Serrapilheira abre inscrições para editais que investem R$ 21 milhões em ciência

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Em parceria com FAPs, chamadas são destinadas tanto a jovens pesquisadores vinculados a instituições quanto a pós-docs negros e indígenas

O Instituto Serrapilheira abriu, nesta quinta-feira (4), inscrições para dois editais que vão investir mais de R$ 21 milhões em jovens cientistas. A 7ª chamada pública de apoio à ciência é destinada a pesquisadores em início de carreira com propostas originais, ousadas e arriscadas nas áreas de ciências naturais, matemática e ciência da computação. A outra iniciativa é voltada exclusivamente a cientistas negros e indígenas que pretendam fazer pós-doutorado na área de ecologia. As inscrições poderão ser feitas até às 15h de 25 de janeiro.

O objetivo das chamadas é criar condições para jovens cientistas desenvolverem suas pesquisas com recursos financeiros e autonomia na escolha dos projetos. Ao todo, serão selecionados até 42 pesquisadores nos dois editais, que ocorrem em parceria com fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs) de diferentes estados. Juntas, as iniciativas preveem investimento de no mínimo R$ 21 milhões, entre pagamento de bolsas e financiamento de pesquisas. O total ainda pode aumentar, dependendo dos recursos que cada FAP disponibilizará para os selecionados de seus respectivos estados.

“Após as experiências anteriores, atestamos cada vez mais que parcerias público-privadas efetivas são um bom caminho para o avanço da ciência, pois somamos a flexibilidade do financiamento privado à relevância do investimento público para o desenvolvimento do país”, destaca Cristina Caldas, diretora de Ciência do Instituto Serrapilheira.

Para Odir Dellagostin, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), a colaboração com o Instituto Serrapilheira fortalece o suporte à pesquisa no Brasil. “Essa parceria resulta em vantagens para a comunidade científica e para a sociedade, proporcionando um aumento significativo na capacidade de financiamento de projetos”, afirma.

A 7ª chamada de apoio à ciência é voltada a pesquisadores com vínculo permanente com instituições de ensino e pesquisa. Já a chamada exclusiva a pós-docs negros e indígenas é voltada para cientistas sem vínculo. Os editais completos podem ser acessados no site do Serrapilheira (https://www.serrapilheira.org/). Confira abaixo um resumo das chamadas:

7ª chamada pública de apoio à ciência

A chamada regular do Serrapilheira é voltada a pesquisadores de ciências naturais (ciências da vida, física, geociências e química), matemática e ciência da computação cujos projetos visam responder a grandes perguntas ousadas e arriscadas em suas áreas. A previsão total de investimento é de ao menos R$ 10 milhões. A iniciativa é uma parceria entre o Serrapilheira, Confap e 25 fundações de amparo à pesquisa.

Serão selecionados de 10 a 30 pesquisadores. Cada um receberá entre R$ 200 mil e R$ 700 mil, distribuídos ao longo de cinco anos, além de recursos adicionais para formação e inclusão de pessoas de grupos sub-representados em suas equipes. O edital e as inscrições podem ser acessados aqui:
https://serrapilheira.org/ano/chamada-publica-no-7-2023-ciencia/.

Podem se candidatar cientistas que já tenham concluído o doutorado e atuem como professores e pesquisadores em alguma instituição de ensino superior e pesquisa no Brasil. Esse vínculo deve ter sido firmado pela primeira vez entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de dezembro de 2023, o equivalente aos últimos seis anos. O prazo aumenta em dois anos para mulheres com filhos.

Outro requisito do edital é ter domínio da língua inglesa, já que as entrevistas serão conduzidas neste idioma, e ser autor principal de ao menos duas publicações científicas.

Selecionado na última chamada pública de apoio à ciência do Serrapilheira, o pesquisador Marcelo Campos, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), considera a iniciativa como um “um divisor de águas” em sua carreira.

“Além dos recursos de uma entidade privada para uma pesquisa de ponta que pode mudar paradigmas dentro da minha área, isso também me permitiu conhecer um monte de novas pessoas e estabelecer parcerias que eu nunca teria imaginado. Também me fez abrir os olhos e a mente para a qualidade da ciência no Brasil”, ressalta.

Chamada de apoio a pós-docs negros e indígenas em ecologia

Em sua segunda edição, é voltada a cientistas negros e indígenas com projetos na área de ecologia e que almejam obter, a médio prazo, uma posição formal como professor ou pesquisador. O objetivo, assim, é ampliar a participação desses grupos na carreira científica. O edital completo e inscrições estão disponíveis aqui:
https://serrapilheira.org/ano/chamada-conjunta-de-apoio-a-pos-docs-negros-e-indigenas-em-ecologia-no-2-2023/.

Ao todo, serão selecionados 12 candidatos, que poderão cursar o pós-doutorado em grupos de pesquisa nos estados das FAPs parceiras: Mato Grosso do Sul (Fundect), Pará (Fapespa) e Rio de Janeiro (Faperj). Como um dos objetivos da chamada é estimular a movimentação de pessoas e ideias, os proponentes devem buscar grupos de pesquisa nos quais não tenham nem se formado nem atuado antes.

Podem participar pesquisadores que tenham concluído o doutorado entre 1º de janeiro de 2013 e 30 de junho de 2024, prazo que também se estende em até dois anos no caso de mulheres com filhos. Os interessados não podem ter vínculo formal com nenhuma instituição de ciência e tecnologia no momento da assinatura do contrato. É necessário ainda ser o autor principal de pelo menos uma publicação científica.

A iniciativa prevê investimento de pelo menos R$ 11 milhões. Além de bolsa mensal de R$ 8 mil, os selecionados irão receber entre R$ 550 mil e R$ 800 mil para o financiamento da pesquisa durante três anos, renováveis por mais dois anos.

Selecionada na última edição, a pesquisadora Thamyres Sabrina Gonçalves destaca que a chamada exclusiva trouxe novas possibilidades de apoio para sua pesquisa.

“Graças ao esforço do Instituto Serrapilheira, da FAPERJ e de um monte de gente que acredita que dá para ser excelente sem ser racista, pela primeira vez me senti público-alvo de algo que buscava cientistas brilhantes sem ter um perfil branco subentendido no edital”, afirma. “Não é só o projeto de pesquisa, são as conexões, as possibilidades que se abrem, a sensação de não estar só.”

Sobre o Serrapilheira

Criado em 2017, o Instituto Serrapilheira é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que promove a ciência no Brasil. Foi criado para valorizar o conhecimento científico e aumentar sua visibilidade, ajudando a construir uma sociedade cientificamente informada e que considera as evidências científicas nas tomadas de decisões. O instituto tem três programas: Ciência, Formação em Ecologia Quantitativa e Jornalismo & Mídia. Desde o início de suas atividades, já apoiou financeiramente mais de 300 projetos de ciência e de comunicação da ciência, com mais de R$ 80 milhões investidos.

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