quinta-feira, outubro 29, 2020

    Tag: Rosane Borges

    Rosane Borges (Reprodução/Twitter)

    O racismo e as mulheres negras

    Num contexto em que as reações antirracistas sacodem a boa consciência da comunidade planetária, deslocando episódios brutais do lugar monótono da trivialidade cotidiana para o campo do intolerável, pesquisa recente da consultoria IDados, divulgada nas últimas semanas, reafirma que o fosso social no Brasil tem um fundamento de exclusão invariável: o racismo. Mas, note-se: mesmo com os dados desfilando persistente e constrangedoramente à nossa frente, relutamos em juntar os pontos, procuramos atalhos para justificar a magnitude da desigualdade como forma de evitar o confronto com o racismo tal como ele é: profundo, estrutural, que perdura no tempo, se efetua a revelia das boas intenções, sobrevive com obstinação, o que demonstra como as camadas espessas da colonização e da escravidão até hoje cobrem o nosso tecido social, sobrevivendo com tenaz resistência aos humores dos tempos. Certamente, a pesquisa da IDados não traz nada de novo, mas serve de alerta, em contexto ...

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    A filósofa Sueli Carneiro (Foto: Natalia Sena )

    De documento a monumento: Sueli Carneiro, filósofa do contemporâneo

    Escrever uma vida é fenômeno inacessível Ao que tudo indica, a luz que se projeta no mês de junho não jorra apenas da incandescência das fogueiras juninas. Quis o universo, por força de alguma conspiração misteriosa, que o mundo fosse agraciado com o aparecimento, em profusão, de pessoas extraordinárias: Luiz Gama, Machado de Assis, João Cândido, Lima Barreto, Elza Soares, Kabengele Munanga e Sueli Carneiro, por ordem de nascimento, estrearam no espetáculo do mundo, no mês que acaba de findar, com pompa e circunstância, para lembrar expressão machadiana. Se uma conexão oculta é mais forte que uma evidência, como disse Heráclito, talvez estejamos mediante a um fenômeno interestelar que não foi devidamente examinado pela astrofísica. Resta a nós, pobres mortais, tentar acompanhar as aparições públicas desses vultos e, assim, flagrar, ao modo de fotógrafas, os momentos em que eles e elas reinauguraram toda a humanidade, saíram do registro das ocorrências ...

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    Achilie Mbembe e Sueli Carneiro: filósofos das epistemologias insurgentes

    Programa Em um contexto tão refratário à reflexão e à teoria e tão apegado a crenças e opiniões, como fazer do exercício do pensamento uma forma de materialização da política, ao modo da filósofa Hannah Arendt? É possível aproximar a filosofia da vida? É plausível renová-la com aquilo que há de mais pulsante e perturbador no nosso mundo? Do Sesc São Paulo  Foto: Caroline Lima/ Nicolas Marques/KR Entendemos que o enfrentamento destas questões nos leva, pelo menos, a uma via que se bifurca em duas: de um lado, temos o predomínio de um tipo de eficácia social que se construiu desdenhando o exercício do pensar, dando primazia à razão técnica; muito rapidamente a nossa educação privilegiou a formação instrumentalizada, desconsiderando outras formas de conhecimento. De outro lado, nos deparamos com a subalternidade e invisibilidade de modalidades do saber e do pensamento que foram postos à margem ...

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    Tragam-me a cabeça de Lima Barreto

    Ancorado no tripé loucura, racismo e eugenia, monólogo com o ator Hilton Cobra homenageia o escritor Por Rosane Borges, da Carta Capital  O ator Hilton Cobra ao lado de projeção da imagem do escritor Lima Barreto Ninguém põe em dúvida. Entre as marcas que vincam o já envelhecido 2017, podemos pôr em destaque a luz do holofote que se projetou sobre o escritor Lima Barreto. Jorraram em profusão biografias (inéditas e reeditadas), láureas e homenagens, com a Flip sintetizando a pompa e a circunstância. Soerguendo-se do pântano para o qual a crítica literária o empurrou, Lima converteu-se na pérola mais preciosa da ostra extraída das águas tormentosas deste ano. Eis que em meio às homenagens e publicações, a peça “Traga-me a cabeça de Lima Barreto”, monólogo em que o ator Hilton Cobra celebra os seus 40 anos de carreira, se encarrega de nos dar a ver um escritor ancorado nos dilemas/problemas/desafios nucleares ...

