Tag: Boaventura Sousa Santos

    O colonialismo insidioso, por Boaventura Sousa Santos

    O termo alemão Zeitgeist é hoje usado em diferentes línguas para designar o clima cultural, intelectual e moral de uma dada época, literalmente, o espírito do tempo. Na idade moderna, dada a persistência da ideia do progresso, uma das maiores dificuldades em captar o espírito de uma dada época reside em identificar as continuidades com épocas anteriores, quase sempre disfarçadas de descontinuidades, inovações, rupturas. O que permanece de períodos anteriores é sempre metamorfoseado em algo que simultaneamente o denuncia e dissimula e, por isso, permanece sempre como algo diferente do que foi sem deixar de ser o mesmo. As categorias que usamos para caracterizar uma dada época são demasiado toscas para captar esta complexidade, porque elas próprias são parte do mesmo espírito do tempo que supostamente devem caracterizar a partir de fora. Correm sempre o risco de serem anacrónicas, pelo peso da inércia, ou utópicas, pela leveza da antecipação. Por ...

    Leia mais

    Descolonizar as universidades para uma ecologia dos saberes

    A DEFESA DA DESCOLONIZAÇÃO DAS UNIVERSIDADES FOI O MOTE DA CONFERÊNCIA DO PORTUGUÊS BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS NA UFMG. Foto: Reprodução/Educezimbra Do Educezimbra O evento integrou as atividades em comemoração aos 90 anos da UFMG. O intelectual foi apresentado pela professora da Faculdade de Educação e ex-ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, como um ativista cujas reflexões são uma provocação à produção de conhecimento nos moldes como é realizada hoje. “O Brasil ainda tem muito de Norte em si. Existem linhas abissais que separam o conhecimento científico de outros saberes, que separam os sujeitos que os produzem. É importante se inquietar e lutar pela descolonização da universidade”, destacou Nilma Gomes. A conferência tratou de questionar a hegemonia branca e ocidental em que o conhecimento científico está inserido, e chamou a atenção dos ouvintes para a necessidade de compreender as disputas de poder no processo de produção científica. ECOLOGIA DOS SABERES Motivado pelo desassossego com a ciência moderna, Boaventura ...

    Leia mais
    Foto:Caroline Ferraz/Sul21

    ‘A democracia representativa perdeu a luta contra o capitalismo’, diz Boaventura no FSM 2016

    O professor e sociólogo português Boaventura de Sousa Santos recebeu, na manhã desta quarta-feira (20), o título de cidadão de Porto Alegre, proposto pelo mandato do vereador Engenheiro Comassetto (PT). Antes da homenagem, ele ministrou o painel “Crise da representatividade e as novas formas de participação”, que também contou com o ex-governador Tarso Genro, o secretário da Educação Vieira da Cunha e a professora norte-americana Ruth Needleman. Um dos impulsionadores e entusiastas do Fórum Social Mundial, Boaventura participa de diversas atividades durante esta semana na capital gaúcha. Por Débora Fogliatto Do Sul21 “Porto Alegre não pode se esquecer de Porto Alegre”, pediu ele, após tornar-se cidadão da cidade, destacando que “dói um pouco ver que quem me ensinou esqueceu das lições”. Ele lembrou do papel da cidade ao sediar o primeiro Fórum e ao instalar o Orçamento Participativo (OP), em 1999, durante o governo de Olívio Dutra (PT), o qual disse considerar ...

