quinta-feira, abril 22, 2021

Tag: Associativismo Negro

Arquivo Pessoal

Respeitabilidade também é de luta: uma história da Sociedade Beneficente 13 de maio de Piracicaba

Os jornais de Piracicaba anunciaram que os “homens de cor” da cidade planejavam, pelo sétimo ano seguido, promover festejos em comemoração à abolição da escravatura. Pode-se dizer que, nas primeiras décadas do século XX, a expressão “homens de cor” era usada para identificar pessoas negras em situações respeitosas, em casos de desordens e suspeitas de crimes os periódicos costumavam chamar de pretos/as ou mulatos/as. A Gazeta de Piracicaba, na edição de 5 de maio de 1908, e o Jornal de Piracicaba, do dia 10 de maio de 1908, disseram que “Os sócios da Sociedade ‘Luiz Gama’ em marcha” sairiam da rua Santa Cruz, às seis horas da tarde, até sua “sede social, onde os aguardar o distinto orador dr. Osório de Souza”. Além dos ritos de costumes, que envolviam missa, préstito com vivas à imprensa, abolicionistas de prestígio nacional e local, discursos, músicas e fogos de artifício, eles desfilariam com ...

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Pretos e Mulatos em Clubes Sociais Negros num Pedacinho da Europa no Brasil

Pedro Victorino era um antigo sócio da Sociedade Recreativa União Operária, que reunia pessoas negras – ou melhor homens de cor, como se dizia na época – da cidade de Laguna, Santa Catarina. Em 1906, já não frequentava as atividades da associação, por isso resolveu se desligar e pagar a dívida que tinha, que ele acreditou ser de 13 mil réis. Porém, a direção lhe cobrou 17 mil réis. Discordando do valor do débito pendente, não fez o pagamento. A direção da entidade, então, tornou pública a pendência e Pedro resolveu responder publicando no jornal local, O Albor, na edição de 24 de agosto de 1906, uma carta aberta contra os dirigentes da “União Operária”. Magoado e ressentido, exclamava que o nome apropriado para a agremiação deveria ser “desunião operária”, que aquela era mais uma das “sociedades de encantos” que cresciam “só no calor do entusiasmo” para, depois, encerrar nas ...

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Lucas Ribeiro Campos Doutorando em História Social pela UFBA (Foto: Arquivo Pessoal)

A Sociedade Protetora dos Desvalidos e a Resistência Negra no Brasil

Neste 16 de setembro de 2020, dia dedicado à devoção católica à Nossa Senhora da Soledade, também conhecida como Nossa Senhora das Dores, comemoram-se os 188 anos de fundação da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), importante espaço de agência coletiva para muitas mulheres e homens negros desde a primeira metade do século XIX até os dias atuais. Essa associação, infelizmente pouco conhecida no Brasil, foi fundada em 1832, na cidade de Salvador, Bahia, no contexto dos primeiros anos de independência da nação brasileira, com o nome de Irmandade de Nossa Senhora da Soledade Amparo dos Desvalidos. A confraria religiosa surgiu da iniciativa de um grupo de trabalhadores negros livres e libertos, que incluía pedreiros, marceneiros, calafates, carregadores e trabalhadores do ganho, sob a liderança de Manoel Victor Serra, que trabalhava como ganhador (prestando serviços sob demanda) e se tornou um personagem importante na articulação da Irmandade nesses primeiros anos. Com ...

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