terça-feira, junho 15, 2021

Em Pauta

Vigília contra o assassinato de pessoas negras na Avenida Paulista nesta sexta-feira (11).  (Foto: Divulgação/Coalizão Negra por Direitos)

Coalizão Negra por Direitos faz vigília na Avenida Paulista em memória da população negra assassinada no Brasil

A Coalizão Negra por Direitos realizou, na tarde desta sexta-feira (11), em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), uma vigília em memória de Kathlen Romeu, jovem negra assassinada nesta terça-feira (8), e Gilberto Amancio de Lima, homem negro morto no último dia 14 de maio. Kathlen tinha 24 anos, era designer de interiores e estava grávida de 14 semanas. Ela levou um tiro de fuzil no tórax durante uma ação da Polícia Militar (PM) na comunidade de Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio de Janeiro. A PM negou que estivesse em uma operação e alegou que os agentes foram atacados. A família da vítima, porém, contestou a versão, disse que não houve troca de tiros e que os disparos partiram da polícia. Gibinha, como era conhecido Gilberto, de 30 anos, era pedreiro e tatuador. O rapaz estava indo fazer uma tatuagem em um vizinho, na Favela da Felicidade,...

Leia mais
Perifa Connection/Divulgação

Debate ambiental rompe bolha e chega nas favelas, onde mudanças climáticas serão mais sentidas

“Nada sobre nós sem nós.” Vi essa frase grafitada em um muro e foi como se a cidade traduzisse pra mim da forma mais simples possível o que há quase seis anos no Engajamundo, instituição que promove a atuação de jovens no enfrentamento de problemas ambientais, a gente vem espalhando, como sementes, nos espaços de juventudes. Saber que somos os mais afetados e vulneráveis aos impactos das mudanças do clima não é e nunca foi o bastante, pois não somos escutados na construção de soluções conjuntas. Lá nos anos 2000, falar de meio ambiente era papo distante demais pra quem tinha pouco acesso a quase tudo. A gente ficava só com o desespero de saber que tinha alguma coisa acontecendo no mundo, como um buraco na camada de ozônio e blocos de gelo do tamanho de um prédio derretendo. A geração que cresceu com a promessa de um aquecimento global descobriu que a...

Leia mais
(Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress)

Brasil é o 2º país com mais mortes de crianças por covid

Lorena viu a filha Maria, de 1 ano e 5 meses, morrer em seus braços. Com diagnóstico tardio, Lucas, de um ano, filho de Jéssika, enfrentou diversas complicações relacionadas à covid e morreu. José Rivera viu o filho Bernardo, de três anos, sucumbir à covid-19 uma semana depois de testar positivo. Eles não são exceções. Até meados de maio, 948 crianças de zero a nove anos morreram de covid no Brasil, segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe) compilados pelo Estadão. Sem políticas de proteção à infância, sem controle da pandemia e com escolas fechadas, o Brasil fica em segundo lugar no triste ranking de crianças vítimas da covid, atrás apenas do Peru. A cada um milhão de crianças de zero a nove anos existentes no País, 32 perderam a vida para a covid. No Peru, país com o maior número de mortes dentre os 11 analisados, foram 41 por...

Leia mais
Leandro Lehart, novo diretor do Centro Cultural São Paulo (CCSP) (Foto: Mariana Pekin/UOL)

O apogeu de Leandro Lehart, novo diretor do Centro Cultural São Paulo

Nos anos 2000, o autor dos versos "Mas ninguém me reconhece como grande cidadão" já figurava na lista de artistas com maior arrecadação de direitos autorais no país — mas, até abril de 2021, Leandro Lehart sequer sonhava em ser reconhecido como diretor do CCSP (Centro Cultural São Paulo). Antes de se tornar Lehart, ele atendia por Paulo Leandro Fernandes Soares e gostava de assistir às rodas de samba do próprio CCSP depois das longas jornadas de trabalho como office-boy. Em 1992, ano de seu último emprego com carteira assinada (Leandro Lehart foi fiscal de ICMS da Secretaria da Fazenda do Estado), vendia o vale-refeição e ficava sem almoço para pagar algumas horas de estúdio e gravar o primeiro disco do Art Popular, "O Canto da Razão". Eventualmente, faltava no serviço para se dedicar à música e, depois de um ano de malabarismos, ouviu de sua chefe: "Paulinho, não vou...

