Denúncias contra o racismo e o racismo ambiental vencem o Prêmio Megafone de Ativismo

O desabafo de Dona Lurdinha (@dona_lurdinha_de_acupe) sobre racismo ambiental, a marcha
contra o assassinato do congolês Moïse Kabagambe no Rio de Janeiro e Vitória Rodrigues, mulher
negra periférica, estão entre os vencedores da segunda edição do Prêmio Megafone de Ativismo –
primeira e única premiação brasileira para iniciativas e pessoas que se destacaram no exercício do
ativismo no país. Outros destaques da premiação deste ano são a Ministra de Meio Ambiente e
Mudança do Clima, Marina Silva, e a líder indígena e ativista Txai Suruí, vencedoras nas categorias
Prêmio do Juri e Megafone do Ano, respectivamente. O Megafone do Ano elege um ativista que
mais se destacou em 2022 . O Prêmio do Juri, por sua vez, é dedicado ao conjunto da trajetória de
luta.

Os premiados estão sendo anunciados pelas redes sociais em vídeos protagonizados pela atriz e
humorista Nathalia Cruz e receberão um troféu, que é uma obra de arte feita pelo artivista
Mundano.

Dos 14 finalistas, quatro são diretamente relacionados à defesa dos povos indígenas, três à defesa da
democracia, três a denúncias de racismo e dois à defesa do meio ambiente. “Embora sejam assuntos
diferentes, todos têm relação entre si, uma vez que direitos humanos e a preservação ambiental são
intrinsecamente relacionados com regimes democráticos”, ressalta Digo Amazonas, do Megafone
Ativismo, organização responsável pelo prêmio, junto a uma coalizão formada por Greenpeace Brasil,
Pimp My Carroça, WWF Brasil, Engajamundo, Instituto Socioambiental e Sumaúma Jornalismo.
“Democracia, meio ambiente e direitos humanos foram também as áreas mais atacadas pelo
governo Bolsonaro. O que o Prêmio Megafone destaca é a reação da sociedade civil em luta por seus
direitos assegurados pela Constituição e que estiveram em risco nos últimos anos”, completa.
Este ano houve um aumento de 20% nas inscrições, que vieram de todas as regiões do Brasil, com
destaque para as regiões norte e nordeste, que juntas representam 45% das inscrições.

Confira a seguir as categorias e os finalistas:

Ação direta: o premiado é o ato em defesa do rio Arapiuns (PA) feito nas águas, com pequenos
barcos comuns na região, chamados de rabetas – uma iniciativa do coletivo Guardiões do Bem Viver,
de jovens do PAE Lago Grande. Esta categoria destaca ações ativistas presenciais e diretas, ou seja,
que ocupem algum espaço para uma denúncia ou para impedir uma injustiça, por exemplo. Mais da
metade (60%) dos finalistas foram das regiões Norte e Nordeste.

Arte de rua: o premiado desta categoria é o CURA – Circuito Urbano de Arte, um dos maiores
festivais de arte pública do Brasil. Esta categoria, que teve 40% de mulheres e 50% de inscritos das
regiões Norte e Nordeste entre os finalistas, abrange grafite, lambe-lambe, intervenção,
performance, projeção em vídeo ou qualquer outra linguagem artística que tenha acontecido na rua.

Cartaz: a arte premiada , de autoria de @crisvector, é sobre o assassinato do ambientalista Bruno
Pereira e do jornalista Dom Phillips
. Nesta categoria, 60% dos finalistas eram mulheres.

Cidadão indignado: o desabafo de Dona Lurdinha (@dona_lurdinha_de_acupe) sobre um caso de
racismo ambiental é o premiado desta categoria, que visa dar visibilidade a desabafos indignados
abordando alguma realidade social ou socioambiental brasileira. Todos os finalistas desta categoria
eram negros, 80% das regiões Norte e Nordeste e 80% mulheres.

Documentário: o premiado desta categoria é O Território, dirigido por Alex Pritz. O filme já havia
sido premiado no Festival de Cinema de Sundance de 2022, onde venceu as categorias de Prêmio do
Público (World Cinema – Documentary) e Prêmio Especial do Júri (Documentary Craft). A obra conta
a história da luta do povo Uru-eu-wau-wau para proteger suas terras, em Rondônia, pelo seu próprio
ponto de vista. Nesta categoria, 60% dos finalistas eram mulheres.

Foto: a imagem premiada nesta categoria é a que retratou a indignação de passageiros do ônibus
contra manifestantes do 7 de setembro, feita por Lola Ferreira, no Rio de Janeiro.

Jovem ativista: a premiada desta categoria, na qual todas as finalistas eram mulheres, é Vitória
Rodrigues
, jovem ativista de São João de Meriti, na baixada fluminense, que com apenas 18 anos já
escreveu um projeto de lei.

Marcha ou manifestação de rua: democracia e direitos humanos dominaram esta categoria, que
premiou a marcha contra o assassinato do congolês Moïse Kabagambe no Rio de Janeiro.
Música ou clipe: a premiada é o hit das eleições do ano passado: “Tá na Hora do Jair”.

Meme: eleições e política são os temas da maioria dos memes selecionados como finalistas nesta
categoria do Prêmio Megafone na qual a dublagem das bolsonaristas em jogral se sagrou vencedora.

Perfil de rede social: apremiada entre as pessoas que melhor usarem seus perfis de redes sociais em
defesa de causas no ano passado é Samela Sateré Mawé, ativista indígena que aborda temas
relacionados a direitos indígenas, questões socioambientais, feminismo, entre outros.

Reportagem: a premiada a nesta categoria é a reportagem em formato de história em quadrinhos da
Revista Badaró sobre os constantes ataques contra o povo guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul.

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