segunda-feira, julho 6, 2020

    Tag: Sueli Carneiro

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    Sueli Carneiro – Coordenação Executiva – Portal Geledés – app JUNTAS

    Sueli Carneiro - Coordenação Executiva [email protected] Filósofa, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo; coordenadora executiva de Geledés Instituto da mulher Negra; coordenadora da área de Direitos Humanos de Geledés; editora do Portal Geledés e coordenadora do Projeto PLP 2.0 aplicativo de combate a violência contra a mulher vencedor do Desafio de Impacto Social Google .  É também diretora vice-presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos. É ativista do Movimento Feminista e do Movimento Negro do Brasil; autora de artigos sobre gênero, raça e direitos humanos em diversas publicações nacionais e internacionais. É também membro do Grupo de Pesquisa “Discriminação, Preconceito e Estigma” da Faculdade de Educação da USP, membro do Conselho Consultivo do projeto Saúde das Mulheres Negras do Conectas em parceria com o Geledés, do Conselho Consultivo da Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, do Conselho Consultivo do Projeto Mil Mulheres, e membro da Articulação ...

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    At Last

    O imaginário racista que povoa as representações sobre o negro comumente propõem imagens estigmatizadoras das famílias negras. Em geral essas representações reiteram a visão de anomia das famílias negras. Ou, como no caso do Brasil soma-se a essa representação, a valorização, quase como uma forma de imposição, da imagem de casais que se prestam a referendar a ideologia da miscigenação como paradigma privilegiado das relações raciais exaustivamente utilizados por nosso mito de democracia racial. Esses clichês não deixam espaço para a visibilidade desses modelos de famílias negras que a era Obama traz à luz. Especialistas norte-americanos das áreas de propaganda e marketing comentam sobre a mudança de paradigma que foi estabelecida com a ascensão de uma família negra à condição de first family e o impacto dessa novidade sobre os parâmetros consagrados de representação familiar; essa inflexão impõe mudanças nos critérios estabelecidos segundo os quais, o modelo de família seria ...

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    Racismo na educação infantil – por Sueli Carneiro

    Dia 27 de outubro, a professora Eliane Cavalleiro lançou o livro Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar: racismo, discriminação e preconceito na educação infantil, Editora Contexto. Houve certa tensão entre a autora e algumas professoras presentes, mas também muito interesse dos jovens na apresentação do trabalho. O livro, originalmente apresentado como dissertação de mestrado na Faculdade de Educação da USP, é fruto da observação sistemática do cotidiano escolar de uma Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) da região central de São Paulo, durante um período de oito meses, em três salas de aula de crianças entre quatro e seis anos de idade. Observou-se a relação professor/aluno, aluno/professor e aluno/aluno, considerando as expressões verbais, as práticas não-verbais e as práticas pedagógicas do ambiente escolar. A tensão entre a exposição de Eliane, educadora negra que ousou escarafunchar o espaço sacrossanto da educação infantil, e várias outras educadoras certamente se deve ao ...

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    O melhor das cotas – Por: Sueli Carneiro

    O debate sobre as cotas recrudesce e toma novamente espaço na mídia em novo patamar, como reação ao fato concreto de aplicação pela UERJ da lei que assegura reserva de vagas para alunos negros e pardos. Segundo Hélio Santos, quatro argumentos básicos sustentam a negação da aplicação das ações afirmativas: que ela fere o princípio da isonomia; compromete o princípio do mérito; obscurece a questão estrutural da desigualdade que seria a pobreza; e a miscigenação que inviabilizaria a sua aplicação pela impossibilidade de determinação de quem é negro no Brasil. Todos esses argumentos se revezam no debate atual revelando o melhor das cotas que é a sua capacidade de tirar as máscaras do racismo, da discriminação racial, e explicitar a verdadeira natureza dessas ideologias: a legitimação de privilégios raciais e sociais. Elas obrigam que os diferentes interesses envolvidos e beneficiários da exclusão se manifestem. E é por isso que elas ...

