terça-feira, novembro 24, 2020

    Tag: Flávia Oliveira

    Foto: Marta Azevedo

    Era uma vez, em Irajá

    A recomendação de uma professora mudou o destino de uma aluna promissora, num ensino público desigual desde sempre Por FLÁVIA OLIVEIRA, do  O Globo  Foto: Marta Azevedo A vida toda, estudei em escola pública. Primeiro, municipais (ensino fundamental); depois, federais (níveis médio e superior). Sou, portanto, produto da educação que governos foram capazes de oferecer. Cresci em Irajá, subúrbio do Rio. Era filha única por parte de mãe. Ela trabalhava fora, no Centro da cidade, a meia Avenida Brasil de distância. Quando meu pai ainda morava conosco e tinha emprego, eu tive uma cuidadora. Ela era solteira e não tinha filhos; morava na Pavuna com uma sobrinha; falava com sotaque do interior. Tia Palmira, era assim que a chamávamos, era uma idosa analfabeta, a quem tentei ensinar o beabá com uma cartilha amassada. Muito mais tarde, descobri que, nos anos 1970, seis em cada dez mulheres pretas ...

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    Jornalista Flávia Oliveira fala sobre racismo e oportunidades

    Conferência mostrou que compartilhar oportunidades é arma contra o racismo Do Correio Nagô  Foto: Marta Azevedo “Estiquem sempre a mão à frente para absorver conhecimentos de quem está adiante, mas não esqueçam de esticar a outra para trás para trazer outras pessoas para a rede de relacionamentos e oportunidades”. Esse foi o conselho dado pela jornalista Flávia Oliveira (O Globo e Globo News) aos cerca de cem participantes do Summit 2015, encontro de ex-integrantes de programas de intercâmbio promovidos pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Chamados de Alumni, os ex-intercambistas de 22 estados e mais o Distrito Federal estiveram reunidos entre 12 e 15 de agosto, em um hotel em Brasília-DF para troca de experiências e atualizações em relação aos programas da Embaixada. A conferência de Flávia Oliveira, que também participou de um programa de intercâmbio profissional nos Estados Unidos, em 2002, aconteceu na manhã ...

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    A pureza das perguntas

    A vida se cobre de simplicidade após a reflexão proposta por três crianças pequenas e suas respostas descomplicadas POR FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Foto: Marta Azevedo A amiga conta numa rede social que percorria um trajeto banal com a filha pequena no carro. Do nada, ouviu a pergunta paralisante: “O que é destino?”. A resposta veio aos poucos, vacilante: "Destino é alguma coisa que vai acontecer, mas ainda não ocorreu". A cabeça da mãe ainda girava com o questionamento tão inocente quanto profundo, quando a menina devolveu, no melhor estilo geração GPS: “Pensei que destino fosse a nossa casa”. Simples assim. Na saída de uma manhã no museu, outra amiga lembra do papo cabeça da véspera com o filho, no planeta há não mais que meia década: “Mamãe, o que é pobre?”. A explicação saiu em duas partes, com a pobreza classificada nas dimensões material ...

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    Os adultos falharam

    Sensação de medo e transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes constrangem quem não viabilizou cidades melhores Por Flávia Oliveira Do O Globo  Foto: Marta Azevedo Na linha de produção de más notícias em que o Brasil se embrenhou nos últimos tempos, uma em particular comove. Não trata diretamente da tragédia nossa de cada dia, mas de uma melancolia permanente que põe em risco o futuro. Na semana passada, a Rede Nossa São Paulo e o Ibope tornaram pública uma consulta sobre a percepção de bem-estar da população infanto-juvenil da capital paulista. Os pesquisadores conversaram com 805 crianças e adolescentes, com idade entre 10 e 17 anos, na segunda quinzena de junho passado. O resultado deu medo. Literalmente. Os miúdos temem assalto, tráfico de drogas, polícia, racismo, bullying, sair à noite, atropelamento, trânsito, andar de ônibus, trem e metrô, alagamento, multidão, torcidas de futebol. A franqueza dos meninos ...

