quarta-feira, janeiro 20, 2021

Tag: Flávia Oliveira

A vereadora Marielle Franco (PSOL) (Foto: Renan Olaz / Divulgação / CMRJ)

Há sentido político na difamação de Marielle Franco

Não é novidade a quem acompanha episódios de violência de gênero tropeçar em episódios de revitimização. São boatos, comentários e injúrias plantados por indivíduos interessados em despejar nas vítimas a culpa pelo crime sofrido. O Brasil enfileira casos. Assassino de Ângela Diniz, Doca Street usou a legítima defesa da honra para se defender do homicídio da então mulher, em 1976. Na década seguinte, o esquadrão da moralidade cínica comentava que a jovem Mônica Granuzzo, violentada e atirada de uma janela de um prédio da Zona Sul carioca, estaria viva se abraçasse o recato, em vez de confiar no homicida sedutor. Neste século, houve quem tentasse atenuar o estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 16 anos numa comunidade da Praça Seca. Num ambiente em que é comum mulheres serem responsabilizadas pela brutalidade que sofreram, era de se esperar que o coro de caluniadores seguisse a execução da quinta vereadora mais ...

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Foto Marta Azevedo

Nas favelas, verde-oliva é cor de medo

Intervenção militar nas comunidades é sinônimo de mais supressão de direitos. Medida, na prática, representa o fim do governo Pezão Por Flavia Oliveira, do Projeto Colaboradora  Em favela, intervenção militar é termo que evoca aumento da sensação de segurança – no asfalto. Nas comunidades populares, a expressão espalha o medo de (mais) violações a direitos. Não é de hoje que o Rio de Janeiro, em resposta à incompetência de autoridades locais para dar conta das próprias atribuições, recorre às Forças Armadas. Até aqui, nenhuma estratégia ou operação se mostrou eficiente nem duradoura. Dessa vez, de supetão, dois dias depois do fim de um Carnaval desordenado, o presidente da República, Michel Temer, reuniu uma junta de ministros e anunciou a nomeação de um general do Exército para comandar as polícias civil e militar, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio. O governador Luiz Fernando Pezão, ...

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Foto: Marta Azevedo

Superlativa por Flávia Oliveira

Rogéria, autodenominada ‘travesti da família brasileira’, fez crer que país sem LGBTfobia é possível no O Globo Estrelíssima foi o adjetivo que Rogéria escolheu para se apresentar numa rede social. Não exagerou. A mulher que habitava o corpo de Astolfo Barrozo Pinto brilhava. No superlativo. Foi maquiadora e atriz e cantora e dançarina. Tinha múltiplos talentos, portanto. E o dom de encarnar o sonho de uma nação livre dos crimes de ódio contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros. Num país que mata uma pessoa LGBT a cada 25 horas, é ato de bravura se autodeclarar “a travesti da família brasileira”. Rogéria jamais se escondeu. Viveu, foi acolhida e morreu sendo o que era. Deixa de herança a verdade. Crédito: Rogéria - Uma Mulher e Mais um Pouco" / divulgação Leandra Leal, atriz e diretora de “Divinas divas” — documentário sobre os 50 anos de ...

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Foto: Marta Azevedo

O caminho de volta

Recessão e decisões políticas que não priorizaram os pobres fizeram país retroceder duas décadas, com reedição da campanha da fome Foto: Marta Azevedo Por Flávia Oliveira Do O Globo Numa alegoria macabra da crise nacional, o Brasil faz tristemente o caminho de volta em duas décadas e meia de avanço nas políticas de combate à pobreza, na semana em que se completam 20 anos da morte de Betinho. Herbert de Souza foi o ativista que, nos anos 1990, exortou o país a erradicar a fome e a miséria. Neste sábado, 12 de agosto, a Ação da Cidadania, ONG fundada pelo sociólogo, hoje sob o comando de Daniel de Souza, seu filho, ressuscita a campanha de arrecadação de alimentos para famílias vulneráveis. Por desnecessária, a iniciativa fora suspensa em 2005. Volta agora, na esteira da recessão e das decisões políticas que não priorizaram os mais pobres. “No aniversário ...

