quarta-feira, julho 8, 2020

    Tag: Guest Post

    Reprodução/Facebook

    Reverenc’Yás: memória, resistência e preservação

    O quilombo é um avanço, é produzir um momento de paz. Quilombo é um guerreiro quando precisa ser um guerreiro. E também é o recuo se a luta não é necessária. É uma sapiência, uma sabedoria. A continuidade da vida, o ato de criar um momento feliz, mesmo quando o inimigo é poderoso, e mesmo quando ele quer matar você. A resistência. Uma possibilidade nos dias de destruição  Maria Beatriz do Nascimento     Por Cássia Cristina – Makota Kidoiale e  Jair da Costa Junior, enviado para o Portal Geledés Nas tradições de matriz africana, na cultura africana, e esta refletida na cultura afro-brasileira como herança de nossos ascendentes (ancestrais), bem como nas comunidades e populações afro-brasileiras, de maioria negra, as mais velhas e os mais velhos têm uma importância vital na transmissão e preservação de saberes e conhecimentos que estão sendo esquecidos ao longo dos anos e dos processos institucionalizados ...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Coronavírus na África, a terceira onda

    dos 54 países africanos, pelo menos 40 já testaram positivo para o COVID-19; as maiores incidências estão localizadas em Burkina Faso, no Egito e na África do Sul. Por Lelê Teles enviado para o Portal Geledés Reprodução/ Twitter curiosamente, não são os chineses os maiores propagadores do vírus no continente negro; embora haja um grande fluxo de chineses por lá. a maioria dos casos está ligado a pessoas que vieram da Europa. não se sabe como o vírus vai reagir em temperaturas elevadas, sabe-se que ele não é fatal para organismos jovens e sabemos que a África é um continente de população não muito longeva; apenas 5% dos mais de 1 bilhão e 300 milhões de africanos têm mais de 65 anos. para se ter uma ideia, na Itália esse contingente é maior que 23%. no entanto, há milhões de jovens infectados com o vírus da ...

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    / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ

    A importância de estarmos juntos, mesmo à distância.

    O cenário é assustador e a sensação de medo paira por todas as partes do mundo, literalmente. Em menos de uma semana vimos creches, escolas, universidades, museus, postos de atendimento, academias, escritórios e prédios inteiros se fecharem¹. Segundo a Unesco, metade dos estudantes do mundo estão sem aula por conta da COVID-19². Por Mayara Silva de Souza, Enviado para o Portal Geledés Mayara Silva de Souza/ Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ Neste momento o convite para pensar e agir pelo outro é indispensável, caso contrário podemos colocar milhares de vidas em risco, especialmente em relação às pessoas que fazem parte do grupo de risco como idosos, diabéticos, hipertensos e quem tem insuficiência cardíaca, renal ou doença respiratória crônica, por estarem mais expostos às complicações decorrentes da COVID-19³. É inegável que pessoas com este perfil estão por todos os lugares na nossa sociedade, algumas dentro de seus lares ...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Coronavírus, uma abordagem antropológica

    pega teu copo, senta um pouco e presta atenção nessa, meu camarada. Por Lelê Teles, enviado para o Portal Geledés Lelê Teles (Foto: Reprodução/Twitter) “as pessoas devem ficar em casa”, recomenda o coro, no teatro a céu aberto, vocalizando num megafone. e lá vão as pessoas, obedientes, trancafiarem-se em suas casas. vemos, nas varandas e nas sacadas italianas, as pessoas tomando vinho, cantando óperas, corificando o bella ciao. beleza: varanda ok, vinho ok, sobrancelha ok. aí você olha aquilo e fala: “vejam, as pessoas!” ilze scamparini, coração sangrando, chora pelas pessoas; guga chacra, todo arrepiado, vai aos prantos pelas pessoas. compreensível, são seus iguais. o vírus, insensível, nômade e ubíquo, pilotando sua retroescavadeira anárquica, derruba fronteiras e invade países. espera passar o carnaval, que ele não é muito de festas, e chega ao brasil. “as pessoas devem ficar em casa”, grita o guarda municipal, com o ...

