Tag: Colonialismo

    Foto: Daniel Rocha/Reirada do site: Público

    Racismo em Portugal e o mito colonial

    O racismo em Portugal não se faz sentir através de uma tumultuosa e até romantizada história de luta e reivindicação social. Não se figura através de negras estatísticas de encarceramento penal ou em lutas populares como em Charlottesville, nos EUA. O racismo português possui um toque de subtilidade pós-colonial, feito através de finas luvas, em cafés e casas de classe média, níveis de desistência e alienação nas escolas, condições de infra-estrutura em certos bairros das cidades portuguesas e até pela pura necessidade de quotas e prioridade de entrada em faculdades e cursos. É peculiar este aspecto da discriminação racial portuguesa. O acto de simplesmente referir o racismo institucional em Portugal levanta dúvidas nas mentes do público, desperta pequenas indagações sobre quem é realmente o injustiçado nesta história. No caso dos EUA, o racismo e discriminação são temas presentes e comuns no debate e discurso político e social. Toda uma complexa história ...

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    A artista portuguesa Grada Kilomba. (Foto: MARESSA ANDRIOLI)

    Grada Kilomba: “O colonialismo é a política do medo. É criar corpos desviantes e dizer que nós temos que nos defender deles”

    Artista multidisciplinar portuguesa, cuja exposição 'Desobediências Poéticas' está em cartaz na Pinacoteca de São Paulo, questiona as representações de arte e conhecimento Por Joana Oliveira, do El País A artista portuguesa Grada Kilomba. (Foto: MARESSA ANDRIOLI) Quando Grada Kilomba (Lisboa, 1968) preparava sua vinda para a Pinacoteca de São Paulo —onde sua exposição Desobediências Poéticas fica em cartaz até 30 de setembro, aconteceu "uma coisa muito curiosa". Segundo conta, ao enviar sua biografia, a acadêmica, psicanalista, filósofa, escritora e artista multidisciplinar (como melhor se define), teve sua biografia reduzida por "uma série de instituições" como a “única estudante negra na universidade e que ganhou uma bolsa e ir para a Alemanha” —ela mudou-se para Berlim em 2008, para cursar o doutorado em Filosofia—. Todo o resto desapareceu. E é justamente na luta contra essa redução que a obra de Kilomba está centrada. Descolonizar é o verbo ...

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    Memória Colonial. Sei o que fizeste no século passado

    O maior museu do mundo sobre África, em Bruxelas, reabriu com uma narrativa que inclui o ponto de vista dos africanos. Por Telma Miguel, do Contacto Foto: Telma Miguel De vez em quando, um país é forçado a olhar para trás. E o que descobre nem sempre é bonito. Portugal anda às voltas com a sua longa herança colonial e a abertura de um Museu dos Descobrimentos desencadeou uma polémica que uma recente crónica considerada racista da historiadora Maria de Fátima Bonifácio voltou a reacender. Nos EUA, considera-se o pagamento de indemnizações a descendentes de escravos, ao mesmo tempo que o seu presidente manda congressistas voltarem para os seus países. A França prepara-se para devolver centenas de artefatos pilhados na era colonial e a Grã-Bretanha iniciou um diálogo para devolver bronzes da Nigéria. A Bélgica teve também recentemente o seu momento de acordar para o passado ...

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    Donata Meirelles, diretora da revista Vogue, e o passado escravista. Foto: Reprodução/Facebook

    A cadeira da foto da socialite-sinhá, segundo um antropólogo

    Além de violenta, a versão atual da foto é exageradamente cafona A CADEIRA DA FOTO Publicado originalmente no perfil do autor no Facebook POR HÉLIO MENEZES, antropólogo No DCM Donata Meirelles, diretora da revista Vogue, e o passado escravista. Foto: Reprodução/Facebook O registro causa enjôo. Ali está a encenação de nostalgia colonial, racista e escravocrata, congelada numa imagem que funciona como síntese da elite brasileira. A foto da festa de 50 anos de Donata Meirelles, diretora da revista Vogue, evoca e faz reviver as “cadeirinhas de carregar” do século XIX, com dois escravos ao lado de uma figura branca ao centro. Além de violenta, a versão atual da imagem é exageradamente cafona – mas aqui nos tristes trópicos a cena ganha ares de elegância, com direito a selo Vogue de qualidade. Vai entender. Mas, cá entre nós: a quem ainda surpreende a existência de uma imagem dessas? ...

