Tag: Lima Barreto

    Lima Barreto na época da 1ª edição do Recordações do Escrivão Isaías Caminha (Agência Brasil), e detalhe de crônica inédita do escritor encontrada após sua morte (Biblioteca Nacional) – Fotomontagem: Jornal da USP

    Lima Barreto: literatura que se confunde com vida pessoal denuncia racismo

    Historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz mostra como a “escrita de si” de Lima Barreto denunciou perseguições racistas e o fim de uma utopia de inclusão que não se concretizou no fim da escravidão Por Margareth Artur, do Portal de Revistas USP Lima Barreto na época da 1ª edição do Recordações do Escrivão Isaías Caminha (Agência Brasil), e detalhe de crônica inédita do escritor encontrada após sua morte (Biblioteca Nacional) – Fotomontagem: Jornal da USP Lima Barreto, autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, hoje um clássico da literatura brasileira, nasceu no dia 13 de maio de 1881, e tomou a data como “predestinação” em sua vida, visto toda sua obra representar “uma forma de revisão crítica do período em que existiam escravizados no Brasil e do contexto do pós-emancipação“. Em artigo na revista Estudos Avançados, a professora da USP Lilia Moritz Schwarcz analisa como, em boa ...

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    Neto de escravos, Lima Barreto só teve seu trabalho reconhecido após sua morte, e hoje é considerado um dos maiores autores brasileiros / Reprodução

    Retrato do racismo em “Recordações do escrivão Isaías Caminha” permanece atual

    Obra-prima de Lima Barreto, lançada há 110 anos, ganha reedição da Editora Expressão Popular Por Bruna Caetano, do Brasil de Fato Neto de escravos, Lima Barreto só teve seu trabalho reconhecido após sua morte, e hoje é considerado um dos maiores autores brasileiros  (Foto: Reprodução/Brasil de Fato)   “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto, é o livro do mês do Clube do Livro, da editora Expressão Popular. A obra é um marco na disputa de espaço por negros na sociedade brasileira, e retrata o racismo presente nas instituições e instâncias de poder, 20 anos após a abolição da escravatura. A obra foi publicada pela primeira vez em 1909. O enredo acompanha a história de Isaías Caminha, um jovem negro do interior, que tinha a ambição de se tornar “doutor” no Rio de Janeiro. É quando encontra diversas dificuldades pela sua cor, mostrando ...

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    Traga-me a Cabeça dos Racistas

    A peça Traga-me a Cabeça de Lima Barreto, que encerra temporada hoje no Sesc Pompéia, é certamente um dos espetáculos mais fundamentais da cena negra atual. Se o texto de Luiz Marfuz transborda pesquisa e poesia, a direção de Fernanda Júlia potencializa a força cênica de Hilton Cobra, que simplesmente reiventa a arte do monólogo. Um trabalho coletivo que ecoa a articulação entre teatro e política, um feito corajoso que tem as marcas de muitas trajetórias comprometidas com o artivismo anti-racista, a exemplo de Marcio Meirelles, Jorginho de Carvalho, Jarbas Bittencourt, Zebrinha e Biza Vianna. Mas o pressuposto é violento: Lima Barreto é exumado para exame de suas capacidades literárias, pois a ciência corrente ditava que negritude e literatura são tão incompatíveis como água e óleo, numa regra em que quanto mais negro, maior a degenerescência e a incapacidade de criação. Mas algumas evidências eram assaz incovenientes, sugerindo que do adubo é que se nasce ...

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    A peça “Tragam-me a cabeça de Lima Barreto” estreia nesta quinta (12) em São Paulo

    A partir desta quinta-feira (12), o público de São Paulo poderá conferir a peça a “Tragam-me a cabeça de Lima Barreto”, com direção de Fernanda Júlia, em cartaz no Sesc Pompeia em São Paulo até 5/8. A produção trata-se de uma livre inspiração na obra do escritor e jornalista brasileiro Lima Barreto. Do Negro Belchior Foto: Reprodução/Negro Belchior “O intuito da peça é provocar na plateia uma reflexão sobre as causas do racismo e apresentar a história desse escritor tão atual que é Lima Barreto. Além disso, o público ainda pode desfrutar de um escape durante a apresentação, já que algumas cenas seguem um tom de comédia”, comenta o ator Hilton Cobra, protagonista da peça. Por meio de um monólogo, a peça conta com um texto fictício, contextualizado após a morte de Lima Barreto, quando eugenistas exigem a exumação do seu cadáver para uma autópsia, a ...