    Leia mais

    Boaventura: ‘esquerdas precisam de um pacto’

    Em artigo na Carta Maior, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos afirma que o "êxito dos governos pactados à esquerda irá traduzir-se no devolver de alguma esperança às classes populares, ao mostrar, por via de uma governação pragmática e inteligente, que o direito a ter direitos é uma conquista civilizacional irreversível"; para o sociólogo, o neoliberalismo continua a produzir "medo em larga escala"; "As esquerdas são a areia que pode emperrar essa engrenagem"; leia íntegra Por Boaventura de Sousa Santos, no Brasil 247 O futuro da esquerda não é mais difícil de prever que qualquer outro fato social. A melhor maneira de o abordar é fazer o que designo por sociologia das emergências. Consiste esta em dar atenção especial a alguns sinais do presente por ver neles tendências ou embriões do que pode vir a ser decisivo no futuro. Neste texto, dou especial atenção a um facto que, por ser incomum, pode sinalizar algo ...

    Leia mais

    Agressividade da direita é um fenômeno global, por Boaventura Sousa Santos

    O que está em causa por Boaventura Sousa Santos no GGN A União Europeia pode estar a mudar no centro mais do que a periferia imagina.   O fenómeno não é português. É global, embora em cada país assuma uma manifestação específica. Consiste na agressividade inusitada com que a direita enfrenta qualquer desafio à sua dominação, uma agressividade expressa em linguagem abusiva e recurso a tácticas que roçam os limites do jogo democrático: manipulação do medo de modo a eliminar a esperança, falsidades proclamadas como verdades sociológicas, destempero emocional no confronto de ideias, etc., etc. Entendo, por direita, o conjunto das forças sociais, económicas e políticas que se identificam com os desígnios globais do capitalismo neoliberal e com o que isso implica, ao nível das políticas nacionais, em termos de agravamento das desigualdades sociais, da destruição do Estado social, do controlo dos meios de comunicação e do estreitamento da pluralidade do ...

    Leia mais

    Para ler em 2050

    É estranho que uma época que começou como só tendo futuro tenha terminado como só tendo passado. Por Boaventura de Sousa Santos, do Carta Maior  Quando um dia se puder caracterizar a época em que vivemos, o espanto maior será que se viveu tudo sem antes nem depois, substituindo a causalidade pela simultaneidade, a história pela notícia, a memória pelo silêncio, o futuro pelo passado, o problema pela solução. Assim, as atrocidades puderam ser atribuídas às vítimas, os agressores foram condecorados pela sua coragem na luta contra as agressões, os ladrões foram juízes, os grandes decisores políticos puderam ter uma qualidade moral minúscula quando comparada com a enormidade das consequências das suas decisões. Foi uma época de excessos vividos como carências; a velocidade foi sempre menor do que devia ser; a destruição foi sempre justificada pela urgência em construir. O ouro foi o fundamento de tudo, mas estava fundado numa nuvem. ...

    Leia mais

    Boaventura: Outro Mundo Necessário

    Quinze anos depois do primeiro Fórum Social Mundial, é tempo de um balanço. Mundo tornou-se mais violento, injusto e desigual. Encontro pode se renovar e tornar mais interventivo Por Boaventura de Sousa Santos, no Outras Palavras Escrevo de Tunis, onde participei no Fórum Social Mundial que se realizou pela segunda vez consecutiva no país que iniciou a “primavera árabe”, uma semana depois do atentado terrorista que matou 21 pessoas. O primeiro fato notável é que mais de 50 mil participantes, vindos de 121 países, não se deixaram intimidar pelos extremistas e mantiveram a sua participação como testemunho de solidariedade para com o povo tunisiano, o país do Magreb que realizou com mais êxito a transição da ditadura para a democracia. Um país pobre em recursos naturais, cuja maior indústria é o turismo, está no centro de uma região que serviu de berço ao capitalismo e sempre foi dominada pelo comércio ...