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    Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

    O traço e a marca de Luiza Bairros: um arquivo para o Dia Internacional da Mulher Negra

    “O meu material é minha cabeça e meu gogó”. Makota Valdina A escrita, a memória, o arquivo Enviado por Rosane Borges via Guest Post para o Portal Geledés No último 12 de julho recebemos a infausta notícia da morte da ex-ministra e liderança do movimento negro, Luiza Bairros. A dor da perda e a recusa do indesejável fato se juntaram a um sentimento de que Luiza, como tantas outras, nos deixou muito cedo. O desconhecimento público do estado de saúde da ex-ministra, que optou por partilhar do diagnóstico com um círculo restrito de amigos (escolha frequente em casos similares), acentuou essa percepção. Como o desfazer das nuvens pelo vento, Luiza se foi abruptamente, disseram alguns; a sua passagem não possibilitou despedidas antecipadas, reforçando ainda mais a ideia de que a efemeridade e a transitoriedade da vida são inexoráveis. Se a vida é efêmera e a obra é perene, de que ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Racismo, crise, golpe: quando o futuro bate à porta

    É preciso pensar em crise, golpe e racismo como um tripé incontornável para, quem sabe, a partir das reivindicações e propostas da população negra se aviste um novo pensamento e uma nova prática capaz de refundar o país. Por Rosane Borges, do Blog da Boitempo Na condição de protagonistas da proposição de outra forma de ver e intervir no mundo, sintetizada nos fundamentos do Bem Viver,oferecemos ao Estado brasileiro nossas experiências historicamente acumuladas como forma de construirmos coletivamente uma outra dinâmica política. Pelo que se viu, essa outra dinâmica é impossível sem a superação do racismo, do sexismo e de todas as formas de discriminação, responsáveis por subtrair a humanidade de mulheres e homens negros. Postulamos que a construção desse processo deve ser iniciada aqui e agora.(…).” – FRAGMENTO DO DOCUMENTO DA MARCHA DAS MULHERES NEGRAS, REALIZADA EM NOVEMBRO DE 2015, EM BRASÍLIA O futuro não é mais o que era ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Perfil de uma presidenta em 3D (descompensada, desequilibrada, descontrolada): IstoÉ sexismo e misoginia!

    “Grande imprensa” passa recibo de sua irrefreável queda Por Rosane Borges, do Boi Tempo  É de trivial evidência que a antes chamada “grande imprensa” perdeu, faz tempo, o status de esfera mediadora central, papel desempenhado sem grandes sobressaltos ao longo do século XX. Como já referi em outros artigos, somos testemunhas de que o sistema midiático passou por substantiva mudança de paradigma: da lógica da radiodifusão e de distribuição, que predominou durante todo o século passado, migramos para uma fase em que o controle sobre a produção e a distribuição já não dependem dos grandes conglomerados, permitindo o engajamento efetivo das audiências. Os paradigmas da conexão e da circulação, forjados pelo novo estágio do capitalismo, ganharam aderência irreversível. O velho modelo um-para-todos (poucos veículos distribuindo informação para uma gama abrangente de pessoas) subverteu-se e diversos arranjos tornaram-se possíveis: um-para-um, todos-para-um, com informações brotando de múltiplos focos. Trata-se, sem dúvida, de uma ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Feminismos negros e a renovação política do “Dia Internacional das Mulheres”

    Este artigo integra o “Dossiê Feminismo e Política”, do Blog da Boitempo, por ocasião do “Dia Internacional das Mulheres”. A propósito, que outras palavras mais poderiam ser ditas na ambiência desta efeméride? Que fios puxar de um novelo entrelaçado que tece a história das mulheres, particularmente das mulheres negras? O que abordar em tempos de franco retrocesso na legislação brasileira no que diz respeito às questões de gênero, com medidas retrógradas, para dizer o mínimo, que avançam em velocidade de cruzeiro?* Onde afixar a história do feminismo negro na contemporaneidade? Qual o legado e quais as perspectivas que as mulheres negras vêm aportando para a política, em escalas local, regional e global? Por Rosane Borges Do Blog da Boi Tempo As respostas a essas questões, ainda que parciais e provisórias, solicitam a tarefa de situarmos a trajetória dos feminismos negros no Brasil e no mundo, delineada por mulheres de várias matizes ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Política, imaginário e representação: uma nova agenda para o século XXI?

