segunda-feira, julho 13, 2020

    Tag: Achille Mbembe

    Achille Mbembe durante palestra em Hamburgo, na Alemanha - Daniel Bockwoldt - 25.mai.17/dpa/AFP

    O direito universal à respiração

    Se a Covid-19 é expressão espectacular do impasse planetário no qual a humanidade se encontra, então trata-se, nada mais nada menos, de recompormos uma Terra habitável, e assim ela poderá oferecer a todos uma vida respirável. Seremos capazes de redescobrir a nossa pertença à mesma espécie e o nosso inquebrável vínculo à totalidade do vivo? Talvez esta seja a derradeira questão, antes que a porta se feche para sempre. Por Achille Mbembe, no Buala  Tradução: Mariana Pinto dos Santos e Marta Lança Achille Mbembe (Daniel Bockwoldt - 25.mai.17/dpa/AFP) Algumas pessoas enunciam já um «pós-Covid-19». Por que não? No entanto, para a maioria de nós, especialmente nas zonas do mundo em que os sistemas de saúde foram devastados por anos de negligência organizada, o pior ainda está para vir. Na ausência de camas hospitalares, máquinas respiratórias, testes em quantidade, máscaras, desinfectantes à base de álcool e de ...

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    Yves Krier/Divulgação

    Relação entre China e África caracteriza-se pela extração e predação – filósofo camaronês

    O filósofo e teórico político camaronês Achille Mbembe considerou hoje que a relação entre África e China se caracteriza pela "extração e predação", defendendo que os africanos devem organizar-se para mudar a situação. Do Diário de Notícias  Achille Mbembe (Yves Krier/Divulgação) "A relação que a China tem com África, neste momento, tem sido caracterizada pela extração e pela predação", afirmou Mbembe, durante a II Cimeira Pan-africana, na Associação Cultural Moinho da Juventude, na Amadora. Mbembe sustenta que a forma de alterar a situação passa pelo equilíbrio entre os dois lados. "Isto irá mudar se formos capazes de estabelecer uma relação mais equilibrada entre as elites africanas e as pessoas, e se formos capazes de responsabilizar os proprietários" das empresas, disse Mbembe, acrescentando: "Cabe-nos organizarmo-nos para alcançarmos um ponto de viragem". O filósofo remete para o capitalismo a responsabilidade da atual situação. "Isto sempre foi um grande efeito ...

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    (Foto: Daniel Bockwoldt - 25.mai.17/dpa/AFP)

    O lumpenradicalismo e outras doenças da tirania, por Achille Mbembe

    Do fim do período colonial ao começo dos anos 1990, a maioria dos africanos viviam sob regimes civis ou militares, capitalistas ou socialistas, os adjetivos pouco importam. Eram regimes geralmente de partido único cujo líder era um tirano, isso porque a descolonização dificilmente abriu caminho para a democracia. Na África austral, onde os europeus estabeleceram colônias de povoamento nas diversas fases da longa expansão imperialista, a segregação racial era a lei. Os negros simplesmente não eram sujeitos políticos de direito, e todo o resto se desprendia desse princípio fundamental. Após a queda do muro de Berlim, importantes movimentos contestatórios, essencialmente conduzidos por uma coalização heteróclita de forças autóctones, levaram a uma relativa liberação do campo político, ao fim dos partidos únicos e à sustentação de nossas economias nos princípios do mercado. Isso acontecia à medida em que declinava e desaparecia o comunismo na Europa do Leste, antes daquilo que chamaríamos ...

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    O idioma negro

    A partir da crítica do conceito de raça, ensaio de Achille Mbembe advoga pela reavaliação da contribuição africana para a história da humanidade por Paula Alzugaray no Select Na acepção de poetas africanos contemporâneos, assim como de movimentos ativistas por direitos civis nos Estados Unidos dos anos 1960, negritude é idioma, linguagem por meio da qual pessoas de origem africana se expressam ao mundo. Para Achille Mbembe, historiador e cientista político camaronês, referência acadêmica máxima em estudos do pós-colonialismo, Negro é um substantivo transformado em conceito: uma invenção, produção ou fantasia da imaginação europeia. Esse paradoxo da negritude sustenta a tensão narrativa do monumental Crítica da Razão Negra. Publicado originalmente em 2014 e lançado proximamente no Brasil pela N-1 Edições, o dilacerante ensaio de Mbembe é um tratado sobre a evolução do pensamento racial – desde o sistema escravagista do século 15 até os movimentos migratórios contemporâneos. Acima de tudo, é ...