Leia mais
Oscar Vilhena Vieira, professor e cientista político (Foto: Jardiel Carvalho /Folhapress)

Simulacro democrático

Se a geração de meus professores se concentrou em responder quando termina o regime autoritário e se consolida a democracia, o desafio neste momento é, lamentavelmente, tentar compreender a partir de que ponto o regime democrático se converte em autoritário. Essa pergunta se torna particularmente mais difícil quando as ameaças às instituições, aos direitos e aos valores republicanos ou liberais partem de líderes eleitos, que se apresentam como representantes exclusivos da soberania popular, como na mais recente vaga de populismo autocrático. A questão não é nova. A degeneração da república romana e ascensão do despotismo imperial, como nos ensinou Montesquieu, foi marcada pelo emprego sistemático e abusivo de prerrogativas constitucionais e da legalidade, que terminou por subverter as próprias virtudes do governo das leis e da separação de poderes. Embora as instituições políticas brasileiras venham sendo submetidas a um teste extremo de resiliência, que culminou com a eleição de Bolsonaro, é...

Leia mais
Comissão ARNS (Divulgação )

Comissão Arns faz apelo à ONU pela segurança de testemunhas das mortes do Jacarezinho

A Comissão Arns ingressou nesta semana com um "apelo urgente” na Organização das Nações Unidas (ONU) para denunciar graves violações de direitos humanos na operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, que deixou 28 mortos na favela do Jacarezinho. O grupo é formado por personalidades do mundo jurídico, acadêmico e político, incluindo ex-ministros de Estado. Integrantes da Comissão explicaram na última terça-feira (1) que a decisão de acionar a ONU foi motivada pela urgência de proteger a lisura da investigação e garantir a segurança das testemunhas do caso. A expectativa do grupo é que a petição intensifique a pressão por transparência na investigação e mudança de protocolos em operações policiais por parte do governo brasileiro. O jurista Oscar Vilhena, diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas, afirmou que, se mantida, a postura adotada pelo governo brasileiro com relação aos organismos multilaterais pode ter consequências políticas. Nos últimos anos, o país...

Leia mais
Perifa Connection/Divulgação

Manifestações contra Bolsonaro são marginalizadas pela mídia brasileira

Apesar da mobilização de milhares de pessoas em mais de 200 cidades no Brasil e no mundo no dia 29 de maio, contra o governo Jair Bolsonaro, a mídia nacional não captou a mensagem mais importante do ato: todos nós queremos o fim da crise democrática neste país. Com diversidade de pautas, o uso da máscara PFF2 , álcool em gel e muita cautela, o movimento anti-Bolsonaro mobilizou a maior demonstração de oposição ao governo desde o início da pandemia do Coronavírus. Segundo pesquisa PoderData realizada em 26 de maio, a reprovação ao governo de Bolsonaro bateu recorde de 59%. Mesmo tendo o consenso político de que a democracia precisa ser restabelecida, o movimento apresenta divergências em como esta crise democrática deve acabar. Há aqueles que defendem o impeachment, e aquelas que só querem a derrota de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. O que faltou na cobertura jornalística de alguns veículos mainstream...

Leia mais
Foto: Marcio James/ AFP

Motoristas, domésticas e pedreiros estão entre os que mais morrem de Covid-19 em SP

Entre as atividades ocupacionais que mais registram mortes por Covid-19 na cidade de São Paulo entre março de 2020 e março deste ano estão as empregadas domésticas, pedreiros e motoristas de táxi e aplicativo, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Pólis com base em dados da Secretaria Municipal de Saúde. Individualmente, os aposentados respondem pelo maior grupo vítima da doença. Foram 9.925 mortes nesse período, o que corresponde a 32,2% do total. Outras 4.832 pessoas eram donas de casa (15,7%), e outros 3.391 (12,8%) morreram sem que sua atividade ocupacional fosse registrada. Por fim, os dados indicam que 37,8% das pessoas que morreram estavam empregadas no mercado de trabalho. Das mais de 30 mil mortes registradas, 23,6 mil (76,7%) não completaram 11 anos de estudo, ou seja, não finalizaram o ciclo de educação básica. “Considerando a escolaridade das vítimas como um indicador indireto sobre seu padrão de renda, os dados demonstram que a mortalidade...