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    Foto: Getty Images

    Maternidade e culpa

    Quando o povo negro foi assimilado na cultura ocidental a concepção de maternidade africana foi destruída e os cacos que sobraram viraram conceitos de acesso da classe média alta. Por Andreza Bispo dos Anjos Santos, enviado para o Portal Geledés Foto: PeopleImages/E+/Getty Images Não pode ser normal que uma mãe ao ser perguntada pelo filho, tenha que imediatamente responder com quem e onde ele está. O correto não deveria ser apenas se está bem ou não? Mas por que as pessoas perguntam na maioria das vezes 'cadê seu filho' e não apenas 'como está seu filho?' Percebam que a semântica condiciona a resposta A resposta não pode pertencer as mulheres negras, porque em nosso legado ancestral Osun fez guarda compartilhada com Oxóssi e nunca deixou de ser mãe por isso. Oyá teve 9 filhos e depois decidiu ir pra mata, não deixou de ser mãe por ...

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    Crédito: Getty Images/iStockphoto

    20 anos do Dogma feijoada – Cinema negro, afrofuturismo e raptura da história de Marielle bela branquitude

    Em 2016, a pesquisa intitulada “A cara do cinema Nacional” realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, constatou a inexistência de mulheres negras diretoras e roteiristas no mercado cinematográfico brasileiro. Muito se fala sobre a (sub) representatividade de pessoas Por  Naomi Cary, enviado para o Portal Geledés Crédito: Getty Images/iStockphoto negras nas telas de cinema e televisão, como se esse resultado pouco tivesse a ver com a forma como nós, pessoas negras, somos afastadas do universo da produção audiovisual. Ou seja, se não estamos atrás das câmeras, muito dificilmente nossa imagem estará impressa nela – pelo menos como queremos e precisamos ser vistos. Tal pesquisa, entretanto, foi considerada tendenciosa por grande parte dxs cineastas negrxs. Como afirmou a cineasta negra Camila de Moraes (diretora do documentário "O Caso do Homem Errado" – 2017), em entrevista à revista Galileu “O número (de cineastas negrxs) é muito ...

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    Foto encontrada na revista da cidade de Corinto em 2007, enviada por um anônimo

    Pela memória de minha mãe Alice

    O Patriarcado matou minha mãe. É assim que quero começar contando a sua história e honrar sua memória, pois em vida aniquilaram sua existência, seus sonhos, sua afetividade, suas emoções, sua sexualidade e sob seu corpo impuseram um peso que ela não dera conta de carregar. Parou de respirar aos 35 anos, devido a um câncer que a consumiu. Mas a doença foi apenas o pretexto para morrer, pois por dentro, ela já estava morta, o patriarcado e suas agências a mataram. Por Fabiane Albuquerque, enviado para o Portal Geledés Foto encontrada na revista da cidade de Corinto em 2007, enviada por um anônimo Alice, de uma beleza e sorriso incríveis, nascida em Corinto, interior de Minas, filha de Lurdes Gonçalves, mulher negra, filha de escravizados, que aos 9 anos fora dada a uma família de fazendeiros depois de ficar órfã e vira todos os irmãos ...

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    Rochelle Allen, a respiratory therapist, made a home visit to Lisa McClendon, who goes to the emergency room about once a month because of her asthma.Credit...Alexandra Hootnick for The New York Times

    A população negra e o coronavírus

    Recente reportagem no The New York Times, de 07 de março 2020, feita pelo jornalista John Eligon, chamou atenção para o risco do extermínio de populações negras e latinas, sobretudo as mais pobres, em razão da ausência de um atendimento adequado das mesmas pelos nossos sistemas de saúde. É sabido, que os nossos sistemas de saúde devolvem para a população negra um tratamento não-isonômico, ao qual podemos definir como uma das manifestações necropolíticas do racismo institucional. Assim, podemos definir o racismo institucional como práticas não isonômicas realizados pelos Estados onde a população negra se faz presente, especialmente na política institucional dos órgãos, entidades e serviços delegados de saúde. Por Lúcio Antônio Machado Almeida, enviado para o Portal Geledés  Rochelle Allen, a respiratory therapist, made a home visit to Lisa McClendon, who goes to the emergency room about once a month because of her asthma.Credit...Alexandra Hootnick for The ...