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    Capa do livro 'Políticas da Inimizade' (Foto: Divulgação/Antígona)

    Saiu “Políticas da Inimizade” de Achille Mbembe

    Ao terem fomentado miséria e morte à distância, longe dos olhos dos seus cidadãos, as nações ocidentais temem agora o reverso da medalha, num desses piedosos actos de vingança exigidos pela lei da retaliação. Para se protegerem de tais instintos de vingança, servem-se do racismo como lâmina afiada, suplemento venenoso de um nacionalismo esfarrapado. Num mundo que ergue fronteiras de arame farpado e em que o estigma do estrangeiro se inscreve a ferro e fogo no quotidiano, Políticas da Inimizade é um lúcido ensaio sobre a hostilidade e as formas que ela assume nas sociedades contemporâneas. Retrocedendo, na senda de Frantz Fanon, à tirania dos regimes coloniais e esclavagistas como semente da inimizade global contemporânea, Achille Mbembe analisa os vectores desta violência planetária – que se manifesta na ressurgência de nacionalismos atávicos, na guerra contra o terrorismo, sacramento da nossa época, e num racismo de Estado que, a pretexto da defesa ...

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    Achille Mbembe: “A era do humanismo está terminando”

    “Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo”, escreve Achille Mbembe. E faz um alerta: “A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização”. Do iHU Achille Mbembe (1957, Camarões francês) é historiador, pensador pós-colonial e cientista político; estudou na França na década de 1980 e depois ensinou na África (África do Sul, Senegal) e Estados Unidos. Atualmente, ensina no Wits Institute for Social and Economic Research (Universidade de Witwatersrand, África do Sul). Ele publicou Les Jeunes et l'ordre politique en Afrique noire (1985), La naissance du maquis dans le Sud-Cameroun. 1920-1960: histoire des usages de la raison en colonie (1996), De la Postcolonie, essai ...

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    “Por que julgamos que a diferença seja um problema?” Achille Mbembe

    Em entrevista, o filósofo camaronês fala sobre xenofobia, nacionalismo, o lugar do estrangeiro, os perigos de “culturas únicas” e espaços de articulação para a diferença. Fonte: Goethe Institut por: Katharina von Ruckteschell-Katte Minha primeira observação tem a ver com a questão da diferença. A questão é: O que queremos dizer com a palavra diferença? Por que ela está tão naturalizada? E o que devemos fazer com a diferença? A premissa aqui é de que a diferença tem que ser reconhecida, aceita e ao mesmo tempo transcendida. Pois a suposição – não apenas no mundo em que vivemos hoje, mas também em períodos anteriores da história humana – é de que a diferença é um problema com o qual se precisa lidar. Então o primeiro movimento que poderíamos desejar fazer é questionar tal suposição. Por que é que achamos que a diferença é um problema? Por que ela não é simplesmente ...

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    Achille MbeMbe: “as sociedades contemporâneas sonham com o apartheid”

    Com o seu novo livro “Crítica da Razão Negra”, o politólogo camaronês Achille Mbembe cumpre a sua parte na luta por um futuro do mundo para além das raças. Um longo caminho ainda está por fazer. no Mutamba “Eu queria simplesmente ser um homem entre os outros homens ... ser um homem, nada mais que um homem”, escrevia Fantz Fanon em “Pele negra, máscaras brancas”. A cor da sua pele foi constantemente um entrave a este desejo vital de igualdade e fraternidade. Estávamos em 1952. A África libertava-se do jugo colonial. A África do Sul lançava as bases de um dos sistemas mais abjectos de segregação racial, o mesmo que vingava então nos Estados Unidos. Depois, Mandela lan- çou as bases de uma nação arco-íris. Malcolm X, os Panteras Negras, Mar- tin Luther King, batalharam pelos direitos civis dos afro-americanos e Barack Obama foi eleito para a pre- sidência dos ...

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    Achille Mbembe: “La historia de la emancipación humana es una historia de negros”

    EN SU ÚLTIMO ENSAYO, CRITIQUE DE LA RAISON NÈGRE (CRÍTICA DE LA RAZÓN NEGRA), ACHILLE MBEMBE DESARROLLA UNA BRILLANTE REFLEXIÓN SOBRE LA ALTERIDAD, SOBRE LA GENEALOGÍA DEL CONCEPTO “RAZA”, INDISOCIABLE DEL DESARROLLO DEL CAPITALISMO, SOBRE LO QUE LLAMA EL “DEVENIR NEGRO DEL MUNDO”. APUNTA A UN HORIZONTE DE EMANCIPACIÓN, EL DE UNA “ELEVACIÓN HACIA LA HUMANIDAD” EN UN MUNDO LIBERADO DEL LASTRE DE LA RAZA.  ¿Qué papel jugaron el Congreso Nacional Africano (CNA) y Mandela, más allá del combate al régimen del apartheid, en las luchas contras las dominaciones coloniales en el continente africano? Achille Mbembe: El desmantelamiento del apartheid en 1994 cierra una larga fase histórica de las luchas modernas por la emancipación. Esta fase comienza con las grandes campañas por la abolición de la trata de negros y la esclavitud. Continúa con el movimiento por la descolonización, las luchas por los derechos cívicos en Estados Unidos. Mandela representa, ...

