quinta-feira, maio 28, 2020

    Tag: Ana Paula Lisboa

    A escritora e ativista Ana Paula Lisboa Foto: Ana Branco / Agência O Globo

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    Existe ainda em mim um lugar reservado para o inacreditável. No fundo eu sei que não deveria me surpreender, mas sigo boquiaberta com a falta de noção da Humanidade. Não é tudo, não me surpreendo, por exemplo, com quem pede intervenção militar ou faz buzinaço em frente a hospital. Essas pessoas eu já conheço e, sinceramente, não esperava nada de muito diferente. Quem me surpreende são as outras, as que pregam o bem, o amor, a democracia, mas não descem de seus pedestais. Eu fico mesmo ainda surpresa que mesmo quem se diz a última bolacha do pacote da desconstrução, em 2020, numa pandemia, ainda chama África de África. Assim, como se fosse um grande bloco preto homogêneo. Ontem, por exemplo, eu estava assistindo à TV brasileira, como vocês sabem, eu vivo em Angola. No jornal da tarde, a âncora chamava ao vivo correspondentes em várias partes do mundo (todos ...

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    Ana Branga / Agência O Globo

    Certas coisas são inexplicáveis

    Deve ser fácil explicar para uma criança quando o amigo dela morre de bala perdida. Mas o amor, não. O amor realmente é difícil de explicar Por ANA PAULA LISBOA, do O Globo  A escritora e ativista Ana Paula Lisboa Foto: Ana Branco / Agência O Globo   Pessoas inteligentes geralmente foram crianças perguntadoras, e especialmente adultos que não perderam o costume de se questionar. Quanto mais a gente se pergunta, maior o mundo fica. Continuar na busca pelas perguntas faz com que não sejamos burros e intolerantes em qualquer idade, e está aí uma função da família: ensinar a não ser burro, intolerante, racista, homofóbico. Em nota, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, que cassou a liminar que proibia a prefeitura do Rio de recolher livros na Bienal do Livro, escreveu que a visão da prefeitura era de proteger crianças e adolescentes da ...

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    Joyce Fonseca

    “Olhos de azeviche” as vozes das mulheres negras brasileiras contemporâneas

    "Olhos de azeviche" as vozes das mulheres negras brasileiras contemporâneas, reúne textos de autoras como Ana Paula Lisboa e Conceição Evaristo por Tom Farias no O Globo   A ideia de reunir em livro textos de autores diversos e de padrão narrativo diferente nem sempre ofereceu bons resultados conceituais, ainda mais quando os autores trazem consigo grande cabedal de experiências, e essas, no geral, se refletem em suas produções. Em “Olhos de azeviche”, no entanto, nos deparamos com o oposto dessa trajetória. A bela coletânea reúne dez das melhores prosadoras negras brasileiras, que contextualizam situações de vida que vão desde dramas existenciais, do racismo ao sexismo, passando pelas questões de gênero, de raça e credo. Os 20 contos e crônicas curtos, escritos por mãos literalmente calejadas, caso da experiente escritora mineira Conceição Evaristo, como também por aquelas que ainda estão praticamente se iniciando no competitivo universo da literatura, a exemplo da ...

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    Ana Branga / Agência O Globo

    Baseado em fatos reais

    O Nós, mulheres da periferia nasceu da união de nove mulheres que queriam conversar e escrever sobre as questões do território em que vivem. por ANA PAULA LISBOA no O Globo Dia desses encontrei Julio Ludemir, e o que era pra ser a entrega rápida de uma encomenda virou aula de curso de extensão na Cinelândia. Julio tem esse costume de me dar “aula” quando a gente se encontra, quase sempre na rua ou em algum evento. Ele é um dos meus autores preferidos, e eu tenho muita alegria de conversar com autores vivos, mesmo que o Julio sempre fale mais das minhas obras do que das dele nas suas “aulas”. Julio é autor de livros importantíssimos da literatura brasileira e, diferentemente de outros autores homens brancos e de classe média, escolheu contar a história de personagens diferentes dele. Como todo bom escritor, ele tem gosto por misturar a ficção e a realidade. ...

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    A minha banda favorita

    Eu achava que a vida de colunista do caderno da cultura seria muito mais glamourosa Quando é que finalmente alguém vai me perguntar qual é a minha banda favorita? OK, eu não sou nenhuma especialista em música, não toco nenhum instrumento, não canto, não sou o Nelson Motta, e então, teoricamente, essa não é uma pergunta importante. Mas esse não é o caderno de cultura? Não é aqui que os grandes pensadores da cultura do país, brasileiros ou radicados, escrevem desde que este jornal é jornal sobre todas essas coisas que nós mesmos produzimos? por Ana Paula Lisboa no O Globo Então por que ninguém nunca me perguntou qual é a minha banda favorita? OK, eu também não sou a Zélia — que, aliás, escreveu na última sexta “A beleza da flor”, uma carta linda pra o Arlindo Cruz. O poeta infelizmente continua hospitalizado. Uma vez eu chorei ouvindo “Meu lugar”, ...

