o local para fazer uma intimação. Enquanto procuravam um endereço, teriam percebido um suspeito em uma viela. Os agentes disseram que, então, o homem sacou uma arma e houve um tiroteio.

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Vigília contra o assassinato de pessoas negras na Avenida Paulista nesta sexta-feira (11). (Foto: Divulgação/Coalizão Negra por Direitos)

Os participantes acenderam velas e recitaram os versos do poeta negro José Carlos Limeira: “Por menos que conte a história, não te esqueço, meu povo. Se Palmares não vive mais, faremos Palmares de novo”.

“São assassinatos de pessoas negras todos os dias. Mobilizar para dar freio no genocídio negro é uma obrigação moral, ética e humanitária. Já estamos cansados de provar com tantos dados que o genocídio negro existe”, pontuou Douglas Belchior, professor de História e integrante da Coalizão Negra por Direitos.

“É sempre muito triste que eu, aos 63 anos de idade, e meu companheiro, de 73, tenhamos que sair de casa pra dizer que a nossa juventude tem direito à vida. Que país é esse?”, protestou Regina Lucia dos Santos, do Movimento Negro Unificado.

O Atlas da Violência 2020, publicado em agosto do ano passado, revelou que a população negra (pretos e pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE) foi alvo de 75,7% dos homicídios ocorridos em 2018 no Brasil.

De acordo com o levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança, a chance de uma pessoa negra ser assassinada no país é 2,7 vezes maior em relação a uma não negra (branca, amarela ou indígena).

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