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    A respeito de Lima Barreto

    É um daqueles espetáculos difíceis de definir e que incomodam o espectador - o que não é (nem um pouco) ruim. Mas o certo é que Traga-me a cabeça de Lima Barreto, exibido na quarta-feira passada no Theatro São Pedro, marcou, de forma certeira, o início das atividades da FestiPOA Literária, que acontece agora em maio na Capital. Por Cristiano Vieira Do Jornal do Comércio O escritor Lima Barreto será homenageado na Flip 2017 - (Foto: reprodução/ O Globo) A performance arrebatadora do ator Hilton Cobra como Lima Barreto hipnotizou a plateia. Nem mesmo os insistentes e incômodos aparelhos celulares, com suas luzes piscantes, apareceram desta vez (ainda bem!). O espetáculo parte de uma hipotética autópsia da cabeça de Lima Barreto com o propósito de investigar como um autor negro (e de raça supostamente inferior) realizou, em vida, obras memoráveis como O triste fim de Policarpo Quaresma. ...

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    Tragam-me a cabeça de Lima Barreto

    Ancorado no tripé loucura, racismo e eugenia, monólogo com o ator Hilton Cobra homenageia o escritor Por Rosane Borges, da Carta Capital  O ator Hilton Cobra ao lado de projeção da imagem do escritor Lima Barreto Ninguém põe em dúvida. Entre as marcas que vincam o já envelhecido 2017, podemos pôr em destaque a luz do holofote que se projetou sobre o escritor Lima Barreto. Jorraram em profusão biografias (inéditas e reeditadas), láureas e homenagens, com a Flip sintetizando a pompa e a circunstância. Soerguendo-se do pântano para o qual a crítica literária o empurrou, Lima converteu-se na pérola mais preciosa da ostra extraída das águas tormentosas deste ano. Eis que em meio às homenagens e publicações, a peça “Traga-me a cabeça de Lima Barreto”, monólogo em que o ator Hilton Cobra celebra os seus 40 anos de carreira, se encarrega de nos dar a ver um escritor ancorado nos dilemas/problemas/desafios nucleares ...

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    Questão racial estoura em 2017 e deixa clara realidade da discriminação

    No ano em que Lázaro Ramos publicou suas memórias e Lima Barreto foi celebrado, racismo ainda é um tema incontornável por Lilia Moritz Schwarcz*  no Estadão O economista norte-americano, Albert O. Hirschman, que conheceu de perto os malefícios de regimes totalitários e tomou parte de movimentos antifascistas, escreveu um artigo, hoje clássico, chamado Tomando a Comensalidade a Sério. Segundo ele, as pessoas que se reúnem à mesa estão publicamente unidas para celebrar a ocasião. No entanto, na esfera privada, mantêm suas diferenças intocadas. Diversidade, explica o professor, nunca foi sinônimo de diferença e muito menos de igualdade. Partindo de metáfora semelhante, mas falando de um lugar distinto, os Mutantes, em Panis et Circenses, cantaram em 1968, e na forma tropicalista, como “essas pessoas na sala de jantar” estão apenas preocupadas “em nascer e morrer”. Juntos mas diferentes é metáfora antiga no Brasil. Na época da pós-abolição, corria pelas ruas um ...

