terça-feira, novembro 24, 2020

    Tag: Guest Post

    Racismo: a moda que nunca sai de moda (ou Por que prefiro colete à jaqueta?)

    Houve um tempo em que estudiosos dos mais variados estratos, desejando des(en)cobrir o mundo pelo imperativo da razão, embarcaram em “caravelas”: mapearam as repartições físicas do Globo, descreveram, catalogaram, compararam e classificaram “elementos” que viam pela frente que, posteriormente, foram postos à apreciação em sessões públicas, preleções, palestras e livros. Consigo levaram a bagagem do saber colonial. Esse tempo é, também, o tempo de agora. Ele não cessou, apenas se transformou para continuar sendo o que é e produzindo o de sempre: políticas institucionais racistas. Por Bernard Teixeira Coutinho, enviado para o Portal Geledés  O racismo, um dos membros fortes do capitalismo e expressivo vetor da crise civilizatória, virou moda. Que xs leitorxs nos permitam realizar uma rápida rememoração: quando criança, meu pai e eu costumávamos frequentar um boteco (hiper) badalado nos anos 90, localizado na rua principal no bairro em que morávamos. Lá, todos os domingos, experimentávamos uma deliciosa ...

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    São Mateus: O bairro da Zona Leste contra o vírus

    "...2000 favela São Mateus viela; Revolução começou e não precisa de tela; Saúde no Brasil merece o óscar de ignorância; Dia á dia acabando com várias esperanças; Proteja a sua vida irmão; Quem guia o país não tem coração…" Por Mayara Assunção enviado para o Portal Geledés  As linhas acima poderiam ser sobre o atual momento da pandemia do Covid-19, no bairro da periferia da Zona Leste da Capital. Mas a letra da música "Rap das Quebradas", do grupo de brasileiro "De menos crime", é de vinte anos atrás. Há anos, “São Mateus” esteve e está presente em muitas músicas: do Rap ao Samba. Composto por três distritos, é morada de artistas e de inúmeras potências em diversas áreas. Estima-se que bairro possua mais de 400 mil habitantes. E a articulação e engajamento dos seus moradores é fator principal para que as lutas populares sejam o combustível que mantém o bairro. ...

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    Foto: Getty Images

    Coronavírus e África: reflexos

    Os dados sobre o Coronavírus-19 no Continente Africano são poucos. Nas principais agencias de noticias o assunto é escasso e apresenta uma oscilação em relação aos números dos países afetados e total de casos confirmados. O Globo registra mais 42 países africanos com casos confirmados; na sua maioria pessoas que vieram do exterior. Já o Terra, no dia 21 de março, fala em 40 países afetados, o Jornal de Angola apresenta 38 países, e o Observatório da África apresenta um total de 29 países atingidos pela pandemia. Por  Gilda Portella, enviado para o Portal Geledés Foto: Getty Images Por que não se fala sobre a pandemia do Covid-19 na África? Invisíveis para quem? Por quê? Quem não consegue ver que estatísticas não são meros números. São vidas. São vidas negras. E vidas negras importam. As concepções brasileiras de ciência, de doença, vida e morte são baseadas numa ...

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    Thelma está no BBB 20 - Victor Pollak/TV Globo

    O BBB e o racismo

    O reality show Big Brother Brasil ao mobilizar mais de 1,5 bilhão de votos demonstrou que tem ocupado parcela significativa dos brasileiros, principalmente os respeitosos do isolamento social que tem passado mais tempo do que nunca nas suas casas. Junto ao BBB emergem uma miscelânea de debates, questões que há muito tempo têm fragmentado e rivalizado grupos de brasileiros. Problemas antigos e derrotas recentes renasceram nos enfrentamentos que a casa mobilizara. Um deles, o racismo.  Por  Diego Lino Silva, enviado para o Portal Geledés  Thelma está no BBB 20 - Victor Pollak/TV Globo O personagem Babu Santana se tornou o principal expoente das tensões promovidas pela carga semântica que caracterizações cromáticas, fenotípicas e comportamentais dispõem. Mas há outra negra ali, não esquecida da melanina que carrega, mas diferentemente abordada nos entreveros raciais que a casa autorizou que o Brasil observasse. Tanto as reações fora da casa, ...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Diário do isolamento social, LAURIÑA