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    Getty Images

    Medicina pra nossa gente?

    Cheguei ao consultório e o de sempre ocorreu. Por Neymar Ricardo Santos da Silva Enviado para o Portal Geledés  Mal olhou para mim, mão na testa, e já pergunta: – o que faz aqui? Respondo timidamente, sobre a dor física do momento. Meu pensamento até nem lembra mais o que me sucedeu. Me inquieta agora o mal-estar do atendimento realizado por este aí. Se fosse irmão de cor, talvez a dor fosse menor. Pois seria apenas uma. Mas este desprezo do não olhar é que não aguento. Descobri mais tarde que este mesmo “doutor” foi cotista na universidade e se declarou um de nós. Até denunciado foi, de assumir vaga que não era sua. Mas mesmo diante de tal descabimento e fato atroz. O juiz lhe concedeu a medida liminar. Pra terminar de cursar, talvez em seu lugar. A medicina que mesmo tão carente. De gente de nossa tez. Ainda não ...

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    (Foto: Enviado por Maria do Carmo Rebouças dos Santos ao Portal Geledés)

    Amílcar Cabral: o pedagogo político-cultural das lutas anticoloniais africanas

    Mario de Andrade, combatente contra o colonialismo português em Angola, primeiro biógrafo político de Amílcar Cabral e seu companheiro de luta, vai nos lembrar que na trágica história da África revolucionária, em meio a uma débil memória de grandes revolucionários, três figuras ganham indubitável destaque: Kwame Nkrumah, o visionário que liderou a independência de Gana; Patrice Lumumba, o mártir, assassinado enquanto lutava pela independência do Congo; e Amílcar Cabral, o unificador, o líder político da teoria e da ação que conduziu a luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (ANDRADE, 2008). No 47a ano de sua morte, na coluna Amefricanidades – Apontamentos sobre o Atlântico Negro, pretendo desvelar uma pequena parte do pensamento e da ação política do principal idealizador de uma das mais bem sucedidas lutas pela independência colonial do século XX no Continente africano – Amílcar Cabral e demonstrar a potência e a contemporaneidade de suas ideias ...

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    Adobe

    Mulher, Nordestina, neta de índia e apesar do País, não desiste nunca!

    Ela começa mais um dia pensando o que fazer para dar certo na sua independência financeira. Mulher, descendente de índio (avó paterna era índia, Matilde Ana do Espírito Santo – sobrenome católico, como de costume ao catequizá-los) e Assistente Social, formada há 2 anos e meio mas sem oportunidade de exercer a profissão. Tentando entender como funciona a máquina giratória da vida de uma mulher de meio século… Por Silene Vasconcelos de Farias, enviado para o Portal Geledés  Adobe É, isso não se aprende na escola…Isso não se aprende com ninguém…A mulher vai vivendo e aprendendo… Vendo a realidade nua e crua ficamos ainda mais confusos… No país onde agora se aposenta com 60 % de tudo que você contribuiu a vida toda e por longos anos, uma mulher como ela que, começou a trabalhar ( formalmente), “tarde”, não tem critérios para se aposentar porque ainda não ...

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    Negra de Pernambuco, 1869. Fotografia de Henschel Alberto, acervo Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Sales.

    Poderia a história do Brasil ser contada a partir da trajetória das mulheres negras?

    Negra de Pernambuco, 1869. Fotografia de Henschel Alberto, acervo Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Sales. Não apenas pelo fato da nossa resistência em relação a tudo aquilo que foi imposto pelas sociedades ao longo do tempo, mas, principalmente, pela centralidade que temos ocupado nos processos históricos. Sim! As mulheres de pele escura foram personagens importantes de muita das coisas que têm aconteceram por aqui. Algo que, quando visibilizado, nos ajuda a humanizar a nossa própria vivência e a de nossas ancestrais. De forma que, não fiquemos à procura de heroínas e supermulheres da era colonial ou dos tempos atuais. Informações que tornam mais convidativa e prazerosa o reconhecimento do valor das ações do dia-a-dia, das capacidades de ação e negociação que a nossa população tem utilizado em contextos específicos, com possibilidades e oportunidades muito bem delimitadas ou escassas. Algumas dessas destrezas, ainda sobreviventes, como relíquias, e que têm sido ...

