O racismo que exclui, desvaloriza e mata.

Entra ano, sai ano, e a história se repete. O racismo que ceifa vidas, violenta corpos e almas, permanece. Nesta semana, dois casos, entre muitos…, nos chamaram a atenção: as edições de 2016 do Oscar e do BBB. O Oscar existe há 87 aos, o BBB há 16. Mas, ao que tudo indica, ambos precisam de mais tempo para deixarem de ser racistas.

Do Católicas.org

Como vocês podem ver aí na foto da Reuters, neste ano, nenhum ator ou atriz negra foi indicada à premiação hollywoodiana, considerada uma das mais importantes para as produções artísticas e cinematográficas em todo mundo. Não encontramos dados oficiais, no entanto, em uma rápida busca no Google, soubemos que em 87 anos somente 14 atores negros foram premiados.

Assim que foram anunciados os indicados deste ano, artistas como Snoop Dogg, Spike Lee e Jada Pinkett Smith, foram às redes sociais gritar contra o racismo no Oscar e convocar um boicote à premiação.

Este levante engrossa o coro das inúmeras manifestações de artistas e sociedade nas ruas, espaços públicos, midiáticos e nas redes sociais. Os protestos contra o racismo nos EUA têm sido frequentes, principalmente depois dos assassinatos de jovens negros pelas mãos do Estado. A situação por lá é tensa, e pode piorar, senão veja, a criatura que lidera a pesquisa da campanha presidencial neste ano é declaradamente machista, racista, homofóbica, xenofóbica. Como é possível?

É possível porque a sociedade é racista, não tem consciência histórica, e referenda esses criminosos.

A lógica racista que insiste em negar, excluir e não valorizar os artistas negros é a mesma no Brasil. Quando o ator Antonio Pompêo morreu no início deste ano, a ilustre atriz e cantora, Zezé Motta veio à público dizer que seu amigo morreu foi de desgosto. Também pudera! Assim como nos EUA, aqui os artistas negros, salvo raras exceções, não são protagonistas e compõem quase que exclusivamente os núcleos dos empregados, prestadores de serviço, etc. Por que? Porque o Brasil é racista também! E esse crime absurdo é tão ‘natural’ que passa até na TV, em programa de ‘entretenimento’ para todo mundo ver.

O Mais Você desta semana fazia uma matéria ‘inocente’ sobre a nova edição do Big Brother Brasil, apresentando a cozinha da casa que “mistura elementos rústicos e modernos”. Aos 54 segundos do vídeo da matéria, eles exibem a pia, ornada com um Bombril em formato de um negro com cabelo crespo. Como é possível tamanha desfaçatez? Alguém teve essa ideia, alguém criou o produto, alguém comprou, alguém decorou, alguém filmou, alguém comentou aquilo em rede nacional e ninguém, ninguém entendeu o que estava fazendo? E isso lá é entretenimento? E quando a coisa está entranhada no jornalismo? Não sabemos o que é pior… Você viu a última do Alexandre Garcia? É todo dia isso, minha gente.

 

Apesar disso, negros e negras trabalham, estudam, lutam, conquistam e brilham para o incômodo dos racistas. Inconformados, eles atacam… As redes sociais viraram o palco dessa insanidade. Maju, Taís Araújo, Sheron Menezzes, Cris Vianna, Caio, Adriana Alves, todos foram recentemente atacados por racistas na internet. E você só soube desses casos, porque eles são famosos…

Mas esses ataques não ficam só nas redes sociais, eles estão na rua, nas escolas, nas empresas, etc. Eles morrem mais, ganham menos, sofrem preconceito na escola, têm parte de sua história ignorada nos livros didáticos, são impedidos de entrar nas universidades públicas, quando entram continuam sofrendo discriminação, enfim, a lista de atrocidades é interminável. Isso porque nem focamos aqui nas questões específicas sobre as mulheres, lésbicas, bi e trans negras…

Nos EUA, no Brasil e em todos os países do mundo, o racismo MATA! E os governos, as empresas, a mídia, todos têm culpa no cartório por reproduzirem e naturalizarem esses crimes, por suas ações, políticas, narrativas.

Nossa indignação frente à esta situação deve se espalhar por todos os cantos: no discurso, na internet, nas escolas, universidades, empresas, governo, nas ruas! Os movimentos sociais têm feito a sua parte, mas o restante da sociedade vai ficar de espectadora?

Todas as vezes que você ouvir uma piada racista, presenciar uma situação de racismo, uma ofensa, indireta, agressão física, levante-se! Lute como os negros e negras deste país que não aguentam mais tanta violência.

E porque a gente ainda tem esperança de que um dia isso acabe, estamos aqui, e neste post listamos algumas referências de leitura essenciais para quem, assim como nós, quer um mundo livre do racismo:

http://www.geledes.org.br/

http://blogueirasnegras.org/

http://negrobelchior.cartacapital.com.br/

https://www.facebook.com/ContraOGenocidio/?fref=ts

http://acentraldasdivas.blogspot.de/

https://pretaeacademica.wordpress.com/

http://blacklivesmatter.com/

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