    “quando morre um africano idoso, é como se queimasse uma biblioteca”.  Hampâté Bâ Por Lelê Teles enviado para o Portal Geledés Reprodução/ Twitter pelo noticiário, a pequena lauriña soube que, em alguns países europeus, por conta do novo coronavírus, estavam a oferecer a cabeça dos idosos à senhora da foice vestida de negro, porque isso faria com que sobrassem leitos nos hospitais para cuidar dos mais jovens. isso a intrigou bastante, e ela se lembra dos debates que ocorriam em sua casa contra essa absurda decisão; para a família de lauriña, não se tratava de uma escolha de sofia, mas de uma opção. lauriña vive em uma sociedade em que tudo tem que ser trocado antes que “envelheça”. em que as mulheres se olham no espelho aterrorizadas com os aparecimentos dos primeiros fios brancos; estes serão arrancados à unha. quando passam a abundar, são retocados com tinta ...

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    (Foto: Getty Images)

    Nova ordem mundial?

    As consequência futuras do covid 19 são imensuráveis. Existe um questionamento constante sobre o que será de nós em meio a ansiedade e estar em casa: trabalhando, refletindo, nos vivenciando de forma ininterruptível e intensa (claro, para quem tem pode estar). Para além disso, é necessário pensar os reflexos da articulação dos novos acontecimentos. Por  Eduarda da Silva Pereira Santos, enviado para o Portal Geledés (Foto: Getty Images) A partir disso, convoco para canalizarmos nossas emoções e pensamentos na “Nova ordem mundial” que está sendo firmada pelo coronavírus. Seria a introdução de uma nova crise de paradigmas? Aquele momento da história que “tudo muda”? Sendo isso ou não, não podemos esvaziar o sentido político, econômico e social que a “guerra biológica” está pondo em cheque, é para além de uma questão de saúde, o que, por sí só, já é muita coisa. Hoje, um dos serviços mais valorizados ...

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    Os brancos não largam os privilégios

    Os negros de todos os lugares já estão fartos da hipocrisia praticada pelos brancos. − Malcolm X Por Ricardo Corrêa,  enviado para o Portal Geledés Não acredito em benevolência das pessoas brancas quando o assunto é racismo. Ninguém que tenha nascido num sistema que lhe oferece inúmeras vantagens quererá perder essa herança. E mesmo sabendo que existem pessoas buscando contribuir na luta antirracista, observamos atitudes que estão internalizadas e naturalizadas. Estas atitudes são resultados da subjetividade e alimentam as estruturas que dão sustentação ao racismo. Esse espaço íntimo das pessoas tem caráter complexo, dado que ao longo de cada vivência é contaminado por informações apresentadas por inúmeras fontes e configuram diferentes subjetividades na formação humana. Nesse sentido, as pessoas brancas por não estarem sujeitas à opressão racial desenvolvem uma visão de mundo totalmente distinta das pessoas negras. Adobe A imprensa televisiva é uma fonte de informação que ...

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    Reprodução/Facebook

    Reverenc’Yás: memória, resistência e preservação

    O quilombo é um avanço, é produzir um momento de paz. Quilombo é um guerreiro quando precisa ser um guerreiro. E também é o recuo se a luta não é necessária. É uma sapiência, uma sabedoria. A continuidade da vida, o ato de criar um momento feliz, mesmo quando o inimigo é poderoso, e mesmo quando ele quer matar você. A resistência. Uma possibilidade nos dias de destruição  Maria Beatriz do Nascimento     Por Cássia Cristina – Makota Kidoiale e  Jair da Costa Junior, enviado para o Portal Geledés Nas tradições de matriz africana, na cultura africana, e esta refletida na cultura afro-brasileira como herança de nossos ascendentes (ancestrais), bem como nas comunidades e populações afro-brasileiras, de maioria negra, as mais velhas e os mais velhos têm uma importância vital na transmissão e preservação de saberes e conhecimentos que estão sendo esquecidos ao longo dos anos e dos processos institucionalizados ...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Coronavírus na África, a terceira onda

