terça-feira, agosto 4, 2020

    Educação

    Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo/Arquivo

    Fundeb: ganhamos a primeira batalha

    Certamente quando foi acertado que a validade da EC nº 53, no distante dezembro de 2006, ninguém imaginaria que sua rediscussão seria feita no meio de uma pandemia e tendo o Brasil governado pela extrema-direita. Na noite do dia 21 de julho, por quase unanimidade, foi aprovado o texto da PEC do Novo Fundeb. Qualquer avaliação do seu conteúdo precisa levar em conta o contexto político e econômico em que a votação ocorreu e o papel dos atores e atrizes sociais que participaram ativamente de sua formulação. Neste primeiro post vou enumerar as principais mudanças que foram aprovadas e o que ainda pode ser terreno de disputa, durante a tramitação no Senado e, principalmente, na regulamentação. Não vou usar a ordem que aparece na PEC aprovada, posto que ela segue a numeração da Constituição e não o grau de importância dos seus itens. 1. Tornou o Fundeb algo permanente na...

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    Imagem: Getty Images

    Estudo: Professor vê aluno negro como agressivo e trata branco com simpatia

    Pesquisadora e jornalista, Mara Vidal foi professora universitária, mas nem mesmo fazer carreira no mundo da educação a preparou para o que seu filho João Yrapoan, na época com 12 anos, sofreu na escola por vir de família adepta do candomblé. "Ele foi chamado de macumbeiro e a reação da professora foi horrível. Com a justificativa de evitar o conflito, ela tirou o meu filho da sala", conta. Após nove anos do ocorrido, Vidal continua acreditando que a postura foi equivocada. "A professora ainda levou o menino para a casa dela. Ela precisava mediar o conflito, não tirar o meu filho da escola. Vai fazer isso sempre que houver discussão entre um branco e um negro?", questiona. A pesquisadora e jornalista Mara Vidal já teve problemas com a mediação de conflitos raciais que envolviam seus filhos (Arquivo Pessoal) A reação da professora pode ser explicada pelas...

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    Reprodução/TV Câmara

    Fundeb: Câmara aprova PEC que prevê 23% de participação da União até 2026

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (21) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que renova o Fundeb – fundo que financia a educação básica – e amplia gradualmente a participação da União, até o percentual de 23% a partir de 2026. Durante a sessão, os deputados votaram o texto-base em primeiro turno e, em seguida, os destaques. Na sequência, passaram à votação do texto-base em segundo turno e depois aos destaques. Com a conclusão da votação, a PEC seguirá para o Senado. A aprovação foi resultado de um acordo costurado nesta terça, horas antes de o texto entrar em votação. O governo Jair Bolsonaro enviou proposta e conseguiu alterar pontos do texto, como o ritmo de aumento da verba federal e a destinação dos recursos ao longo dos próximos anos. O texto-base da proposta foi aprovado em primeiro turno por 499 votos a 7. Por se tratar de...

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    Arthur entrega as tarefas para Adrieli, do 7º ano do Fundamental (Foto: Peu Ricardo/DP)

    Professor vai à casa de estudantes sem acesso à internet para entregar tarefas

    O dia está chuvoso. Arthur Cabral, 29 anos, busca no guarda-roupa algo simbólico para usar naquela manhã. Escolhe uma camisa preta com os dizeres “lute como um professor”. Depois, coloca a mochila nas costas e monta na bicicleta. O percurso a seguir é longo. Incomum. Inspirador. Arthur é professor de ciências na Escola de Referência Deputado Oscar Carneiro, na Vila da Fábrica, em Camaragibe. Toda sexta-feira, carrega na bolsa envelopes amarelos contendo tarefas impressas de várias disciplinas. Cada um deles será entregue, de bicicleta, na casa de vinte estudantes do sexto e sétimo anos do Ensino Fundamental. A suspensão das aulas presenciais nas escolas por conta da pandemia do novo coronavírus revelou um lado cruel do acesso à educação. Quando as aulas virtuais começaram na rede pública, no início de abril, Arthur percebeu que um grupo de estudantes do Fundamental não participava das aulas. Depois de analisar a situação, entendeu...

