Tag: Boaventura de Sousa Santos

    Estátua da Liberdade em montagem em Paris, 1878 (Imagem retirada do site Outras Palavras)

    As estátuas do nosso desconforto

    As estátuas parecem-se muito com o passado, e é por isso que sempre que são postas em causa nos viramos para os historiadores. A verdade é que as estátuas só são passado quando estão tranquilas nas praças, partilhando a recíproca indiferença entre nós e elas. Nesses momentos, que por vezes duram séculos, são mais intencionalmente visitadas por pombas do que por seres humanos. Quando, no entanto, se tornam objeto de contestação, as estátuas saltam do passado e passam a ser parte do nosso presente. Doutro modo, como poderíamos dialogar com elas e elas conosco? Claro que há estátuas que nunca são contestadas, quer porque pertencem a um passado demasiado remoto para saltar para o presente, quer porque pertencem ao presente eterno da arte. Estas estátuas só não estão a salvo de extremistas tresloucados, caso dos Budas de Bamiyan, do século V, destruídas pelos talibãs do Afeganistão em 2001. As estátuas ...

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    (Alice Vergueiro/IBCCRIM)

    Para uma nova declaração universal dos direitos humanos

    O grande filósofo do século XVII, Bento Espinosa, escreveu que os dois sentimentos básicos do ser humano (afetos, na sua linguagem) são o medo e a esperança, e sugeriu que é necessário um equilíbrio entre ambos, pois medo sem esperança leva à desistência e a esperança sem medo pode levar a uma auto-confiança destrutiva. Esta ideia pode ser transferida para as sociedades contemporâneas, sobretudo num tempo em que, com o ciberespaço, as comunicações digitais interpessoais instantâneas, a massificação do entretenimento industrial e a personificação massiva do microtargeting comercial e político, os sentimentos coletivos são cada vez mais “parecidos” com os sentimentos individuais, ainda que sejam sempre agregações seletivas. É por isso que a identificação com o que se ouve ou lê é hoje tão imediata (“é isto mesmo que eu penso”, mesmo que nunca se tenha pensado sobre “isto” anteriormente), tal como o é a repulsa (“eu bem tinha razão ...

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    MARCELO CAMARGO:AGÊNCIA BRASIL

    A ideia de que há gente descartável é a verdadeira violação de direitos

    Sociólogo Boaventura de Sousa Santos estabelece o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado como os principais adversários da consolidação dos direitos do homem por Luciano Velleda  no RBA MARCELO CAMARGO:AGÊNCIA BRASIL Dedicando a palestra ao deputado federal eleito Marcelo Freixo (Psol-RJ), que teve um plano de atentado contra sua vida descoberto recentemente, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos fez uma análise pouco convencional sobre os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o futuro da luta por direitos no mundo. Uma luta que, segundo ele, deve ser fundamentada nos ideais anticapitalista, anticolonialista e antipatriarcal. Para o diretor do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, estes três elementos se articulam desde o século 16 contra os direitos do homem. “O drama da nossa sociedade é que o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado atuam juntos, enquanto nossas lutas estão fragmentadas e ...

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    Da Ilha da Maré a outro mundo possível. Artigo de Boaventura de Sousa Santos

    Pode uma ilha ser considerada sujeito de direitos humanos? Na Bahia, uma população negra e empobrecida acha que sim. Ao fazê-lo, afasta-se do capitalismo — e se aproxima de Espinosa. Por  Boaventura de Sousa Santos, no IHU Foto: Gustavo Lopes   O artigo é de Boaventura de Sousa Santos, sociólogo, publicado por Outras Palavras, 17-04-2018. Eis o artigo. A Ilha da Maré é uma ilha de 5.712 habitantes, mulheres e homens negros (93% da população declara-se “preta” ou “parda”, as designações usadas pela estatística oficial), localizada na Baía de Todos os Santos, pertencente ao município de Salvador. Parte da Ilha é um quilombo, terra para onde fugiram os escravos das plantações das redondezas em busca da liberdade. Os habitantes dedicam-se à pesca e à mariscagem e os seus manguezais constituem a peça central da economia local. O seu riquíssimo ecossistema tem sido destruído desde os anos de 1960 pela poluição causada pelas indústrias e empresas multinacionais construídas em volta da zona de operação portuária ...

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    Boaventura de Sousa Santos: ‘Estamos em uma transição da democracia para a ditadura?’