    dos 54 países africanos, pelo menos 40 já testaram positivo para o COVID-19; as maiores incidências estão localizadas em Burkina Faso, no Egito e na África do Sul. Por Lelê Teles enviado para o Portal Geledés Reprodução/ Twitter curiosamente, não são os chineses os maiores propagadores do vírus no continente negro; embora haja um grande fluxo de chineses por lá. a maioria dos casos está ligado a pessoas que vieram da Europa. não se sabe como o vírus vai reagir em temperaturas elevadas, sabe-se que ele não é fatal para organismos jovens e sabemos que a África é um continente de população não muito longeva; apenas 5% dos mais de 1 bilhão e 300 milhões de africanos têm mais de 65 anos. para se ter uma ideia, na Itália esse contingente é maior que 23%. no entanto, há milhões de jovens infectados com o vírus da ...

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    / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ

    A importância de estarmos juntos, mesmo à distância.

    O cenário é assustador e a sensação de medo paira por todas as partes do mundo, literalmente. Em menos de uma semana vimos creches, escolas, universidades, museus, postos de atendimento, academias, escritórios e prédios inteiros se fecharem¹. Segundo a Unesco, metade dos estudantes do mundo estão sem aula por conta da COVID-19². Por Mayara Silva de Souza, Enviado para o Portal Geledés Mayara Silva de Souza/ Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ Neste momento o convite para pensar e agir pelo outro é indispensável, caso contrário podemos colocar milhares de vidas em risco, especialmente em relação às pessoas que fazem parte do grupo de risco como idosos, diabéticos, hipertensos e quem tem insuficiência cardíaca, renal ou doença respiratória crônica, por estarem mais expostos às complicações decorrentes da COVID-19³. É inegável que pessoas com este perfil estão por todos os lugares na nossa sociedade, algumas dentro de seus lares ...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Coronavírus, uma abordagem antropológica

    pega teu copo, senta um pouco e presta atenção nessa, meu camarada. Por Lelê Teles, enviado para o Portal Geledés Lelê Teles (Foto: Reprodução/Twitter) “as pessoas devem ficar em casa”, recomenda o coro, no teatro a céu aberto, vocalizando num megafone. e lá vão as pessoas, obedientes, trancafiarem-se em suas casas. vemos, nas varandas e nas sacadas italianas, as pessoas tomando vinho, cantando óperas, corificando o bella ciao. beleza: varanda ok, vinho ok, sobrancelha ok. aí você olha aquilo e fala: “vejam, as pessoas!” ilze scamparini, coração sangrando, chora pelas pessoas; guga chacra, todo arrepiado, vai aos prantos pelas pessoas. compreensível, são seus iguais. o vírus, insensível, nômade e ubíquo, pilotando sua retroescavadeira anárquica, derruba fronteiras e invade países. espera passar o carnaval, que ele não é muito de festas, e chega ao brasil. “as pessoas devem ficar em casa”, grita o guarda municipal, com o ...

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    Foto: Getty Images

    Maternidade e culpa

    Quando o povo negro foi assimilado na cultura ocidental a concepção de maternidade africana foi destruída e os cacos que sobraram viraram conceitos de acesso da classe média alta. Por Andreza Bispo dos Anjos Santos, enviado para o Portal Geledés Foto: PeopleImages/E+/Getty Images Não pode ser normal que uma mãe ao ser perguntada pelo filho, tenha que imediatamente responder com quem e onde ele está. O correto não deveria ser apenas se está bem ou não? Mas por que as pessoas perguntam na maioria das vezes 'cadê seu filho' e não apenas 'como está seu filho?' Percebam que a semântica condiciona a resposta A resposta não pode pertencer as mulheres negras, porque em nosso legado ancestral Osun fez guarda compartilhada com Oxóssi e nunca deixou de ser mãe por isso. Oyá teve 9 filhos e depois decidiu ir pra mata, não deixou de ser mãe por ...