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    Achille Mbembe: "Crítica da Razão Negra"

    “O mundo vai ser negro”, diz filósofo camaronês

    Teórico camaronês do pós-colonialismo Achille Mbembe é o homenageado deste ano com o Prêmio Irmãos Scholl, na Alemanha, por seu incômodo livro "Crítica da Razão Negra" Do DW "As lógicas de distribuição da violência em escala planetária não poupam nenhuma região do mundo, não mais que a vasta operação em curso de depreciação das forças produtivas", constata o filósofo e historiador Achille Mbembe no epílogo de seu livro "Crítica da Razão Negra". Trata-se de um pontapé inicial rumo a uma nova visão de mundo, o que comprova a atualidade da obra do teórico camaronês, sobretudo quando se pensa nas muitas guerras e conflitos ou nos incontáveis jovens desempregados, principalmente na África. E foi por esse olhar afiado "sobre a sociedade mundial globalizada, que não remove apenas mercadorias e capital, mas também pessoas e força de trabalho", que Achille Mbembe recebeu em Munique, na segunda-feira (30/11), o Prêmio Irmãos Scholl. A ...

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    Media24/Gallo Images/Getty Images

    Os caminhos inesperados de Nelson Mandela

    Só quando Nelson Mandela morrer, teremos o direito de declarar o fim do século XX. O homem que hoje encontra-se no crepúsculo de sua vida terá sido uma figura emblemática. Com exceção de Fidel Castro, é provavelmente o último de uma linha de grandes líderes em extinção, já que vivemos numa época apressada em terminar, de uma vez por todas, com os mitos. Mais do que o santo – algo que ele próprio afirma jamais ter pretendido ser –, Mandela terá sido um mito vivo antes, durante e depois de sua longa prisão. Nele, a África do Sul, este acidente geográfico que é difícil conceituar, encontrou sua Ideia. E se não houve pressa em se separarem, é porque, em sua nova vida pós-apartheid, a sociedade sul-africana não pode conviver, sem riscos, com o mito de uma sociedade sem mitos. Mas se é preciso aceitar em Mandela a recusa da santidade, ...

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    “Crítica da razão negra” Achille Mbembe

    Achille Mbembe é uma referência académica no estudo do pós-colonialismo, um teórico erudito e pensador das grandes questões da história e da política africana – apesar de, ele próprio, não se definir como “teórico do pós-colonialismo”. Nascido nos Camarões em 1957, Mbembe é professor de História e Ciência Política na Universidade Duke (Virgínia, Estados Unidos) e na Universidade Witswatervand(Joanesburgo, África do Sul), além de investigador no Wits Institute for Social and Economic Research(WISER) desta mesma Universidade. Por  David Avila no Deus me Livro Antes desta nova edição da Antígona, o leitor pode já ter lido Mbembe nas páginas da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique, ou quiçá tenha tido oportunidade de o ver no Instituto Goethe, em Lisboa, em Fevereiro de 2013, quando participou na conferência “Rethinking Cosmopolitanism and the Entanglement of Africa and Europe”. Para quem procure aprofundar a leitura de Mbembe, existem outros livros editados em Portugal, como “Sair ...

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    “Nenhum africano é estrangeiro em África!”

    Achille Mbembe escreveu sobre a violência contra os estrangeiros na África do Sul. Do REDE ANGOLA O filósofo, cientista político e intelectual camaronês Achille Mbembe, autor do livro Crítica da Razão Negra, escreveu ontem sobre a violência xenófoba na África do Sul, esse “cancro que metastizou”, nas suas palavras, chegando à conclusão que “a actual caça aos ‘estrangeiros’ é produto de uma complexa cadeia de cumplicidades – algumas vocais e explícitas e outras tácticas”. Na base de tudo, as acções do próprio governo que, “através das suas novas medidas anti-imigração”, tenta até ilegalizar imigrantes que estavam legais. Num artigo publicado no site Africa is a Country, Mbembe afirma que, à diferença da última vaga de violência xenófoba no país, em 2008, quando morreram 72 estrangeiros, esta tem uns “rudimentos” de ideologia subjacente, uma “aparência de discurso destinada a justificar as atrocidades”, que são mais negros, que são usados pelos brancos que preferem explorá-los a contratar sul-africanos, ...

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