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Foto: Marta Azevedo

O precário à espreita

Há processos supostamente modernos que são eufemismo para retrocessos em direitos trabalhistas Por Flávia Oliveira, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Uma mulher de classe média, nível superior, mãe solteira de um menino de 7 anos publica numa rede social criativo anúncio de “moradia compartilhada”. Em vez de aluguel, a moradora pagará pelo abrigo com afazeres domésticos e cuidados com a criança. O discurso moderno disfarça uma proposta de trabalho não remunerado e, por isso, degradante, tão antiga quanto a sociedade brasileira. Denunciada no tribunal da internet como sinhá do século XXI, ela confessa que propôs a contratação heterodoxa por não ter condições financeiras de pagar uma babá. Tira o sustento de uma relação trabalhista flexível, sem vínculo empregatício. Não tratarei das relações coloniais que ainda marcam o trabalho doméstico no Brasil. Estão aí as babás vestidas de branco nas pracinhas, casas de festas e aeroportos, tal ...

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Foto: Marta Azevedo

Foi-se o tempo

A sociedade brasileira há de cobrar do setor privado a faxina que exige de instituições e figuras públicas Foto: Marta Azevedo Por Flavia Oliveira Do O Globo O adiantado estado de decomposição do sistema político brasileiro, escancarado em cadeia nacional nos últimos anos, se condena agentes públicos, não livra entes privados. Gigantes empresariais incluídos na lista dos 500 maiores do país estão envolvidos na Operação Lava Jato, escândalo de escala planetária que apequenou o Brasil — aqui e lá fora. As investigações do esquema de corrupção alcançaram a Petrobras, orgulho nacional; as maiores empreiteiras, Odebrecht à frente; a JBS, potência do agronegócio; estão nas bordas do setor financeiro. No Rio de Janeiro, envolveram construtoras, concessionárias, joalherias e, nos últimos dias, adentraram o setor de transportes, com a prisão de Jacob Barata Filho, empresário de ônibus, e Lélis Teixeira, número um da Fetranspor. A descoberta das fraudes feriu ...

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História desenterrada

Arqueólogos encontram no Instituto dos Pretos Novos, no Rio, o primeiro esqueleto íntegro de uma africana recém-chegada ao Brasil Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Flavia Oliveira, colunista. - Marcelo Carnaval / Agência O Globo Josefina Bakhita é o nome de uma africana nascida no Sudão em 1869, raptada e escravizada, convertida ao catolicismo em 1890 na Itália, morta em 1947, canonizada pelo Papa João Paulo II no ano 2000. É tida como a primeira santa africana, padroeira do país onde nasceu, protetora dos sequestrados e dos escravizados. Desde meados de maio, batiza também o esqueleto de uma jovem mulher encontrado num dos poços de observação do Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN). Foi a primeira descoberta de restos mortais íntegros na área onde foram depositados corpos de homens e mulheres da África que não sobreviveram para serem vendidos nos mercados de escravos do Rio de Janeiro. Tem valor ...

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Foto: Marta Azevedo

Até sempre, Iyá Beata

No adeus à ialorixá, o que era medo fez-se encantamento. Há beleza em deixar um legado de fé, respeito às tradições, afeto e firmeza por Flávia Oliveira no Globo Foto: Marta Azevedo Lá em casa, a morte foi sempre cercada de mistério. E medo. Criança não entrava em cemitérios; assuntos fúnebres eram tratados aos cochichos pelos adultos. Nunca me esqueci da primeira vez em que estive num velório. Morrera o irmão de uma vizinha. Minha mãe, sem alternativa, levou-me à capela colada ao Cemitério de Irajá. Ela entrou e me deixou à porta. A pouca altura não me permitia ver o corpo, só o caixão. Havia flores. Achei bonita a urna de madeira escura e belíssima a coroa de flores, que parecia ter meu tamanho. Comentei. Fui repreendida: “São bonitos para os mortos, não para você. Nunca repita isso. Atrai”. As três frases de Dona Anna ...