Leia mais
Lewis Hamilton (Imagem: Reprodução/Imagem retirada do site Brasil 247)

Lewis Hamilton posta vídeo a favor de manifestações contra Bolsonaro

O heptacampeão britânico de F1, Lewis Hamilton, postou um vídeo das manifestações contra Jair Bolsonaro que foram realizadas em diversas cidades do Brasil no sábado (29). No vídeo, postado no Instagram do piloto, aparecem imagens aéreas da Avenida Paulista, em São Paulo, coberta pelos manifestantes. "Meu coração está com vocês Brasil", escreveu. Lewis Hamilton é conhecido por mostrar engajamento em questões sociais e ambientais. No passado, ele já fez diversas postagens sobre o Brasil relacionadas às milhares de mortes resultantes da Covid-19 e também condenou as queimadas na Amazônia. Confira a postagem da Mídia Ninja sobre o assunto. Vai HAMILTON!#ForaBolsonaro pic.twitter.com/NvztkmsIOx — Mídia NINJA (@MidiaNINJA) May 31, 2021

Leia mais
Giovanni Harvey, presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá (Imagem retirada do site Baobá)

Presidente Do Conselho Deliberativo Do Fundo Baobá, Giovanni Harvey Analisa A Importância Do Edital Vidas Negras: Dignidade E Justiça, Lançado No Início De Maio

No dia 5 de maio, o Fundo Baobá lançou mais um importante edital. Com o financiamento da Google.org, o edital Vidas Negras: Dignidade e Justiça vai apoiar entidades negras atuantes no enfrentamento do racismo, violência racial e incorreções que acontecem dentro do sistema de justiça criminal no Brasil. Uma grande iniciativa dentro de um país que fechou 2020 com a marca de 43.892 mortes, segundo o NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Concomitantemente ao lançamento do edital, o dia 6 de maio acabou entrando para a história brasileira como o dia da maior chacina ocorrida na cidade do Rio de Janeiro desde o século passado. Após a invasão do Morro do Jacarezinho por agentes policiais, 28 pessoas foram mortas. Um policial também morreu: André Leonardo Frias, 48 anos.  A motivação alegada pela polícia para a invasão do morro seria a...

Leia mais
Rio de Janeiro - Manifestante segura faixa durante protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, neste sábado (29) — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Veja como foram os atos pelo “Fora Bolsonaro” e por vacina no braço em todo o Brasil

Milhares de manifestantes ocuparam as ruas das 27 capitais e mais de 100 cidades pelo interior do país, neste sábado(29), para cobrar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, auxílio emergencial no valor mínimo de R$ 600,00 e maior efetividade no plano de imunização contra a covid-19. As mobilizações, convocada pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, ficaram marcadas pelo cumprimento de medidas de segurança sanitária para evitar a contaminação do coronavírus. Os manifestantes preservaram o distanciamento físico e usaram máscaras. Apesar da gravidade da pandemia, os movimentos populares decidiram ocupar as ruas para denunciar a escalada do negacionismo do governo federal e o descaso com a saúde da população. Além disso, os protestos pressionaram os parlamentares pela apreciação urgente dos pedidos de impeachment contra Bolsonaro que estão "encalhados" na Câmara dos Deputados. Com as ruas tomadas No Recife (PE), a tropa de choque da Polícia Militar de Pernambuco reprimiu...

Leia mais
Rio de Janeiro - Manifestantes protestam contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (29) (Foto: Pilar Olivares/Reuters)

Manifestantes fazem atos contra Bolsonaro e a favor da vacina: veja fotos dos protestos pelo Brasil

Atos começaram logo pela manhã deste sábado (29) em cidades como o Rio, Salvador, Belo Horizonte e DF. Participantes do protesto carregavam faixas e cartazes com palavras de ordem como 'Fora Bolsonaro' e 'Vacina Já'. São Paulo - Manifestantes protestam contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (29) — Foto: Leo Orestes/FramePhoto/Estadão Conteúdo São Paulo - Manifestante exibe faixa em ato contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (29), na Avenida Paulista, em São Paulo — Foto: Igor Smith/Futura Press/Estadão Conteúdo São Paulo - Manifestante exibe faixa em ato contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (29), na Avenida Paulista, em São Paulo — Foto: Igor Smith/Futura Press/Estadão Conteúdo Rio de Janeiro - Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (29) — Foto: Bruna Prado/AP Rio de Janeiro -...