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    “Eu até não sou racista…

    "Eu até não sou racista... mas" não tenho pachorra para o que os brancos escrevem sobre o assunto. Há vários anos que me interessa sobretudo a visão dos negros. Por Eremita e Bruno Vieira Amaral, do Ouriquense Um caso paradigmático é, precisamente, o da questão da excepcionalidade do colonialismo português. Confrontados com a questão, nenhum dos entrevistados é da opinião que o sistema colonial português tenha sido brando. Servem como exemplos as declarações do sociólogo angolano Paulo de Carvalho, que não tem dúvidas de que a colonização portuguesa não foi diferente das outras, do historiador guineense Leopoldo Amado, que considera que o sistema colonial português foi um “sistema racista em todos os sentidos”, muito embora a “elite académica continue a reproduzir a ideia de que há uma particularidade da colonização portuguesa”, do também historiador Patrício Batsikama, angolano, que não crê que Portugal “tenha sido melhor colonizador. Não deixou grandes escolas, nem sequer temos ...

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    O que Portugal tem a ver com o Brasil

    1. Os portugueses não parecem ter uma boa relação com os brasileiros, disse-me uma alemã, conhecedora profissional de Portugal e Brasil. Estávamos na Alemanha, o Brasil temia uma guerra civil, foi há dez dias. A minha interlocutora não se referia à relação de portugueses com brasileiros nesta crise, e sim em geral. A minha resposta instintiva foi contrapor, contar por exemplo como muitos portugueses cresceram com música brasileira, e isso é parte da nossa vida. Por Alexandra Lucas Coelho Do Publico Agora, de volta a casa, continuo a pensar na observação desta veterana, que nada tinha de provocadora, era só vontade de entender. Muitos portugueses, creio, teriam respondido da mesma forma instintiva, a que podemos chamar amorosa. Mas é impossível ignorar o que se tem manifestado em Portugal de equívoco face ao Brasil ao longo destes dias. Não sendo novidade, acho que nunca o tinha visto propagado assim, talvez porque nunca ...

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    Descolonização e racismo à portuguesa

    O que Marcelo Rebelo de Sousa fez foi manifestar o contínuo histórico baseado no conceito do bom português que trata os “seus negros” com humanidade. Por ANTÓNIO TOMÁS, do PÚBLICO ANTÓNIO TOMÁS O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi visitar a ilha de Gorée, no Senegal, e fez declarações sobre o envolvimento de Portugal no tráfico de escravos. O que lá mencionou foi o gesto madrugador de Portugal ao ter reconhecido a injustiça da escravatura, em 1761, quando pela mão do marquês de Portugal aboliu tal prática em parte do seu território em “reconhecimento pela dignidade do homem”, segundo disse. As declarações do Presidente tiveram o condão de iniciar um saudável debate sobre a participação portuguesa no tráfico de escravos, a colonização e a descolonização, e sobre como esses assuntos são tratados hoje nos programas de ensino em Portugal. O que tem faltado no debate não são argumentos ...

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    A história cruel de um africano que foi dissecado e exposto como um animal por 80 anos em um museu

    No início do século XIX, as pessoas ricas europeias tinham o costume de caçar animais selvagens ao redor do mundo para levar para casa, os embalsamando e os exibindo como troféus. No entanto, um comerciante francês chamado Jules Verreaux decidiu ir um pouco além e, entediado com os animais, decidiu fazer o mesmo com um ser humano. Do Intellectuale Aparentemente, um africano foi caçado e dissecado. E não contente com isso, foi levado para um museu como se fosse uma exposição material com o nome de “O Negro”. Por fim, o homem terminou no Museu Darder em Girona, norte da Catalunha, quase na fronteira entre Espanha e França. De pé em sua vitrine, ligeiramente inclinado e com um olhar penetrante, o homem representa os aspectos mais sombrios do passado colonial europeu. Com o passar do tempo, alguém colocou uma camada de verniz para escurecer a pele. Durante a sua estada no museu da Catalunha, o homem era um objeto de culto ...