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    (Foto: Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

    Mais de 70% dos jovens de 14 a 29 anos que abandonam a escola são pretos ou pardos

    Mais de dez milhões de jovens de 14 a 29 anos não completaram alguma das etapas da educação básica, seja por abandono da escola, seja por nunca a terem frequentado. Isso representa 20,2% das 50 milhões de pessoas na faixa etária. Desse total, 71,7% eram pretos ou pardos. Os dados são da PNAD Contínua 2019, divulgado nesta quarta-feira 15, pelo IBGE. Pela primeira vez, a pesquisa divulga dados sobre abandono escolar. A pesquisa evidenciou que o abandono escolar se acentua na fase de transição entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, situação exposta pelo maior índice de abandono de acordo com a faixa etária relativa às etapas escolares. Aos 14 anos, o percentual de estudantes fora da escola foi de 8,1%; aos 15 anos, de 14,1%, quase o dobro. O número é ainda maior a partir dos 16 anos, chegando a 18,0% aos 19 anos ou mais. O estudo...

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    Foto: Agência Brasil

    Após projeção de aumento de mortes por Covid-19 entre crianças, governo de SP pede para comitê reavaliar volta às aulas

    O centro de contingência contra o coronavírus, comitê do governo de São Paulo que delibera sobre a quarentena no estado, vai reavaliar a volta às aulas programada para o início de setembro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (16) após o coordenador-executivo do grupo, o médico João Gabbardo, ser questionado sobre uma projeção matemática que estima até 17 mil mortes entre crianças com a retomada das escolas em todo o Brasil. “Em função dessas novas informações, a gente pediu para que o centro de contingencia, que tem discutido isso com o secretário da educação, faça uma reavaliação daquilo que já foi definido. Tão logo nós tenhamos essas informações, a gente vai trazer aqui para a entrevista coletiva”, disse Gabbardo. A afirmação ocorre dois dias depois do seminário da Fapesp sobre coronavírus no qual o matemático Eduardo Massad, professor titular da Escola de Matemática Aplicada Fundação Getúlio Vargas (FGV), criticou a...

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    Divulgação/Steve Biko

    Eu ligo para a Educação: conectando conhecimento

    A campanha do Instituto Steve Biko: Eu ligo para a Educação: conectando conhecimento, vai doar pacotes de dados de internet para que nossxs mais de 100 alunxs negras e negros do curso Pré-Vestibular e do Programa Oguntec possam continuar estudando para o Enem2020 e aprendendo mais sobre ciência e tecnologia, mesmo nesse contexto de pandemia que tem evidenciado, muito mais, as desigualdades entre os alunxs da rede pública e particular de ensino. Como funciona?  A cada R$25,00 (vinte e cinco reais) você doa um pacote de dados para [email protected] [email protected] continuar tendo acesso às aulas remotas ministradas pela Biko nas redes sociais (Instagram, Zoom, Blog da Turma, YouTube, chats e Listas de Transmissão de WhatsApp). Nossos jovens têm demonstrado força e determinação, mas muitxs estão sendo prejudicados pelo acesso limitado à internet ou má qualidade do sinal, problemas identificados a partir de uma pesquisa realizada pela equipe pedagógica do Instituto....

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    (Foto: Reprodução/ Fundo Baobá)

    Programa já é: Educação para equidade racial

    Educação é um dos quatro eixos nos quais a missão estratégica do Fundo Baobá para Equidade Racial está focada. E não podia ser diferente: o racismo no ambiente escolar é um dos mais severos gargalos à equidade racial do Brasil. Se liga nos números: no ensino fundamental tem quase o mesmo percentual de entre crianças brancas e negras de 6 a 10 anos (96,5% e 95,8%, respectivamente). Na faculdade, a matemática é outra: na média, só 25,2% dos jovens entre 18 e 24 anos cursam ou concluem o ensino superior, segundo o IBGE. Só que o percentual de jovens de cor ou raça branca que frequentam ou concluem o ensino superior (36,1%) é praticamente o dobro do percentual de jovens pretos ou pardos (18,3%) na faixa de 18 a 24 anos. Por trás desses números tem muita história: tem escola pública fraca, tem dificuldade para chegar – e para pagar...

