quinta-feira, abril 15, 2021

Tag: afetos

Imagem retirada do site Mijente.net

Mulheres negras e o direito ao amor: entre escolher e ser escolhida

Conversava com um amigo italiano esses dias e ele disse o seguinte: “Anos atrás eu estava perdido no trabalho. A empresa começou a demitir muita gente e ofereceu uma boa proposta para aqueles que pediam demissão de forma voluntária. Então pensei em ir para o sul da Itália, aonde chegam os barcos com os refugiados e pegar uma somaliana e me casar com ela”.  Essa sua fala me incomodou profundamente. Pensei: ele estava no pior momento da sua vida, perdido e desempregado e não pensou sequer na possibilidade de “pegar” uma italiana, uma sua igual, ou mesmo de ir para a Alemanha, pegar uma mulher por lá, mas a da Somália, essa sim, na sua cabeça, o aceitaria sem pestanejar e em quaisquer condições.  Porque uma somaliana? Para o meu amigo italiano, a mulher africana estaria ganhando ao ser “pega” por ele, logo, não ofereceria oposição.  A construção da mulher ...

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Mate o amor romântico antes que ele te mate: por outras insurgências do amar

As nossas mártires, as nossas matriarcas, as nossas mais velhas carregaram em seus corpos negros a insuficiência da realização do amor romântico. A tradução desse lamento pode-se perceber pela hereditariedade trazida por nós, mulheres negras, que ainda insistimos (in)conscientemente na busca desse amor.  A aspiração desse desejo imposto tem um caminho enraizado por conta das mediações do colonialismo patriarcal e a formação da sociedade capitalista. Normatizar os padrões do sentir, e hierarquizar socialmente os estágios da felicidade e realização pessoal, foram algumas maneiras de contagiar as pessoas com a ideologia da romantização do amor.  Um amor substantivo, único e essencializado. Construído a partir de dispositivos de controle dos corpos e da mente a fim de designar ao outro a total responsabilidade do servir amor. Essa subserviência enquanto consubstancialidade de uma relação afetiva é a morte para os nossos povos pretos.  Afinal, a construção histórica das nossas sociabilidades - desde as ...

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Queria tanto ser amada…

Cresci ouvindo aqui e ali que isso não é coisa pra preto não. Entre escolhas e desistências acabei por sufocar a negra que eu nasci. Me deixei direcionar, dizer como e porque era. Me descontrui toda. Na escola os apelidos eram recebidos por mim com risos amarelos e respondidos com chacotas maiores. O menino de olho azul não queria ser meu namorado, o pretinho corria atrás da pele clara. Compreensível até. Ele não queria desaparecer na névoa do não ser nada. Queria tanto ser amada. Ouvi dizer que tinha que limpar a raça. Permiti o mal trato do branco, mas tinha algo. Veio a idade da dúvida, e nos bailes da vida, nunca dancei Alisei cabelo, usei lentes verdes, dei suporte à amigas brancas. Queria tanto ser amada. E chegou a idade da consciência, nela encontrei o amor. Na verdade veio o rebento, clarinho, como a lei. Fruto de um ...

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Nossas subjetividades pretas também importam: potencializando nossos afetos

Ônibus lotado. Fila na entrega da senha de atendimento do cadastro único. Hoje, o médico não fez plantão no único posto de atendimento à saúde da comunidade. A creche está sem vaga para matricular minha filha. O carro do ovo não quis mais me vender fiado. O saque do bolsa família só na quinzena que vem. Ando sem tempo para desejar o amor. Versos rimados de histórias reais da população preta que batalha todo santo dia pela sua sobrevivência. O “cumê” sempre será, nessa sociedade injusta chamada Brasil, nossa prioridade. Almoçamos pensando na janta. Dormimos pensando no café de amanhã. As emergências concretas da vida cotidiana das pessoas pretas sempre foram (e é) a base circular dos nossos pensamentos. Nossas aspirações, sonhos e desejos estão entre o atravessar a faixa da miserabilidade social à ascensão e o status social. Esse prisma resulta da própria história oficial e colonizada, que nos ...

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Curso Racismo e Seus Afetos, com a escritora Ana Maria Gonçalves

A escritora mineira radicada na Bahia, Ana Maria Gonçalves, ministra o curso Racismo e Seus Afetos. Do Itaú Cultural  Tomando como ponto de partida a frase “Teoria é bom, mas não impede as coisas de existirem”, do médico francês Jean-Marie Charcot, grande influenciador de Freud, a escritora propõe uma reflexão sobre o racismo como reserva de patrimônio biológico e sintoma social; como drama individual e drama coletivo, que norteia não apenas as relações brancos x negros, mas também brancos x brancos e negros x negros; como fator de segregação e de fraternidade, levando em conta suas consequências reais sobre emoções a sentimentos. Para isso, o curso é dividido em cinco módulos, cada um abordado em um dia do curso: Solidão, Medo, Desejo, Ódio e Amor. As inscrições são realizadas pelo telefone (11) 2168 1876 e acontecem de 15 a 24 de março (de terça a sexta, das 9h às 20h); ...

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Corporeidade negra masculina e a crise do afeto

“Ser negro é ser o corpo negro” (Osmundo Pinho) Quatro mulheres negras se apresentam em discursos encharcados de dor, desespero e revolta. Histórias de vida que denunciam o racismo praticado por brancos em posições de poder. Mulheres marcadas por estereótipos que recaem sobre os diferentes tons da pele negra que logo rememoram a escravidão e o passado, nem tão distante, de privações. Assim, a cantora Nina Simone apresenta sua canção Four Women. Áspera e enternecedora, a música não conta explicitamente a história de uma mulher solitária, mas sim traz a própria solidão como pano de fundo. Esse abandono, sem dúvidas, tem uma carga social e afetiva sendo muitas vezes protagonizado por um homem negro. Fonte: CEERT por, Juliana Gonçalves Entender esse homem negro e como ele também padece dos efeitos do racismo e do machismo parece ser necessário para aprofundar essa questão. No Brasil o racismo se dá, dentre outros, ...

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Image processed by CodeCarvings Piczard ### FREE Community Edition ### on 2015-10-09 14:29:05Z | http://piczard.com | http://codecarvings.com

As barreiras causadas pelo racismo limitam os afetos verdadeiros

Se você é uma pessoa branca e não se interessa por assuntos referentes a questões raciais, pode considerar isso um sintoma óbvio do racismo que você confortavelmente esconde (ou acha que esconde). Por Joice Berth Do Justificando Se te causa desconforto ler e ouvir pessoas negras falarem sobre os efeitos causados pelo problema que seus antepassados criaram e que você mantém por conivência e conveniência (privilégios!!!) também é um alerta vermelho falando sobre seu comportamento opressor. Se você se motiva a falar sobre racismo e o faz de maneira superficial, evidenciando a sua ausência de autocrítica diante do quadro social que te beneficia tremendamente, pense bem sobre o significado da palavra HIPOCRISIA. O indivíduo, sozinho, não tem poder de desmonte da estrutura que o cerca, e é comum pessoas brancas que se dão conta da necessidade de trabalhar para eliminação dos ranços racistas que mantém, questionarem qual o seu papel nessa ...

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