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    Pesos e Medidas por Sueli Carneiro

    Não, não haverá racismo na demissão de uma gestora pública, em nível de ministra, sobre a qual paire suspeitas de uso indevido de dinheiro público ou erro administrativo - tratando-se ou não de uma pessoa negra. Há, no entanto, racismo e discriminação no tratamento que foi dispensado à ex-ministra Matilde Ribeiro dentro e fora do governo. A ministra não é chamada pelo presidente da República, de quem seria cargo de confiança, para se explicar. É sabatinada com direito a muitos "pitos" e aconselhamento para se demitir, por outros três ministros supostamente equivalentes a ela. Evidencia-se aí o que parece ser o caráter simbólico de seu título de ministra. Demitida é exposta numa patética coletiva de imprensa, jogada aos leões, sem a presença de nenhuma das figuras de expressão do governo ou de seu partido para emprestar-lhe "solidariedade" como houve em outros casos similares. Na mídia, proliferam charges que extrapolaram, em ...

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    Eu tenho medo, por Sueli Carneiro

    Estou com Regina Duarte. Eu também tenho medo! Tenho medo de gente que tem medo de gente, como aquele ex-presidente da ditadura militar que tinha horror até do cheiro de povo. Tenho medo especialmente de quem tem medo de gente pobre, preta, de gente que veio de baixo e ousou sair do lugar que lhe estava destinado como um vaticínio. Tenho medo de quem confunde inteligência com título universitário, saber com conhecimento; esses que estigmatizam como incapazes, os que não saíram de seu próprio ventre. Eles abolem o princípio de igualdade e de indivisibilidade de todos os seres humanos. Portanto, eles acreditam em seres superiores, eleitos por obra divina e com esse tipo de convicção costumam simpatizar com diferentes modalidades de facismos, racismos etc... Tenho medo de quem tem medo de alternância de poder porque esse medo revela outro, mais assustador, que é o medo mais profundo que eles escondem ...

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    Eu quero crer, por Sueli Carneiro

    Em matéria da Folha de São Paulo de 23/10 último, a secretária de Assistência Social do Ministério da Previdência, Wanda Engel explica os novos critérios que serão adotados pelo Projeto Alvorada (programa de combate a pobreza do governo federal): "O governo federal decidiu por nas mãos das mulheres o dinheiro dos programas de renda mínima e até os títulos de terra destinados a famílias indigentes." Essa focalização nas mulheres segundo a secretária, decorre do reconhecimento de que embora a chefia feminina nas famílias brasileiras seja da ordem de 25%, "entre as famílias de indigentes, que não tem renda suficiente para a alimentação básica, o percentual de mulheres chefes de família sobe para 43,9% (...) "A situação piora se a mulher não for branca. Elas ganham pouco mais da metade da mulher branca". Segundo a secretária, "Focar a ajuda na mulher é uma maneira de garantir que o benefício oferecido pelo ...

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    Eta povinho danado! por Sueli Carneiro

    O que semelhante indignação parece também sugerir, pelo grau de ressentimento presente em algumas falas, é que o feitiço virou contra o feiticeiro, no momento em que um outsider ascende ao poder e se apropria e expande os métodos consagrados historicamente de permanência no poder. Disse o deputado Alberto Goldmann, em recente artigo sobre a possível reeleição do presidente Lula, que "a sua reeleição seria a confirmação de que mais vale um Bolsa Família do que a consciência das mudanças que a sociedade necessita". Kennedy Alencar, por sua vez afirma que, "no Brasil, os mais pobres sempre elegeram os governantes, pois são a maioria da população. Nesta eleição, porém, tendem a fazê-lo descolados dos mais ricos como nunca antes". A resposta daqueles que têm a obrigação de eleger sem ter o direito de participar das grandes decisões acerca do país, missão atribuída aos doutos, parece ser: mais vale um Bolsa ...