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    Flávia Oliveira: A menina de Irajá, no Rio, que virou referência em jornalismo econômico

    “Quando você é uma jovem, negra e nascida no subúrbio, há algumas profissões que são pré-definidas pela sociedade”, afirma Flávia Oliveira, 45, colunista do jornal “O Globo” e comentarista de economia do programa “Estúdio I”, da Globo News, sobre as dificuldades que enfrentou antes se se tornar jornalista. Da Folha de S.Paulo “Minha mãe tinha uma amiga que sempre sugeria empregos para mim. Um dia ela disse para eu prestar concurso para bilheteira do metrô. Fiquei furiosa! Isso tem um lado cruel, mesmo que pese as boas intenções. Meu sonho era entrar na universidade! Ainda bem que tive o total apoio da minha mãe”. Filha única, Flávia cresceu e passou boa parte da sua vida em Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Seu pai saiu de casa quando ela era muito pequena e por isso foi criada em um apartamento próprio, do BNH, somente pela mãe, uma baiana ...

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    Igualdade parcial

    Documentário mostra negros divididos sobre casamento gay nos EUA e explicita influência religiosa no debate sobre direitos civis Por Flávia Oliveira Do O Globo Foto: Marta Azevedo O round da vez entre moralistas e humanistas brasileiros acerca da campanha do Boticário para o Dia dos Namorados ganhava musculatura nas redes sociais, enquanto eu assistia a “The new black”, documentário americano trazido ao Rio para o 8º Encontro do Cinema Negro Zózimo Bulbul. Em tradução livre, “O novo preto” que dá nome ao filme se refere aos direitos civis dos LGBTs. A expressão que a diretora Yoruba Richen tomou emprestada do mundo da moda sugere que o assunto ocupa, agora, o centro das discussões sobre igualdade no país de Barack Obama. A pauta era quase monopólio dos negros, desde os anos 1960. Dá o que pensar. Dois fatos aproximam do Brasil o documentário que acompanhou a mobilização de ...

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    Violento por natureza

    No Brasil, o ‘salve, simpatia’ só existe no consenso. Pintou conflito, sobra agressão. País dá vexame em ranking de segurança pessoal Por Flávia Oliveira, do O Globo  Foto: Marta Azevedo País forjado na chibata dos escravocratas e nos castigos físicos do jesuítas, o Brasil, além de bonito, é violento por natureza. O “salve, simpatia” só é visível no consenso. Pintou conflito, sobram grito, xingamento, sopapo, chute, facada, tiro. Passou da hora de mirar o espelho e encarar a imagem de uma sociedade envelhecida em barris de brutalidade. O brasileiro bate no filho e na mulher. Esmurra vizinho na reunião de condomínio e motorista em sinal de trânsito. Espanca LGBT em praça pública e torcida rival dentro de estádio de futebol. Tortura preso político e réu inconfesso. Esfaqueia universitário que discute preço em restaurante e ciclista em cartão postal. Lincha assaltante, adúltera e dona de casa vítima de ...

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    Atestado de africanidade

    Análise do DNA mitocondrial revela origem que povo negro brasileiro não teve chance de conhecer: ‘Sou 100% balanta’ Por Flávia Oliveira, O Globo Foto: Marta Azevedo Das lacunas impostas às narrativas sobre a formação do povo brasileiro é particularmente cruel o desconhecimento da população negra sobre a própria ancestralidade. O cotidiano nacional é pontuado das receitas suculentas da nonna do amigo de infância. Natural ouvir falar da devoção a um santo católico da bisavó espanhola. Multiplicam-se as referências à disciplina herdada de antepassados alemães. Inveja-se, vá lá, o passaporte europeu viabilizado pela ascendência lusitana. Da africanidade, emerge o silêncio constrangedor. Aprendemos que negros escravizados puseram de pé o país, influenciaram a culinária, deixaram marcas na religiosidade, foram preponderantes na cultura. É legado tão rico quanto indeterminado. A origem negra, não raro, se apresenta pela pigmentação da pele. E só. Gerações seguidas de afro-brasileiros cresceram sem fazer ideia ...