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    Lima Barreto, um autor a ser redescoberto e celebrado

    Escritor carioca vai ser homenageado pela Bienal do Livro de Pernambuco e teve nova biografia lançada este ano Por Valentine Herold, do Jornal do Commercio Em seus textos jornalísticos, ele denunciava o excesso de pedantismo gramatical e religioso, e dava início a um tipo de crítica literária mais ensaística. Na vida e ao longo de sua obra, achava fundamental problematizar a questão racial no Brasil, e as hipocrisias da classe política – que, por sinal, odiava talvez tanto quanto desgostava de futebol e dos estrangeirismo na língua portugueses. Tecia também duras críticas à atuação militar e achava importante discutir a República. Com essa pequena descrição, provavelmente se pensa logo em nomes contemporâneos que estão sob os holofotes da mídia, pautando estas e outras discussões, haja vista a atualidade das temáticas citadas. Mas estamos falando de Lima Barreto, que faleceu – precocemente aos 41 anos, devido aos problemas de dependência alcoólica – em ...

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    Dar voz aos dominados na língua do dominador

    A FLIP homenageou este ano o escritor Lima Barreto, um neto de escravos que, há cem anos, zurzia as elites brasileiras em português de lei. Na plateia, Diva Guimarães, neta de escravos, pediu o microfone e deixou a praça em lágrimas. A Festa Literária Internacional de Paraty vista do sofá Foto: Iberê Perissé/FLIP Por Isabel Coutinho Do Publico O actor brasileiro Lázaro Ramos desceu do palco montado no altar da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios e, já no meio do público que assistia à sessão de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), declamou: “Sobre a tal história da proclamação da República só me lembro que as patrulhas andavam, nas ruas, armadas de carabinas e que meu pai foi, alguns dias depois, demitido do lugar que tinha. E só”. Palavras escritas há muito tempo pelo homenageado nesta edição da FLIP, o jornalista e romancista ...

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    Lima Barreto é bom remédio para nossa enxaqueca republicana e democrática, diz Lilia Schwarcz

    Se estivesse vivo, o escritor Lima Barreto (1881-1922) talvez fizesse piada com o 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil ou destilando sarcasmo ao comentar a crise política nacional. Sua picardia, a qualidade de sua prosa, suas críticas aos estrangeirismos e à qualidade do funcionalismo público e sua literatura de temática racial não poderiam estar mais atuais, defende a historiadora Lilia Moritz Schwarcz. Lima Barreto em foto de sua ficha em hospital psiquiátrico, em 1914 Por Néli Pereira Do BBC Autora de uma recém-lançada biografia do autor, Lima Barreto - Triste Visionário, publicada pela Companhia das Letras, ela navega pela história do personagem para desaguar em um tratado sobre uma "certa história do Brasil". Vítima de um grave alcoolismo, que o levou a duas internações manicomiais, Lima Barreto teve sua obra silenciada por muito tempo, já que conseguiu desagradar a toda elite cultural e econômica nacional no início do século passado. ...

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    Lima Barreto, homenageado da Flip, escreveu crônica contra o feminicídio em 1915

    O texto "Não as matem" é parte da obra Vida Urbana, uma coletânea do autor publicada em 1953 Do Brasil de Fato "Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes". Esse trecho é de uma crônica de 1915 escrita por Lima Barreto, o homenageado na Festa Literária de Paraty (FLIP) deste ano, provando que feminicídio não é um problema dos nossos tempos. O texto "Não as matem" é parte da publicação "Vida Urbana", uma coletânea de crônicas e artigos do autor publicada em 1953. Confira a íntegra: Não as matem Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher. O caso ...

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    O retrato de Lima na capa: entre o silêncio e o ruído

    Lima Barreto é um escritor de poucas imagens. São raros, muito raros os desenhos, caricaturas ou fotografias que dele sobraram, e poucos entre esses documentos o retratam de forma fidedigna. Convivemos, assim, com uma representação do escritor que seria muito estranha ou distante de seu provável autorretrato. Convido, assim, para um passeio por entre as escassas fontes visuais existentes do autor de Policarpo Quaresma. Por Lilia Moritz Schwarcz  Do Blog da Companhia Essa é talvez a foto mais conhecida de Lima, tendo sido tirada na época em que ele começou a trabalhar, nos idos de 1903, como amanuense na Secretaria da Guerra. Nela, o escritor aparece muito arrumado: terno composto, nó da gravata bem-feito, e o cabelo à moda com apenas uma mecha lhe caindo estrategicamente à testa. Bem diferente das descrições que as testemunhas de sua época legaram. Desleixado, não raro o autor de Clara dos Anjos caminhava pelas ruas ...