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    Como a Academia se vale da pobreza, da opressão e da dor para sua masturbação intelectual

    Texto originalmente publicado em RaceBaitR como “How Academia Uses Poverty, Oppression, and Pain for Intellectual Masturbation”. Disponível em: http://racebaitr.com/2017/04/06/how-academia-uses-poverty-oppression/. Tradução coletiva de Bruna Paz, Helena Rosa, Marcos Queiroz, Mariana Barbosa, Roberta Borges e Uila Gabriela Cardoso. Foto: Reprodução/Direito e Diáspora Por Clelia O. Rodríguez Do Direito e Diáspora Clelia O. Rodriguez é uma educadora, nascida e criada em El Salvador, América Central. É graduada pela York University em Literatura Espanhola. É mestra e doutora pela University of Toronto. Também lecionou nos programas de graduação e pós-graduação em língua, literatura e cultura hispânica na University of Toronto, no Washington College, na University of Ghana e na University of Michigan. Foi também professora visitante em Direitos Humanos nos Estados Unidos, no Nepal, na Jordânia e no Chile como parte do International Honors Program (IHP) da School of International Training (SIT). Ela lecionou Questões Comparadas nos Direitos Humanos e ...

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    Um regresso ao passado em Gorée. Não em nosso nome

    No decorrer da sua visita de Estado ao Senegal ocorrida na passada semana, achou por bem o Sr. Presidente da República visitar a ilha de Gorée, um antigo entreposto nas rotas atlânticas do tráfico de escravos. A carga simbólica do lugar tem aumentado nos últimos anos, devido às visitas de proeminentes figuras de Estado e do meio eclesiástico que aí escolheram pedir perdão pelo envolvimento histórico das comunidades que representam no tráfico e/ou escravização de seres humanos. E é sobejamente conhecida a complexidade política, ética e performativa de que se revestem atos públicos desta natureza. Mas, ao contrário destas figuras, e apesar das expectativas que o anúncio da sua visita criou, o Presidente escolheu não reconhecer em Gorée a longa e sinuosa história da responsabilidade portuguesa no comércio e escravização de africanos, nem as outras formas de opressão que em nome do país foram praticadas e legalmente sustentadas nas colónias ...

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    Colonialismo mental e nacionalismo ingênuo

    O atraso educacional e a mentalidade retrógrada da elite são as razões dos problemas institucionais brasileiros Por Marcos de Aguiar Villas-Bôas Do Carta CaPital A expressão “colonialismo mental” é forte na obra do ex-ministro e professor de Harvard Roberto Mangabeira Unger, que critica a atitude brasileira de achar quase tudo no exterior melhor. Copiamos instituições americanas que não nos couberam bem ou que são simplesmente ruins, como o impeachment, que até hoje ninguém sabe ao certo se é jurídico, político ou se os dois ao mesmo tempo. Copiamos também dos americanos o presidencialismo engessado, o federalismo pouco cooperativo e a forma bizarra de nomeação dos membros da Corte Suprema pelo Presidente da República. O direito, um modificador e estabilizador das instituições, foi copiado pelo Brasil, em regra, da Europa continental, especialmente dos países de origem latina, que, com exceção da França, são mais atrasados do que, por exemplo, os nórdicos, a ...