    “O fato é que, enquanto mulher negra, sentimos a necessidade de aprofundar nossa reflexão, ao invés de continuarmos na reprodução e repetição dos modelos que nos eram oferecidos pelo esforço de investigação das ciências sociais. Os textos só nos falavam da mulher negra numa perspectiva socioeconômica que elucidava uma série de problemas propostos pelas relações raciais. Mas ficava (e ficará) sempre um resto que desafiava as explicações. E isso começou a nos incomodar. Exatamente a partir das noções de mulata, doméstica e mãe preta que estavam ali, nos martelando com sua insistência.” – LÉLIA GONZALEZ Por Rosane Borges, do Blog da Boitempo As vias por onde caminha a transformação política contemporânea Um ligeiro recenseamento em torno das pautas de grupos historicamente discriminados, com destaque para o protagonismo das mulheres negras, nos permitirá observar o quanto as reivindicações vêm girando na órbita do estético e da visibilidade, orientadas por outra lógica de representação, incidindo ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Agora é que são elas: pode a subalterna falar-escrever?

    Não foi mero jogo retórico a célebre frase “ o lixo vai falar”, da pensadora e feminista negra Lélia Gonzalez, em “Racismo e sexismo na sociedade brasileira”. É necessário falar, é necessária a construção de um novo sistema de escritura. Novo, mas antigo e que já vem de longe. Rosane Borges questiona silêncio e tutela, dialogando com escritoras e feministas como Jurema Werneck, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo e Judith Butler. Por Rosane Borges, no Á beira da Palavra “E o risco que assumimos aqui é o do ato de falar com todas as implicações. Exatamente porque temos sido falados, infantilizados (infans é aquele que não tem fala própria, é a criança que se fala na terceira pessoa, porque falada pelos adultos) que neste trabalho assumimos nossa própria fala. Ou seja, o lixo vai falar, e numa boa” (Lélia Gonzalez) Este artigo é fruto de um convite-provocação, na atmosfera da campanha ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Ódio nas ruas, ódio nas redes: qual a conexão possível?

    O ódio já causou diversos problemas para o mundo, mas não resolveu nenhum. Maya Angelou A tese que gostaria de discutir é a de que desbarbarizar tornou-se a questão mais urgente da educação hoje em dia. O problema que se impõe nesta medida é saber se por meio da educação pode-se transformar algo de decisivo em relação à barbárie. (…) Considero tão urgente impedir isto que eu reordenaria todos os outros objetivos educacionais por esta prioridade. Theodor Adorno Este artigo procura estabelecer algumas linhas de reflexão para escutar o contemporâneo, marcado por discursos de ódio e de intolerância. Tenta, de forma abreviada, apontar as raízes que semearam os frutos que possibilitaram que ataques verbais e físicos pudessem se converter, tristemente, em capital político. Defende a ideia de que a barbárie decorre de um abandono paulatino da grande política em escala global, nos termos postos por Antonio Gramsci, e que a ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    “Quase todo o Brasil cabe nessa foto”

     Pondo em discussão o episódio envolvendo a atriz Fernanda Lima e as babás de seus filhos – as irmãs Ângela e Tayane Dias –, este artigo apresenta argumentos voltados para pensar a partilha do comum por grupos subalternizados. Ao veicular imagens de suas funcionárias com trajes de passeio, a atriz impede, indiretamente, a  participação delas num território comum partilhado como donas de sua história e de suas escolhas estéticas.  Enviado por Rosane Borges via Guest Post para o Portal Geledés A frase com a qual titulo este artigo é de Luiz Felipe Alencastro e integra uma análise fotográfica bastante conhecida feita por este historiador em A história da vida privada no Brasil (vol.2). Os personagens da imagem são uma mulher negra escravizada, uma mucama, ladeada por um menino branco do qual era cuidadora, conforme mostra imagem a seguir. Tirada em Recife, em 1860, a foto, muito difundida e alvo de inesgotáveis ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Memória Lélia Gonzalez: tributo que reativa o combate ao racismo e ao sexismo