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    Foto: Imagem retirada do site Revista Cult

    Lima Barreto e o racismo do nosso tempo

    Negro, morador do subúrbio, desleixado e contraditório: era assim que o próprio Lima Barreto se definia. Ignorado em seu tempo, o autor de Triste fim de Policarpo Quaresma (1915) e Clara dos Anjos (1948) entrou para o cânone da literatura brasileira depois de muito tempo esquecido: neste ano, além de ser homenageado na FLIP, ele ganha uma nova biografia, com previsão de lançamento para junho: Lima Barreto, triste visionário, da historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. No livro, Schwarcz investiga os motivos pelos quais Barreto ficou tanto tempo relegado ao esquecimento. “Deixá-lo no lugar de vítima é muito pouco”, disse à CULT na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), onde apresentou trechos de sua pesquisa de uma década sobre o autor, na última segunda (8). Nascido em 13 de maio de 1881, o autor era filho de ex-escravos, e vinha de uma família monarquista, protegida pelo visconde de Ouro Preto. Logo cedo, perdeu a mãe, Amália, para a pneumonia ...

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    Lima Barreto, Hilton Cobra e as muitas vidas que vão além da morte

    A matéria-prima da literatura, sem muita possibilidade de fuga, é a vida, seja a vivida diretamente por quem escreve, as que se dão a observar ou ainda as cabíveis na imaginação. Como, então, o registro das vivências com as quais um/a escritor/a trabalha literariamente pode ser prejudicial ao bom resultado de seus escritos? O problema estaria no que vem fraturado na origem ou no que é fraturado pelo contato, pela recepção? Em que termos e quando se estabelece o desencontro entre o/a autor/a, sua obra e o mundo no qual ambos buscaram e buscam existir? Por Ana Flávia Do Conversa de Historiadoras Afonso Henriques de Lima Barreto, nasceu negro, livre, filho de pais também negros e livres, no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881. Ao longo de quatro décadas, fez-se homem numa cidade que se expandia de modo intenso e desigual, e ousou acreditar que ele e o ...

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    Traga-me a cabeça de Lima Barreto – Vídeo

    O monólogo “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” é um projeto teatral da Cia dos Comuns, interpretado pelo ator Hilton Cobra, que celebra os 135 anos do nascimento de Lima Barreto, os 15 anos da Cia e os 40 anos de carreira artística de Cobra – ator e fundador da Comuns. No texto, Logo após a morte de Lima Barreto, os eugenistas exigem a exumação do seu cadáver para uma autopsia e esclarecer: “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias - romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios - se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?” “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” tem direção de Fernanda Júlia (do NATA - Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas) e dramaturgia de Luiz Marfuz - diretor teatral, dramaturgo, Jornalista e Professor da Escola de Teatro da UFBA.

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    Espetáculo teatral ‘Traga-me a cabeça de Lima Barreto’ discute eugenia e racismo

    A Cia dos Comuns estreia em 14 de abril seu mais novo projeto artístico-investigativo-formativo: o monólogo teatral 'Traga-me a cabeça de Lima Barreto'. O espetáculo, interpretado pelo ator Hilton Cobra, com direção de Fernanda Júlia (do Nata - Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas) e dramaturgia de Luiz Marfuz, propõe uma imersão na contribuição da obra do provocativo escritor, celebrando os 135 anos de seu nascimento, os 15 anos da Cia dos Comuns e os 40 anos de carreira artística de seu diretor Hilton Cobra. Do Jornal do Brasil O texto, fictício, parte logo após a morte de Lima Barreto, quando os eugenistas exigem a exumação do seu cadáver para uma autópsia e para esclarecer “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias - romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios - se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?”. A partir desse embate ...