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Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo)

Apesar da escola

Instituições de ensino são pouco acolhedoras; discriminação contínua é prima da evasão Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Foto: Marta Azevedo Minha educação formal carrega as dores e as delícias do ensino público, já tratei disso nestas páginas. O antigo primário completei na Escola Municipal Francisco Sertório Portinho; o ginásio, na Mato Grosso. Ficam ambas em Irajá, subúrbio carioca onde fui criada. São as duas da prefeitura. O segundo grau técnico fiz na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), mantida pelo IBGE, órgão oficial de estatísticas do país. Na juventude, cruzava a Baía de Guanabara até Niterói, para estudar jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF). Sou produto da escola pública. Apesar da escola pública. O advérbio está posto para escancarar o ambiente pouco acolhedor das instituições de ensino. A intolerância não é exclusiva da escola pública, mas mora nela. Eu experimentei. Não é fácil driblar o preconceito ...

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Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo)

O aceno da utopia

Num dia histórico, a Maré marchou por ruas e vielas e preencheu com flores buracos de balas Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo    Foto: Marta Azevedo O grupo de líderes comunitários, moradores e ativistas partiu da Praça do Parque União e serpenteou ruas e vielas por hora e meia, até alcançar a comunidade da Nova Holanda pela Rua Principal. Ali, no cruzamento seguinte ao Ciep Samora Machel — nome do líder da guerra de independência e primeiro presidente de Moçambique — encontrou os manifestantes que partiram do Conjunto Esperança, passaram pela Vila do João, pela Vila do Pinheiro e chegaram à Baixa do Sapateiro. O ato no quarteirão conhecido como Faixa de Gaza, tamanha a frequência e a intensidade dos confrontos armados, foi inédito. Cerca de cinco mil pessoas — homens, mulheres, jovens e crianças — se reuniram de forma pacífica, ordenada e emocionada para pedir ...

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Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo)

Estamos em maio – por Flávia Oliveira

É o mês da abolição e todo mundo quer debater racismo. Eu queria falar dos negros em setembro Por Flávia Oliveira, do O Globo Foto: Marta Azevedo Eu sei quando maio começa, porque todo mundo quer saber do povo negro. Se dormisse por meses a fio, ao acordar, me saberia em maio pelo assédio dos ativistas e dos bem intencionados. É o mês da abolição e todo mundo quer debater o racismo. A agenda de eventos não cabe no calendário; o dia 13 deveria ter 129 horas, uma para cada aniversário da Lei Áurea. Em novembro, mês da consciência negra, também. Todo mundo quer saber dos negros em novembro. Eu queria falar em dos pretos em setembro. Mas setembro é o mês em que a gente fala de flores, de literatura e de música. Setembro é o mês da primavera, da Bienal do Livro e do Rock ...

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Foto: Marta Azevedo

Foi avanço, não retrocesso

A proposta original de Reforma da Previdência era injusta com as mulheres; mudanças são bem-vindas Por Flávia Oliveira, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Não foram recuo do governo, mas avanço da sociedade, as alterações propostas pelo relator Arthur Maia (PPS-BA) nas regras de aposentadoria das mulheres brasileiras. A proposta de reforma arquitetada pela equipe econômica do presidente Michel Temer era profundamente injusta do ponto de vista de gênero, em particular com as trabalhadoras rurais. Ancorava-se em dados demográficos menos relacionados com a Previdência do que parecem; e desprezava desigualdades, tanto no mercado de trabalho quanto nas relações familiares, que o Brasil tem enfrentado muita dificuldade para superar. Na origem, a PEC 287 pretendia igualar em 65 anos a idade mínima de aposentadoria dos brasileiros. Hoje, na área urbana, mulheres podem se aposentar aos 60, homens, aos 65; no campo, aos 55 e 60, respectivamente. Portanto, de ...