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    O educador negro Hemetério José dos Santos (Imagem: Biblioteca Nacional)

    A história do professor negro e antirracista que ensinou durante a escravidão

    O Folha na Sala desta semana conta a história do professor Hemetério José dos Santos, um intelectual negro que lutou por uma educação universal e uma sociedade antirracista durante o fim do século 19 e primeira metade do século 20. ​Hemetério nasceu em Codó (MA), em 1858, trinta anos antes da abolição da escravidão no Brasil. Aos 16, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde terminou os estudos e se tornou professor explicador de francês no Colégio Pedro II. Ali, diz-se, foi visto pelo próprio imperador, que ficou admirado pela sua competência. Ao longo da vida, publicou livros, escreveu para jornais e se firmou como um respeitado estudioso da língua portuguesa, a ponto de ser um dos patronos da Academia Brasileira de Filologia. Sua atuação, no entanto, esteve sempre ligada às questões raciais e à educação dos mais pobres. “Não podemos pensar o Hemetério como um revolucionário do ponto de...

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    (Getty Images/Reprodução)

    Desigualdade racial na educação brasileira: um Guia completo para entender e combater essa realidade

    Introdução De caráter estrutural e sistêmico, a desigualdade entre brancos e negros na sociedade brasileira é inquestionável e persiste com a fragilidade de políticas públicas para o seu enfrentamento. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, os negros representam 75,2% do grupo formado pelos 10% mais pobres do país. Se realmente queremos construir uma sociedade igualitária, é necessário compreender qual o papel que cada estrutura socioeconômica desempenha na reprodução do racismo, a fim de desenhar estratégias eficazes para o seu enfrentamento. Nesse cenário, o combate à desigualdade racial na educação é essencial, enquanto elemento indispensável para qualquer mudança, de modo que sem uma educação efetivamente antirracista não é possível pensar em uma sociedade igualitária. Ao longo deste especial, compilamos uma série de informações, dados e análises aqui do Observatório de Educação – Ensino Médio e Gestão para você compreender um pouco mais sobre a...

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    Provas do segundo dia do Enem 2019 — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

    A cada quatro candidatos ao Enem 2019, três declararam não ter acesso à internet, apontam dados do Inep

    Entre os mais de cinco milhões de inscritos na edição de 2019 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cerca de 3.954.805 – ou 77,6% – disseram não ter acesso à internet, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Além disso, quase a metade dos candidatos afirmou não ter computador em casa. Responderam que não tinham o aparelho eletrônico, 2.345.467 pessoas, o equivalente a 46% dos inscritos. No momento da inscrição, os participantes recebem um formulário que deve ser preenchido com seus dados socioeconômicos. As informações são compiladas pelo Inep e divulgadas posteriormente. Os números do ano passado foram publicados em 26 de junho. Com a suspensão das atividades presenciais e a adoção de aulas remotas por conta da pandemia de coronavírus, milhares de candidatos ao Enem 2020 poderão ter dificuldades para acompanhar as aulas remotas, se a tendência da edição anterior se repetir entre...

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    Erika James é oficialmente nomeada como reitora da Wharton School Imagem: Divulgação/Universidade da Pensilvânia

    Wharton School nomeia primeira mulher negra como reitora da instituição

    Erika James assumiu, hoje, oficialmente o cargo de reitora da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Em 139 anos de história, ela se torna a primeira mulher e afro-americana a chefiar a prestigiada instituição. Em entrevista para o programa Good Morning America, da rede ABC, ela disse que quer influenciar os jovens a confiarem neles mesmo com essa sua conquista histórica. "Muitas vezes impedimos nosso próprio progresso porque não temos confiança para dizer: 'Sim, eu estou pronto para esse papel. Sim, eu posso enfrentar esses desafios. Sim, eu tenho a experiência e os conhecimentos necessários'", declarou. "Quando saímos do nosso caminho e realmente apostamos em nós mesmos, é quando começamos a criar a confiança de outras pessoas em nós. Meu conselho mais forte para os jovens é sempre apostar em si mesmo", acrescentou. O anúncio de que James assumiria o cargo foi feito em fevereiro deste ano....