    Em debate promovido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, pensador português analisou os riscos de uma democracia dominada pelo poder econômico, que usa drones e notícias falsas como armas Por Fernanda Canofre dos Santos Do Rede Brasil Atual Um ano e meio depois de ter recebido o título de cidadão porto-alegrense — e ter feito uma crítica à cidade, com a qual diz ter uma forte ligação, por ter se afastado do espírito democrático que a tornou conhecida internacionalmente — Boaventura de Sousa Santos voltou à capital gaúcha. Desde a última vez em que esteve aqui, o pedido de impeachment que havia recém sido aceito pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), se concretizou e Dilma Rousseff (PT) foi retirada do governo. Seu vice, Michel Temer (PMDB) está envolvido em uma das piores crises políticas da história do país e pode responder a processo por organização ...

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    Boaventura: procuram-se horizontes, urgente

    A barbárie pós-moderna alastra-se. Como alternativa, proporemos apenas a diversidade? Talvez as epistemologias do Sul — outras maneiras de pensar, sentir e conhecer — nos sugiram uma saída As oito pessoas mais ricas do mundo têm tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial (3,5 bilhões de pessoas). Destroem-se países (do Iraque ao Afeganistão, da Líbia à Síria, e as próximas vítimas tanto podem ser o Irã como a Coreia do Norte) em nome dos valores que deviam preservá-los e fazê-los prosperar, sejam eles os direitos humanos, a democracia ou o primado do direito internacional. Nunca se falou tanto da possibilidade de uma guerra nuclear. Os contribuintes norte-americanos pagaram milhões de dólares pela bomba não nuclear mais potente desde sempre, lançada contra túneis no Afeganistão construídos nos anos de 1980 com o próprio dinheiro deles, gerido pela CIA, para promover os radicais islâmicos em sua luta contra os ...

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    “Vivemos em sociedades politicamente democráticas mas socialmente fascistas”, por Boaventura de Sousa Santos

    Boaventura de Sousa Santos é doutor em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale (1973), além de professor catedrático jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e distinguished legal scholar da Universidade de Wisconsin-Madison. Foi também global legal scholar da Universidade de Warwick e professor visitante do Birkbeck College da Universidade de Londres.  Por Boaventura de Sousa Santos Do Pensar Contemporâneo É diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e coordenador científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. De sua vasta obra, destacamos Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos (São Paulo: Cortez Editora, 2013), A cor do tempo quando foge: uma história do presente – crônicas 1986-2013 (São Paulo: Cortez Editora, 2014), O direito dos oprimidos (2014) e A justiça popular em Cabo Verde (São Paulo: Cortez Editora, 2015). Abaixo, reproduzimos trecho de entrevista concedida por Boaventura à revista IHU On-Line Para onde vai ...

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    Boaventura: “chegou a hora de uma nova esquerda”

    Golpe no Brasil revela revanchismo das elites – mas foi possível porque governo acomodou-se a velhos projetos e métodos. Já há condições para Outra Política Boaventura de Sousa Santos, entrevistado por Diego León Pérez e Gabriel Delacoste, em La Diaria | Tradução: Antonio Martins | Imagem: Liliana Porter Do Outras Palavras  “A autocrítica tem de ser minha também. Quantas vezes jantei com Rafael Correa, presidente do Equador e ao final cantei canções do Che Guevara, como se a revolução estivesse próxima”? É 16 de abril, em Montevidéu. No meio de entrevista que concede a dois jovens pesquisadores uruguaios, sobre a crise política no Brasil, o sociólogo português Boaventura Santos encontra espaço para reminiscências pessoais. Desde o início do século, ele foi talvez o intelectual mais próximo do conjunto dos processos de mudança que mudaram os rumos da América do Sul e agora estão sob ameaça conservadora. Ligou-se tanto aos governos quanto ...

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    Classe média é ingrata e não será leal a outros governos, diz Boaventura Souza Santos

    Fabio Braga/Folhapress  O sociólogo português Boaventura Souza Santos em 2013, durante entrevista A nova classe média, que foi integrada pelo consumo, é ingrata a quem lhe dá condições para ascender. Tende a se identificar com os que estão acima dela e não com os que estão abaixo. Também não será leal a outros governos. Para isso, terá que ser intimidada. no Folha de São Paulo O alerta é do sociólogo e economista português Boaventura Sousa Santos, 74. Segundo ele, se houver um ciclo político pós-PT, "ele será dominado pela inculcação do medo que leve à resignação das classes médias e populares". Na análise do professor da Universidade de Coimbra, há também "o interesse do 'big brother' em que desapareçam de cena governos nacionalistas que retiram ao mercado internacional recursos, como o Pré-Sal e a Petrobrás. Está em curso na região um novo intervencionismo 'soft'". Nesta entrevista à Folha, concedida por e-mail, ele ...