Leia mais
Foto: Fernando Madeira

Para dar freio ao genocídio negro, Fora, Bolsonaro! 29 de Maio nas Ruas

PELO FIM DO RACISMO NA VACINAÇÃO! VACINAS PARA A POPULAÇÃO NEGRA, PELO SUS! PELO FIM DO RACISMO, DO GENOCÍDIO NEGRO, DA VIOLÊNCIA POLICIAL! POR JUSTIÇA POR MIGUEL! CHEGA DE CHACINAS! SOLIDARIEDADE ÀS FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS DO ESTADO! PELA MEMÓRIA DE ÁGATHA, DOS MENINOS DO CABULA, EVALDO, BETO FREITAS, JOÃO PEDRO, MICHAEL, RYAN, BREONNA E GEORGE FLOYD! NEM BALA, NEM FOME E NEM COVID. O POVO NEGRO QUER VIVER! Negros, favelados, pobres em todo o país não tiveram direito ao isolamento social. A gestão genocida da pandemia deixou a maior parte da população exposta ao coronavírus. Negras e negros foram as pessoas mais contaminadas, as que menos tiveram acesso a tratamento, e parcela majoritária das que morreram pela doença. Hoje, caminhamos para um número assustador de 500 mil mortes, fora as subnotificações e as pessoas que desenvolveram sequelas em razão da doença. No atual cenário de poucas doses de vacinas disponibilizadas,...

Leia mais
O sistema de atendimento com inteligência artificial, DEFI, implementado na Defensoria Pública do Estado de São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress

Entenda a advocacia popular e os meios de atendimento jurídico às minorias sociais

A pandemia sublinhou desigualdades, e o Judiciário teve que pensar formas de continuar atendendo suas demandas respeitando os protocolos de prevenção da Covid-19. Uma das soluções foi a adaptação ao ambiente virtual, que, embora não seja de acesso igualitário, permitiu a continuidade de atendimento jurídico a minorias sociais por meio da advocacia popular e de Defensorias. A Defensoria Pública de São Paulo, por exemplo, implementou o assistente virtual DEFI, que atendeu cerca de 122 mil pessoas desde agosto de 2020. Foram mais de 880 mil manifestações judiciais em áreas para além da criminal, como cível e família, infância e juventude. O período de isolamento social também é considerado um possível catalisador de casos de violência contra a mulher. Flávia Nascimento, coordenadora do Nudem (Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, afirma que mesmo mulheres que têm independência financeira para contratar advogados particulares veem...

Leia mais
Oscar Vilhena Vieira, professor e cientista político (Foto: Jardiel Carvalho /Folhapress)

Ativismo ou responsabilidade judicial?

Tornou-se senso comum no debate político brasileiro de acusar o Judiciário de ativista. Não gosto do termo. Prefiro distinguir as decisões judiciais em boas ou más, em função de sua maior ou menor aderência às regras do direito na solução de problemas concretos. Nesse sentido, a postura mais ou menos “responsiva” do Judiciário deve ser uma consequência da complexidade dos problemas que é convocado a resolver e da natureza dos direitos que cumpre assegurar. Na chamada “ADPF das favelas”, o Supremo Tribunal Federal foi chamado a julgar a grave omissão do estado do Rio de Janeiro em restringir o emprego abusivo da força letal pelas polícias contra as populações, sobretudo negras, que vivem em suas comunidades mais pobres, descumprindo inclusive decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A decisão cautelar do Supremo, em agosto de 2020, foi restringir a realização de operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro, durante...

Leia mais
(Foto: Marta Azevedo)

O que Jair diz não se escreve

O general Eduardo Pazuello conquistou no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de silenciar para não se incriminar na CPI da Covid. Foi ao Senado e, bem treinado, falou. Num par de dias, seguiu à risca a missão de (tentar) livrar de culpa o presidente da República e repartir, com estados, municípios, Judiciário e empresas, a própria responsabilidade no enfrentamento à pandemia da Covid-19, a mais grave em um século. O ex-ministro da Saúde colaborou pouco, quase nada, para esclarecer atos e omissões que já levaram à morte quase 450 mil brasileiros. Mas deixou às claras o método de atuação política e gestão pública de um governo que despreza a democracia. Não há compromisso com a palavra. O que Jair Bolsonaro diz não se escreve. Foi no que se anunciava como a quarta-feira do fim do mundo que Pazuello, em vez de medo, exibiu aos membros da CPI arrogância, e...