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    O chicote, o racismo e o poder de mulheres

    Que existe racismo no Brasil, não há dúvidas. Que isto é estrutural, institucional ou (como diria Frantz Fanon) existencial, também é sabido por parte da população que tem autocrítica. Porém, pouco se fala sobre o que acontece quando o poder está em mãos de mulheres negras. Por  Jaqueline Vasconcellos, enviado para o Portal Geledés Jaqueline Vasconcellos (Arquivo Pessoal) Na pirâmide social da exclusão, são as mulheres negras que estão no assoalho e que são pisadas por toda sorte de opressores. Porém, em se tratando de mulheres com algum nível de poder, existe certo esforço social, em especial dos homens ao seu redor, em tornar velado o racismo e o machismo, mas ainda assim, não deixá-las achar que as ordens são dadas por elas. Alexandra Loras, ex-consulesa da França, mulher negra, denomina essa cordialidade como “apartheid cordial”, para definir o que mulheres negras enfrentam em nosso país. ...

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    Reprodução/Facebook

    “Quando fere minha existência, serei resistência”

    É fácil? Tá fácil ser mulher preta não, é chicote estalando de todo lado! Haja resistência, mas Não se cale! Não silencie suas dores! Reaja! Por Tatiane Souza, enviado para o Portal Geledés . Quando fere sua existência, seja resistência! . Mulher preta não pode ser? Não pode estar e fazer o que quer? Se você estuda demais, você é arrogante! Se não estuda, você é preguiçosa! Se trabalha demais é egoísta Se fala algo ou tem opinião, é metida! Se nos posicionamos, somos raivosas! Se argumentamos, somos loucas! Se criamos ações, somos censuradas! Se propomos, somos ridicularizadas! Se amamos, somos desprezadas! Se temos qualidades, não consideram! Se temos defeitos, somos julgadas! Se somos persistentes, somos apenas suficientes! . Não podemos ser humanas? . Porque nosso esforço tem que ser sempre melhor e maior do que o dos outros? . A todo tempo somos discriminadas e rejeitadas pelos racistas (e/ou machistas)! ...

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    Sony Pictures/Divulgação

    O Melhor Curta da Minha Vida

    Um dia desses eu e minha equipe de trabalho estávamos a analisar os indicados ao Oscar, e francamente a academia do cinema é tão racista que me enoja, eles se recusam a dar o reconhecimento público para profissionais negros. E se isso não te incomoda “apenas repense”. E não é apenas sobre o Oscar, em sua maioria os grandes prêmios mundiais ainda negam a oportunidade de condecoração para pessoas negras, seja na ciência ou no concurso de “sinhazinha”da escola primária, lá está o racismo (que ao meu ver) nada velado. Por Rute Sant ' Anna de Souza, enviado para o Portal Geledés Sony Pictures/Divulgação Mesmo diante toda essa situação, por gostar muito de animação conferi um a um que foi indicado e descobri o curta da minha vida. O curta “Hair Love” foi escrito dirigido e produzido por Matthew A. Cherry. Ele é tão precioso e necessário. ...

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    Um encontro familiar em A Outra África

    Enfileiradas, quatro réplicas dos profetas esculpidos por Aleijadinho dão boas vindas ao visitante do Museu de Arte Sacra da cidade de São Paulo. Este será o primeiro artista negro a distinguirmos senão pelo nome, pelo apelido por entre as centenas de outros artistas populares, negros e negras, a compor um dos museus mais negros da cidade. Ao menos enquanto durar a mostra A Outra África: Trabalho e Religiosidade, de curadoria de Renato Araújo, aberta ao público neste sábado, dia 25 de janeiro com encerramento previsto para o dia 23 de março. Por Tiago Gualberto enviado para o Portal Geledés Foto:Tiago Gualberto A Mostra apresenta cerca de 300 objetos entre máscaras, estatuetas, joias, armas, instrumentos musicais, bustos, urnas funerárias, objetos litúrgicos e do cotidiano africano reunidos ao longo das últimas cinco décadas pela Coleção Ivani e Jorge Yunes (CIJY). Embora resultado deste longo período de aquisições, é a primeira ...

