quarta-feira, novembro 30, 2022
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Relatório do II Ciclo Nacional de Conversas Negras: ”Agosto Negro o Que a História Oficial Ainda Não Conta

por Arísia Barros

A cidade de Maceió-AL sediou no período de 25 a 27 de agosto, a segunda edição do Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro o Que a História Oficial Ainda Não Conta”.

A primeira edição do Ciclo aconteceu em 2010, no período de 24 a 26 de agosto.

Uma iniciativa do Projeto Raízes de Áfricas o II Ciclo é um projeto de ação com permanente continuidade e visa a inovação e avanços na cultura das Conversas Negras e a consolidação de caminhos legais e possíveis para reflexão e o redimensionamento da questão estrutural do racismo, não só nos currículos das escolas,mas em todos os espaços formativos.

E, sobretudo, discutir o racismo como violência de caráter endêmico, implantada em um sistema de relações assimétricas, fruto da continuidade de uma longa tradição de práticas institucionalizadas.

Tendo como alicerces a transversalidade da Lei Federal nº10. 639/03, que criou a obrigatoriedade do estudo da África e dos afro-descendentes no currículo escolar, e a Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, o II Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta” foi aberto a diversas artes que dialogam com o pertencimento identitário e nossas histórias afirmativas.

Devido a problemas estruturais o espaço de realização do II Ciclo foi mudado do auditório da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas para o SENAI/AL.

A Laura Antunes, voluntária da Universidade Federal de Alagoas, foi a mestra de cerimônia, participaram ainda da equipe receptiva, Daniel, Roseane, Adjane, Thaís, Marta.

Contando com um expressivo público de 290 pessoas, a abertura do encontro, às 10 horas, no auditório do SENAI/AL, no bairro do Poço foi marcada pelos cantos africanos do Coral da 3ª Idade do SESC/AL, sob a regência do artista paraense Jailson da Silva Natividade.

Composta a mesa de abertura para o início dos trabalhos, a cantora lírica alagoana, Madalena de Oliveira, ostentando um cocar estilizado, saudou o público, com uma bela interpretação do Hino Nacional.

A Conferência das Múltiplas Diversidades: “As Políticas Afirmativas no Brasil e a Democratização da Equidade Humana” , com o Dr. Carlos Alves Moura/Ministério da Cultura e Mônica Oliveira do Ministério da Igualdade Racial/SEPPIR, deu inicio as atividades do dia 25 de agosto.Os espaços do II Ciclo foram pensados, também, para agregar homenagens a Abdias Nascimento. Elisa Larkin Nascimento proferiu no dia 25/08 palestra sobre “A política pós-Revolução de 1930, a Frente Negra Brasileira e Abdias Nascimento”

Além ocorreram duas reuniões, uma delas com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Dr. José Carlos Lyra, tendo como pressuposto o 13 de novembro, quando as cinzas de Abdias serão depositadas na Serra da Barriga, em Palmares/Alagoas.

Participaram da reunião da FIEA, Arísia Barros/Projeto Raízes de Áfricas, Elisa Larkin/IPEAFRO, Patrícia Mourão/Instituto Magna Mater, Carlos Alves Moura,/Ministério da Cultura e Mônica Oliveira/SEPPIR.

Foram muitas Conversas Negras, como a de Patrícia Irazabal Mourão, Diretora Executiva do Instituto Magna Mater, cineasta, produtora, RJ que falou sobre “Aqualtune, Ganga Zumba e Zumbi – três expressões de resistência negra” ,logo em seguida o antropólogo da Universidade Federal de Alagoas e Secretário de Cultura do município de União dos Palmares/Alagoas,Elson Davi abordou o tema “A invisibilidade do Quilombo dos Palmares e Zumbi na escrita ao longo dos séculos”,Scheila Dias , Associação de Mulheres Negras Aqualtune explanou sobre “Sankofa e as perspectivas das Jovens e Negras Feministas Contemporâneas” e “Mulheres, Feminismo Negro e as violências contemporâneas”. Na segunda mesa contamos com a participação da professora da Universidade Federal de Alagoas, Maria Aparecida Batista.

Durante dois dias especialistas de diversos estados e/ou municípios brasileiros ( Distrito Federal, Rio de Janeiro, Ceará, Piauí, Pernambuco, Amapá, Bahia, Rio Grande do Sul, República de Cabo Verde,Paraguai, União dos Palmares, Camaçari/Bahia, Maceió), dentre outros expuseram e debateram a diversidade e a complexidade do racismo brasileiro, nos mais variados aspectos.

A coordenadora do curso de Serviço Social da faculdade privada FITS, Silmara Mendes discorreu sobre a experiência pioneira de uma instituição particular em implementar “A Política da Inclusão Curricular da Disciplina Relações Étnicorraciais, em todos os Cursos da Faculdade Integrada Tiradentes, em Alagoas”.

Conversas informais que se transformaram em verdadeiras aulas expositivas produziram uma entusiasta predisposição do público, na sua grande maioria formado por universitári@s de faculdade particulares, de enfrentamento as desigualdades raciais.

