A cara do Pelô

Fonte: Diário do Nordeste-
A história de “Ó Paí, ó!”conquistou o público brasileiro por meio do cinema, em 2006, e da TV, em 2008. Neste fim de semana, os cearenses têm a chance de conferir a trama que deu origem às superproduções no Theatro José de Alencar com o elenco do Bando de Teatro Olodum

Com um espetáculo feito em duas semanas, os atores do Bando de Teatro Olodum não imaginavam que chegariam tão longe. Mas, foi exatamente isso que aconteceu com “Ó Paí, ó!”. Montado pela primeira vez em 1992, a produção segue com sucesso e é uma das atrações do Festival do Teatro Brasileiro – Cena Baiana.

 

Em cartaz amanhã e domingo no Theatro José de Alencar, “Ó Paí, ó!” leva ao palco cearense uma produção que permanece atual com a síntese que faz do modo de ser e sobreviver dos moradores e freqüentadores do histórico bairro do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador.

 

Segundo trabalho da trilogia do Pelô, o espetáculo foi montado em apenas duas semanas e os atores chegaram a pensar que a peça ainda não estava pronta. “Mas, o Márcio (Meireles – diretor) disse que estava pronto e que seria apresentado imediatamente”, conta a diretora de produção Chica Carelli.

Antecedido por “Essa nossa praia” e seguido de “Bye, Bye Pelô”, “Ó Paí, ó!” é até hoje a principal peça da trilogia. “Acredito que seja por conta da agilidade das cenas, do roteiro que é objetivo e tem humor”, comenta Chica.

 

Segundo a diretora, o principal destaque é o corpo de personagens. “Eles são muito ricos e o público, especialmente no Nordeste, se identifica muito porque é o retrato de uma população que não se via nos palcos e a peça veio falar desse pessoal que não tinha voz”, comenta.

 

Para conquistar essa identificação, os atores entrevistaram personagens da vida real, observando o máximo de detalhes possíveis. E este trabalho apurado conquistou o grande público no cinema e, dois anos depois, na TV.

 

Chica afirma que a projeção do espetáculo na grande mídia só trouxe bons resultados para a companhia. “Na verdade, esta projeção foi fruto de um trabalho de 20 anos de teatro e deu nos deu oportunidade de mostrar uma nova dramaturgia na TV, além de abrir a chance de conquistarmos novos públicos para o teatro”, diz a diretora.

 

Sinopse

 

Em “Ó Paí, ó!”, a realidade do Pelourinho Antigo é apresentada por meio de personagens cômicos, representativos dos mais diferentes tipos que movimentavam o bairro, e que dividem o ambiente de um pequeno cortiço administrado pela intolerante Dona Joana, a religiosa proprietária. São músicos, artistas plásticos, prostitutas, travestis, baianas de acarajé, proprietários de pequenos bares, associações comunitárias, blocos afros, enfim, personagens reais que, pouco a pouco, foram expulsos do local para dar espaço a um fictício shopping turístico.

 

A montagem retrata um dia na vida das pessoas que viviam no Centro Histórico. Um dia especial: uma Terça-feira de Bênção, quando a movimentação na área é ampliada e também as alegrias e sofrimentos dos moradores de uma região estigmatizada.

 

Enquanto se preparam para curtir a farra da Terça da Bênção, os moradores precisam enfrentar a falta de água no prédio e o extermínio de crianças da área a mando de comerciantes interessados na “limpeza étnica” do local.

 

Próximos passos

 

Patrocinado pela Petrobras, o Bando de Teatro Olodum está em processo de pesquisa para montar um novo espetáculo em 2010. Até lá, além de apresentar o repertório de espetáculos do grupo em diversas cidades brasileiras, alguns artistas estão envolvidos diretamente no projeto “Respeito aos mais velhos”.

 

“Nós conversamos com afrodescendentes e com base nesses depoimentos, vamos montar o próximo espetáculo. A memória do povo negro foi apagada ou mesmo por causa do sofrimento, muitos decidiram esquecer. Mas, isso é a nossa história e decidimos resgatá-la. É um bom momento para isso”, ressalta Chica.

 

Mais informações

“Ó Paí, ó!”, amanhã e domingo, às 19h, no Theatro José de Alencar (Pça. José de Alencar). Grátis. Classificação etária: 16 anos. (85) …. O Festival segue até 11 de outubro. A programação completa está no site: www.tembiu.pro.br.


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