    “Um dia como esse tira qualquer mágoa do coração” Jê Ernesto Este artigo é um texto-relato sobre o lançamento do projeto Memória “Lélia Gonzalez: o feminismo negro no palco da História”, realizado ontem, 15 de julho, em São Paulo. Descrevendo os acontecimentos do evento, o protagonismo de algumas mulheres em sua organização e no seu desenrolar, procura apresentar a magnitude de dois monumentos, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, para a ação política que se quer renovada e apta para os tempos que estão por vir.   Os lugares que se bifurcam, o acontecimento que se amplifica Centro de São Paulo. 15 de julho de 2015. Quase 19h. Pessoas de diferentes faixas etárias, procedências e filiações políticas aglomeram-se, escrevente inclusa, no térreo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) que transborda e transborda. O objetivo era um só: todas as atrasadas queriam ter a oportunidade de adentrar a sala onde estava sendo ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Racismo, formas simbólicas e culturais: zoo humano e black face, do arcaico ao residual

    "O que manda em nós é sempre o mais antigo, sujeito a novas racionalidades" A polêmica em torno do Zoo humano – Exhibition B (com atrizes e atores negros enjaulados, amordaçados), prevista para ser apresentada no Brasil a partir de março de 2016, nos faz aproximá-la das contendas que envolvem a blackface. Partícipes de um mesmo sistema de organização e significação, o zoo humano e as máscaras negras repõem o debate sobre arte, representação e racismo na ordem do dia e nos convida a pensar em rotas capazes de restituir ao debate os temas relativos às formas culturais como práticas de um tempo e lugar, portanto, como práticas políticas e educativas. por Rosane Borges via Guest Post para o Portal Geledés Das coisas que se repetem Alguns enunciados interrogativos, por não se prestarem a rápidas e fáceis soluções, nos acompanham por uma vida toda. Todas nós, de uma maneira ou de ...

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    (Ilustração: Angelo Agostini)

    Um (singelo) tributo a Luiz Gama

    Não sou eu graduado em jurisprudência, e jamais frequentei academias. Ouso, porém, pensar que, para saber alguma coisa de direito não é preciso ser ou ter sido acadêmico. Além do que sou escrupuloso e não costumo intrometer-me de abelhudo em questões jurídicas, sem que haja feito prévio estudo de seus fundamentos. Do pouco que li relativamente a esta matéria, colijo que as enérgicas negações opostas às petições que apresentei, em meu nome e no próprio detido, são inteiramente contrárias aos princípios de legislação criminal e penal aceitos e pregados pelos mestres da ciência. (Luiz Gama, 1869). Neste 21 de junho, dia do aniversário de Luiz Gama (mesmo dia do aniversário de Machado de Assis), apresentamos algumas reflexões que o tomam como inquestionável parâmetro para pensarmos no universo dos possíveis como forma de construção de uma episteme efetivamente plural – tema caro à educação e, particularmente, aos debates em torno da Lei 10.639/03. O fio ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Justiça, reconhecimento e desenvolvimento: o componente inflamável da política global contemporânea

    Ao escolher a justiça, o reconhecimento e o desenvolvimento como temas da “Década Internacional dos Afrodescendentes”, a ONU sinaliza para as questões nucleares que vêm ameaçando o projeto de desenvolvimento global. Essa tríade converteu-se em termômetro para avaliarmos as políticas em curso e propormos a refundação das chamadas sociedades modernas, marcadas pelos princípios de justiça, dignidade e igualdade. Enviado por Rosane Borges via Guest Post para o Portal Geledés Dos problemas que nos afligem (e nos atingem) Como sabido, a primeira linha do título deste artigo é o tema da “Década Internacional dos Afrodescendentes”, instituída pelas Nações Unidas, cujo ciclo recobre o período de 1º janeiro de 2015 até 31 de dezembro de 2024. Conforme consta no site da própria ONU, “o principal objetivo da Década Internacional consiste em promover o respeito, a proteção e a realização de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais dos afrodescendentes, como reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Com o acirramento dos recentes acontecimentos ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Sobre imagens intoleráveis: o episódio Verônica Bolina