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    Crédito: Getty Images/iStockphoto

    20 anos do Dogma feijoada – Cinema negro, afrofuturismo e raptura da história de Marielle bela branquitude

    Em 2016, a pesquisa intitulada “A cara do cinema Nacional” realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, constatou a inexistência de mulheres negras diretoras e roteiristas no mercado cinematográfico brasileiro. Muito se fala sobre a (sub) representatividade de pessoas Por  Naomi Cary, enviado para o Portal Geledés Crédito: Getty Images/iStockphoto negras nas telas de cinema e televisão, como se esse resultado pouco tivesse a ver com a forma como nós, pessoas negras, somos afastadas do universo da produção audiovisual. Ou seja, se não estamos atrás das câmeras, muito dificilmente nossa imagem estará impressa nela – pelo menos como queremos e precisamos ser vistos. Tal pesquisa, entretanto, foi considerada tendenciosa por grande parte dxs cineastas negrxs. Como afirmou a cineasta negra Camila de Moraes (diretora do documentário "O Caso do Homem Errado" – 2017), em entrevista à revista Galileu “O número (de cineastas negrxs) é muito ...

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    Foto encontrada na revista da cidade de Corinto em 2007, enviada por um anônimo

    Pela memória de minha mãe Alice

    O Patriarcado matou minha mãe. É assim que quero começar contando a sua história e honrar sua memória, pois em vida aniquilaram sua existência, seus sonhos, sua afetividade, suas emoções, sua sexualidade e sob seu corpo impuseram um peso que ela não dera conta de carregar. Parou de respirar aos 35 anos, devido a um câncer que a consumiu. Mas a doença foi apenas o pretexto para morrer, pois por dentro, ela já estava morta, o patriarcado e suas agências a mataram. Por Fabiane Albuquerque, enviado para o Portal Geledés Foto encontrada na revista da cidade de Corinto em 2007, enviada por um anônimo Alice, de uma beleza e sorriso incríveis, nascida em Corinto, interior de Minas, filha de Lurdes Gonçalves, mulher negra, filha de escravizados, que aos 9 anos fora dada a uma família de fazendeiros depois de ficar órfã e vira todos os irmãos ...

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    Rochelle Allen, a respiratory therapist, made a home visit to Lisa McClendon, who goes to the emergency room about once a month because of her asthma.Credit...Alexandra Hootnick for The New York Times

    A população negra e o coronavírus

    Recente reportagem no The New York Times, de 07 de março 2020, feita pelo jornalista John Eligon, chamou atenção para o risco do extermínio de populações negras e latinas, sobretudo as mais pobres, em razão da ausência de um atendimento adequado das mesmas pelos nossos sistemas de saúde. É sabido, que os nossos sistemas de saúde devolvem para a população negra um tratamento não-isonômico, ao qual podemos definir como uma das manifestações necropolíticas do racismo institucional. Assim, podemos definir o racismo institucional como práticas não isonômicas realizados pelos Estados onde a população negra se faz presente, especialmente na política institucional dos órgãos, entidades e serviços delegados de saúde. Por Lúcio Antônio Machado Almeida, enviado para o Portal Geledés  Rochelle Allen, a respiratory therapist, made a home visit to Lisa McClendon, who goes to the emergency room about once a month because of her asthma.Credit...Alexandra Hootnick for The ...

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    Getty Images

    Medicina pra nossa gente?

    Cheguei ao consultório e o de sempre ocorreu. Por Neymar Ricardo Santos da Silva Enviado para o Portal Geledés  Mal olhou para mim, mão na testa, e já pergunta: – o que faz aqui? Respondo timidamente, sobre a dor física do momento. Meu pensamento até nem lembra mais o que me sucedeu. Me inquieta agora o mal-estar do atendimento realizado por este aí. Se fosse irmão de cor, talvez a dor fosse menor. Pois seria apenas uma. Mas este desprezo do não olhar é que não aguento. Descobri mais tarde que este mesmo “doutor” foi cotista na universidade e se declarou um de nós. Até denunciado foi, de assumir vaga que não era sua. Mas mesmo diante de tal descabimento e fato atroz. O juiz lhe concedeu a medida liminar. Pra terminar de cursar, talvez em seu lugar. A medicina que mesmo tão carente. De gente de nossa tez. Ainda não ...