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    Manifestações nos EUA trazem de volta o trabalho da educadora antirracismo Jane Elliott. Aos 87 anos, ela se diz cansada de repetir as mesmas coisas Foto: Divulgação/Imagem retirada do site Celina)

    Desde 1968, ela dá aulas antirracismo. Está cansada de repetir a mesma coisa. E de ser ameaçada de morte

    Conforme os protestos antirracistas cresciam nos Estados Unidos e em outros países, imagens de Jane Elliott, uma professora e educadora antirracista, começaram a circular na mídia americana. Em um clipe de 2011, Elliott, com seus óculos redondos e cabelos brancos, entra em uma discussão calorosa com uma estudante universitária branca durante um exercício educativo sobre racismo. A moça, desconfortável e pertubada pela experiência, começou a chorar e deixou a sala. "Você acabou de exercer uma liberdade que nenhuma dessas pessoas negras tem", diz Elliott à estudante, severamente. "Quando as pessoas negras se sentem cansadas do racismo, elas não podem se retirar da sala." Talvez você tenha visto um vídeo de 2018 em que Elliott está em uma mesa-redonda com a atriz e produtora Jada Pinkett Smith; a filha, Willow, e a mãe de Jada, Adrienne Banfield-Norris. "Eu não sou uma mulher branca. Sou uma pessoa negra desbotada", diz Elliott, atordoando...

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    (PCdoB na Câmara)

    A extinção judicial do Escola sem Partido

    Antes tarde do que nunca. O STF decidiu dar fim a uma das mais danosas farsas jurídicas da atualidade: as legislações antigênero na educação, que proliferam no Brasil desde 2014. Disseminadas por movimentos reacionários e grupos fundamentalistas junto aos Legislativos, essas normas e os debates parlamentares que as antecedem dão suporte institucional à cruzada antigênero e à censura nas escolas, servindo de plataforma ao pânico moral e suas consequências políticas e sociais.1 Há anos contestadas em mais de uma dezena de ações judiciais, desde fins de abril deste ano tais normas vêm sendo julgadas e declaradas inconstitucionais, uma a uma, por unanimidade, no discreto Plenário Virtual do STF. É, portanto, o fim de um ciclo, ao menos no relevante plano dos embates jurídico-formais sobre a censura nas escolas. Neste ensaio, analisamos o contexto e, sobretudo, os efeitos práticos das decisões para a reconstrução dos ambientes pedagógicos e das dinâmicas da gestão...

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    Cristiane de Assis Portela na Universidade de Brasília. Foto: Cristiane de Assis Portela

    “Ao acessar narrativas de autoria indígena, devemos estar muito atentos ao risco de reforçar visões exotizadas ou essencializadoras”

    Em entrevista, a historiadora Cristiane de Assis Portela, professora do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), fala sobre o conceito de interseccionalidade na área da educação e os desafios do ensino de história após a promulgação da Lei 11.645/2008, que estabelece como obrigatório nas instituições de educação básica do país o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. Larissa Pereira entrevista Cristiane de Assis Portela A promulgação da Lei 11.645/2008, que estabelece como obrigatório nas instituições de educação básica do país o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena, materializa, no currículo escolar, ainda que tardiamente, uma série de debates e de lutas que movimentos sociais e pesquisadores já vinham travando nas últimas décadas. Trata-se, portanto, de uma conquista que questiona e diversifica um ensino-aprendizagem ainda demasiadamente focado nas experiências europeias. Mas, uma vez promulgada a lei, como examinar e ensinar, efetivamente, de forma crítica e...

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    DOMÍNIO PÚBLICO / WIKIMEDIA COMMONS

    A frustrada tentativa de Monteiro Lobato em ganhar mercado nos EUA com livro considerado racista

    Na bagagem carregava sua esperança: o romance O Presidente Negro — originalmente O Choque das Raças ou O Presidente Negro. Com um enredo fortemente racista, a obra não teve aceitação entre os editores americanos. De acordo com o livro Um País se Faz com Tradutores e Traduções: A Importância da Tradução e da Adaptação na Obra de Monteiro Lobato, do escritor e tradutor britânico John Milton, Lobato bateu à porta de pelo menos cinco editoras nos Estados Unidos — e colecionou nãos. "Lobato se via como um novo H. G. Wells, mas os temas centrais (a segregação completa entre brancos e negros, a tentativa dos brancos de esterilizarem os negros e a influência da eugenia, sugerindo que os brancos fossem superiores aos negros) eram sensíveis demais para qualquer editora norte-americana se arriscar", escreve Milton. No segundo semestre de 1927, uma carta escrita a ele pelo editor da agência literária Palmer,...

