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Estudante é morto por bala perdida em ponto de ônibus na Tijuca

Gabriel Pereira Alves, 18 anos, chegou a ser socorrido no Hospital São Francisco da Providência de Deus, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a polícia, a base da UPP Borel que fica no Morro Chácara do Céu foi atacada por criminosos

Por Adriano Araújo, Rafael Nascimento e Thuany Dossares, Do O Dia

imagem de uma mão com sangue

 

Um estudante foi morto ao ser atingido por um tiro no peito enquanto esperava o ônibus em um ponto na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Gabriel Pereira Alves, 18 anos, ia para a escola quando começou o tiroteio e foi atingido na principal via do bairro. De acordo com a PM, a base da UPP Borel localizada no Morro Chácara do Céu foi atacada por criminosos.

Gabriel chegou a ser socorrido por um morador da comunidade que é motorista de aplicativo e o levou para o Hospital São Francisco da Providência de Deus, o antigo Hospital Ordem Terceira, mas não resistiu aos ferimentos. O garoto estava no ponto de ônibus em frente ao Carrefour, às 6h24. Ele era morador do Borel e cursava o terceiro ano do ensino médio no Colégio Estadual Hebert de Souza, no Rio Comprido. Familiares contaram que houve uma operação policial no morro no final da madrugada. A PM nega.

Gabriel estava com uma amiga no ponto de ônibus quando começaram os tiros. “Na hora que foram abaixar para se esconder dos tiros, ele já colocou a mão no peito. Ela achou que ele estivesse brincando, pediu para ele parar, mas ele disse que era sério e caiu”, contou Natanna Souza, 29 anos, prima do jovem. O pai do rapaz faz aniversário nesta sexta-feira.

Moradores e familiares realizam uma manifestação pacífica na Rua Conde de Bonfim, em frente ao ponto de ônibus onde Gabriel foi baleado. A via é interditada de forma intermitente a todo momento por pessoas com cartazes que pedem justiça. A Polícia Militar está no local.

Foto dos familiares e  moradores do Borel em uma manifestação em frente ao local onde Gabriel foi baleado
Moradores do Borel e familiares fazem uma manifestação em frente ao local onde Gabriel foi baleado, na Rua Conde de Bonfim , na Tijuca – Estefan Radovicz / Agência O DIA

O estudante era o filho do meio de três filhos e tinha o sonho de jogar futebol profissionalmente. “Ele era um menino alegre, gostava de futebol, tinha uma namorada, estudava, o que um garoto da idade dele faz. Ele tinha sim (sonho de jogar futebol), se não me engano treinava no Montanha Futebol Clube, na Usina”, contou a técnica em Nutrição. Atualmente, o jovem treinava futsal o Olaria Atlético Clube.

Segundo a PM, os criminosos dispararam de cinco a dez tiros em direção à base da Chácara do Céu, mas conta que não houve revide e nenhum policial ficou ferido. O policiamento foi reforçado após o ataque. A Polícia Civil foi ao local realizar perícia e deve ouvir familiares do rapaz no hospital. A investigação ficará a cargo da Delegacia de Homicídios (DH-Capital).

De acordo com a direção do Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF), Gabriel Pereira Alves, deu entrada na emergência, por volta das 7h40, já sem vida. “O paciente apresentava ferimento por arma de fogo na região do tórax”, disse a unidade de saúde.

Deputada criada no Borel critica ‘política de morte’

A deputada estadual Mônica Francisco (Psol) esteve no hospital para onde Gabriel foi socorrido para apoiar os familiares. Nascida e criada no Morro do Borel e amiga da família, ela criticou o que chamou de “política de morte”, que segundo ela é defendida pelo atual governador, Wilson Witzel, e faz vítimas de ambos os lados.

“Sou amiga da família, fomos nascidas e criadas todas juntas aqui no Borel. Ele saiu como faz todos os dias, conhecemos desde que nasceu. Ele estava pronto para ir para a escola, o amigo chamou para descer, como todo favelado e toda favela faz, o tiro parou a gente desce para trabalhar, para estudar, achando que o tiroteio acabou”, disse a parlamentar.

“Foi isso que aconteceu, um tiro no peito, de um menino de 18 anos, mais um jovem negro morto nessa política de morte, que prioriza o confronto, que mata policial, jovem, negro, como o que morreu ontem, só vai mudando o lado da tragédia. Seja um jovem policial morto, seja um jovem do varejo da droga, um estudante”, criticou.

A deputada questionou operações policiais durante o horário de grande movimento nas comunidades e disse que a “política de morte” do atual governo só aumenta a violência. “O horário é de escola. A gente sempre reitera isso, por que fazer operação no horário que as pessoas estão descendo para trabalhar, estudar? Muita gente aqui nesse hospital trabalha a noite e tem que subir. É uma violência recorrente que só se reforça com as últimas declarações do governador Wilson Witzel”, falou.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Mônica Francisco voltou a criticar o governo. “Não vamos parar de denunciar o terrorismo do estado que mata jovem negro, pobre, das periferias. Uma política que nos mata na educação, na saúde, nos transportes. Vamos continuar resistindo e lutando. As últimas declarações resultam nisso, na morte de um jovem que estava indo para a escola tentando melhorar sua qualidade de vida e sua história”.

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