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    Avanços e ambiguidades do pós-colonialismo no limiar do século 21

    O estatuto dos Estudos Pós-coloniais Por Thomas Bonnici, do UEFS O campo de Estudos pós-coloniais ganhou proeminencia desde os anos 1970. Embora The Palm-Wine Drinkard, do nigeriano Amos Tutuola, publicado em 1952, seja considerado o primeiro romance pós-colonial, poderia datar a introdução dos Estudos Pós-coloniais na academia ocidental a partir do Orientalismo (1978), de Edward Said (1935-2003), que analisou a fabricação e a construção ocidental do Oriente. Essa corrente cresceu dentro da academia e o termo pós-colonial foi consolidado pela publicação em 1989 de The Empire Writes Back: Theory and Practice in Post-Colonial Literatures, dos australianos Bill Ashcroft, Gareth Griffiths e Helen Tiffin. Desde entao, a terminologia Commonwealth Literatures e Third World Literatures, usada para descrever a literatura das ex-colônias européias, praticamente caiu em desuso. Embora haja muito debate sobre os parâmetros precisos do campo do pós-colonialismo, o termo Estudos pós-coloniais, geralmente aceito, é o estudo das interaçoes entre as naçoes ...

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    Pós-colonial: a ruptura com a história única

    Resumo: O objetivo desse artigo é responder a pergunta: “O que é o pós-colonial?” Sem a pretensão de abarcar a totalidade dos seus significados, proponho-me a reunir o pensamento de alguns dos seus principais intérpretes e, através deles e das diferentes perspectivas que eles vislumbram chegar a uma definição objetiva, que tenha em seu conteúdo a abrangência e a importância do conceito pós-colonial. O ponto de convergência que se destaca entre os autores elencados é o afastamento das formas binárias de oposição e de explicação do colonialismo e do pós-colonialismo, que se tornam insustentáveis diante do processo de transculturação Por Rosane Vieira Pezzodipane, do Periodicos 1. Apresentação Dois entendimentos têm orientado o conceito pós-colonial: como tempo histórico, posterior aos processos de descolonização do “Terceiro Mundo”, o que remete a ideia de superação do colonialismo e de estarmos vivendo, portanto, uma era pós-colonial, ou, como contribuição teórica dos estudos literários e culturais, ...

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    Os negros no Brasil Colonial

    A participação dos negros no Brasil Colonial aconteceu a partir do momento em que a experiência colonial portuguesa estabeleceu a necessidade de um grande número de trabalhadores para ocuparem, em princípio, as grandes fazendas produtoras de cana-de-açúcar. Tendo já realizada a exploração e dominação do litoral africano, os portugueses buscaram nos negros a mão de obra escrava para ocupar tais postos de trabalho. Por Rainer Gonçalves Sousa Do Mundo Educação Foi daí que se estabeleceu o tráfico negreiro, uma prática que atravessou séculos e forçou diversos negros a saírem de seus locais de origem para terem seus corpos escravizados. Além da demanda econômica, a escravidão africana foi justificada pelo discurso religioso cristão da época, que definiu a experiência escravocrata como um tipo de “castigo” que iria aproximar os negros do cristianismo. Em terras brasileiras, a força de trabalho dos negros foi sistematicamente empregada pela lógica do abuso e da violência. As ...

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    Colonialismo, Neocolonialismo e Balcanização: As três idades de uma dominação

    À mutação da base material do capitalismo corresponde uma mutação das formas da dominação política. O principal objectivo já não é instalar governos títeres que já não conseguem resistir de forma duradoura à cólera popular, mas sim balcanizar por meio da guerra para fazer com que esses países se tornem ingovernáveis. Do Afeganistão à Somália, do Iraque ao Sudão o resultado das guerras é igual por toda a parte: a destruição da própria base das nações Por Said Bouamama Do Galizacig Regresso a Cristóvão Colombo A visão dominante do eurocentrismo explica a emergência e posterior extensão do capitalismo a partir de factores internos das sociedades europeias. Dai se depreende a famosa tese de que algumas sociedades (algumas culturas, algumas religiões, etc.) estão dotadas de uma historicidade e outras carecem dela. Quando Nicolas Sarkozy afirma em 2007 que «o drama de África é que o homem africano não entrou suficientemente na história ...

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    O que aproxima os estupros coloniais dos estupros coletivos?

