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Coletivo fará seminário antes de audiências do STF

Fonte: Clica Brasilia –

O Coletivo de Articulação em Defesa das Cotas Raciais nas Universidades é o mais novo grupo formado na UnB por representantes de movimentos negros, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), ex-alunos e professores. Em reunião com o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, nesta terça-feira, 13 de outubro, o coletivo apresentou seu plano de ações. Entre elas, a distribuição de 10 mil exemplares de um jornal sobre a política de cotas, a realização de um seminário acadêmico para discutir o tema e uma audiência pública no dia da Consciência Negra, 20 de novembro.

“Precisamos virar o jogo. O grupo está aí criando força social”, declarou o estudante Artur Antônio, militante do movimento negro e mestrando da Universidade de São Paulo (USP). O grupo decidiu se unir em defesa das políticas afirmativas depois que uma ação do Partido dos Democratas (DEM) alegou inconstitucionalidade das cotas raciais em vigor na UnB desde 2004. Antes do julgamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) convocou uma série de audiências públicas para discutir o assunto com representantes da sociedade. Os encontros ocorrerão em março de 2010.

O reitor da UnB concordou que o momento é urgente e requer ações imediatas. “Todas as iniciativas que potencializem a posição a favor das cotas são muito bem vindas. A UnB foi a detonadora do processo. Não titubeamos. Assumimos a política afirmativa como pressuposto para enfrentar o racismo institucional”, reforçou José Geraldo. Ele se comprometeu a acompanhar mensalmente o apoio às atividades do coletivo que serão coordenadas pela Assessoria de Diversidade.

 

Argumentos


O grupo defendeu que é preciso ganhar espaço e dar mais visibilidade aos argumentos favoráveis às cotas raciais. Segundo os integrantes, a maioria das pessoas, sem esclarecimento sobre o assunto, se deixam levar por argumentos superficiais. “As críticas são descabidas. O sistema de cotas não é uma dádiva, nem um privilégio”, indigna-se a jornalista Jacira Silva, da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira).

Ela avalia que o ataque às cotas fragilizam as ações afirmativas e podem fazer o Estado recuar diante da diminuição de pessoas favoráveis ao sistema. Desmontar a política, reflete Jacira, seria uma grande derrota para o país. “Queremos atuar em defesa do sistema democratizante para a universidade.”

“Desde o início o DCE está junto na luta pelas cotas por entender que não é benefício para um grupo específico, e sim, para toda a sociedade”, ressaltou o coordenador-geral do DCE, Raul Cardoso. Geógrafa formada pela UnB, Dalila Negreiros diz que o coletivo aposta na ideia de dar visibilidade não só aos atos, mas aos negros que encampam o movimento.

“Queremos ocupar a universidade com a discussão. Afinal, a UnB é a universidade das cotas. A proposta do jornal é dar voz aos que estamos à margem dos meios de comunicação”, explicou Dalila. O grupo planeja distribui o tablóide para todo o Distrito Federal e ainda para estados como São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

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