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    Construindo cumplicidades, por Sueli Carneiro

    A crescente compreensão do impacto do binômio racismo/sexismo na produção de privilégios e exclusões vem produzindo maior solidariedade entre as mulheres. A cada novo 8 de março, Dia Internacional da Mulher, celebra-se o contínuo crescimento da presença feminina no mundo dos negócios, nas esferas de poder, em atividades secularmente privatizadas pelos homens, e, em geral, se omite o fato de as negras não estarem experimentando a mesma diversificação de funções sociais que a luta das mulheres produziu. De regra, considera-se satisfatório que, num conjunto de perto da metade da população feminina do país, apenas uma ou outra mulher negra ocupe posição de importância. E, ademais, esses casos solitários são emblemas utilizados para desqualificar as denúncias de exclusão racial a que se acha submetida. O 8 de março deste ano encontra as mulheres negras brasileiras imersas em intensas atividades preparatórias à sua participação na Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação ...

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    Colorindo Egos, por Sueli Carneiro

    Nesta semana ocorreu em São Paulo o I Congresso Brasileiro Ciência & Profissão, promovido pelo Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira. Um megaevento com mais de 14 mil inscritos, voltado para a avaliação da produção científica, profissional e das perspectivas futuras dessa disciplina. Entre os temas em debate, psicologia, preconceito racial e humilhação social, uma decorrência da campanha "Preconceito racial humilha; humilhação social faz sofrer", desencadeada pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia envolvendo também os 15 conselhos regionais de psicologia. Há anos vimos dizendo que já temos acúmulo em diversas áreas do conhecimento sobre as conseqüências sociais do racismo e da discriminação social. Em particular, a antropologia e a sociologia vêm contribuindo significativamente para a desmistificação, no plano das idéias, do mito da democracia racial e para a explicitação das desigualdades raciais existentes notadamente entre negros e brancos no Brasil. Mais recentemente, economistas vêm ...

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    CEU: esperança de cidadania

    Dentre as muitas humilhações que a pobreza gera, a maior é o paradigma que sobre ela se instituiu segundo o qual, em sendo para pobre, qualquer coisa serve. Argumentos aparentemente racionais prestam-se a justificar essa máxima e, dentre eles, a escassez de recursos, sobretudo no âmbito do poder público, para a implementação das políticas públicas de corte social. Tais argumentos eternizam a concepção de que os seres humanos empobrecidos devem se satisfazer com serviços e bens de péssima qualidade, como se fosse um atavismo inerente à pobreza. Talvez de todas as conquistas que esse povo humilhado pode alcançar, seja a mais importante delas o direito à qualidade no que lhe seja ofertado, em especial pelo poder público; o direito a ter mais e melhor do que apenas as cestas básicas da solidariedade. A cena mais emocionante da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo para mim a ...

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    CARE

    por Sueli Carneiro Cuidado, carinho, é o que a palavra significa em inglês e é o que a instituição que carrega esse nome oferece ao redor do mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando assumiu a tarefa de aliviar a fome e a pobreza no continente europeu devastado por aquela hecatombe. São inúmeros os relatos de sobreviventes sobre o significado para suas vidas daqueles imensos pacotes marcados com a inscrição ‘‘care''. Para muitos representava a diferença entre viver ou morrer. Enfim, ela chega ao Brasil. Talvez, na decisão da criação da Care Brasil esteja presente a compreensão de que a pobreza e as desigualdades sociais adquirem aqui padrões semelhantes aos encontrados nas inúmeras situações de guerra enfrentados pela instituição no mundo: Bósnia, Afeganistão, Angola, para citar alguns. Originalmente uma iniciativa norte-americana, a Care é hoje de âmbito internacional que congrega onze países mantenedores e desenvolve programas de desenvolvimento ...