Leia mais
Vítimas do sexo feminino são a maioria entre as vítimas de violência contra crianças (Foto: Roos Koole/ANP/Arquivo)

Pandemia dificulta atendimento de crianças vítimas de violência, apontam especialistas

A necessidade de ficar mais tempo em casa, devido à pandemia da Covid-19, agravou os casos de violência contra as crianças, isso porque, segundo especialistas, as vítimas dificilmente têm acesso aos serviços de saúde. O Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba, que é referência em atendimento de vítimas de maus-tratos, recebeu 20% menos crianças vítimas de violência, seja ela sexual, física, psicológica, negligência ou autoagressão, em comparação ao ano anterior. Foram 554 casos registrados em 2020 contra 689 contabilizados em 2019. "Elas estão convivendo com os agressores, estão 'presas', muito mais vulneráveis. A maioria dos casos de violência contra as crianças ocorre em casa, por algum familiar ou pessoa próxima. Isso tudo somado ao fato de as pessoas estarem menos tolerantes, mais irritadas, com problemas sociais", diz a psicóloga Daniela Prestes. Os dados do hospital indicam que a maioria das vítimas, 67,5%, é composta por meninas. Entre os 554 atendimentos na...

Leia mais
(Foto: REUTERS/Pilar Olivares)

Periferia é o alvo do genocídio resultante do descaso com a pandemia

Faltando um mês para o início do inverno na maior parte de seu território, o Brasil parece prestes a entrar numa armadilha catastrófica – a terceira onda da covid-19. A morte, filha da negligência, fecha sua pinça. De um lado, a população está sendo exposta como nunca ao vírus. As políticas de quarentena que, embora parciais, produziram redução notável das internações a partir do final de março, foram relaxadas prematuramente, ao primeiro rumor de insatisfação do poder econômico. Uma pesquisa Datafolha acaba de apontar que o índice de isolamento nunca foi tão baixo. E a vacinação, que poderia ser a última saída, arrasta-se ou engasga, fruto da sabotagem continuada do governo federal e da incapacidade tecnológica dos laboratórios do país, após décadas de desinvestimento. Imagem retirada do site Outras Palavras   Reunindo apenas 2,6% da população do planeta, o Brasil já acumula 12,9% das mortes por...

Leia mais
Flávia Oliveira (Foto: João Cotta)

Podemos ter uma geração que não se preparou para o mercado de trabalho por falta de oportunidade

Flávia Oliveira repercute um estudo da FGV sobre o cenário dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos sob efeitos da pandemia. O foco foi na inserção no mercado de trabalho e nos chamados "nem-nem" (nem estudam, nem trabalham). "É um grupo de altíssima vulnerabilidade no presente e na perspectiva de futuro, por isso a gente precisa criar políticas para esse grupo", defende. "Está forte no Nordeste, periferias e no Rio de Janeiro, onde 24% da população integra o grupo. No fim do ano passado esse número aumentou para 27% só na capital fluminense", destaca. Ouça

Leia mais
Carolina Maria de Jesus à margem do Rio Tietê e, ao fundo, a Comunidade do Canindé — Foto: Audálio Dantas, 1960

‘Até o feijão nos esqueceu’: o livro de 1960 que poderia ter sido escrito nas favelas de 2021

Filhos passando fome. Dificuldade para comprar itens básicos devido à alta de preços. A coleta de sucata como única fonte de renda em meio ao desemprego. A dura rotina de violências sociais vivida pela escritora negra Carolina Maria de Jesus na década de 1950 se assemelha à realidade que muitos brasileiros têm enfrentado em meio à pandemia do coronavírus. "Como é horrível ver um filho comer e perguntar: 'Tem mais?' Esta pergunta 'tem mais' fica oscilando dentro do cérebro de uma mãe que olha as panela e não tem mais", escreveu Carolina em seu livro de estreia. Quarto de despejo: diário de uma favelada foi lançado em 1960 e retrata a vida da autora e de seus três filhos na favela do Canindé, em São Paulo, entre julho de 1955 e janeiro de 1960. A obra manteve a grafia original da autora, que estudou só até o segundo ano primário....

Leia mais

Últimas Postagens

Artigos mais vistos (7dias)

Twitter

Welcome Back!

Login to your account below

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Add New Playlist