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    A luta de Lima Barreto contra o racismo “científico”

    William Brown, linchado por uma multidão em 1919, acusado de molestar sexualmente uma branca. Estudo recente aponta: entre 1887 e 1950, cerca de 4 mil negros foram linchados nos EUA — um por semana, em média Coletânea recém-lançada destaca atualidade das crônicas do escritor. Aqui, ele descreve com horror o linchamento de negros nos EUA e a tentativa de defendê-lo com argumentos “racionais” Por Lima Barreto, no Outras Palavras  Considerações Oportunas (Publicado no A.B.C., em 16/08/1919) No seu excelente, lúcido e irrefutável livro – Le préjugé des races –, J. Finot logo nas primeiras linhas diz com evidente comiseração: “La conception jadis innocente des races a jeté comme un linceul tragique sur la surface de notre sol”. Que diria ele, se ainda vivo fosse, ao ler os telegramas que, nestes últimos dias, nos chegam de Washington e de Chicago? Chegam-nos secos, amputados, graduados; mas nós sabemos, ...

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    Lima Barreto: um gênio negro e o reconhecimento tardio – Por Davi Nunes

      Por Davi Nunes Do Portal Sotero Preta No próximo ano, 2017, Lima Barreto será homenageado na 15ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontecerá entre 26 e 30 de Julho. É uma homenagem tardia ao autor, mas necessária, pois ele só teve a sua obra minimamente reconhecida 30 anos após o seu falecimento e foi totalmente, em vida, destroçado pela crítica, cujo viés teórico fora sempre racista. Lima Barreto (1881-1922) escritor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, tendo o subúrbio da cidade como cartografia afetiva, escreveu em sua obra póstuma, Diário Íntimo, publicada em 1953, o plano de um romance que dá conta de sua genialidade e afrocentricidade latentes como elemento, signo para criar uma obra prima, segundo o autor. “Veio-me à ideia, ou antes, registro aqui uma ideia que me está perseguindo. Pretendo fazer um romance em que se descrevam a vida e o trabalho dos negros numa fazenda. Será ...

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    Lima Barreto, escritor negro e pobre, será homenageado na Flip 2017

    A próxima edição da Festa Literária de Paraty, que acontece em meados de 2017, já tem definido seu homenageado: Lima Barreto (1881-1922), nascido no Rio de Janeiro, autor do romance O triste fim de Policarpo Quaresma e de dezenas de obras hoje em domínio público, publicados antes e depois de sua morte. Um dos contos mais importantes da sua carreira é O homem que sabia javanês. Barreto, conhecido como “o romancista da Primeira República”, instala o debate sobre os negros na literatura com tudo na Flip 2017. Mestiço, filho de uma família pobre, chegou a cursar engenharia, mas tornou-se jornalista. Em seus livros, retratou um olhar crítico sobre as injustiças sociais do Brasil e o preconceito de cor do qual também foi vítima num país que aboliu a escravidão somente em 13 de maio de 1888, o mesmo dia em que Barreto completava 7 anos. Com um estilo informal de escrever, foi cronista de ...

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    Negro, marginal e rebelde, Lima Barreto será o próximo homenageado da Flip

    A organização da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) confirmou o que todos já esperavam desde outubro, quando a jornalista Josélia Aguiar foi anunciada como a curadora da edição de 2017 do evento: Lima Barreto será mesmo seu próximo homenageado. Por Rodrigo Casarin, da UOL Em 2013, junto da tradutora Denise Bottmann, Josélia (veja aqui mais da entrevista que fiz com ela) encabeçou uma campanha para que o autor de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, “Numa e Ninfa”, “Vida e Morte de M. J. Gonzaga” e do famoso conto “O Homem que Sabia Javanês”, dentre outros, fosse o homenageado da edição de 2014 da Festa. No entanto, as mais de mil assinaturas que colheram em um abaixo-assinado não foram suficientes para comover a organização, que optou pelo nome de Millôr Fernandes. Agora, enfim, chegou a vez de Lima Barreto. “É um autor que abre muitas possibilidades. É preciso reconhecer, em primeiro ...

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