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Fátima Oliveira, uma nova estrela no Orun

Fátima Oliveira, uma nova estrela no Orun

É com grande pesar que informamos o falecimento de Fátima Oliveira , amiga, companheira de luta exemplo de coragem e  força da mulher , negra , nordestina. Honraremos sua memória sempre!

Geledés Instituto da Mulher Negra.

Hoje perdi uma grande amiga. Amiga que me ofertou conhecimento. Amiga que trazia as boas pingas de Minas e Maranhão. Amiga que não queria comer outra coisa que não fosse carne. Amiga de risadas. E que risadas!!. Amiga que me (nos) ensinou que acima de tudo tínhamos direito à saúde com humanidade e dignidade, para todxs as nossas enfermidades, especialmente àquelas afeitas à população negra. Feminista até as entranhas, sua contribuição é inestimável. Amiga que dizia: “ Se complicar, vai pro SUS…”e foi por onde ela nos deixou. Ela sempre acreditou, se dedicou e lutou por esse acesso por todxs nox. As Deusas a receberão com a mesma paixão que nós a admiramos e amamos. Muita Tristeza!! Fátima de Oliveira, Presente!! –

Solimar Carneiro

“Ela me fascina. É médica, fumante e carnívora empedernida. Mãe de três filhos naturais, mais um adotado, filho de um irmão que perdeu a mulher no parto e de uma menina que lhe foi dada aos 11 anos e que lhe deu os netos que ela mima e estraga com orgulho. Trabalha como um animal porque diz que tem fama de preguiçosa dentro de sua família e como de fato acha que isso é verdade, faz tudo com muita prontidão para se livrar logo. Mentira. Criou cinco filhos entre uma viuvez e um outro casamento. Ela dá plantão semanalmente, viaja pelo país e o mundo inteiros representando a Rede Feminista de Saúde. É autora de quatro livros, sendo o último um romance sobre aborto em relações de mulheres e padres. É ainda uma das poucas mulheres negras que tem coluna semanal num veículo da grande imprensa. Escreve na coluna de Opinião do Jornal O Tempo, de Belo Horizonte.

Caixeira viajante, viveu em Imperatriz e São Luiz, no Maranhão, em São Paulo e fixou-se agora, sabe-se por quanto tempo, em Belo Horizonte.

Entrou para o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) aos 16 anos. Permanece nele sendo uma de suas mais profícuas intelectuais. Um Partido notório pelo seu centralismo e disciplina exigida a seus membros e ela, imprevidente e irreverente é quem denuncia em seus artigos o que ela denomina de “neo-liberais” do PT e do PCdoB. Nem eu que vivo proclamando independência e autonomia em relação a partidos políticos consegui ainda ir tão longe nas minhas manifestações públicas.

Tem também uma auto-estima de fazer inveja a qualquer argentino. Coisa rara em negros, mulheres e nordestinos, sendo ela todos ao mesmo tempo, embora pudesse se considerar ou ser considerada “morena escura” para os padrões raciais do país. Tem absoluta confiança nos saberes de que é portadora e igual convicção para defender suas posições em arenas públicas. Dialoga com áreas da ciência da qual mulheres e negros se acham apartados. Introduziu os temas da bioética e da engenharia genética nas pautas feministas e anti-racista. É interlocutora pioneira, crítica e convocadora desse debate com a comunidade científica de uma perspectiva ética.

A conheci no âmbito da militância feminista. Guardei, por anos reservas em relação à sua filiação partidária. Fui sendo seduzida pela sua independência, coragem e capacidade de pensar e agir pelas causas que abraçamos. Tem também muitos desafetos e, por vezes, compra brigas de graça. Ela é uma monstrinha. É Fátima Oliveira. Vejam! “

( Sueli Carneiro na  introdução  do Testemunho de Fátima Oliveira à sua  tese de doutorado.  FE / USP/ 2005 .)

Textos de Fátima Oliveira:

O dilema e a crueldade da dupla moral sexual num Estado laico – Por: Fátima Oliveira

Fátima Oliveira: Candidatos parecem morar em bolha, nada a ver com a perda de direitos

Fátima Oliveira: Sem o SUS, o Brasil retrocederá ao tempo dos indigentes

As eleições presidenciais sob a batuta do conservadorismo, por Fátima Oliveira

O Maranhão é do povo: as urnas consagraram o “xô, Sarney” – Por: Fátima Oliveira

Releitura de “As mulheres abortam porque precisam” por Fátima Oliveira

As ideias feministas fazem toda a diferença nas eleições – Por: Fátima Oliveira

SUS: perspectiva integral e acesso universal e igualitário – Por: Fátima Oliveira

A rua Grande e a elegância distinta de d. Edwine Passarinho – Por: Fátima Oliveira

O sexismo e a indigência da dupla moral dos VIPs do Itaquerão, por Fátima Oliveira

Fátima Oliveira: As sequestradas nigerianas abandonadas pelo mundo

As sequestradas nigerianas abandonadas pelo mundo – Por: Fátima Oliveira

Deises e Leilanes: abandonadas sem vale-táxi e SAMU-cegonha, por Fátima Oliveira

Santana do Riachão, o cenário imaginário de “Vidas Trocadas” – Por: Fátima Oliveira

O parto roubado é um conceito político de resistência – Por: Fatima Oliveira

O sucesso atemporal de um livro, “O Pequeno Príncipe”, aos 71 anos – Por: Fátima Oliveira

Fátima Oliveira: Bandidos da paternidade acobertados pela Justiça

Bandidos da paternidade que são acobertados pelas Varas de Família – Por: Fátima Oliveira

Sem misericórdia para com as Santas Casas brasileiras – Por: Fátima Oliveira

Da encarnação do verme à partida do verme encarnado

A burguesia sem charme, sem finesse, machista e despudorada

Alguns significados do anúncio do fim do vestibular

Um olhar diferenciado sobre a saúde da mulher negra

Afinal, o que os letrados chamam de “racialização”?

Alguém ainda se lembra da deliciosa água de quartinha?

As presidenciáveis e seus problemas: deixa o trem arder

Manifesto 2009: pelo direito de decidir das mulheres

A anemia falciforme revela os legados de nossos ancestrais

O fetiche das tecnologias de comunicação contemporâneas

A Geni do Nobel da Paz atende pelo nome de Barack Obama

Dilema linguístico: entre valer ou não uma pitomba

Pare o mundo que eu quero descer pra virar lenda Brasil caiu no ranking de desigualdade entre os sexos

Quem não tem senso de loção cria conflito de fragrâncias

Será Filoctetes a chave para entender a ministra Dilma?

O maior mérito do SUS é a extinção do indigente da saúde

Sou de esperar a dor passar sem tomar nada. Tomo chá

Não há mistério; desde sempre, o ato médico é o fazer médico

“Slow food” mineiro na versão pobre de “marré deci”

Desvendando a chatice dos earworms e da coceira cerebral

Doentes transportados como animais sem dono e destino

Acampamento feminista: um chamado à solidariedade

Tratamento fora do domicílio do doente é direito de cidadania

Aquela medicina popular que herdamos e devemos preservar

Um governador apologista do SUS é a glória para sempre, amém!

Nas eleições, se não acredita, eu vou sonhar pra você ver

A imoralidade das propostas de candidaturas de “biscuit”

A riqueza da diversidade na experiência do sagrado

Não silencio sobre direitos e cidadania para não ser cúmplice

Veja mais textos de Fátima Oliveira

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