Como bem o diz a aluna da Faculdade Integrada Tiradentes, em Maceió:”Sou Gilvânia Célia estou cursando Serviço Social da Faculdade- FITS participei do II Ciclo de Conversas Negras e aprendi bastante.

Aproveitei muito todas as mesas e debates que foram realizados, e também o Estatuto da Igualdade Racial que nem sabia que existia. Estou lendo e gostei bastante de conhecê-lo…

Diante disso, resolvi elaborar meu Seminário que irei apresentar em sala de aula sobre o tema:igualdade racial”.

O II Ciclo Nacional de Conversas Negras contou com o apoio e participação institucional na esfera federal do Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, representada por Viviane Faria- Diretora de Educação para Diversidade, Ministério da Cultura/Fundação Cultural Palmares, tendo como representante, Carlos Alves Moura e Ministério da Igualdade Racial/Secretaria de Políticas de Promoção para Igualdade Racial, da Presidência da República (SEPPIR), representando a senhora ministra Luiza Bairros, a senhora Mônica Alves de Oliveira

Em sua apresentação sobre o tema “Ainda sobre a implementação da Lei nº 10.639/03. É possível uma educação igualitária?”, a senhora Viviane Faria representante do MEC/SECADI foi ovacionada pelo público com expressivos aplausos.

A historiadora e mestra em educação pela Universidade Federal do Ceará – UFC, e presidenta do AYABÁS – Instituto da Mulher Negra do Piauí, Iraneide Soares da Silva dividiu as falas com Viviane Faria e expôs sobre seu livro Abrindo Caminhos- Construindo Novos Espaços de Afirmação: Ações Afirmativas para a População Negra Brasileira na Educação Profissional e Tecnológica”, Editora Appris– CURITIBA/PR

Como apoiadores locais tivemos a Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Fundação Municipal de Ação Cultural/Maceió, Teatro Linda Mascarenhas e Polícia Civil. Das parceiras empresariais contamos com a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Serviço Social do Comércio-SESC, Editora Ética e Instituto Avon.

Ainda como parte integrante da programação teve o lançamento do “Mapa da Intolerância Religiosa– Violação ao Direito de Culto no Brasil”, produzido por Marcio Alexandre M. Gualberto, jornalista profissional, Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras/CEN.

Diversos livros foram distribuídos ao público durante o II Ciclo. O Instituto Avon disponibilizou livros sobre violência de gênero e doméstica e folhetos explicativos sobre o câncer de mama.

Após a mesa redonda protagonizada pelo sociólogo, baiano e militante do movimento social negro, Carlos Martins e do Dr. Carlos Alves Moura da Fundação Palmares, denominada “Estatuto da Igualdade Racial o exercício jurídico entre o real e o legal”, os livretos do Estatuto da Igualdade Racial despertaram o interesse e foram muito disputados pelo público. Como o número enviado pela SEPPIR foi mínimo não pudemos atender a demanda de solicitações.

Kássia Motta, Doutoranda em Educação, na Universidade Federal do Ceará/UFC-Historiadora e Produtora Cultural partilhou uma valiosa experiência acadêmica “Entre a Escola e a Religião: desafios para crianças de candomblé em Juazeiro do Norte”.

A ação inovadora do SENAI trouxe do Rio Grande do Sul, a técnica do SENAI/RS, Simone de Araújo e Nívia Carvalho SENAI/AL que expuseram as experiências das “Ações Universais e Ações Inclusivas: Caminhos para o aprimoramento de Políticas de Formação Profissional em Etnia.- Uma ação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial”

O Troféu Erí-okán, uma homenagem a Abdias Nascimento foi apresentado a plenária do II Ciclo. Com o formato de um punho cerrado, simbolizando a luta que não se queda, o Troféu Erí-okán é esculpido na argila de União dos Palmares, tem como design o artesão Dinho e premiará 13 personalidades nacionais que contribuem efetivamente para a construção da igualdade racial no Brasil ou exterior.

O 3º dia do II Ciclo foi marcado por descontração e poesias. Aconteceu no Teatro Linda Mascarenhas, no bairro do Farol, o V Festival Alagoano das Palavras Pretas: Orikis: Axés do Sangue e da Esperança: Uma homenagem especialíssima para Abdias

Nascimento , com a emocionada apresentação de Elisa Larkin falando sobre seu marido Abdias Nascimento, como também a participação do Coral de crianças da Escola Municipal Paulo Bandeira/Maceió e do consagrado Coral da 3ª Idade do SESC/AL.

O público aplaudiu de pé as duas apresentações.

Aberto à sociedade o Festival Alagoano das Palavras Pretas a cada edição revela talentos, pessoas e caminhos.

Acontecido num belíssimo dia de sábado ensolarado e feriado o Teatro Linda Mascarenhas ficou com sua lotação esgotada.

Foi a festa da palavra numa perspectiva participativa novas vozes poéticas da etnicidade brasileira.

A segunda edição do II Ciclo realizado no mês de agosto e no (Black Agost) Agosto Negro com um público de 290 pessoas superou a primeira edição de 2010 quando o público foi de 120 pessoas e repercutiu positivamente entre os que enfrentam a discriminação e desigualdade racial, portanto é um projeto de continuidade…

Fonte: Raízes de Áfricas

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