domingo, novembro 28, 2021
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Élida: ‘O ativismo social salvou a minha vida’

Élida Miranda é uma mulher ímpar. Pós-graduada em Políticas Públicas e Gestão em Segurança Pública, é pedagoga e atua com os temas “violência e juventude negra”, “direitos sexuais e reprodutivos” e AIDS; coordenadora regional de juventude da Red de Mujeres Afrolatinoamericana, Caribenha e da Diáspora; e coordenadora de projetos no Fundo Brasil de Direitos Humanos; e responsável pela articulação de Juventude do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Recentemente foi reeleita Conselheira Nacional da Juventude do governo federal pelo segundo mandato consecutivo.

No entanto, a história dessa mulher irrefreável nem sempre foi assim – e é isso, em parte, o que a torna tão especial. Élida nasceu há 30 anos em um bairro especialmente violento da região metropolitana de São Paulo – e sentiu, desde cedo, o quanto o racismo e outras formas de discriminação são cruéis com os jovens.

“Mais da metade de meus amigos de adolescência foram assassinados, outros morreram de aids”, conta – lembrando que, de tanto ser espancada, chegou a “tentar o suicídio”. Ainda assim, coragem não lhe faltava: “Com a capoeira e o maculelê aprendi a me defender nas ruas; com a luta social, recuperei o senso de justiça”, diz.

De fato, é a ânsia por justiça o que move essa incansável militante desde sempre: Élida começou a atuar aos tênues 12 anos de idade no projeto “Arte na rua”; depois, participou do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR), o que deu a ela um olhar crítico sobre sua condição de jovem mulher negra da periferia.

Mais tarde, representando esse mesmo movimento, passou a integrar o Grupo de Trabalho Jovem do UNAIDS– e foi lá que, por meio de uma parceria com a UNESCO e o Ministério da Saúde, tornou-se pessoa-chave na elaboração, em 2002, de um livro-marco do protagonismo juvenil e prevenção ao HIV/AIDS no Brasil: AIDS, o que pensam os jovens.

“O que me salvou foi meu ativismo”, diz Élida. “O protagonismo juvenil é um motor com poder para impulsionar a sociedade: quando o jovem se apropria de sua história, ele encontra poder para transformá-la”, acrescenta.

Élida é em si mesma a maior evidência dessa tese. Recentemente, ao levar as ações da campanha Proteja o Gol, do UNAIDS, à Cidade Tiradentes – na periferia de São Paulo –, Élida se destacou mais uma vez.

Mas não é só, claro: Élida também coordenou o trabalho das voluntárias do projeto Promotoras Legais Populares, que sensibilizou os torcedores para a prevenção ao HIV e ao combate ao racismo e à violência doméstica durante a Copa do Mundo. O projeto, que contou com a supervisão técnica da Secretaria Municipal de Saúde e do Centro Testagem e Aconselhamento de São Paulo – com o apoio do Geledés –, foi considerado um grande sucesso e atraiu a atenção de Kweku e Ndaba Mandela, netos do ex-presidente sul-africano.

Porta-vozes da iniciativa Zero Discriminação, do UNAIDS, Kweku e Ndaba foram pessoalmente prestigiar o trabalho dessa jovem guerreira em São Paulo. Em se tratando de Élida, porém, sabemos que tudo isso é só o começo.

Confira abaixo o especial da ONU Brasil para o Dia Internacional da Juventude:

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Fonte: Onu

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