    Compartilho trechos do didático artigo de Carolina Cunha “Cultura do estupro: você sabe de que se trata?”: Por Fátima Oliveira Enviado para o Portal Geledés “Na última semana, dois casos de estupro recolocaram esse tipo de violência na pauta. O assunto voltou com força – nas redes sociais e fora delas. “Os crimes que ganharam as telas dos computadores e das TVs: uma adolescente de 16 anos foi violentada por um grupo (talvez mais de um grupo) de homens no Rio de Janeiro, e teve vídeos da agressão disponibilizados na internet. No Piauí, outra adolescente, de 17 anos, foi violentada por quatro menores e um homem de 18 anos. “O que espanta, nos dois casos, é uma reação de ‘normalidade’, de ‘naturalidade’ com que os agressores trataram seus crimes. No caso da adolescente fluminense, o vídeo começou a circular nas redes sociais como se fosse um troféu – com a circulação do vídeo, ...

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    Racismo em Português, o lado esquecido do colonialismo

    Mais do que fazer julgamentos sobre se o que as pessoas contaram estava certo ou errado, interessou ouvir o que os africanos sentem e como olham para a discriminação racial exercida pelos portugueses durante o colonialismo, que cicatrizes permanecem. Pré-publicação. Por JOANA GORJÃO HENRIQUES, do Público  Quando me perguntam por que razão me interesso pelas questões raciais, costumo responder com uma frase: «Cresci com alguns colegas negros na primária, um ou dois no liceu, e nenhum na universidade.» Nessas carteiras de escola ouvi sempre a mesma versão da história do colonialismo, ensinada pelos portugueses. Mesmo quando havia crítica, apresentava-se Portugal como «bom colonizador»: um colonizador que se misturou com as populações, que nunca exerceu sobre os povos colonizados a violência que outros colonizadores exerceram. Raramente visto como um sistema racista, o colonialismo português não era questionado como tal. Prova disso é que os portugueses continuam a falar de si próprios enquanto ...

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    As marcas urbanas da violência colonial

    Porque hoje é 13 de maio, uma data de luta contra as marcas da violência colonial arraigadas nas estruturas e nos territórios brasileiros Do Andréia Moassab, Joice Berth e Thiago Hoshino, do Gazeta do Povo  Retrato de Enedina Alves Marques, a primeira mulher engenheira do Brasil, que trabalhou no conjunto de edificações do Centro Cívico de Curitiba. Imagem é do acervo do historiador Sandro Luis Fernandes. Henri Milleo/ReproduçãoI/Gazeta do Povo A raça, embora seja conceito biologicamente superado, continua a operar como critério de classificação dos sujeitos e a estruturar a distribuição do poder no sistema capitalista. Convertido no pós-abolição em construção social legitimadora da exploração da mão-de-obra dita “livre”, o racismo sobreviveu mesmo à derrocada das premissas eugênicas em voga no mundo “científico” da virada do século. Assim é que, enquanto processo de produção de identidades políticas e contrastivas, atravessa a classe e o gênero, constituindo-se fator fundamental para compreender a ...

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    “O colonialismo ainda está conosco”, diz Helon Habila

    Atração da Flica 2015, autor nigeriano fala sobre a exploração de países pobres e alerta sobre necessidade de mudar a forma como nos vemos Por Marsílea Gombata Do Carta Capital De que vale a independência dos países se nossos líderes ainda se rebaixam às ordens de organismos internacionais – do Fundo Monetário Internacional às agências de risco–, nossas populações parecem sucumbir às exploração de recursos naturais e miramos a Europa ou os Estados Unidos como norte? Uma das vozes mais críticas à realidade da Nigéria hoje, o escritor Helon Habila lembra que tanto países da África quanto da América Latina precisam reescrever sua história e modificar a forma como veem a si mesmos. “Para controlar um povo, primeiro se controla a sua história. A maior parte da nossa história atual foi escrita pelas potências coloniais, e elas nos dizem que somos fracos, ignorantes e indefesos”, critica em entrevista àCartaCapital. Atração da ...

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