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    (Foto: Enviado por Maria do Carmo Rebouças dos Santos ao Portal Geledés)

    Amílcar Cabral: o pedagogo político-cultural das lutas anticoloniais africanas

    Mario de Andrade, combatente contra o colonialismo português em Angola, primeiro biógrafo político de Amílcar Cabral e seu companheiro de luta, vai nos lembrar que na trágica história da África revolucionária, em meio a uma débil memória de grandes revolucionários, três figuras ganham indubitável destaque: Kwame Nkrumah, o visionário que liderou a independência de Gana; Patrice Lumumba, o mártir, assassinado enquanto lutava pela independência do Congo; e Amílcar Cabral, o unificador, o líder político da teoria e da ação que conduziu a luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (ANDRADE, 2008). No 47a ano de sua morte, na coluna Amefricanidades – Apontamentos sobre o Atlântico Negro, pretendo desvelar uma pequena parte do pensamento e da ação política do principal idealizador de uma das mais bem sucedidas lutas pela independência colonial do século XX no Continente africano – Amílcar Cabral e demonstrar a potência e a contemporaneidade de suas ideias ...

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    Mulher, Nordestina, neta de índia e apesar do País, não desiste nunca!

    Ela começa mais um dia pensando o que fazer para dar certo na sua independência financeira. Mulher, descendente de índio (avó paterna era índia, Matilde Ana do Espírito Santo – sobrenome católico, como de costume ao catequizá-los) e Assistente Social, formada há 2 anos e meio mas sem oportunidade de exercer a profissão. Tentando entender como funciona a máquina giratória da vida de uma mulher de meio século… Por Silene Vasconcelos de Farias, enviado para o Portal Geledés  Adobe É, isso não se aprende na escola…Isso não se aprende com ninguém…A mulher vai vivendo e aprendendo… Vendo a realidade nua e crua ficamos ainda mais confusos… No país onde agora se aposenta com 60 % de tudo que você contribuiu a vida toda e por longos anos, uma mulher como ela que, começou a trabalhar ( formalmente), “tarde”, não tem critérios para se aposentar porque ainda não ...

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    Negra de Pernambuco, 1869. Fotografia de Henschel Alberto, acervo Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Sales.

    Poderia a história do Brasil ser contada a partir da trajetória das mulheres negras?

    Negra de Pernambuco, 1869. Fotografia de Henschel Alberto, acervo Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Sales. Não apenas pelo fato da nossa resistência em relação a tudo aquilo que foi imposto pelas sociedades ao longo do tempo, mas, principalmente, pela centralidade que temos ocupado nos processos históricos. Sim! As mulheres de pele escura foram personagens importantes de muita das coisas que têm aconteceram por aqui. Algo que, quando visibilizado, nos ajuda a humanizar a nossa própria vivência e a de nossas ancestrais. De forma que, não fiquemos à procura de heroínas e supermulheres da era colonial ou dos tempos atuais. Informações que tornam mais convidativa e prazerosa o reconhecimento do valor das ações do dia-a-dia, das capacidades de ação e negociação que a nossa população tem utilizado em contextos específicos, com possibilidades e oportunidades muito bem delimitadas ou escassas. Algumas dessas destrezas, ainda sobreviventes, como relíquias, e que têm sido ...

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    O chicote, o racismo e o poder de mulheres

    Que existe racismo no Brasil, não há dúvidas. Que isto é estrutural, institucional ou (como diria Frantz Fanon) existencial, também é sabido por parte da população que tem autocrítica. Porém, pouco se fala sobre o que acontece quando o poder está em mãos de mulheres negras. Por  Jaqueline Vasconcellos, enviado para o Portal Geledés Jaqueline Vasconcellos (Arquivo Pessoal) Na pirâmide social da exclusão, são as mulheres negras que estão no assoalho e que são pisadas por toda sorte de opressores. Porém, em se tratando de mulheres com algum nível de poder, existe certo esforço social, em especial dos homens ao seu redor, em tornar velado o racismo e o machismo, mas ainda assim, não deixá-las achar que as ordens são dadas por elas. Alexandra Loras, ex-consulesa da França, mulher negra, denomina essa cordialidade como “apartheid cordial”, para definir o que mulheres negras enfrentam em nosso país. ...

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