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    A minha banda favorita

    Eu achava que a vida de colunista do caderno da cultura seria muito mais glamourosa Por Ana Paula Lisboa, do O Globo  Quando é que finalmente alguém vai me perguntar qual é a minha banda favorita? OK, eu não sou nenhuma especialista em música, não toco nenhum instrumento, não canto, não sou o Nelson Motta, e então, teoricamente, essa não é uma pergunta importante. Mas esse não é o caderno de cultura? Não é aqui que os grandes pensadores da cultura do país, brasileiros ou radicados, escrevem desde que este jornal é jornal sobre todas essas coisas que nós mesmos produzimos? Então por que ninguém nunca me perguntou qual é a minha banda favorita? OK, eu também não sou a Zélia — que, aliás, escreveu na última sexta “A beleza da flor”, uma carta linda pra o Arlindo Cruz. O poeta infelizmente continua hospitalizado. Uma vez eu chorei ouvindo “Meu lugar”, ...

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    Podemos sorrir, nada mais nos impede

    Oitenta e dois jovens morrem todos os dias. São muitos aviões para chorar Por Ana Paula Lisboa, do O Globo  Parece redundante dizer, mas é difícil a vida de quem sofre. Se diz que a depressão será em poucos anos a doença que mais matará no mundo. O Facebook está lotado de páginas “da depressão”, e chego a arriscar que sofrer virou modinha, ser feliz não dá like como antes. Eu, que tenho medo do sofrimento, tomo cuidado pra não enlouquecer. Enquanto não dá para jogar tudo pro alto e passar a vender brigadeiro, fazer uma horta de produtos orgânicos ou vender miçangas, eu sigo nesse mundo louco fazendo ioga e meditação uma vez por semana. Para a maioria de nós é assim, poucos têm o privilégio de deixar seus empregos e fazer um mochilão pela América Latina vivendo das coisas que a natureza dá. Mas confesso que minha meta é ...

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    Correspondente de guerra

    Todo favelado é correspondente de guerra e, pior, sem poder voltar pra casa, sem poder evitar aquela área Por Ana Paula Lisboa Do O Globo Eu já contei que queria ser jornalista? Antes disso eu quis ser cantora, dançarina do É o Tchan ou telefonista. Na real, pensando agora, todas essas profissões do tempo do sonho também são profissões de comunicação. Jornalismo era desejo, aquilo que a gente cria plano, estratégia. Eu falava muito na infância e teve um tempo que meus pais me chamaram de Gloria Maria, porque eu queria saber de tudo. Nas insônias, eu acompanhava o “Jornal da Globo’’ com a Ana Paula Padrão e logo depois me imaginava sendo entrevistada pelo Jô, ensaiei varias vezes. Eu sempre vi muito jornal por causa da minha avó, que fazia questão de “saber das notícias”, e, nos últimos dias, mesmo sem diploma, me ...

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    Feminismo didático parte 2 — As mães pretas

    Meu ativismo não é contra as mulheres brancas — nunca seria, nunca será! —, é a favor das mulheres pretas Por Ana Paula Lisboa, do O Globo  “Pensando a arte de forma política, trabalhamos com as questões de gênero e raça tendo como missão o fortalecimento, a emancipação e o empoderamento de mulheres, sobretudo Mulheres Negras, por compreendermos as demandas diferenciadas desse grupo e a consequente necessidade de iniciativas que deem a atenção necessária a este segmento da população.” O texto acima é parte do manifesto do Balé das Yabás, grupo de Mulheres Negras que propõe a reflexão sobre o protagonismo da mulher na sociedade a partir da mitologia dos Orixás. Sinara Rúbia e Ludmilla Almeida guiam, uma vez por mês, uma tarde inteira de discussão sobre o feminino e sobretudo sobre a estética negra feminina. Aprendi com elas que os mitos, ou itans (como são chamados no candomblé), são narrativas ...

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    Celebration XL

    Nossos corpos, nossas regras

    Abro espaço para texto Ana Paula Lisboa, da Maré, aderindo ao #AgoraÉQueSãoElas Por Marcus Faustini No O Globo  Conheci Ana Paula Lisboa em 2010, num projeto que realizei junto com Helô Buarque sobre memória e território como base de criação literária. Jovem, moradora da Maré, Ana carrega a alegria e dor de inventar a vida. Abro espaço pra ela por aqui esta semana aderindo ao #AgoraÉQueSãoElas — ação que convida homens a cederem seus espaços na imprensa para mulheres, para contribuir na pressão contra o PL 5069. Que as palavras de Ana sejam flecha no racismo e no machismo. Nossos corpos, nossas regras por Ana Paula Lisboa “Eu venho de uma família de mulheres, mais que isso, mulheres pretas. Mulheres pretas de bunda grande, beiço grosso, braço forte. Para mim sempre foi muito natural o lugar que eu deveria ocupar: inspirada por elas, sabia desde criança que um dia teria uma família, ...

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