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Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo)

Sou quilombola

Parte das terras da Fazenda Soares, que pertencera a meu bisavô, o negro João de Deus Neves, foi reconhecida pela Fundação Cultural Palmares Por Flávia Oliveira, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Um ano atrás, eu desembarquei na Bahia em busca de minhas origens familiares. Já me sabia descendente do povo balanta, da Guiné-Bissau. Faltava pisar a terra que pariu as três gerações de mulheres que me antecederam. Assim, chegamos eu e minha única filha, Isabela, a Salvador e, três dias depois, a Cachoeira, cidade do Recôncavo Baiano que guardava histórias de minha mãe, de meus tios e tias, avós e bisavós maternos. Numa sucessão de supostas coincidências — pessoas de fé sabem que não foram obra do acaso, mas puro destino — encontramos certidões, documentos e endereços, ouvimos relatos de antigos vizinhos, velhos conhecidos e uma parente, até então, desconhecida. A dois dias do fim da ...

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Desigualdade não é detalhe

A reforma da Previdência em tramitação não leva em conta  a situação dos mais pobres por  Flávia Oliveira no O Globo Foto: Marta Azevedo O defeito da reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer em fins de 2016 — e, agora, assombrada por uma centena e meia de emendas parlamentares — está menos na necessidade que no conteúdo. O debate sobre a mudança de regras na concessão de aposentadorias e pensões divide o país entre os que a consideram essencial, desejável ou dispensável. O que os dois primeiros grupos não conseguiram explicar à sociedade brasileira é por que motivo a conta será paga por quem menos tem. É essa a consequência de, na formulação do projeto, a burocracia ter desprezado as diferentes dimensões da desigualdade brasileira. Assim, ignora exatamente o fator que forjou — e ainda molda — essas terras. Isso não é detalhe. ...

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Telas e telas de reflexão

A fartura atual, nos Estados Unidos, de produções audiovisuais com viés étnico-racial dá o que pensar Por Flávia Oliveira Do O Globo Foto: Marta Azevedo É particularmente farta, se não em quantidade, em visibilidade a safra 2016-17 de produções audiovisuais com viés étnico-racial nos Estados Unidos. Por meus olhos já passaram “A 13ª Emenda”, documentário de Ava DuVernay indicado ao Oscar; “Estrelas além do tempo”, longa na disputa por três estatuetas; e “American Crime Story: the people v. O.J. Simpson”, série de dez episódios disponível na Netflix desde o início do mês. Todas as obras estimulam reflexões e debates sobre passado e presente do país que o democrata Barack Obama entregou ao republicano Donald Trump. Mas não só nos EUA. Os brasileiros, se quiserem, têm muito em que pensar. Diretora de “Selma: uma luta pela igualdade” (2014), ficção histórica sobre a marcha por direitos políticos dos negros ...

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Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo)

Para não esquecer

A polêmica sobre a intenção de se criar um Museu da Escravidão no Rio é bem-vinda Por Flávia Oliveira, do O Globo  Foto: Marta Azevedo No país acostumado a soterrar o passado real e metaforicamente, é bem-vinda a polêmica detonada pela intenção da secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, de criar, nas bordas do Porto do Rio de Janeiro, um Museu da Escravidão. A região, pelo Cais do Valongo, foi porta de entrada dos africanos arrancados do continente de origem para serem escravizados na então colônia portuguesa. É área inundada de importância histórica, tanto pela opressão e brutalidade do regime escravocrata, quanto pela resistência e pelo protagonismo negros que forjaram a sociedade brasileira, sob as óticas econômica, comunitária, cultural e religiosa — não necessariamente nessa ordem. Mestre Ancelmo Gois iniciou o debate ao revelar o legado dos sonhos da neta de Cartola e Dona Zica no secretariado ...