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    As voltas que o mundo dá

    Tribunal encenado inocenta Tiradentes no 21 de abril. História reescrita remete ao mito de Exu, orixá que reinventa a memória Por Flávia Oliveira, do O Globo Foto: Marta Azevedo Reescrever a História foi a sentença que Francisco Bosco, presidente da Funarte, usou para definir o simbolismo do “Desenforcamento do Tiradentes — Justiça ainda que tardia”. A encenação com atores e personalidades da vida real ocupou o velho Palácio da Justiça, no Centro do Rio, na tarde nublada de um feriado que, ao homenagear o alferes, reverencia a luta dos brasileiros pela liberdade, contra a opressão do Estado, viva ainda hoje. Duzentos e vinte e três anos depois de morrer por enforcamento e, na sequência, ter o corpo esquartejado e exposto em vias públicas, Joaquim José da Silva Xavier foi, de novo, julgado e, agora, inocentado da acusação de lesa-majestade. Na mitologia iorubá, o episódio remete ao orixá ...

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    Todo dia é dia

    ONU escolheu o 20 de março como a data internacional da felicidade. Ideia é lembrar que bem-estar não é só dinheiro Por Flávia Oliveira, do O Globo Foto: Marta Azevedo A sexta-feira já ia longe quando a ficha caiu. Era Dia Internacional da Felicidade. Se não fui feliz, será que dá tempo? E o pensamento voou. Tudo culpa da ONU. Foi a Organização das Nações Unidas que, três anos atrás, plantou a caraminhola mundo afora. Em 2012, numa reunião com os 193 países-membros, o Butão sugeriu e a data vingou. O pequeno país asiático localizado entre a China e a Índia já se ocupava do tema havia quatro décadas. Foi pioneiro em sobrepor o bem-estar à riqueza financeira. O rei Jigme Singya Wangchuck decidiu, em 1972, que crescimento econômico não deveria ser o único objetivo de uma sociedade. Faltavam à equação variáveis psicológicas, sociais, culturais, ambientais e ...

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    É preciso falar sobre aborto

    No episódio de ‘fetostentação’ na internet, mulheres exibiram a barriga e negaram o ombro às que estão encurraladas pelo dilema Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Foto: Marta Azevedo É Dia Internacional da Mulher — data instituída há um século — e o mundo sabe que nenhum dos 189 países signatários do pacto pela igualdade de gênero triunfou. Chefe da agência da ONU sobre o tema, Phumzile Mlambo-Ngcuka avisou, anteontem, que uma menina nascida no ano da graça de 2015 vai completar 50 de idade até ter as mesmas chances que um homem de se tornar chefe de Estado. Se ambicionar o topo de uma grande empresa, vai esperar oito décadas. A desigualdade no mercado de trabalho abarca quase todas as carreiras e nações. Em tantas outras, há restrições à educação formal das meninas. E o debate sobre direitos sexuais e reprodutivos empacou numa barreira religiosa que ...

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    Sobre visões e tons

    Polêmica do vestido remete a Fernando Sabino. Tabuleiro de damas pode ser de outra cor, com quadrados pretos e brancos Por Flávia Oliveira, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Foi Fernando Sabino em “Martini seco” (1987) quem propôs a reflexão. “Qual a cor do tabuleiro de damas?”, indagou o escrivão, um dos personagens, após vencer o amigo comissário de polícia numa partida. Seria branco com quadrados pretos ou preto com quadrados brancos? O comissário tentou as duas opções e errou a resposta. Ao fim, o escrivão sentenciou: “É de outra cor, com quadrados pretos e brancos”. A lembrança do episódio literário, que acabou dando nome à autobiografia (“O tabuleiro de damas”, 1999) do escritor mineiro morto há dez anos, emergiu da polêmica da semana nas redes sociais — a essa altura, já enterrada. De que cor seria o vestido da escocesa: branco e dourado ou preto e ...

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    Cabem duas agendas

    Transferência de renda, acesso à universidade e construção de casas não têm de minguar porque Joaquim Levy chegou Por Flávia Oliveira Foto: Marta Azevedo No calor pós-apuração do segundo turno presidencial, ousei escrever que o Brasil saíra das urnas com duas agendas vencedoras. Naquele 26 de outubro, cem milhões de eleitores disseram sim ao par de modelos que devolveram o país aotop ten das maiores economias do planeta. De um lado, o arcabouço petista de tecnologia social, que deu escala ao Bolsa Família, pariu um programa habitacional do porte do Minha Casa Minha Vida e multiplicou o acesso à universidade. De outro, o tripé macroeconômico tucano, com câmbio flutuante, inflação no centro da meta e rígido controle fiscal. A divisão dos brasileiros — com três milhões de votos a mais para Dilma Rousseff — indicou que nenhum avanço das duas últimas décadas está descartado. No desenho da ...