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    Brasil, EUA e África do Sul, por Sueli Carneiro

    Aconteceu de 29 de maio a 1º de junho deste ano, na Cidade do Cabo, África do Sul, o lançamento do relatório ‘‘Para Além do Racismo: Abraçando um Futuro Interdependente'', que contou em sua abertura com a presença de Nelson Mandela. Esse relatório é uma das várias publicações produzidas pela Iniciativa Comparada de Relações Humanas, um projeto da Southern Education Foundation sob a coordenação da dra. Lynn Huntley, que consistiu num estudo comparativo que, durante quatro anos, investigou as relações raciais no Brasil, EUA e África do Sul. O projeto foi desenvolvido em parceria com instituições brasileiras e sul-africanas e enlaçou nessa tarefa pesquisadores, ativistas, personalidades, políticos e membros de governo, negros e brancos dos três países. A iniciativa partiu das seguintes constatações a respeito de Brasil, EUA e África do Sul: ‘‘Todos possuem um governo democrático; todos são poderosos regionalmente e em termos globais e possuem recursos humanos e ...

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    Lula Marques/ Folhapress

    Bené, por Sueli Carneiro

    Combinar os critérios de qualificação técnica com recorte de gênero e de raça é um risco e um desafio que, até o momento, apenas essa mulher, negra e ex-favelada, se dispõe a enfrentar. Coragem típica de quem teve que reescrever com dor e lágrimas o próprio destino. Mulher, negra, ex-favelada assume pela primeira vez o governo do Rio de Janeiro. Essa foi a tônica das manchetes sobre a ascensão de Benedita da Silva ao governo do Rio. As ênfases na condição de raça, gênero e de classe da governadora é, por si só, exemplar do ineditismo de que o fato se reveste. Para Millôr Fernandes, é preciso acabar com essa demagogia porque a favela do Chapéu Mangueira é favela de grã-fino, o slogan black is beautiful já superou a identificação entre negro e pobre e, a não ser como piada, ele nunca ouviu alguém ser contra mulher. Poderia e deveria ...

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    “Aquelas negas” por Sueli Carneiro

    Creio que das coisas que mais impressionam turistas brasileiros ao chegar em Havana, são as semelhanças étnicas e raciais do povo cubano com o brasileiro - negros, brancos e mestiços de vários cruzamentos - e as semelhanças geográficas com o nosso litoral. Alguns recortes de praia, provocavam em mim segundos de confusão mental: estou em Havana ou em Salvador? Um povo como nós, aberto e hospitaleiro e, sobretudo, orgulhoso e bravo diante às dificuldades que o país se encontra por tantos anos de embargo econômico. A despeito dessas condições adversas, os cubanos, naquilo em que só dependem deles, conquistaram excelência, em vários campos, em especial nos esportes. O suficiente para frustar muitas expectativas de medalhas de ouro de outros países, como em nós brasileiros. Então, no auge da euforia por ter derrotado a seleção de volei da Alemanha, a jogadora Virna, da seleção brasileira, disse às câmaras de televisão, "Agora ...

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    Anistia já! por Sueli Carneiro

    Perdi o bonde das malas milionárias, dos cuecões de ouro, das quedas de cúpulas partidárias, da dança das cadeiras ministeriais e das novas celebridades e seus depoimentos nas comissões de inquérito. Então, vou ficar no fato mais recente que, afinal, conecta-se com todos o demais, nos quais se enredam as novas e velhas hegemonias. Falo da Daslu. O evento me lembrou a entrevista de Chico Buarque de Holanda (Folha de S. Paulo, dezembro de 2004) na qual ele descreve a nova feição das elites nacionais envolta segundo ele por toda essa indústria da glamourização, de quem pode, de quem ostenta, de quem torra dinheiro - enfim, ser reacionário se tornou de bom-tom. Numa entrevista à revista Isto É, a escritora Lolita Pille, questionada sobre o sucesso de seu livro Hell, disse: "O que talvez impressione as pessoas são as semelhanças das elites na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil". ...