    Leia mais

    Boaventura: a Europa à beira do estado de sítio

    A liberdade de expressão e seus limites — inclusive no “Charlie Hebdo”… “Valores ocidentais” ou hipocrisia? EUA alimentam o fundamentalismo islâmico. As vidas festejadas e as vidas esquecidas Por Boaventura de Sousa Santos  Do Outras Palavras   O crime hediondo que foi cometido contra os jornalistas e cartunistas do Charlie Hebdotorna muito difícil uma análise serena do que está envolvido neste ato bárbaro, do seu contexto e seus precedentes e do seu impacto e repercussões futuras. No entanto, esta análise é urgente, sob pena de continuarmos a atear um fogo que amanhã pode atingir as escolas dos nossos filhos, as nossas casas, as nossas instituições e as nossas consciências. Eis algumas das pistas para tal análise. A luta contra o terrorismo, tortura e democracia. Não se podem estabelecer ligações diretas entre a tragédia do Charlie Hebdo e a luta contra o terrorismo que os EUA e seus aliados travam desde o 11 de ...

    Leia mais
    boaventura

    “Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos”, por Boaventura de Sousa Santos

    Sociólogo português Boaventura de Sousa Santos veio ao Brasil para o lançamento de dois livros: "Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos" e "Direitos Humanos, democracia e desenvolvimento", o segundo em coautoria com a filósofa Marilena Chaui.   Folha - "Se Deus fosse um ativista dos Direitos Humanos" é um título provocador. Sugere que o senhor acredita em Deus. E sugere que Deus poderia dar mais importância para os direitos humanos. É isso? Boaventura de Sousa Santos - De fato, não. O título é provocador. Eu não me comprometo com a existência de Deus. Sou como Pascal : diria que não temos meios racionais para poder afirmar com segurança se Deus existe ou não. O que podemos é fazer uma aposta: apostar se existe ou se não existe. Como sociólogo, o que penso é que há muita gente que aposta na existência de Deus e que organiza sua ...

    Leia mais
    boaventura2

    Justiça social e justiça histórica

    por: BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS   AO REGRESSAR de férias, o STF enfrenta uma questão crucial para a construção da identidade do Brasil pós-constituinte: é possível adotar um sistema de ações afirmativas para ingresso nas universidades públicas que destine parte das vagas a negros e indígenas? Ao rejeitar o pedido de liminar em ação movida pelo DEM visando suspender a matrícula dos alunos, o ministro Gilmar Mendes sugeriu que a resposta fosse dada em razão do impacto das ações afirmativas sobre um dos elementos centrais do constitucionalismo moderno: a fraternidade. Perguntou se se estaria abrindo mão da ideia de um país miscigenado e adotando o conceito de nação bicolor, que opõe "negros" a "não negros", e se não haveria forma mais adequada de realizar "justiça social" -por exemplo, cotas pelo critério da renda. Situar o juízo de constitucionalidade no horizonte da fraternidade é uma importante inovação no discurso do Supremo. ...

    Leia mais
    o-grito-do-ipiranga-quadro-de-pedro-americo-1888-museu-do-ipiranga-sp1

    As dores do pós colonialismo

    - Folha de S.Paulo 11 de Agosto de 2006 - Boaventura de Sousa Santos Cento e oitenta quatro anos depois, o Brasil parece finalmente estar a passar do período da pós-independência para o período pós-colonial. A entrada neste último período dá-se pela constatação, discutida na esfera pública, de que o colonialismo, longe de ter terminado com a independência, continuou sob outras formas mas sempre em coerência com o seu princípio matricial: o racismo como uma forma de hierarquia social não intencional porque assente na desigualdade natural das raças. Esta constatação pública é o primeiro passo para se iniciar a viragem descolonial, mas esta só ocorrerá se o racismo for confrontado por uma vontade política desracializante firme e sustentável. A construção dessa vontade política é um processo complexo mas tem a seu favor, não só um punhado de convenções internacionais, como também e, sobretudo, a força política dos movimentos sociais protagonizados ...

    Leia mais

    Últimas Postagens

    Artigos mais vistos (7dias)

    Twitter

    Welcome Back!

    Login to your account below

    Create New Account!

    Fill the forms bellow to register

    Retrieve your password

    Please enter your username or email address to reset your password.

    Add New Playlist