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No Brasil, nos últimos tempos, a expressão direitos humanos se apequenou

Quis o destino — quem sabe, o Criador — que Dom Paulo Evaristo Arns partisse quatro dias depois do 68º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a praticamente uma semana do Natal. Na despedida, o arcebispo emérito de São Paulo ocupou manchetes com a agenda de cidadania, equidade, solidariedade que pautou sua existência. Difícil não pensar que a derradeira contribuição de Dom Paulo à Humanidade tenha sido nos devolver o real significado da expressão direitos humanos, tão incompreendida quanto necessária neste Brasil da intolerância, da polarização, do radicalismo, das certezas. Que os valores do autodenominado amigo do povo tomem corações e mentes, agora e para sempre. Amém. Fonte: O Globo por: Flávia Oliveira Foto: Marta Azevedo Durante a vida, o frade franciscano colecionou epítetos. Foi chamado de cardeal da liberdade, dos trabalhadores e da cidadania; bispo dos oprimidos e dos presos; bom pastor; guardião ...

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Fratura exposta

A democracia brasileira está em situação de emergência, mas o centro cirúrgico está contaminado Por Flávia Oliveira Do O Globo Foto: Marta Azevedo Na falta de diagnóstico original para o colapso político nacional, já tão bem esquadrinhado pelos colegas jornalistas dos vários matizes profissionais e ideológicos, é à medicina que recorro. Melhor metáfora não me ocorreu que a de uma fratura exposta na ainda jovem democracia brasileira. Tal como o acompanhante de um ente querido gravemente fraturado, fui me aconselhar com um profissional da saúde, o sempre solícito infectologista Edimilson Migowsck. Doutor, como se cuida de uma fratura exposta? É situação de urgência. Demanda tratamento eficaz e, ainda assim, pode deixar sequelas. Carece de intervenção cirúrgica, após assepsia em ambiente seguro e higienizado. É indispensável um cirurgião habilidoso. Há fraturas que produzem ossos pontiagudos. São eles que podem romper estruturas como nervos, artérias e vasos sanguíneos. Havendo ...

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Pacote de maldades

O termo designa ações que penalizam mais os que menos têm Por Flávia Oliveira Do O Globo Foto: Marta Azevedo É recessivo e inflacionário, além de tardio, o plano do governador Luiz Fernando Pezão para tentar livrar o Rio de Janeiro da bancarrota. Até aí, nada de novo sob o sol dos luminares da política econômica. Os governos no Brasil são, tradicionalmente, gastadores em tempos de bonança e austeros nos anos de penúria, o avesso do recomendável. Vida que segue. Mas salta aos olhos o caráter regressivo do pacote de maldades da sexta-feira, 4 de novembro. Aos que não têm intimidade com o conceito, o termo designa ações que penalizam mais os que menos têm. As medidas anunciadas pelo governo fluminense em resposta à crise que já dura um par de anos são recessivas, porque vão tirar poder de compra dos consumidores e capacidade de investimento das ...

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Foto: Marta Azevedo

É a política, não a matemática

Em vez de dialogar com os estudantes, o MEC preferiu adiar o Enem Por Flávia Oliveira Do O Globo Foto: Marta Azevedo Matematicamente, a conta é tão simples que está na grade curricular do ensino fundamental. É de 2,2% a proporção de estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) um mês depois do previsto, em razão das ocupações nas escolas. São 191.494 num universo de 8,6 milhões de inscritos; dois em cada cem. Difícil crer que o aparelho burocrático do Ministério da Educação não teve tempo ou habilidade para remanejar os locais de prova de dois centésimos dos estudantes. Por trás do adiamento está a decisão política de retaliar a reação dos jovens à medida provisória da reforma do ensino médio e aos efeitos da PEC 241 (renumerada no Senado para PEC 55) no orçamento da educação. Responsável pela aplicação do Enem, o Instituto ...

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