    A veiculação exaustiva, nas redes sociais, do corpo trucidado da travesti Verônica Molina por meio de imagens que habitam o campo do abjeto levanta questionamento sobre esse mecanismo de denúncia e ativismo político. Ao divulgarmos imagens com sentidos regrados resvalamos em um território no qual não possuímos margem de manobra para operar a mudança pretendida pelos protestos no mundo digital no que diz respeito à outra gramática de produção de imagens de corpos estigmatizados. Enviado por Rosane Borges via Guest Post para o Portal Geledés O uso clássico da imagem intolerável traçava uma linha reta do espetáculo insuportável à consciência da realidade que ele expressava e desta ao desejo de agir para mudá-la. Jacques Rancière Somos todas Verônica A exibição, ad nauseum, do corpo de Verônica Bolina com a hastag #SomostodasVerônica# nas plataformas digitais causou-me incômodo imediato. Da perturbação, assomou-se o sentimento de rechaço à medida em que as imagens não paravam de inundar as redes sociais. Num espaço como ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    A sombrinha de Angélica e a pedagogia dos detalhes

    O flagrante da expulsão da equipe do programa "Estrelas" (Rede Globo) do espaço da UNIRIO deixou escapar um microepisódio que provocou reação imediata nas redes sociais. O "detalhe" da imagem da sombrinha carregada por uma moça negra para abrigar a apresentadora Angélica tem força pedagógica, pois nos leva a refletir sobre os papeis subalternizados desempenhados em sua maioria por mulheres negras na estrutura ocupacional da indústria do entretenimento. A “naturalização” desses papeis racialmente demarcados compõe uma ação educativa, chancelada pelo legado da escravidão e reatualizada pelo racismo. por Rosane Borges via Guest Post para o Portal Geledés O valor das pequenas coisas Thomas Piketty, em O capital do século XXI, livro que vem mudando substantivamente as formas de explicar (e entender) economia, apoia-se no cinema e na literatura (minhas duas paixões) para demonstrar como se tecem as relações desiguais, as profundas assimetrias inerentes ao capitalismo. De acordo com Piketty, "incorreríamos em grave erro ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Oscar 2015 e o filme Selma: uma agenda de combate ao racismo e sexismo

    O dia 8 de março é um marcador importante para reatualizarmos o debate sobre o lugar e o papel da mulher negra no Brasil e no mundo. Da janela em que vemos o mundo, discutimos a polêmica do Oscar em relação ao filme Selma e ao discurso da atriz Patricia Arquette para enfatizar a necessidade de um programa de ação que tem no imaginário uma de suas bases de sustentação. O diálogo com a arte integra uma perspectiva metodológica, entre vários trajetos possíveis, para que possamos encontrar pistas que nos levem a combater o racismo e o sexismo no âmbito do suportes de narração contemporâneos, como é o caso do cinema. por Rosane Borges via Guest Post para o Portal Geledés Causou espécie no mundo cinematográfico (e fora dele) o fato de o filme Selma, dirigido pela cineasta negra Ava DuVernay ter sido subvalorizado no Oscar 2015: a "película" recebeu apenas duas indicações, ...

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Rosane Borges é Conferencista em Congresso Internacional de Comunicação

    Professora Rosane da Silva Borges, jornalista e doutora em Ciências da Comunicação, fará conferência na Índia sobre novas propostas de representação da mulher negra tomando como referência a Educomunicação por Silvia Castro Acontece de  15 e 19 de julho a Conferência anual da IAMCR – International Association for Media and Comunication Research, na cidade de Hyderabad, na Índia. As conferências da IAMCR são um dos principais eventos da pesquisa em comunicação no mundo. O órgão internacional tem como objetivo incentivar pesquisas na área de comunicação e vem incentivando, nos últimos anos, a inclusão de estudos emergentes e de regiões economicamente desfavorecidas, fora do eixo hegemônico na área. O IAMCR 2014 tem como tema Region as frame: politics presence e practice, que visa explorar a dinâmica dos sistemas de mídia, padrões de comunicação e relações organizacionais dentro deste novo “enquadramento” da região como uma categoria física e conceitual. Este ano será homenageado ...

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