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    Gemaa

    Levantamento GEMAA: políticas de ação afirmativa nas universidades federais e estaduais (2013-2018)

    Este estudo, realizado periodicamente pelo GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa), apresenta os resultados do acompanhamento das políticas de ação afirmativa nas universidades federais e estaduais brasileiras. Ele se baseia em uma série histórica que vai de 2013 a 2018, e assume como marco temporal o início da implementação da Lei 12.711 de 2012, que fixou a política de cotas nas universidades federais. Nossa abordagem tem dois eixos principais de análise: 1) verifica o estágio das ações afirmativas nas universidades federais e estaduais separadamente, com ênfase nos dados de 2017 e 2018; e 2) compara o alcance da política de cotas nesses dois tipos de universidade. Entre outros resultados, mostramos que as políticas de ação afirmativa estão bem mais estabelecidas nas universidades federais do que nas estaduais, particularmente no que toca o oferecimento de vagas reservadas, a incorporação de pretos, pardos, indígenas e de pessoas com deficiência e...

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    Carlos Alberto Decotelli era presidente do FNDE, autarquia do ministério da Educação Imagem: Luis Fortes/Ministério da Educação

    Decotelli adota fala neutra, mas afirma cotas para diminuir desigualdades

    O ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, disse hoje em entrevista à Rádio Bandeirantes que as cotas são mecanismos para tentar diminuir diferenças no acesso à educação. "Não podemos exigir resultados iguais para aqueles que não tem igualdade no acesso. Cotas dependerão sempre de reflexão de toda a sociedade", disse. Decotelli adotou um discurso neutro ao se referir a questão, mas reconheceu estruturas que mantêm o racismo na sociedade brasileira. "Passamos mais de 300 anos com esse conceito de escravocrata. Hoje, ainda temos muitas contaminações de metodologias, subjetividades. Eu nunca, como negro, fui um George Floyd. Nunca sofri o racismo de tomar dois tiros nas costas. Mas perceber olhares, de eugenia de ambientação, ou seja, criar um ambiente que não seja para negros", contou. Ele ainda citou que os Estados Unidos criou uma "pandemia racial" com os protestos antirracistas, evidenciando que o país "não aprendeu a conviver com...

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    O professor Carlos Alberto Decotelli, que estava há menos de seis meses na presidência do FNDE. Foto: Divulgação

    ‘Não tenho nem preparação para fazer discussão ideológica, minha função é técnica’, diz novo ministro da Educação

    O professor Carlos Alberto Decotelli, anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira, como o novo ministro da Educação pretende fazer uma gestão pautada no diálogo. Segundo ele, sua gestão será técnica e não há espaço para polêmicas relacionadas à ideologia. Em entrevista ao GLOBO, o ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) afirmou que pretende estabelecer relacionamento estreito com estados e municípios para traçar a retomada das aulas e irá conversar com o Congresso na articulação do Fundeb. Oficial da reserva da Marinha, Decotelli é professor da área de finanças na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e atuou junto ao governo desde a transição, quando participou do plano voltado para a área da educação. Qual será sua prioridade à frente do MEC? São três as prioridades: a primeira é ampliar o diálogo e interlocução para que haja divulgação correta em relação às políticas do MEC; atualizar o cronograma dos...

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    Imagem retirada do site Lunetas

    Professor(a), a educação antirracista esta entre as suas tarefas históricas?

    Em toda minha memória escolar, dois contextos me marcaram muito: 1.:  todas as situações de racismo explícito, especialmente as chacotas ao meu cabelo. Na época eu usava muito tranças. Tão certo assim, logo quis alisá-lo. Passei guanidina, escovava, passava prancha e até ferro. Tudo isso era muito mais hostil com as meninas pretas retintas, de cabelos crespos. Alguns professores (as) sabiam e não falavam nada, era tudo muito naturalizado como “brincadeira”.  2.: Inquietações nas aulas de história. Para mim era realmente muito difícil entender a revolução francesa, seu ideal "liberdade, igualdade, fraternidade", ao mesmo tempo em que a frança escravizava pessoas negras. Eu me lembro de muitos detalhes desse aula, sentada na frente enquanto quase todos conversavam, e a professora branca não levava a sério as minhas perguntas.  As inquietações em sala se tornaram uma constante. Não se tinha internet, nem acesso a outras fontes como temos hoje. Tudo isso...

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