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    Amicus Curiae, por Sueli Carneiro

    Em maio deste ano, foi criado em Montevidéu o Grupo de Afinidades sobre Ações Afirmativas, que envolve organizações e personalidades da sociedade civil de diferentes áreas do conhecimento de Brasil, EUA e Uruguai. Tem por objetivo discutir estratégias e promover o intercâmbio das idéias e lições aprendidas na implementação de medidas de ações afirmativas, como desdobramento dos compromissos assumidos pelos Estados-membros das Nações Unidas com a implementação do Plano de Ação aprovado na III Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada em Durban (África do Sul) em 2001. Guardadas as diferenças, Brasil e EUA são colhidos neste momento numa conjuntura semelhante em relação à questão racial. Em ambos, um acalorado debate sobre as ações afirmativas levou o tema às instâncias jurídicas superiores dessas sociedades. No caso brasileiro, trata-se especificamente de um dos instrumentos das ações afirmativas que são as cotas. A Corte Suprema dos EUA acaba de decidir sobre a ação ...

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    Agualusa, por Sueli Carneiro

    O olhar do outro nos constitui. Somos, grandemente, o que esse olhar do outro diz a nosso respeito. Um limite inescapável de nossa identidade. O escritor angolano José Eduardo Agualusa, em entrevista à revista Época, nos dá exemplos interessantes sobre como nós brasileiros somos percebidos por estrangeiros. Em primeiro lugar, ele alude à nossa incapacidade de nos compreender como povo e nação. Em segundo, refere-se à nossa mentalidade, segundo ele, colonizada, que impediria sobretudo às nossas elites nacionais apreciar a originalidade do ser brasileiro, para ele ‘‘uma súmula de África e Europa''. Essa súmula, no entanto, não se realiza como portadora de uma auto-estima positiva do brasileiro, porque uma das partes dessa equação, a africana, permanece rejeitada no imaginário e na prática social, em especial nas classes superiores. Como a maioria de estrangeiros, Agualusa interessa-se mais pelo que há de africano no Brasil do que pelo que seja europeu. Triste ...

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    A conferência sobre racismo

    Fonte: Jonral Correio Braziliense - Coluna Opinião A sociedade, após 112 anos da abolição da escravatura, permanece exposta a múltiplos mecanismos de discriminação e marginalização social A ONU decidiu convocar a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, que será realizada em final de agosto de 2001 na África do Sul, com o objetivo de avaliar a situação dos países em relação a essas temáticas, bem como elaborar recomendações de políticas públicas para a erradicação dessas práticas e promoção e valorização das populações discriminadas do mundo. Ao longo dos anos 90, as várias conferências convocadas pela ONU deram visibilidade a problemas críticos de nosso tempo: meio ambiente e desenvolvimento (Rio, 1992); direitos humanos (Viena, 1993); população e desenvolvimento (Cairo, 1994); desenvolvimento social (Copenhague, 1995); mulher, desenvolvimento e paz (Beijing, 1995); habitação (Istambul, 1996). Essas conferências ampliaram a consciência mundial sobre ...

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    Os prós e os contras

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Há anos vimos discutindo com as principais organizações da sociedade civil brasileira o fato de que, ao contrário do que ocorreu em outros países marcados por diferenças e conflitos raciais, no Brasil nunca emergiu um posicionamento político efetivo de lideranças brancas contra as práticas racistas de nossa sociedade. Para citar apenas dois casos emblemáticos, lembremos a presença histórica de Marlon Brando na memorável Marcha pelos Direitos Civis liderada por Martin Luther King, ou o papel extraordinário do jornalista Donald Woods contra o regime do apartheid sul-africano. Personalidades brancas, simbolizando com suas presenças nessas lutas outros anônimos brancos que se recusaram a aceitar o racismo como estratégia de obtenção de privilégios às custas da opressão de outros grupos raciais. No Brasil, ao contrário, mesmo o abolicionismo brasileiro, com as exceções de praxe, não alcançou exprimir vontade política de inclusão da massa de ex-escravos. Esgotou-se ...

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