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Falando sobre diversidade

Falando sobre diversidade

por Flaviana Menezes via Guest Post

Nas minhas palestras, pergunto aos adolescentes:

– Vocês conhecem os Pokémons?
– Sim! Tem o Bulbasaur, o Butterfree, o Weedle, o Kakuna, o Pikachu, o Raichu, o Nidoqueen…
– Legal! Os pokémons são todos iguais?
-Não! Eles são diferentes!
– Mas vocês gostam deles mesmo assim?
– Sim! Eles são muito legais! Eles têm poderes e evoluem e… e…
– Então vocês me disseram que – mesmo com toda diferença entre eles – vocês gostam muito deles. Como os Pokémons, nós todos somos diferentes! Aqui na sala há pessoas altas, baixas, magras, gordas, com a pele clara, com a pele escura, pessoas que têm mais dificuldades com Matemática do que com História e Geografia. Isso é diversidade! É pluralidade! Eu posso colocar todos os Pokémons na mesma pokebola?
– Não!
– Por que?
– Porque eles são diferentes!
– Conosco acontece o mesmo. Não podemos exigir que o outro seja como nós acreditamos ser correto e ideal para se conviver. Cada ser é único, especial e exclusivo. É essa diversidade no agir, no pensar, no trabalhar, no participar da vida social que nos tornam diferentemente lindos e surpreendentemente belos! Ao respeitarmos as diferenças, tornamo-nos seres melhores, dignos, amados e bem quistos por todos!
– Mas, tia, eu não gosto de viado nem de sapatão.
– Você tem todo o direito de não gostar de alguém. Agora, você não tem o direito de humilhar, maltratar, maldizer, agredir ou ofender quem quer que seja. Antes de se fechar em preconceitos repense a sua postura. Certamente, muitas pessoas não gostam de você. Como você se sentiria se elas o excluíssem das brincadeiras, dos estudos, da Igreja, se os seus pais o expulsassem de casa ou não lhe dessem roupa, comida e uma casa para lhe abrigar?
– Eu… Eu… morreria de tristeza.
– O preconceito mata pessoas todos os dias. O preconceito é uma roupa que não fica bem em ninguém. Quantas pessoas legais vocês feriram hoje por causa do preconceito? Quantas pessoas legais vocês mataram hoje por causa do preconceito? Quantas pessoas legais vocês matarão por causa do preconceito?
(Uma criança chora baixinho, outras ficam com o semblante triste e reflexivo)
– A vida é muito curta para deixarmos legados de dor. Todas as pessoas legais que revolucionaram o mundo o fizeram por serem diferentes! Por se importarem com o outro! Por serem assim, como vocês: diferentemente lindos e surpreendentemente belos!
Ao término, recebo vários abraços apertados das crianças e palavras carinhosas. Não sei se mudei vidas, no entanto, cada uma das crianças para as quais palestrei mudaram a minha vida para sempre!
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Flaviana Menezes é apenas uma Pokémon que até agora não se encaixou em uma pokebola por ser considerada “diferentona” demais aos olhos da sociedade. Mulher, negra, deficiente e periférica. Empoderada e empoderadora! Ativista! Feminista! Historiadora! Consultora da Associação dos Deficientes Físicos de Bom Despacho/MG! Palestrante! Fã da Elza Soares, Maria Alcina, Ney Matogrosso e tantos outros “diferentões”!


Registro fotográfico feito pela minha amiga Elza Almeida


* Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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