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    Young african woman relaxing at home and reading a book, she is lying on the bed

    Identificação com a cultura negra através da literatura

    A história dos negros no Brasil é marcada, desde sempre, por uma luta constante contra um processo sistemático que tenta a todo momento apagar partes da sua história. E a forma mais eficiente que acharam para desenvolver esse processo de “apagamento” foi através da base, mais especificamente na educação. Por  João Guilherme de Lima Melo, enviado para o Portal Geledés É nas escolas que as crianças têm o primeiro contato com o que a sociedade em geral caracteriza como normal, como certo. E é neste mesmo local, e neste mesmo momento que as crianças começam a ser afastadas de alguns pontos de suma importância para a sua formação pessoal. Trazendo novamente a questão para a temática racial, os jovens negros desde cedo são levados a entender que a sua cultura tradicional, assim como os seus traços físicos característicos, não fazem parte do padrão de normalidade estabelecido na sociedade. Com isso, ...

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    A relação de poder e o vitimismo branco

    Quando você está acostumado a privilégios, a igualdade parece opressão. - Oscar Auliq-Ice    Por Ricardo Corrêa enviado  para o Portal Geledés A luta da população negra ocorre no campo dos direitos sociais garantidos na Constituição Federal de 1988. Mas nesse percurso nos deparamos com mentiras, justificativas falaciosas e distorções acerca da história africana e afro-brasileira, especificamente, a escravidão e suas consequências. Na realidade, a população negra tem enfrentado inúmeros obstáculos que dificulta com que tenham qualquer reparação histórica e acesso aos direitos sociais. Nesse complexo de questões vemos pessoas brancas acusando os negros de serem racistas — o tal racismo reverso —, mas isso é um absurdo. Esta é uma tática que confunde os ignorantes, constrói laços afetuosos entre os opressores e transfere a culpa às verdadeiras vítimas. Ao lançarmos mão de uma visão crítica da realidade percebemos que a maioria da população negra é excluída da possibilidade de ...

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    Solidão da mulher negra

    Por muito tempo algo tem me assombrado, devo dizer que me sinto extremamente desconfortável ao falar disso. Ser negra é sinônimo de ser invisível, irei explicar tudo desde os primórdios, mas devo relatar que angustia e tristeza que hoje assombram meu coração são de extrema relevância e periculosidade. Enviado para  o Portal Geledés  Adobe Ainda no ensino fundamental era chamada de ‘’macaca preta’’, o apelido cruel era realmente desgastante, meu colega de classe mesmo pequeno já sabia destruir sentimentos, eu dava risada para fingir que aquilo não me afetava porem ficaria marcado para o resto de minha vida. Crianças sempre são cruéis, isso ficou claro quando dancei quadrilha pela primeira vez, nunca tive um par, isso era realmente desapontador as vezes me perguntava mesmo com aquela idade se o problema estava em mim, realmente irei destacar minhas características, tinha 7 anos, meu cabelo era crespo e volumoso, sempre ...

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    Adobe

    Qual o lugar da psicologia frente ao racismo?

    “ uma das principais razões por que não sofremos uma revolução de valores é que a cultura de dominação necessariamente promove os vícios da mentira e da negação.” bell hooks (2017) Por Lígia Santos Costa, enviado para o  Portal Geledés  Adobe Nem sempre a psicologia esteve voltada para as questões que afligem a grande massa. Considerada, por muito tempo, uma ciência a serviço de uma elite que fez, por muitas vezes, uso de suas técnicas, para a validação de diferenciações étnicas e sociais, para justificar o uso da força e para subjugar povos e garantir privilégios, ela alcança popularização quando passa a se interessar por assuntos que contemplam as necessidades sociais e isso significa olhar para fora da bolha. É meio aquela pessoa que acorda em um determinado dia e se dar conta de que o mundo não é morno, mas uma “chapa quente” que mais ...

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