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    História reescrita

    OAB Nacional quer instituir Comissão da Verdade da Escravidão Negra, nos moldes da que hoje apura os crimes da ditadura Por: Flávia Oliveira Foto: Marta Azevedo É mal contada a história do povo negro no Brasil. Décadas a fio, africanos e descendentes, tanto nos livros quanto no imaginário popular, foram escravos também de narrativas que os associavam à ignorância, à passividade e à submissão resignada aos senhores do período colonial. Revoltas, insurreições e até a resistência quilombola, por longo tempo, estiveram longe dos registros formais. Um tanto desse passivo tem chance de diminuir no curto prazo. Amanhã, em Brasília, o conselho da OAB Nacional vota a criação da Comissão da Verdade da Escravidão Negra, inspirada no colegiado que, desde 2012, investiga crimes cometidos pela ditadura militar.   Se aprovada, a iniciativa vai descortinar outro período igualmente sombrio e camuflado pela dificuldade do Brasil em relatar com honestidade ...

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    Saudade do futuro

    Políticos do Rio ressuscitam na campanha proposta de educação integral dos anos 1980, que permitiria salto em capital humano Por: Flávia Oliveira, Do  O globo Foto: Marta Azevedo A temporada de propaganda eleitoral no Rio de Janeiro chama atenção pelas seguidas referências a uma (nada embolorada) ideia do século passado. Candidatos a deputado e governador, incluindo o petista Lindberg Farias, vêm ancorando promessas de campanha no legado da dupla Leonel Brizola (1922-2004) e Darcy Ribeiro (1922-1997). Comprometem-se, agora, com o ensino básico em tempo integral, num modelo semelhante ao dos Centros Integrados de Educação Pública, propostos pelos então governador e vice, no início dos anos 1980. Três décadas atrás, o estado tinha o diagnóstico para dar o desejável salto em capital humano, o mesmo da invejada Coreia do Sul. Mas o projeto dos Cieps pereceu em gestões seguintes, que priorizaram a rivalidade política, em vez dos interesses da ...

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    Moços, superem

    por: Flávia Oliveira Cinco gerações se passaram desde a abolição e o Brasil ainda tem jovens racistas. Eles se mostram nos estádios e nas redes sociais Foto: Marta Azevedo Nada mais triste para quem cruzou a fronteira da maturidade do que mirar, na outra margem, jovens com ideias atrasadas. Aconteceu esta semana, um par de vezes. O casal Maria das Dores e Leandro, de Muriaé (MG), foi alvo de comentários racistas numa rede social, dias depois de a moça, negra, postar foto com o namorado, branco. A última quinta-feira já se despedia, quando o goleiro Aranha, do Santos, foi xingado de macaco por torcedores do Grêmio, num estádio em Porto Alegre. Nas imagens do canal ESPN é visível a pouca idade dos racistas; uma foi identificada na mesma noite. No episódio das Gerais, a polícia conseguiu identificar os agressores. Moram em São Paulo, têm de 15 ...

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    Por favor, ‘fair play’ , por Flávia Oliveira

    por Flávia Oliveira Foto: Marta Azevedo Vexame consumado, é dever dos brasileiros sermos gentis com nossos hóspedes. Jogadores, equipes técnicas e torcedores da Alemanha, da Argentina e da Holanda estão no país para um torneio que não chegou ao fim. Perdemos o jogo, a chance do hexacampeonato e um tanto de dignidade. Mas a festa não acabou. Os cinco derradeiros dias da Copa 2014 dirão muito sobre nossa civilidade e capacidade de superação na derrota em campo. É hora de fair play, por favor. A descoberta pelo mundo da hospitalidade e da alegria brasileiras já é um legado do Mundial 2014. São dois ativos intangíveis da população local. Com investimentos corretos, podem render trabalho, salário, desenvolvimento, a agenda que esperamos. Será prova de maturidade manter o temperamento cordial com o sonho do título de futebol enterrado até 2018, pelo menos. Virar o jogo foi a hashtag que o Pnud, agência ...

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