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    Desconstruindo preconceitos: a importância do ensino de história para a construção de uma nova cultura política

    Num artigo chamado “O que e como ensinar”, Jaime Pinsky assinala que uma das tarefas centrais do professor de história é ajudar o aluno a compreender e a melhorar o mundo em que vive. Outro aspecto, não menos importante, seria promover entre os alunos “o bom e velho espírito crítico”. Para tanto, “o passado deve ser interrogado a partir de questões que nos inquietam no presente (caso, contrário, estudá-lo fica sem sentido)”, tendo como referência questões sociais e culturais, assim como problemáticas humanas que fazem parte de nossa vida social. Temas como desigualdades sociais, raciais, sexuais, diferenças culturais, problemas materiais e inquietações relacionadas a como interpretar o mundo, lidar com a morte, organizar a sociedade, estabelecer limites sociais, mudar esses limites, contestar a ordem, consolidar instituições, preservar tradições e realizar rupturas devem ser trabalhados constantemente em sala de aula. Marco Antônio Machado Lima Pereira via Guest Post para o Portal Geledes ...

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    Os contextos da esquerda

    Há um século, as esquerdas dividiram-se entre a opção socialista/comunista e a opção social-democrática; hoje, continuam divididas, apesar de não haver condições para nenhuma das opções. O que sempre as uniu foi a luta por uma sociedade mais justa e uma vida digna para as grandes maiorias. Sendo mais do que nunca urgente o objetivo que as une, será possível atenuar o que as divide? Por Boaventura de Sousa Santos   Na Revista Fórum  Os países do sul da Europa sofrem ameaças semelhantes e enfrentam desafios comuns, mas os contextos em que terão de lidar com umas e com outros variam de país para país. A maior ameaça é a austeridade sem fim, o bem-estar convertido em luxo de poucos, a indignidade e a precariedade impostas a maiorias cada vez maiores, a corrupção como modo normal de fazer política, a financeirização da vida, a democracia transformada num espantalho vazio agitado ...

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    Boaventura examina a “onda Podemos”

    Partido-movimento sugere resgatar democracia sequestrada e pode impulsionar iniciativas semelhantes em todo o mundo – desde que não seja visto como solução mágica Por Boaventura de Sousa Santos, do Outras Palavras  Os países do Sul da Europa são social e politicamente muito diferentes, mas estão sofrendo o impacto da mesma política equivocada imposta pela Europa Central e do Norte, via União Europeia (UE), com resultados desiguais mas convergentes. Trata-se, em geral, de congelar a posição periférica destes países no continente, sujeitando-os a um endividamento injusto na sua desproporção, provocando ativamente a incapacitação do Estado e dos serviços públicos, causando o empobrecimento abrupto das classes médias, privando-os dos jovens e do investimento na educação e na pesquisa, sem os quais não é possível sair do estatuto periférico. Espanha, Grécia e Portugal são tragédias paradigmáticas. Apesar de todas as sondagens revelarem um alto nível de insatisfação e até revolta perante este estado ...

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    Carta aberta do professor Boaventura de Sousa Santos às autoridades brasileiras

    Apoio aos povos indígenas e repúdio à PEC 215/200 no CIMI Senhora Presidente Dilma Roussef Senhoras e Senhores Deputados ao Congresso Senhores Ministros Estatísticas oficiais estimam uma população de cerca de 900 mil indígenas no Brasil. São, ao todo, 305 povos que se comunicam em 274 distintas línguas. Esta incomensurável diversidade sociocultural de saberes e de práticas está em risco, com a aprovação da PEC 215/2000. A magnitude do que está em causa não pode ser subestimada. É um novo genocídio depois do que foi levado a cabo pelos colonialistas. E por essa razão estou consciente de medir bem as palavras quando afirmo que podemos estar perante um verdadeiro atentado contra a humanidade. Explico-me. Autoridades brasileiras estão diante de uma decisão que pode abalar definitivamente a garantia dos direitos dos povos indígenas no país. Parlamentares da chamada bancada ruralista, que representa os grandes proprietários de terra no Congresso Nacional, tentam ...

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